Momma ko Ene

1 Capítulo Único


Notas iniciais
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Momma ko Ene

AsanoAmaya

Era o finalmente grande dia, acordei e logo senti meus olhos pesarem. Olhei de relance para a pequena mesa que possuía ao lado de minha cama, o terno já estava devidamente limpo e passado.

Ao tentar me levantar, senti minhas pernas fraquejarem e logo tive de me sentar novamente. Não queria sair da cama, não queria fazer nada o resto do dia.

Lágrimas logo se formaram novamente, e por mais que tentasse segura-las, elas insistiam em escorrer a contragosto por meu rosto, levei uma de minhas mãos aos meus olhos em uma tentativa falha de seca-las.

Ao sentir o toque gelado de meus dedos contra meus olhos, senti uma leve ardência, uma sensação não muito confortável, ainda mais para quem já estava de coração partido.

Ao levantar-me novamente, dirigi-me até o banheiro onde, enquanto olhava-me pelo espelho, percebi que meus olhos estavam vermelhos, inchados e o canto das pálpebras irritadas, resultado de uma noite toda chorando.

Suspirei, como iria para um casamento com tal aparência deplorável? Quis enfiar-me novamente na cama e esquecer que hoje era realmente o dia.

—Se Kuroo-san me visse deste jeito iria me perguntar quem foi que me magoou, exigindo respostas ainda.

Ri sem humor, ele nunca adivinharia que seria ele mesmo a tal pessoa, se descobrisse provavelmente se desculparia e ficaria com o semblante triste.

E Kuroo-san triste era o que menos queria em minha vida.

Mas não seria hipócrita ao dizer que estava feliz por Kuroo-san estar se casando com Kenma-san. A cerimonia seria meramente simbólica, o Japão ainda não permitia casamento entre casais homossexuais.

Algo familiar e entre os amigos mais próximos apenas, mais lágrimas escorreram ao pensar na quantidade de vezes que tivera este sonho, casar-se com Kuroo-san, algo apenas entre família e amigos, enquanto via seu amado usando elegantemente um terno, não haveria felicidade maior.

A cada minuto que se passava, mais a tentação de faltar o casamento aumentava.

Tomei um banho, deixando a água lavar os últimos resquícios de lágrimas, arrumei meus cabelos enquanto limpava minha mente, coloquei lentes de contato enquanto tentava me livrar da aparência triste em meus olhos.

Pus o terno tentando esquecer-me das lembranças prazerosas com Kuroo-san, e calcei os sapatos já não conseguindo sentir nada.

Pensei que agora estaria pronto, ouvi a vibração em meu celular.

Uma foto de Kuroo-san em seu terno de noivo.

Olhei para o espelho em minha frente, e percebi.

Eu não tinha esquecido nada.

Mais lágrimas se formaram, os sentimentos que tentei esquecer voltaram como facas, perfurando minha alma e coração. O negro dominou minha mente e meus olhos já não enxergavam mais por conta das incômodas lágrimas.

O ar me faltou, e comecei a respirar pesadamente, joguei-me na cama e abracei meu travesseiro fortemente, não sabia o que fazer, só queria se livrar daqueles sentimentos o mais rápido possível.

O desespero me consumia, e minha sanidade se perdia aos poucos com as lágrimas.

Flashes de meus momentos com Kuroo-san passaram pela minha cabeça e finalmente relembrei-me da foto em que ele havia me mandado.

Olhei-a novamente, um largo sorriso era visto, não os costumeiros de deboche, mas um verdadeiro, um feliz.

Não seria loucura falar que os dias do treinamento de Vôlei que tivemos em Tokyo anos atrás, foram um dos melhores dias de minha vida.

Mas agora sentia o remorso, se não fossem por tais dias tão iluminados, eu não estaria nesse estado.

Lembrei-me das piadas sem graça de Bokuto-san e Kuroo-san, lembrei-me da gentileza de Akaashi, e de o quanto Kuroo-san havia se esforçado para que eu me enturmasse com eles.

Mas agora nada mais fazia sentido.

Olhei novamente para meu celular e vi o horário, já era hora para eu sair de casa, olhei-me novamente no espelho, minha situação estava deplorável, e já comecei a pensar em desculpas para dar ao Kuroo-san e a quem mais perguntasse.

