-Equipe Azul! – exclamou Moe, um dos monitores do acampamento, erguendo um lenço azul e sendo seguido pelos alunos que eram da equipe azul, quase todos de outras escolas de outros estados. Um outro monitor deu um passo à frente, sorrindo.

-Equipe Vermelha! – exclamou Jack, o monitor da ver, erguendo o lenço vermelho, sendo seguido pelos meninos mais velhos que, Jesse e John repararam, lançaram olhares de asco para Cooper e os garotos da St. Bernard’s.

-Equipe Amarela! –gritou Kath, outra monitora, erguendo o lenço amarelo e sendo seguida pelos alunos do Texas e alguns pequenos que eles não conheciam.

-Equipe Verde! – gritou Bill, outro monitor com o lenço verde, ao que Jesse, John, Cooper, Will, Shaun, Garrett, Vin e Brian se levantaram, o seguindo. Enquanto caminhavam pelo gramado na direção da clareira para combinarem estratégias e, segundo Bill, se conhecerem melhor, Shaun foi os explicando que Bill, por dois acampamentos consecutivos, foi monitor da equipe Vermelha, que nunca mudava, e que ele era duro com a sua equipe.

Chegaram na clareira e Bill se sentou, pedindo que os outros fizessem o mesmo. Tinha cabelo castanho, olhos verdes, e parecia bem simpático aos olhos dos outros, afinal, estava o tempo todo com um sorriso estampado no rosto. Assim que todos se acomodaram, o sorriso no rosto de Bill desapareceu, e ele assumiu uma expressão rígida, se colocando de pé.

-Vocês não são totalmente novos pra mim, mas eu sou novo pra vocês. –e caminhando ao redor deles, continuou com voz firme. –Eu não aceito atrasos da minha equipe, eu não aceito corpo mole na minha equipe, eu não aceito cara feia na minha equipe, e eu não aceito perdedores na minha equipe. Minha equipe é sempre a melhor, e minha equipe sempre ganha. Se estivermos escalando e alguém da equipe da Kath cair, ela vai fazer a equipe toda parar, e vai cuidar da criança. Se estivermos escalando e alguém da minha equipe cair, vamos continuar escalando, e azar de quem caiu. –parou os encarando. –As outras equipes tem espírito de união, nós temos de competição. Vocês vieram aqui pra perder? Eu não. Todos de pé! –exclamou e em segundos todos os integrantes estavam de pé, olhos arregalados. Bill os organizou em linha, de frente para ele, todos de coluna reta, pés juntos e bracinhos para trás.

-Qual é seu nome? –perguntou Bill parando à frente de uma garotinha de cabelos loiros e olhos azuis, que não parecia muito mais velha que Vinnie.

-Chauntelle DuPree, senhor! –exclamou ela, e Bill deu mais alguns passos, parando à frente de John.

-Qual é seu nome? –perguntou.

-John Nolan, senhor! –exclamou John, sem sequer se mexer. Bill não pareceu muito convencido, mas se adiantou para Jesse.

-Qual é seu nome? –gritou. Jesse respirou fundo, juntando ar nos pequenos pulmões.

-Jesse Lacey, senhor! –exclamou. Bill assentiu e foi para o pequeno Vinnie.

-Estão treinando a gente pro exército? –perguntou John baixinho, sem se mexer.

-O que disse? –perguntou Bill voltando irritado, encarando John.

É, não era bem o tipo de acampamento que eles imaginaram que seria.

Empurrou um copo para o lado oposto da mesa, encarando o par de olhos absurdamente azuis à sua frente, e o sorrisinho superior em seu rosto. Tinha horas que a vontade de cerrar o punho e quebrar a cara dele eram tão grandes, mas quando se lembrava que aquele se tratava do seu melhor amigo, a vontade ia embora. Era só que Jesse tinha aquele ar arrogante, mas quando o conheciam melhor as pessoas percebiam que não era bem assim que as coisas eram.

-Então vamos ver quem é que vira mais. –E Vinnie bateu a garrafa de tequila em cima da mesa, entre os dois. –E lembrem-se que ainda temos duas caixas no carro do Coop.

-Vamos precisar de muito mais que duas caixas. – garoto de quinze anos respondeu. Era óbvio que nunca havia enfiado uma gota de álcool na boca, mas sabia que seria resistente o bastante para beber mais que John.

Aliás, quem havia imposto o desafio havia sido ele mesmo, quando disseram que tinham as garrafas de tequila no carro, mas não sabiam o que fazer com elas.

Vinnie serviu os dois copos, sorrindo com os outros que rodeavam os dois na mesa da cozinha da casa de Garrett e Shaun.

Ninguém realmente esperava que os dois fossem agüentar mais que uma garrafa, mas entre falsos insultos, brincadeiras e piadas internas, os dois terminaram a segunda garrafa de tequila.

-Pode trazer outra. –ordenou Jesse batendo o copo na mesa. John o olhava, rindo alto de tudo que Jesse falava. Estava visivelmente bêbado, e já não tinha a menor consciência do que estava fazendo.

Aliás, todos ali duvidavam que algum dos dois teve consciência –desde o começo — da dimensão que aquilo tomaria caso algum pai ou mãe descobrisse que seus filhos estavam praticamente implorando para entrar em um coma alcoólico causado por tequila roubada de um armazém do porto.

-E tem mais, Nolan! Eu ainda estou vendo tudo no lugar. –disse Jesse virando mais um copo. John apenas riu alto.

-Gente, já não está bom? –perguntou Garrett tentando os convencer, pelo que seria a sétima vez, a desistir daquilo. John o encarou, correndo os dedos pelo cabelo castanho.

