Notas iniciais
Mais um cap :3

Após uma tarde de trabalho, despeço-me de Catarine e vou para casa me arrumar. Tomo um banho relaxante e vou procurar o que vestir. Algo simples, mas sofisticado iria servir para o passeio.

Ao terminar de me arrumar, olho-me no espelho e vejo no reflexo alguém que não sou. É verdade, pareço sério demais com a barba, mas com certeza minha aparência é melhor. Passo perfume e fico um tempo contemplando o quarto, para ver se não esqueci de algo. Feito a vistoria, desço para sala e pego meu casaco e a chave do carro, e é claro minha carteira.

A casa de Catarine não fica tão distante da minha, porém é contra mão a faculdade de Remi. As oito em ponto estou em frente a porta de onde minha secretária, porém agora amiga, mora.

- Você está linda! — eu digo enquanto abro a porta do carro para ela — Realmente caprichou no make, amiga — afirmo eu num tom bem gay. Ela ri alto e me da um tapinha no ombro.

- Ai você que deveria ter feito, ia ficar um arraso!

Entrei no carro e liguei o som. Ficamos o percurso inteiro conversando sobre diversas coisas agradáveis, que me fez esquecer das coisas ruins. Logo estávamos em frente a faculdade, e estaciono o carro numa vaga. Disco o número de Remi e ele prontamente me atende, dizendo que está perto e que só estava trocando a camisa. Pergunto pela garota, e ele diz que ela está na lanchonete da faculdade.

- Você pode ir buscar ela, por favor?

- Eu? Mas por que não você?

- É que eu quero me arrumar aqui direito, eu acabei me sujando na aula de hoje... Preciso ficar bonitão — ele disse rindo — Tudo bem pra você?

- Claro, sem problema, mas vou ter que dar a volta de carro, vou pro estacionamento G-4.

Desligo o telefone e suspiro, olho para Catarine que está entretida digitando algo em seu celular.

- Está fazendo check-in?

- Isso também — ela responde, sorrindo

- Bom, vamos ter que buscar a garota do Remi...

- Ué, por que ela não pode vir até aqui e por que ele não a busca?

- Ah, sei lá, mas vamos fazer logo isso né?

Liguei o carro novamente e parti para o G-4. Não era muito distante, mas precisei dar um retorno. Parei um pouco longe da lanchonete e desci.

- Fique aqui Catarine, só vou buscar a menina.

Catarine fez sinal de ok, e eu segui meu caminho. Abri a porta do lugar e explorei o local, tentando achar o ruivo magnífico da tal garota. Amélie estava sentada na parte mais afastada, perto da janela, estava escrevendo alguma coisa num bloquinho.

Ela era realmente muito atraente, mais do que imaginei. Suspirei fundo, afinal de contas, eu estaria frente a frente com a minha "adversária" embora essa luta já esteja perdida. Aproximo-me devagar, e toco suavemente seu ombro. Ela sai do seu cerne e me observa, com os olhos verdes brilhando.

- Oi, Amélie — eu digo com um sorriso na face — Sou Cecile, amigo de Remi.

- Oh! — Amelie levanta-se da mesa e passa a mão no vestido, numa tentativa sutil de se tornar mais "apresentável". Ela corou instantaneamente, e isso eu achei fofo. Amelie estendeu a mão, e eu a cumprimentei.

- Você é o famoso Cecile! — ela parecia realmente empolgada — Não sei se o Remi lhe falou mas eu sou sua fã!

- É um prazer conhecê-la finalmente, Amélie — eu exponho, com um sorriso iluminado na face — Remi fala muito de você. E de fato, ele realmente comentou que você é uma apreciadora dos meus quadrinhos.

- Digo o mesmo! O mesmo porque ele também me fala muito de você! — comentou ela enquanto ria. — Eu realmente fico empolgada em lhe ver! — ela não parava de sorrir — E onde está Remi?

- Bem, ele está se aprontando e pediu que eu agilizasse logo, pediu para que eu a buscasse aqui.

- Ah sim! Tudo bem então — Amélie pegou seu caderninho e o guardou em sua mochila pequenina — Estou ansiosa para ir ao parque, faz algum tempo que não vou lá!

