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28 Entre Luzes e Sombras


Notas iniciais
Após a noite especial no festival, Luna acorda confusa, dividida entre a leveza que sentiu ao lado de Noah e a culpa por estar feliz em meio ao luto. Em uma conversa sincera com sua tia, começa a compreender que seu coração pode aprender a sentir mais de uma coisa ao mesmo tempo. Enquanto isso, Noah tenta se reaproximar de seu irmão mais novo, Théo, ainda fechado após a morte de Alex. Ao compartilhar lembranças e falar de Luna, Noah percebe que talvez esteja se apaixonando, mesmo com o coração ainda em reconstrução. Ambos seguem aprendendo a amar mesmo com cicatrizes.

Luna


Acordei com a imagem da lanterna subindo para o céu ainda na cabeça.


O mundo parecia mais leve, mas dentro de mim… havia um nó.


Noah tem sido incrível. Ele me entende. Ele não julga. Ele apenas… fica.

E ontem à noite, quando segurei sua mão, tudo parecia certo.


Mas agora, sozinha no meu quarto, encaro o teto e me pergunto:

Será que estou sentindo algo real? Ou estou apenas tentando preencher o vazio?


Toco o pingente que ganhei da minha mãe. Às vezes, ainda imagino a voz dela me chamando para o café da manhã, ou o jeito que meu pai ria quando eu contava piadas ruins.


E então me sinto culpada por estar feliz.

Mesmo que só por um instante.


Minha tia bate na porta.


— Bom dia, querida. Dormiu bem?


— Dormi, sim. Sonhei com eles.


Ela entra, senta ao meu lado e segura minha mão.


— Sabe, Luna… amar alguém novo não apaga ninguém que você perdeu.

Seu coração não tem limite de espaço. Ele só aprende a caber mais coisas com o tempo.


Sorri, emocionada. Às vezes, ela sabe exatamente o que dizer.


Noah


Théo está cada vez mais calado.


Desde o velório do Alex, ele mal conversa.

Passa os dias no quarto, fones no ouvido, olhos fixos em um mundo que não é este.


Hoje, resolvi bater à porta.


— Posso entrar?


Demorou, mas ele respondeu:


— Pode.


Entrei e me sentei no chão, como fazíamos quando éramos pequenos.


— Lembra da vez que o Alex deixou a gente jogar futebol no banco da praça mesmo depois de escurecer? — perguntei.


Théo fez que sim com a cabeça.


— Ele levou bronca da mãe depois… — completou, baixinho.


Sorrimos.


— Eu sinto tanta falta dele, Théo.


— Eu também. Mas não como você. Você ainda consegue… viver. Eu não.


Meu coração doeu com aquilo.


— Eu estou tentando. Mas sabe o que tem me ajudado?


Ele me olhou com os olhos marejados.


— A Luna. Ela entende. Não porque diz coisas certas, mas porque ela sente tudo também.


Ficamos ali por um tempo, até que Théo perguntou:


— Você gosta dela?


Suspirei.


— Acho que sim. Mas ainda estou entendendo como isso funciona quando o coração está machucado.


Ele apenas assentiu.

E antes que eu saísse, disse:


— Me chama mais vezes pra conversar. Mesmo que eu não fale muito.


— Sempre, mano.