Olhei para uma foto que eu possuía em meu criado-mudo, éramos eu, Kuroo-san e uma pequena parte da cabeça de Bokuto-san.

Senti toda minha coragem se esvair, e comecei a pensar em mil desculpas para não comparecer ao casamento. Após pensar em uma viável, deitei-me novamente na cama.

Fechei os olhos, e esperava dormir, para que pudesse esquecer momentaneamente da dor que me atormentava os pensamentos.

Lágrimas voltaram a escorrer sem meu consentimento, e ouvi o som de meu celular vibrando e o peguei para ver o que era.

Uma mensagem

“Megane-kun, onde você está?”

Não sabia se chorava ou se ria com a mensagem de Kuroo-san, a vontade de vê-lo era forte, mas não tinha a coragem.

Por puro impulso, fiz a maior besteira da minha vida.

“Desculpa Kuroo-san, não poderei ir a sua cerimônia de casamento”.

Comecei a escrever um “Eu te amo”, mas logo desisti e apaguei a mensagem.

Uma resposta de Kuroo-san veio logo em seguida.

“Tsukki? Aconteceu alguma coisa?”

Tentei ignora-la, mas após uma mensagem veio outra, e mais outra, e elas não pararam de chegar, agora até mesmo Akaashi-san mandou-me uma mensagem, preocupado.

“Kei, você não precisa se sentir obrigado a vir, se for muito difícil...”

Ri sem humor com a mensagem de Akaashi-san, era tão óbvio assim meus sentimentos por Kuroo-san ou ele é realmente muito perceptível? Era mais provável ser a segunda opção.

Agradeci mentalmente a gentileza de Akaashi-san, e logo vi que Kuroo-san já tinha mandando mais umas vinte mensagens, todas preocupadas e perguntando-me o que aconteceu.

Naquele ponto eu já havia desistido de tudo, minha vida já não parecia ter mais sentido. Num momento de raiva, tristeza e frustração eu mandei em impulso para Kuroo-san.

“Kuroo-san, por favor seja feliz”

Não esperei por sua resposta e continuei.

“Adeus”

Minha boca secou, meus olhos encheram de lágrimas e eu confessei.

“Eu te amo”

Ri em meio de minhas lágrimas, agora tudo havia acabado, nem amigos eu aguentaria mais ser, minha boca tremia junto de minhas mãos, meus olhos ficaram embaçados, e eu não quis saber qual seria a resposta de Kuroo-san.

Seria doloroso demais.

Ao entrar na minha lista de contatos, preparei-me para bloquear o número de Kuroo-san, pouco antes de clicar no comando, Kuroo-san me ligou, iria logo desligar, mas me lembrei de uma coisa importante a ser dita, fazendo com que eu aceitasse a ligação.

̶ Tsukishi-

Não permiti que Kuroo-san falasse mais, senti que iria desmoronar se o fizesse.

̶ Kuroo-san, desculpe-me. Não deixe que isso estrague seu casamento. Desculpe, me desculpe.

Kuroo-san novamente tentou falar entre meus vários pedidos de desculpas.

̶ Perdoe-me por te amar.

Após falar minhas últimas palavras, desliguei o telefone. Uma nova chamada de Kuroo-san apareceu, mas desta vez eu não a atendi, e logo bloqueei o número de Kuroo-san.

Após perceber o que tinha acabado de fazer, desesperei-me. Encolhi-me na cama e tudo o que pude fazer foi chorar, e gritar contra meu travesseiro, agradeci mentalmente por estar morando sozinho agora.

Meu celular novamente vibrou, uma mensagem de Akaashi-san.

“Quer que eu leve Vodka mais tarde?”

Ri com a pergunta.

“É, eu quero”

Notas finais
Bem obrigada por chegar até aqui! Eu juro que na próxima eu faço um Tsukki feliz ok? É só que eu gosto de fazer meus personagens favoritos sofrerem (Apesar de que eu sempre me considerei meio masoquista, não sádica)

Eu estou pensando em fazer outra One-Shot, desta história, só que com a visão do Kuroo sobre tudo isso... O que vocês acham?

Enfim, se alguém quiser fangirlizar KuroTsuki comigo, ou ASTRO, ou BTS, ou Gintama, ou Daiya no Ace me segue no Twitter pra gente conversar! >
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!