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56 Epílogo – O Amor Depois da Tempestade


Cinco anos depois.

O apartamento cheirava a café fresco e páginas de livro.

Luna estava sentada no chão da sala revisando fotografias para uma matéria importante. Espalhadas ao redor dela, havia imagens de pessoas, ruas, histórias e sentimentos congelados em segundos perfeitos.

Era isso que ela fazia agora.

Contava verdades através de imagens.

— Amor, você viu minha gravata azul? — Noah gritou do quarto.

Luna nem levantou os olhos.

— Você chama de “organização”, mas suas roupas vivem desaparecendo.

— Isso porque você rouba minhas blusas.

— Casal divide patrimônio.

Noah apareceu na sala ajustando os botões da camisa social, já rindo.

Mais velho.

Mais maduro.

Mas ainda com os mesmos olhos castanhos que um dia olharam para ela como se ela fosse a única coisa segura no mundo.

Agora ele trabalhava em um escritório especializado em crimes financeiros e investigações corporativas.

Alex teria ficado orgulhoso.

Ela tinha certeza.

Noah aproximou-se dela devagar.

— Você vai mesmo trabalhar sentada no chão?

— Inspiração artística.

— Bagunça artística.

Ela mostrou língua.

Ele riu.

Depois se abaixou apenas para beijá-la.

Daquele jeito calmo que só o tempo traz.

Sem urgência.

Sem medo.

Só amor antigo.

Na parede da sala havia fotografias importantes:

Emily e Théo.

A formatura deles.

Uma foto engraçada de Noah dormindo no sofá.

Os pais de Luna.

Alex.

Todos ainda presentes.

Porque o tempo não apagou ninguém.

Só ensinou a lembrar sem sangrar.

Mais tarde

Naquela noite, Noah insistiu para saírem.

— Você tá estranho desde cedo.

— Ofensivo.

— Tá nervoso.

— Talvez.

Luna estreitou os olhos imediatamente.

— Noah …

— Para de investigar as pessoas. Você faz isso profissionalmente agora.

Ela riu enquanto entravam no carro.

Noah dirigiu até o antigo parque da cidade.

O mesmo.

O lago.

O banco.

Tudo igual.

Luna percebeu na hora.

E o coração dela começou a acelerar devagar.

— Você trouxe a gente aqui…

— Porque foi aqui que eu percebi que tava completamente ferrado por você.

Ela começou a rir emocionada.

— Nossa, que declaração linda.

— Espera que piora.

Andaram devagar até o velho banco.

O vento frio bagunçava o cabelo dela do mesmo jeito de anos atrás.

Noah ficou em silêncio por alguns segundos.

Observando ela.

Como fazia desde os dezoito.

Como nunca deixou de fazer.

Então falou:

— Eu achei que ia te perder antes mesmo de te conhecer direito.

Luna sentiu os olhos marejarem imediatamente.

— Depois achei que ia perder pro luto.

Pro medo.

Pra verdade.

Ele sorriu pequeno.

Emocionado.

— E você ficou.

Ela já chorava quando ele colocou a mão no bolso.

— Isso aqui não é exatamente um pedido…

Porque, sinceramente?

Você já virou minha casa faz muito tempo.

A voz falhou.

Ela riu chorando.

— Noah…

Ele tirou a pequena caixa.

Os olhos castanhos brilhando.

— Mas eu queria perguntar oficialmente…

Abriu.

O anel refletiu a luz suave do lago.

— Você aceita continuar sendo meu lugar favorito no mundo?

Pronto.

Luna começou a chorar de verdade.

Mãos na boca.

Rindo ao mesmo tempo.

— Você ensaiou isso?!

— Três semanas.

No espelho.

Foi humilhante.

Ela riu no meio das lágrimas.

Então segurou o rosto dele exatamente como fazia desde adolescentes.

— Sim.

Sim, meu Deus…

Mil vezes sim.

Noah mal teve tempo de respirar antes dela beijá-lo.

Forte.

Emocionada.

Feliz.

E ali, no mesmo lugar onde dois adolescentes quebrados aprenderam a amar…

Dois adultos finalmente entenderam:

Eles sobreviveram.

Última cena

Domingo de manhã.

Apartamento bagunçado.

Théo mais velho reclamando da faculdade.

Emily rindo na cozinha.

Luna usando, novamente, um moletom roubado.

Noah apareceu atrás dela.

Braços em volta da cintura.

Beijo demorado na testa.

— No que tá pensando? — ele perguntou.

Luna olhou as fotografias na parede.

A vida construída.

As perdas.

O amor.

Tudo.

Então sorriu.

Aquele sorriso leve que demorou anos para nascer.

— Que achei que minha vida tinha acabado aos dezoito.

Virou o rosto para ele.

— Mas ela só tava começando.

Noah encostou a testa na dela.

Como sempre fazia.

— Ainda bem que você ficou.

Ela sorriu chorando baixinho.

— Ainda bem que você me encontrou.

✨ Fim.Algumas histórias começam em tragédias. A nossa começou na dor… e escolheu terminar em amor.


Notas finais
✨ Agradecimentos Chegar ao fim dessa história dói um pouquinho. Porque, em algum momento, Luna e Noah deixaram de ser apenas personagens. Eles viraram companhia. Viraram lar. Viraram aqueles personagens que a gente fecha o livro e ainda sente saudade como se fossem reais. Talvez porque eles nunca foram perfeitos. Eles erraram, tiveram medo, quebraram, choraram e quase desistiram. Mas escolheram continuar. Escolheram amar mesmo depois da dor. E acho que é isso que torna a história deles tão especial para mim. Escrever cada capítulo foi como acompanhar duas pessoas aprendendo, aos poucos, que felicidade não significa ausência de sofrimento — significa encontrar alguém disposto a permanecer mesmo nos dias difíceis. Então obrigada. Obrigada por acompanhar cada descoberta, cada lágrima, cada momento fofo, cada beijo, cada conversa no silêncio da madrugada e cada pedacinho do coração deles. Obrigada por amar o Noah comigo. Por abraçar a Luna. Por sofrer pelo Alex. Por acreditar que, mesmo depois da tempestade, ainda existia futuro para eles. E, sinceramente? Eu também queria mais deles. Queria mais domingos bagunçados no apartamento. Mais Noah emocionado escondendo o rosto no pescoço da Luna. Mais Théo sendo inconveniente e fofo ao mesmo tempo. Mais viagens, fotografias espalhadas pela casa, discussões bobas sobre roupas roubadas e beijos demorados na cozinha. Mas talvez o mais bonito seja justamente isso: A sensação de que eles continuam vivendo mesmo depois da última
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!