Money
8 Casa Nova
Notas iniciais
Luna
Nunca fui de chamar nenhum lugar de “lar”. Viver em hotéis ao redor do mundo me deu uma mala sempre pronta, mas nunca raízes.
Na primeira semana na casa dos meus tios, tudo ainda parecia provisório. Os cheiros, os horários, até os barulhos da casa. Mas aos poucos, as coisas foram se ajeitando... e eu também.
Minha tia Marianne era doce, mas prática. Não era de abraços o tempo todo, mas colocava frutas cortadas na bancada quando eu acordava mais tarde. Perguntava discretamente se eu precisava de algo — e mesmo quando eu dizia que não, deixava um cobertor dobrado no sofá. Pequenas coisas. Coisas que falavam sem palavras.
Meu tio Brian trabalhava muito, mas sempre me dava um “bom dia” caloroso quando nos encontrávamos, e fazia piadas bobas na hora do jantar, tentando me fazer rir. Quase sempre funcionava.
Trevor era... Trevor. Atleta, barulhento, competitivo. Mas um dia, ao me ver tentando alcançar um copo no armário, simplesmente pegou para mim sem dizer nada e saiu da cozinha com um “de nada” jogado no ar. Depois, começou a me chamar de “baixinha” com um meio sorriso — meio provocação, meio carinho.
Já Britney... bom, Britney era um capítulo à parte.
No começo, mal me notava. Estava sempre indo ou voltando de algum lugar, maquiagem impecável e roupas ousadas. Mas num sábado à tarde, entrei na sala e a vi de moletom, desarrumada, comendo pipoca e assistindo a um reality show de dança. Quando percebeu minha presença, bateu no sofá ao lado e disse:
— Senta aí, essa parte é boa.
Sentei. Assistimos juntas por quase uma hora. Ela não comentou sobre o programa, mas comentou sobre meu cabelo, minha roupa, meu colar. Nada muito profundo, mas era mais do que eu esperava dela.
No quarto, comecei a colocar algumas das minhas fotos na parede. Não só dos meus pais — também de paisagens, cidades que visitamos, momentos pequenos que eu quis guardar. Aquilo foi me deixando mais leve. Mais... presente.
À noite, depois do jantar, minha tia me chamou para ver um filme. Trevor e Britney estavam no sofá, cada um no canto, brigando pelo controle remoto. Meu tio surgiu com pipoca, e mesmo que ninguém combinasse nada, todos acabaram ali — juntos.
Não era minha antiga vida.
Mas, pela primeira vez, eu pensei que talvez... pudesse ser o começo de uma nova.
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