- Vai ser divertido.

Algo me diz que minha compostura está séria até demais, e que talvez isso assuste Amélie. O que devo fazer? Sorrir mais, ser mais engraçadinho? Como agradar a futura namorada do garoto pelo qual sou apaixonado e que por ironia do destino é meu melhor amigo?

- É melhor a gente ir, trouxe uma amiga comigo, ela está nos aguardando no carro — comentei — o nome dela é Catarine.

Durante o caminho até o carro, conversamos sobre Remi, afinal era o único assunto que tínhamos, e era muito agradável mostrar que sei muito mais sobre ele do que qualquer um.

Ao chegarmos, abri a porta para ela e a apresentei para Cat. Minha amiga sorriu e piscou para mim ao ver que a menina era do tipo que fazia a linha "ingênua e inocente", tal qual meu Remi faz.

Eles se merecem.

Ligamos o rádio, estava tocando algo de Vivê la Fête, uma banda a qual gosto muito. Aumentei o som, quando notei, estávamos todos cantando Noir Désir a pleno pulmão. E estávamos nas redondezas da faculdade!

Voltamos ao ponto de partida, Remi já estava nos esperando no banco. Esperei que entrasse.

- Oi pessoal — ele falou ao sentar-se no banco de trás, junto com Amélie, o que me fez sentir uma pontada de ciume, principalmente depois do beijo no rosto que Remi depositou e recebeu de Amélie.

- E aí Remi — respondi — e aí, como foi o dia de vocês hoje? Estão na mesma turma né? — tentei parecer mais natural possível.

- Ah foi muito legal, Cecile! — Remi respondeu todo contente — O professor nos deixou fazer uma arte livre em dupla, Amélie foi de grande ajuda. — Remi sorria e ria.

- Sim sim, foi bem divertido. A gente pintou um quadro enorme, e colocamos várias frases, e foi bem engraçado porque o Remi sujou toda a roupa dele — Amélie se divertia.

- Mas a culpa foi sua em ficar tomando o pote de tinta da minha mãe enquanto eu tentava me equilibrar naquele banquinho pra alcançar as partes mais altas! — retrucava infantilmente o meu pequeno Remi.

Eu apenas escutava a conversa deles, já não mais participava, só concordava em partes com algumas coisas, recomendava lugares que eles pudessem frequentar para achar mais contatos, já que o ramo deles era moda. Amélie pareceu me adorar, na verdade, ela já era minha fã, como pude notar quando a conheci.

Quando finalmente chegamos ao parque e saímos do carro, eu percebi o quanto Remi e Amélie fazem um ótimo casal. Catarine percebeu meu desconforto e pousou sua mão em meu ombro e aperto, olhando-me com um olhar de compreensão.

- Tudo bem, Cecile — ela suspira — vamos tentar nos divertir.

- Eu fico tão triste, Catarine — comento, observando Amélie e Remi mais a frente, de braços dados, rindo e se divertindo — apesar de que devo me alegrar pois é a felicidade de quem amo.

- Você pode sair da friendzone se quiser, Cecile!

- Mas eu não quero mais ninguém! Eu não vejo interesse... Não quero apenas sexo.

- Eu sei. — Catarine continua a caminhar devagar, sempre ao meu lado — Mas como sua amiga, eu farei de tudo para arranjar alguém que você se apaixone!

- Eu duvido muito!

- Quer apostar? Até o final do ano! — ela parecia estar realmente convicta — E então?

Paro de andar e fico observando ela. Estreito os olhos, um pouco desconfiado. Mas que mal faria se eu perdesse? Se eu perdesse a aposta, eu estaria ganhando.

- Tudo bem, o que apostamos?

- Se eu ganhar você aumenta o meu salário!

Começamos a rir alto ali, e deixamos esse assunto para lá. Apertamos o passo e nos aproximamos do casalzinho. É certo que fiquei com vontade de chorar, mas agora não era a hora, porque eu não tinha onde me esconder.

Fomos comprar os ingressos para o brinquedo, e Amélie insistiu para ir a maior roda de gigante. E implorou para que fosse com Remi. Mas é claro, não me resta dúvidas de que a garota também está gostando do Remi.

