Moments With Him, Niall.
15 Onde tudo voltou ao que era antes...
Notas iniciais
Sabe, meu pai é o único que sempre me entendeu. Ele me respeita, respeita o que eu sinto, respeita meu tempo, me diz alguns conselhos sobre a vida. Meu pai tem um talento incrível que poucos sabem, acho que minha mãe não sabe, apenas eu. Como minha curiosidade não me deixa permanecer quieta, há alguns anos atrás, estava procurando meus álbuns de fotos no porão de minha casa, achei uma caixa. Nunca havia a visto. Resolvi abri-la. Nela havia muitos papéis velhos, amassados. Havia coisas escritas, algo muito parecido com poemas e textos. Era a letra de meu pai, devo admitir que sua letra é linda. Quando comecei a ler, chorei emocionada. Era impressionante como meu pai conseguia colocar seus sentimentos, suas ideias, em um simples papel. Geralmente, a maioria das meninas tem sua mãe como a conselheira, a que lhe ajuda, mas até nisto minha família era diferente, apenas meu pai quem era calmo comigo, apenas ele quem me perguntava como estava indo minha vida. Não que eu não amasse minha mãe, mas apenas meu pai quem me entendia. Aquela noite, eu estava acabada! Fui dormir com os olhos inchados. Tomei um banho de longa duração para ver se me acalmava um pouco.
Pela manhã, levantei-me. Era domingo, não gosto muito de “domingos”. Estava sozinha. Até aos domingos, infelizmente, porque eles são empresários, e tem de trabalhar muito. Fui brincar um pouco com o Bobby, mas tive uma grande e triste notícia, quando cheguei lá, não vi mais Bobby. O que será que havia acontecido com ele?
Liguei desesperada para minha mãe.
— Mãe, o que houve com o Bobby?
— Estava esperando você acordar para lhe contar. Minha filha, você sabe que o Bobby estava em seus últimos momentos, não é? Desculpe querida, mas ele se foi. – desliguei a ligação chorando.
Sabia muito bem que Bobby não estava em boas condições, estava muito velho. Sei que ele não suportaria muito tempo... Mas, ele tinha de falecer agora? Neste momento em que eu mais precisava dele? Não sei se todos que possuem cachorro fazem isso, mas como sou muito sozinha, costumava contar tudo para ele. Pode parecer bobagem, mas mesmo ele não falando nada, dizia que ele me entendia. Alguém que faça isso deve me entender. Desde o dia em que o comprei, brincávamos bastante. Ele havia sido meu primeiro cachorro, meu primeiro amigo, a primeira pessoa em que pude confiar.
Sabe aquele momento em que parece que toda aquela muralha que você havia construído em sua vida, cai? Sabe aquele momento em que parece que você não tem mais chão? Era exatamente como me sentia. Começando primeiramente com Niall, depois com a briga que tive com minha mãe, e logo em seguida, a morte de Bobby. E agora, em quem poderia confiar? Por mais que confiasse bastante em meu pai, obviamente, não conto tudo para ele. Foi este o momento em que chorei, comecei a unir muitas coisas que me incomodavam. O fato de eu ter me mudado do Brasil, e vindo para um lugar que eu nem sabia falar normalmente a língua. Separei-me de minhas amigas, e de tudo que havia construído lá. Nunca desejei tanto estar em outra vida, queria que existisse o botão para “reiniciar”. Se isto existisse, com certeza, desejaria não ter conhecido Niall. Teria sido melhor para ele, sinto que estava o atrapalhando. Ele é famoso, e eu sou apenas mais uma garotinha, que é insultada pelas fãs. Sinto que estou sobrando em sua vida.
Alguém estava batendo a porta, levantei-me, tentei limpar meu rosto.
— Niall?
— Oi. Desculpe, preciso entrar! – disse afastando-me de perto dele, e entrando rapidamente em minha casa. – Tem algumas fãs correndo atrás de nós, mas os meninos acharam outro lugar para de se esconder, e não me deixaram ir para lá. Então, vim para cá.
