Money
32 Silêncios Incômodos
Notas iniciais
Os dias que seguiram ao almoço na casa de Noah foram mais leves — pelo menos na superfície. Luna sentia um misto de paz e inquietação, como se estivesse caminhando por um campo bonito, mas cheio de armadilhas escondidas.
Numa tarde chuvosa, seus tios a chamaram para uma conversa séria. Estavam com um advogado. O homem, sério e frio, explicou que as questões sobre o testamento e herança seriam resolvidas... com o tempo.
— Houve um erro nos registros de transferência de bens — explicou. — E, curiosamente, a investigação sobre a queda do avião foi oficialmente encerrada por falta de evidências criminais.
Luna sentiu o estômago revirar.
— Como assim encerrada? Meus pais eram pessoas influentes, não faz sentido uma resposta tão vaga — ela contestou, tentando manter a voz firme.
O advogado deu de ombros, com a serenidade de quem não pretendia se envolver.
— O laudo foi claro: acidente técnico. Nada mais.
Depois que ele foi embora, Luna subiu para o quarto em silêncio. Noah, que havia chegado pouco antes para buscá-la para um passeio, percebeu que algo estava errado.
— O que aconteceu? — perguntou, entrando com cuidado.
Ela contou tudo.
— Fecharam a investigação. Disseram que foi só um acidente. Mas... nada disso faz sentido. Meu pai me deixou uma carta. Disse que se algo estranho acontecesse, eu devia procurar por respostas.
Noah se sentou ao lado dela.
— E não é só isso — ele começou. — Hoje de manhã, minha mãe recebeu uma ligação. O seguro do Alex também foi barrado por “inconsistências no contrato bancário”. Tudo isso está errado.
— Parece que estão apagando rastros — completou Luna, sentindo um arrepio.
Eles se olharam por um instante.
— Acho que a gente precisa descobrir o que realmente aconteceu — Noah disse, firme.
Luna assentiu.
— E precisamos ter cuidado... Se alguém está escondendo algo, pode não gostar de ver a gente mexendo nisso.
Eles não sabiam ainda por onde começar. Mas sabiam o mais importante: não estavam sozinhos. E agora, mais do que nunca, confiar um no outro era essencial.
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