Moments With Him, Niall.
19 Minha mãe e meu "irmão"?
Notas iniciais
Niall tentou ir o mais rápido possível. E assim, chegamos ao hospital.
— Boa tarde, eu gostaria de saber em que leito se encontra a paciente Ana Clara? – perguntei nervosa à enfermeira que se encontrava na recepção.
— Aguarde um minuto. – ela parecia estar ligando para alguém. Acho que o médico que estava cuidando de minha mãe. – Quarto 325, no segundo andar. Pode subir as escadas, ou ir pelo elevador. – disse, apontando para a direção onde se encontrava as escadas e o elevador.
— Obrigada! – segurei a mão de Niall, bastante nervosa, e andei em direção ao elevador.
— Mel... – Niall me parou no meio do caminho, segurou meu rosto. – Fique calma, a enfermeira disse que ela está bem. Não se preocupe, fique calma! – ele parecia estar apavorado também, mas não queria demonstrar isso, para eu não ficar mais nervosa.
Parecia que o elevador nunca chegaria. Estávamos aguardando há algum tempo, e ele ainda estava no quinto andar. Preferi subir as escadas, acho que seria mais rápido do que esperar pelo elevador. Assim que chegamos ao quarto de minha mãe, procurei me acalmar um pouco, porque não queria que ela se preocupasse comigo.
— Mãe? – disse, abrindo a porta devagar.
— Entre, minha filha! – ela aparentava estar bastante calma. – Olha! O Niall, também veio! Tudo bem com você, querido?
— Tudo, e a senhora, o que está acontecendo? A senhora está bem? – ele respondeu com uma voz doce.
Sorri envergonhadamente, por causa da maneira como ele havia tratado minha mãe.
— Ah, obrigada pelo carinho... – de repente, seu humor mudou. – Filha, não sei como posso lhe contar isso, mas... Você não será mais filha única.
— Como assim, mãe? Você está... Não, não pode ser! Mãe! Como você pôde? Onde está meu pai? Ele já sabe?
— Sim, minha filha! Você terá um irmãozinho... Pretendo contar ao seu pai, quando chegarmos em casa. – ela sorriu.
— Parabéns, Sra. Morgan! – disse Niall, tentando disfarçar minha reação, para que minha mãe não ficasse chateada.
— Obrigada, Niall... Mas, parece que apenas você achou “legal” a notícia. – ela olhou me encarou.
— Licença, mãe. – sai da sala, e ele veio atrás de mim.
— O que houve princesa? – disse me olhando com aqueles doces olhos azuis.
— Não acredito que minha mãe está... Grávida! Eu não acredito!
— Mas, explique-me uma coisa, esta sua reação, indica algo bom ou ruim? – perguntou inocentemente.
Não me contentei, tive de sorrir. Ele perguntava tão delicadamente, e era uma resposta, pouco óbvia.
— Não é esta a questão... É que... Sabe, eu nunca tive um irmão. Aliás, tinha a minha irmã, mas não cheguei a conhecê-la.
— Sei... Mas, pense bem: Talvez seja melhor para seus pais, afinal, eles podem se distrair com essa criança. Pode ser melhor para você também. Eu também tenho um irmão, mas, pena que estamos longe um do outro... – Niall tem um irmão, o Greg. Todos que o conhecem já sabem disso, certo? Certo.
— Mas... E se...
— Não quero saber de “e se”. Mel, você não percebeu que sua mãe está feliz com isso? Você sabe o quanto isso é importante, após uma perda? – ele tinha de ter falado aquilo, porque eu não estava conseguindo enxergar o quanto aquela gravidez seria boa para minha mãe. – Me perdoe. Mas você precisava saber isso.
Entrei novamente no quarto. Minha mãe estava deitada, assistindo à televisão.
— Mãe, a que horas você poderá ir embora?
— Agora! Estava lhe esperando para irmos.
— Como você veio para cá? De carro?
— Sim, aguentei chegar até aqui.
— Então, vamos para casa, que você terá de ficar de repouso. Niall, se você quiser, pode vir conosco, mas se preferir pode ir para a casa do Harry novamente. Não quero atrapalhar sua tarde.
— Mel, venha aqui. – cheguei perto dele. – Vocês não irão atrapalhar minha tarde. Pelo contrário! Eu não me importo de ir ou não para a casa do Harry. Você irá precisar de ajuda?
— Não se preocupe, posso cuidar dela sozinha. Qualquer coisa pode ter certeza que irei te ligar. – dei um sorriso pouco bobo.
— Tudo bem, posso ir embora tranquilo?
— Com certeza! – demo-nos um beijo, e então ele se foi.
Teríamos de esperar mais um pouco, porque minha mãe teria de esperar o médico dar sua alta. Quando, finalmente, fomos liberadas do hospital, andamos em direção ao carro, que estava no final do estacionamento. Estávamos caladas, infelizmente, caladas. Não sabia como poderia conversar com minha mãe sobre isso. Era inacreditável, o fato de que teria um irmão, e daqui para frente, as coisas com certeza mudariam muito em nossas vidas.
— Amor? – disse minha mãe quando ouviu meu pai abrindo a porta. – Tenho algo para lhe contar...
— O que houve? – ele assustou-se quando nos viu sentada no sofá, esperando sua chegada ansiosamente.
— É... Não sei como posso lhe explicar isso... Mas, vamos ter mais um membro na família... – ela sorriu e acariciou sua barriga.
— NÓS VAMOS TER UM CACHORRO? Que legal! – ele não havia entendido ou recado, ou pelo menos, fingiu não ter entendido.
— Não, seu bobo! – minha mãe sorriu envergonhada. – Vamos ter um filho!
— Um filho? – ele surpreendeu-se. Recuou. Sentou-se no sofá. – Como assim? Não pode ser...
— Sim... Mas, o que você acha sobre isso? – ela parecia triste.
— Não sei meu bem. Foi uma surpresa bem grande. Temos que ver com calma, como ficará nossa situação. Mas, é incrível! Melanie, você terá um irmãozinho!
— É... Parece que é... – olhei para o outro lado. – Licença. – saí da sala, e caminhei em direção ao meu quarto.
Preferia ficar sozinha. Não estava menosprezando o fato de eu ter um irmão, mas sabe aquela sensação de substituição? Eu posso não ter falado, porque procuro me controlar quanto aos meus ataques de ciúmes. Acho que a partir de agora, as atenções seriam voltadas totalmente para o bebê.
Queria muito poder ter conhecido minha irmã. Queria muito poder ter uma irmã mais velha, para poder me dar conselhos, dicas, ajudar-me a “acordar” para a vida, ajudar-me para seguir em frente quanto aos problemas que provavelmente enfrentarei. Queria poder chama-la de melhor amiga. Queria poder ter aquelas brigas de irmãs, que logo depois, estarem conversando e se abraçando como se nada tivesse acontecido.
Porém, teria de enfrentar estes novos fatos, não era hora para lamentar...
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