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18 Silêncios que Doem


Notas iniciais
Após um dia leve na feira, Luna é invadida pela culpa por ter se divertido mesmo ainda em luto. Ela se afasta emocionalmente, ignorando uma mensagem gentil de Noah. Enquanto ambos lidam com seus silêncios, Luna se permite ser vulnerável e responde com sinceridade. Noah, compreensivo, mostra apoio sem pressioná-la. O vínculo entre os dois se fortalece em meio à dor compartilhada e à sensibilidade do momento.

Luna


Voltei da feira com um peso estranho no peito.

Foi um bom dia. Leve. Divertido até.

Eu ri, comi churros, andei na roda gigante com Noah…

E agora estou aqui, no meu quarto, olhando para uma das fotos coladas na parede.

Paris. Meus pais sorrindo. Meu sorriso também.


Mas agora tudo parece errado.

Como é que eu pude rir tanto hoje?

Como consegui achar bonito o jeito do Noah me olhar?


Sinto uma pontada no peito. Culpa.


Deito na cama e encaro o teto.

A saudade me invade como uma onda. Aquele tipo de tristeza que chega sem pedir licença.

Não sei se quero chorar ou me esconder.


O celular vibra.

Mensagem de Noah:


> “O dia foi legal. Você tava diferente, mais leve. Espero que esteja bem.”




Leio. Releio. E deixo sem resposta.


Não sei o que dizer.


Noah


Fico encarando o celular por alguns minutos.

Nada. Nenhuma resposta.


Talvez tenha sido demais? Talvez eu tenha me aproximado rápido demais?


Ou talvez ela só… não esteja bem.


A vontade é de perguntar de novo. Mas eu sei como é. Às vezes, a gente precisa do próprio silêncio.


Deito e encaro o teto.

Théo bate na porta, entra sem pedir.


— Você vai sair de novo hoje? — pergunta, com um olhar esperançoso.


— Não hoje, mano. Hoje é dia de ficar de boa — respondo, forçando um sorriso.


Ele se senta no chão com um caderno de desenhos.

Olho para ele e penso no Alex. No quanto ele se sacrificava pra manter a gente junto, sorrindo.

E agora estou aqui, tentando entender o que fazer com essa dor que não some.


E talvez Luna também esteja fazendo o mesmo.


Luna


Mais tarde, Britney entra no quarto sem bater — como sempre.


— Tá tudo bem com você? — pergunta, sem muito filtro.


— Só… cansada.


Ela olha em volta, vê a foto dos meus pais.

— Às vezes, quando fico triste, coloco fone de ouvido e finjo que o mundo não existe — diz, jogando o corpo na poltrona.


Fico surpresa com a tentativa dela de conversar.

— E funciona?


— Às vezes. Outras, eu só como chocolate e xingo o mundo.


Sorrio de leve. Ela levanta, ajeita o cabelo no espelho e diz:


— Ele gostou de você, sabia?


— Quem?


— Ah, finge não saber. O Noah.


Não respondo. Ela sorri, vira de costas e sai.


Fico olhando pro celular de novo. Pego. Digito. Apago.

Digito outra vez.


> “Desculpa por não responder. Foi um dia bom, mas... doeu também. Boa noite, Noah.”




Envio.

E fico olhando para o teto.


Noah


A resposta dela chega quando eu já tinha deixado o celular de lado.

Leio.

E entendo.


A dor dela não desapareceu. Só deu uma trégua. E agora voltou.


Digito de volta:


> “Tudo bem. Só quero que saiba que, mesmo nos dias ruins, você não tá sozinha.”




E, pela primeira vez em muito tempo, adormeço com uma sensação estranha.

Não de alegria.

Mas de conexão.