Notas iniciais
Ninguém aqui é meu, a South Shore não é criação minha, e eles estão meio OOC pra servir ao propósito da fic, que começa com eles nessa idade e bem, eu não tenho idéia de como era um mini-Jesse e um mini-John. =/
-Tem um lápis pra emprestar? –a voz ao lado do garotinho de cabelos castanhos desarrumados sobre a cabeça pediu. Ele se virou, curioso demais com o som novo na sala de aula para se preocupar em ignorar solenemente o infeliz que atrapalhava a sua leitura de “O Pequeno Príncipe”. No momento que bateu os olhos sobre o garoto, franziu a testa, achando um tanto quanto bizarro que a personagem principal do livro estivesse sentado ao seu lado. O garoto era, de longe, a mais perfeita réplica do que ele imaginava ao ler o livro: cabelos loiros em cachos, olhos azuis profundos e expressão meiga.

Só faltava o cachecol vermelho.

E ele não tinha certeza se Saint-Exupéry havia colocado olhos azuis em no garotinho do livro, mas o seu tinha. E também não se lembrava de ter visto o garotinho antes, ou de terem o apresentado à sala no primeiro dia de aula – que foi há dois dias – nem nada do tipo. Ele simplesmente havia surgido ali há alguns minutos e agora estava falando com ele. Talvez ele fosse mesmo o Pequeno Príncipe, e tivesse ido parar em Long Island por algum motivo desconhecido a John Nolan, o garoto viciado em livros. Tinha ímpetos de perguntar a ele se por acaso ele caçava cometas para poder viajar, mas achou que talvez isso fosse o constranger, afinal, não era toda criança de nove anos que lia Saint-Exupéry.

-O que você perguntou? – John o perguntou também, em voz baixa para que a professora não resolvesse tomar seu livro – era mais interessante que inglês! – e chamar sua mãe na escola de novo por ele estar lendo em sala de aula ao invés de estar fazendo o dever que a professora com tanto esforço impunha a eles.

-Perguntei se tinha um lápis pra emprestar... –ele sorriu. John assentiu, retribuindo o sorriso, e com dedos ágeis retirou de dentro do estojo um lápis extra, que esticou para o aluno novo. –Obrigado. Tá lendo o que? – ele perguntou girando o lápis entre o indicador e o dedo médio, sem medir o tom da voz, não parecendo ter mesmo medo da professora. O outro simplesmente ergueu a capa do livro para que o “pequeno príncipe” lesse o título. Ele sorriu, aprovando.

-”Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” –ele disse, e foi a vez de John abrir um largo sorriso, sem se importar com a professora.

-Você já leu? –perguntou impressionado. Podia ser que talvez tivesse alguém enfim que lesse as mesmas coisas que ele.

-É um dos meus favoritos. –ele respondeu, esticando a mão pequena que não estava com o lápis para ele. –Eu sou novo. Meu nome é Jesse...

-Lacey! E Nolan! –gritou a professora, fazendo o resto da sala se virar para eles, curiosos.

E pronto, assim John Nolan recomeçava mais um ano letivo já estreando seu histórico de nerd loser da sala.

-Bem-vindo à diretoria. Se quiser ser meu amigo vai passar muito tempo aqui comigo. –começou John quando entraram na sala de paredes brancas e móveis de nogueira. Havia dois bancos pretos, um de cada lado, como uma sala de espera em um consultório médico.

-Por que te mandam pra cá? –ele perguntou girando cento e oitenta graus sem sair do próprio eixo, observando tudo à sua volta com os grandes e atentos olhos azuis.

-Porque eu não presto atenção na aula. Eu fico lendo a maior parte do tempo e não! –exclamou. –Não senta nesse banco. Uma vez o menino do jardim II vomitou nele, deve ter as bactérias dele atééé hoje.

Jesse olhou com asco para o banco e se sentou no outro, encarando John e seu inseparável livro.

-Eu também gosto de ler. Não na aula, mas gosto de ler. Nos mudamos pra cá faz alguns dias, e meus livros ainda estão em caixotes. –ele comentou balançando as pernas curtas no banquinho preto, mas mãozinhas apoiadas no assento onde estava. John se sentou ao lado dele, balançando os pés também, movimentos ritmados com os de Jesse.

-Por que mudou pra cá? –perguntou curioso. Ele não tinha sotaque diferente, então provavelmente não era de muito longe.

-Porque compramos uma casa nova, e maior. Minha mãe vai ter outro bebê, meu terceiro irmão. –disse.

-Você é o mais velho? Eu tenho uma irmã só, e preferia não ter. Ela é chata, pequena, e faz coco nas calças. –John fez cara de nojo, abraçando o livro, enquanto Jesse ria.

