Notas iniciais
Foi difícil mais consegui passar O que estava na minha cabeça em palavras Obrigado Patricia e Sarah por me ajudarem!!! Espero que gostem e boa leitura!!!

Acordei com a luz suave da manhã entrando pelas janelas do hotel. Caminhei até a varanda e tirei uma foto de Paris. Era linda. Sempre foi. Mas naquele momento... eu não conseguia sorrir.

A cidade parecia distante, como se soubesse que era a última vez que eu a veria.


Já viajei o mundo inteiro com meus pais. Desde que me entendo por gente, a vida era feita de malas prontas, aviões e vistas incríveis. Meu pai, Ethan Collins, dono de um império bancário. Minha mãe, Emma, a esposa perfeita, sempre elegante, sempre amada. O casal que todos admiravam.


E eu? Eu era a filha que tentava não decepcionar. A filha perfeita.


Mas hoje... tudo mudaria.


Hoje eu partiria para o Canadá.

Sozinha.



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FLASHBACK


Estava terminando minha aula com a Sra. Elizabeth quando mamãe entrou no quarto do hotel. Como sempre, impecável: camisa pérola, calça bege, salto preto, um colar com pedrinhas brilhantes — presente do meu pai — e os cabelos loiros soltos, caindo suavemente sobre os ombros.


Seus olhos azuis, os mesmos que eu herdei, me observaram com ternura.


— Luna, meu amor... posso falar com você? Está terminando? — perguntou, com um sorriso contido.


— Sim, mamãe. Pode falar.


Ela pediu para a professora se retirar e, quando ficamos a sós, seu sorriso vacilou. Um nervosismo tomou conta do seu rosto. Eu me ajeitei na cadeira, sentindo o estômago revirar.


— Querida... você gosta da sua professora?


Franzi a testa.


— Gosto, sim. Mas... por quê?


— Ah, só estava pensando... Você nunca teve vontade de estudar numa escola de verdade? Conhecer outras pessoas da sua idade?


Fiquei em silêncio. A pergunta me pegou desprevenida. Sim, às vezes eu pensava nisso. Ter amigas de verdade. Conhecer alguém que não fosse um funcionário ou professor particular.

— Já pensei nisso, sim — confessei, desconfiada. — Mas por que a pergunta?


Mamãe respirou fundo.


— Porque eu e seu pai decidimos que você vai estudar em um colégio.


— O quê? — meus olhos se arregalaram.


Meu coração acelerou. Será que íamos finalmente morar num lugar fixo? Uma vida normal?


— Então vamos parar de viajar? Vamos viver juntos num lugar só?


Ela hesitou. E naquele instante, eu soube: não seria tão simples.


— Não, meu amor... — sua voz tremeu. — Eu e seu pai precisamos resolver um negócio importante, demorado. E... nesse tempo, você vai morar com seus tios. Brian e Marianne.


Tudo parou.


Meu mundo virou fumaça.


— Não. Eu não quero ir. Meu lugar é com vocês. Não me deixem... — minha voz quebrou, e as lágrimas escaparam antes que eu pudesse contê-las.


Mamãe me abraçou apertado.


— Eu sei, meu amor. Também dói em mim. Mas é necessário. Assim que tudo se resolver, a gente volta a viajar, juntas. Prometo.


Me afastei e olhei em seus olhos.


— Eu só quero ficar com vocês...


— E nós também queríamos isso. Mas você vai ficar bem. Você é forte. É incrível. E seus tios vão cuidar de você.


— Quando? — perguntei, com a voz baixa.


— Semana que vem. Eu sei que é rápido. Mas... quanto antes, melhor.



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FIM DO FLASHBACK


Agora, aqui estou eu. Minhas malas prontas. Paris se despedindo em silêncio pela janela.


Fui tomar um banho. Água quente. Gosto de pensar no banho. Tentar entender. Processar. Minha mãe disse que eles iriam para a Índia, resolver negócios importantes do meu pai. Ela não quis dar detalhes. Disse que seria chato, perigoso, e que me irritaria. Talvez. Talvez não. Eu obedeci, como sempre.


Vesti uma calça jeans preta, regata preta, camisa azul-escura e all-star. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto.


Descemos. Tomamos café. Ninguém falava muito.


No aeroporto, chamaram meu voo.


Meus olhos marejaram.


— Eu amo vocês. Espero que resolvam tudo logo. Não sei se vou aguentar ficar tanto tempo longe... — disse, chorando.


Mamãe também chorava. E papai, o homem de ferro? Estava com os olhos vermelhos.


— Nós também te amamos, meu amor — ela disse, beijando minha testa.


— Até eu tô chorando — ele tentou brincar, e me abraçou apertado.


Peguei minha câmera e tirei uma última foto nossa. Um instante congelado que eu não queria esquecer. Dei mais um beijo, um último abraço e caminhei até a entrada do embarque.


Antes de passar, virei. Eles ainda estavam ali, me acenando. Mandei um beijo e sorri, mesmo com o coração apertado.


Me acomodei na poltrona da primeira classe.

Encostei a cabeça. Fechei os olhos.


Hamilton, Canadá... estou chegando.

Por favor, que tudo dê certo.

Notas finais
Espero que tenham gostado estou muito feliz e comentem e se tiverem ideias falem ajuda bastante.