-Não! Eu tô bem. E a regra é quem cair primeiro. –disse virando outro copo. Jesse sorriu, pegou a garrafa, e com muita dificuldade serviu os dois novamente, deixando um pouco de tequila cair na mesa.

-No 3! –gritou Brian, que estava sentado na bancada, rindo o tempo todo, se divertindo horrores com a situação deplorável em que se encontravam seus amigos.

-Tá! — Exclamou Jesse segurando o copo. –Eu conto! Um... três! –e virou o próprio copo ao mesmo tempo que John.

Os dois se encararam rindo por um longo tempo, até que aos poucos as risadas foram cessando, deixando os dois no silêncio, se entreolhando. Era possível sentir a tensão entre eles a metros de distância, tão forte que fez os outros, que agiam apenas como telespectadores, se silenciarem, preso à cena na frente deles.

John estava sério, inclinado para frente na mesa, olhos castanhos nos azuis de Jesse, que também estava inclinado para frente, as duas mãos postas na mesa.

-Você é um idiota. –murmurou John para Jesse.

-Você é um babaca. –respondeu Jesse no mesmo tom, e John sorriu. –Tô tonto.

-Eu também. –disse John rindo.

-Vou ao banheiro. –se levantou Jesse – E não se atreva a sair daqui, porque eu ainda vou ganhar de vo... –avisou, caindo de cara em cima de Vinnie, inconsciente.

-Jesse? –chamou o mais novo tentando segurar o menor.

O som do outro lado da cozinha chamou a atenção dos meninos: John estava no chão, rindo.

Havia caído da cadeira.

Havia sido a duras penas que Jesse e John aprenderam a remar. Agora tinham os braços doloridos, os rostos queimados de sol, e uma fome estrondosa. O pior é que ainda não era hora do jantar, era só a hora livre, onde as crianças podiam fazer o que quisessem.

-Eu vou deitar em alguma sombra, e dormir. –choramingou John.

-Eu vou deitar com você, e com sorte nunca mais encontram a gente. –resmungou Jesse.

-O homem bateu em minha porta, e eu abri! Senhoras e senhores...

As vozes femininas chamaram a atenção de Jesse e John, que ergueram os olhinhos cansados para o canto de onde vinha a música. Havia um grupo com algumas menininhas, duas loirinhas de olhos azuis, uma de cabelos castanhos e uma de cabelos pretos, as duas últimas seguravam a corda e cantavam com a loirinha menor, enquanto a outra habilmente fazia os movimentos citados pelas outras três.

Nunca havia perdido.

-Como elas conseguem ter ânimo pra brincar depois de tudo aquilo? –perguntou John choroso.

-Porque elas são da equipe Amarela da tia Kath. –respondeu Jesse um pouco manhosinho. Não havia gostado nem um pouco em estar na equipe de loucos do tio Bill. –Provavelmente a tia Kath não as obriga a fazer flexão antes das atividades começarem.

-Mas a Chauntelle é da nossa equipe, Jess. –apontou John para a menininha loira cantando com as outras. Assim que os viu ela parou de cantar, acenando para eles.

-John, Jesse! Venham brincar com a gente. –chamou ela. As duas pararam de bater a corda, e a menininha que pulava parou em seguida, se virando para eles.

-Não, obrigado, Chauntelle. Nós vamos achar um canto pra dormir. –revelou John, ainda tentando descobrir o que elas tinham que não estavam podres em um canto igual a eles dois.

Devia ser coisa de mulher.

-Estão mortos assim só por causa das primeiras atividades? –perguntou a garotinha da corda.

-Você está em uma equipe legal, nem vem comparar. –respondeu Jesse. Chauntelle assentiu.

-Eles são da minha equipe, Sherri. –avisou a pequena. –Oi loirinho é o Jesse Lacey, o moreno é o John Nolan, e meninos, essas é minha irmã Sherri, e essas são nossas amigas, Meg e Kayla, que acabamos de conhecer.

-Na verdade era só porque estávamos precisando de alguém pra bater a corda. –continuou Sherri. –E elas nos devem favores.

Os dois meninos se entreolharam, se perguntando o que tinham a ver com isso, mas não disseram nada, não queriam ser obrigados a ficar no lugar das duas escravas de Sherri.

-Bom, nós vamos procurar nossa sombra pra dormir. –avisou Jesse dando meia volta.

-Se eu fosse vocês não faria isso. –avisou Chauntelle, e Sherri assentiu. Os dois se voltaram para elas, expressões confusas nos rostinhos cansados e queimados de sol.

-Por que? –perguntou John, curioso. Não é como se pudessem ser punidos por estarem morrendo de cansaço.

-Se os meninos do tio Jack verem vocês, eles vão acabar pintando vocês, ou batendo em vocês, já que são da equipe do Coop. –ela disse. –Por isso estou fazendo a Chauntelle se manter ocupada, pra não perceber o quanto está cansada, minha mãe fala que sempre funciona.

-Eles não vão fazer nada com a gente, nós não fizemos nada pra eles. Ainda. –disse Jesse girando nos calcanhares. –Vamos, John.

Obediente, John o seguiu. Não deram dois passos antes de ouvirem Sherri gritar:

-Jesse, sempre nos joelhos, pescoço e olhos!

Ignorando a mensagem, continuaram andando.

-Não acha que deveríamos ouvir a irmã da Chauntelle? –perguntou John, mas Jesse sacudiu a cabeça negativamente.

-Temos que ficar bem pra hoje à noite, pro primeiro jogo de baseball. –sorriu para John. –Além disso, eu não fui com a cara dela.