A fila era enorme, mas a empolgação daqueles dois era maior ainda. Durante a espera, resolvi comprar alguma coisa pra comer, ninguém mais queria então peguei apenas um algodão doce. Começou uma confusão na fila, tinha alguém furando, então me perdi da Catarine, e acabei ficando sem par, quando finalmente me achei eu já estava na ponta, e o manuseador do brinquedo disse-me para entrar com a pessoa que estava lá dentro.

- Mas eu já tenho acompanhante, só não sei onde ela está... — passei os olhos pela fila, mas eu não encontrava Catarine.

- Só entre, é só uma volta numa roda gigante, o que tem demais? Vamos, ou você vai acabar voltando pro final da fila.

Suspirei e entreguei o ingresso. Para a minha surpresa (e para quase eu ter um infarto) quem estava na cabine junto comigo era Remi!

- Hey! — ele disse — Me jogaram aqui depois da confusão, me perdi da Amélie! Espero que ela não fique chateada — ele falou, visivelmente decepcionado.

- Está tudo bem, ela irá entender, depois da confusão que aconteceu aqui, não tem como não dizer que foi um pequeno acidente — comentei sorrindo e sentando a frente dele. Ajeitei o cinto e me pus a olhar para o lado de fora. O silêncio seria total se não fosse pela música psicodélica do parque e as vozes lá fora, e se meu coração não estivesse batendo tão forte.

- Então né — ele diz — aqui estamos. Meu plano romântico de me confessar pra ela na cabine de uma roda gigante não deu muito certo... — comentou ele, dando um sorriso curto.

- Ora, mas você terá outras oportunidades — retruquei — não se preocupe. E uma cabine de roda gigante nem é tão romântico assim!

Remi riu. O manuseador soltou a alavanca e a a roda gigante começou a se mover. Relaxei no banco e continuei a olhar para a paisagem do parque, enquanto íamos ficando mais distantes do chão.

- O que achou dela? — ele perguntou de repente — Digo, ela te adora.

- Ah, ela é uma boa garota — respondo sem olhar pra ele — Você será feliz com ela...

Após alguns segundos de silêncio, eu sentia o peso do olhar de Remi sobre mim.

- Algum problema, Cecile? Você está meio abatido esses dias... Sei lá.

- Não, está tudo ótimo! Por que aparento isso?

Talvez porque eu estava quase chorando e meu nariz estava entupido, então provavelmente ele estava vermelho.

- Você pode me contar o que quiser... Sabe disso né?

- Não tenho nada pra contar pra você — sorrio — você sabe tudo sobre mim.

- Mas muitas coisas mudarem. E esses tempos eu só tenho falado sobre mim e sobre as coisas que quero, estou sendo um egoísta não parando pra ouvir você.

- Não tem problema, não tenho o que contar.

- E a vida amorosa como tá?

Uma merda.

- Está bem calmo, não estou me envolvendo com ninguém — comento — mas se for pra estabelecer algo, estou em relacionamento sério com meu trabalho — solto um riso e ele também.

- Sério... Não tem alguém que você esteja interessado?

- Hum...

Talvez essa seja minha chance de deixar claro a verdade.

- Tem não tem?! Eu sabia! — ele comemora — Quem? Me conta! Como ele é?

- É perfeito. — sorrio

- Wow, pelo visto tô sentindo uma emoção forte aí, hein — ele sorri. — Me dê mais detalhes! Eu conheço?

- Conhece sim.

- Sério?! Mon dieu... Tá, é o Austin? O Thomas? Frederic?

- Nenhum deles.

- Então quem é?

O nossa cabine travou e ficou no topo. Ficaríamos naquela posição por mais ou menos cinco minutos.

Mas que bela cena clichê...

Suspiro fundo. Olho para o cinto que me prende aquela cadeira, e rezo para que prenda a vontade que tenho agora de beijar aquele garoto. Fico observando ele, de novo aquela vontade de chorar.

Não, Cecile, você não pode ferrar tudo, não pode!

Notas finais
Espero que tenham gostado >< até a próxima :33
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.