-Não, o Rory é mais velho. Aí tem eu, a Carly e vai nascer o Kerry. E é normal crianças fazerem coco nas calças, você também fazia.

-Eu não fazia não! –John disse bravo. Não fazia. Nasceu sabendo ir ao banheiro, era um ótimo menino, muito educado e inteligente, sua mãe dizia.

-Mas até eu fazia! –exclamou Jesse indignado. –E olha que eu sou perfeito! Minha mãe fala que eu caí do céu!

Uh-oh.

-Caiu mesmo? –John perguntou sério, com os olhinhos arregalados. Ele era mesmo o garoto de quem Saint-Exupéry falava!

A porta da diretoria escolheu este momento para se abrir, e a mulher alta e loira chamou:

-Jesse Lacey e John... Nolan. –Ela disse os olhando. –Mas já está fazendo uma visita à diretoria, Nolan? E, olha só, com um livro e um amiguinho.

-Ah!!! Você tem um globo! –exclamou Jesse saltando do banquinho e entrando saltitante na sala da diretora da South Shore Christian School de Levittown, Long Island, New York.

É, John havia arrumado um louco para andar com ele.

Melhor que nada.

Saíram de lá uns dez minutos depois, direto para o intervalo. O refeitório era grande, espaçoso, com grandes mesas e bancos, em um dos quais John imediatamente se jogou, observando a fila enorme que se formava na direção da comida. Jesse se sentou na frente dele, sorrindo.

-Hey, tira esse sorrisinho da cara, seus pais acabaram de ser chamados na escola... junto com os meus. –John resmungou, deitando a cabeça pequena, cheia de cabelos castanhos bagunçados em cima da mesa, ainda com as mãozinhas agarradas ao livro.

-Meus pais não virão. –Jesse respondeu ainda sorrindo. –Meu pai é enfermeiro, trabalha muito, e quando ta em casa gosta de ver televisão, não sai do sofá. E minha mãe tem os bebês pra cuidar, e vai ter o Kerry, ela não se preocupa comigo.

-Que sorte. –John resmungou. –Vamos comer? –exclamou se animando em seguida, abrindo um grande sorriso, olhinhos brilhando –Hoje é quarta-feira, tem blueberry muffin de sobremesa!

-Quem chegar por último faz o dever do outro! –exclamou Jesse correndo com John para a fila do lanche.

-Com licença, eu vim buscar meu filho... –começou a mulher grávida, de cabelos loiros cacheados com uma faixa na cabeça, calça boca de sino, sapato e camisa. O porteiro a olhou, de cima a baixo primeiro, depois riu e continuou despachando as pequenas crianças que enxergavam seus pais no meio da bagunça.

-Senhor, com licença, eu vim buscar meu filho. –ela repetiu. O homem bufou, coçou a cabeça e encarou o monte de pequenas coisinhas se amontoando na porta.

-Qual é o nome do pivete? –perguntou.

-John Thomas Nolan! –berrou a mulher ao seu lado, fazendo a grávida dar um pulo, assustada.

-Mãe, acho que eu to vendo a cabeça dele... –resmungou enjoado o menino que ela segurava pela mão.

-Cala a boca, Rory! É pra ver ele inteiro, não só a cabeça, criança estúpida. –grunhiu, se esticando e abrindo a boca para seguir o exemplo da mulher de longos cabelos castanhos ao seu lado.

-JOHN! -berrou ela novamente. –Ah, crianças...

-JESSE THOMAS LACEY! –a grávida berrou o mais alto que podia, sorrindo consigo mesma quando a mulher ao lado tampou os ouvidos. -...são terríveis. Acham que não temos nada mais importante para fazer em casa.

-Ah, eu realmente não tenho. Mas é que minha pequena está na outra escolinha, tenho que a buscar ainda, e depois fazer almoço, e já deixar o jantar pronto pra quando o meu marido chegar. –comentou. O típico papo de dona de casa.

-Eu não. Minha empregada deixa pronto. Mas sabe como é estar grávida, eu realmente preciso ir ao banheiro. –comentou, soltando um “ah!” ao mesmo tempo que a mulher ao seu lado, quando duas crianças finalmente conseguiram chegar ao portão.

-Mãe, não precisa gritar igual louca, eu não sou surdo. –exclamou John, apontando Jesse. –Esse é o Jesse. Fizemos um monte de coisas legais hoje.

-E fomos pra diretoria! –exclamou Jesse empolgado.

-Ah, que bom querido. Dá tchau pro seu amiguinho e vamos logo porque a mamãe quer fazer xixi. –exclamou a Sra. Lacey já o puxando.

-Tchau, John! –riu ele, saindo.

-Tchau, Jesse! –exclamou John acenando.

-Diretoria, já? –perguntou sua mãe irritada.

Droga de Lacey.