Money
28 Entre Luzes e Sombras
Notas iniciais
Luna
Acordei com a imagem da lanterna subindo para o céu ainda na cabeça.
O mundo parecia mais leve, mas dentro de mim… havia um nó.
Noah tem sido incrível. Ele me entende. Ele não julga. Ele apenas… fica.
E ontem à noite, quando segurei sua mão, tudo parecia certo.
Mas agora, sozinha no meu quarto, encaro o teto e me pergunto:
Será que estou sentindo algo real? Ou estou apenas tentando preencher o vazio?
Toco o pingente que ganhei da minha mãe. Às vezes, ainda imagino a voz dela me chamando para o café da manhã, ou o jeito que meu pai ria quando eu contava piadas ruins.
E então me sinto culpada por estar feliz.
Mesmo que só por um instante.
Minha tia bate na porta.
— Bom dia, querida. Dormiu bem?
— Dormi, sim. Sonhei com eles.
Ela entra, senta ao meu lado e segura minha mão.
— Sabe, Luna… amar alguém novo não apaga ninguém que você perdeu.
Seu coração não tem limite de espaço. Ele só aprende a caber mais coisas com o tempo.
Sorri, emocionada. Às vezes, ela sabe exatamente o que dizer.
Noah
Théo está cada vez mais calado.
Desde o velório do Alex, ele mal conversa.
Passa os dias no quarto, fones no ouvido, olhos fixos em um mundo que não é este.
Hoje, resolvi bater à porta.
— Posso entrar?
Demorou, mas ele respondeu:
— Pode.
Entrei e me sentei no chão, como fazíamos quando éramos pequenos.
— Lembra da vez que o Alex deixou a gente jogar futebol no banco da praça mesmo depois de escurecer? — perguntei.
Théo fez que sim com a cabeça.
— Ele levou bronca da mãe depois… — completou, baixinho.
Sorrimos.
— Eu sinto tanta falta dele, Théo.
— Eu também. Mas não como você. Você ainda consegue… viver. Eu não.
Meu coração doeu com aquilo.
— Eu estou tentando. Mas sabe o que tem me ajudado?
Ele me olhou com os olhos marejados.
— A Luna. Ela entende. Não porque diz coisas certas, mas porque ela sente tudo também.
Ficamos ali por um tempo, até que Théo perguntou:
— Você gosta dela?
Suspirei.
— Acho que sim. Mas ainda estou entendendo como isso funciona quando o coração está machucado.
Ele apenas assentiu.
E antes que eu saísse, disse:
— Me chama mais vezes pra conversar. Mesmo que eu não fale muito.
— Sempre, mano.
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