— Ah, agora minha casa é lugar para você se esconder de sua “fama”?
— Melanie, me desculpa, mas foi o lugar mais próximo!
— Por favor, Niall. Não existe apenas a minha casa, aqui em Londres.
— Você acha mesmo que eu tive vontade de ir para outro lugar? Melanie, você não sabe o quanto de lojas, e casa que tenho para ir. Mas, eu quis, por espontânea vontade, vir para cá. Mas, já que você se importa, eu saio. – disse abrindo a porta. – Eu queria ter uma conversa com você, mas acho melhor não ficar por aqui, já que você está me evitando.
— Não, espere! Fique aqui, por favor... – ele fechou a porta, e ficou olhando para mim.
— Mel, você estava chorando?
— Não é o que parece? Estava, Niall. Desde ontem.
— Mel, me perdoe, não queria fazer você chorar. – disse abraçando-me.
— Tudo bem, Niall. Muitas coisas estão acontecendo em minha vida, nesses últimos dias...
— O que houve?
— Bobby morreu.
— Ah, Mel, sinto muito. Muito mesmo! E ainda vim para atrapalhar mais ainda. Mas, você não deve ficar sozinha nestas condições. Está precisando conversar, não é mesmo?
— Estou...
— Conte para mim, Mel. Pode confiar!
— Mas não queria conversar agora.
— Tudo bem, eu... – o interrompi com um longo abraço. – Que saudades do seu abraço... Que saudades dos seus beijos, dos seus sorrisos fora de hora...
— Olha, a culpa não foi minha, nem sua de tudo isso que está acontecendo! A culpa é de minha mãe! Não se sinta culpado, promete?
— Posso... lhe... dar... um beijo? – afirmei com a cabeça.
Pode ter se passado um dia desde o nosso último beijo, mas senti muita falta. Fiquei com medo de nunca mais poder beijá-lo, medo de nunca mais poder sentir seus abraços. Escutamos a porta abrindo-se devagar. Não é possível que minha mãe pudesse interromper tudo aquilo novamente. Fingimos que não estávamos ouvindo absolutamente nada. O beijo era mais importante, e depois dele, não me importaria de ouvir minha mãe brigando comigo. Ouvíamos sussurros:
— Olha, amor, que gracinha!
— Shh. – fazia meu pai. – Não atrapalhe! Vamos sair daqui!
— Mas, olha que gracinha os dois, amor! Que meigo, será que ele veio pedir desculpas?
— Pelo o que, Ana Clara? Você quem causou todo este tumulto na vida dos dois.
— Vamos embora, vamos! Deixem os dois pombinhos em paz.
Foi hilário ouvir aquilo de meus pais. Não sabia que minha mãe agiria de tal maneira. Talvez, meu pai tivesse conversado com ela. Como ele fazia de costume, quando minha mãe me deixava chateada. Às vezes, ele a mostrava como era a realidade, ele a acordava para o mundo, de vez em quando.
— Seus pais são muito engraçados, Mel! Eles devem ter achado que não estávamos ouvindo. – disse Niall sorrindo. Ah, que saudade daquele sorriso.
— Também acho! –disse sorrindo. – Mas, os ignore, e vamos voltar para o que estávamos fazendo antes... – Não acreditei que havia falado isso.
— Claro, senhorita! Ao seu dispor! – disse Niall, fazendo um gesto de reverência. – Queria poder chama-la de “minha princesa” novamente, será que isto é possível?
— E quem disse que não era?
— Ótimo. Espero que já esteja bem, MINHA PRINCESA! – disse, tonalizando ao falar “minha princesa”.
Parece que as coisas haviam voltado ao que eram antes... Estava feliz por isso. Menos pelo fato de não ter mais Bobby conosco. A partir de agora, terei de me acostumar com este fato. Mas, Bobby, sempre estará em nossos corações. No meu, de minha mãe, e de meu pai!
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