Moments
3 KISSING - Por Katherine
Notas iniciais
Depois de um dia chato de trabalho, Kate Beckett só queria chegar em casa e aproveitar o resto da noite com seu companheiro. Desligou o computador e vestiu o casaco, se preparando para ir para casa. Olhou para os lados, procurando Castle, mas não o encontrou no recinto. Queria desejar boa noite, já que era sexta e eles não tinham motivos para se ver no fim de semana. Afinal, eram apenas colegas de trabalho.
– Hey Espo, você viu o Castle? -Perguntou, chegando ao lado do amigo.
– Ele saiu mais cedo, disse que tinha coisas importantes para fazer.
– Hm... Certo, eu estou indo para casa, até segunda. -Acenou com a mão e foi pelas escadas até o subsolo, onde seu carro estava.
No caminho de casa, parou no mercado para comprar o seu jantar, e o jantar do pequeno. Sorriu imaginando como ele ficaria feliz com a surpresa. Não demorou muito fazendo as compras, apenas o necessário e logo já estava na estrada novamente.
Cumprimentou um de seus vizinhos que estava saindo e correu pelas escadas até seu apartamento. Assim que entrou já foi abrindo as janelas para aproveitar os últimos raios de sol do dia. Deixou as compras na bancada da cozinha e foi em direção ao quarto, procurando pelo gatinho.
– Bshi Bshi...
Ele não estava na cama dele, e isso não a surpreendeu. Com um sorriso bobo nos lábios, ela levantou a coberta da própria cama, e lá estava ele, ainda de olhos fechados.
– Oi meu amor, como passou o dia? -Perguntou com a voz manhosa, enquanto fazia carinho nos pelos macios do pequeno gatinho.
Ele ronronou, esticando o pescoço e dando mais espaço para as grandes mãos da detetive.
O pelo era macio, de uma cor caramelada, em algumas partes era mais claro, outras mais escuro. O rabo ainda era pequeno, porém já balançava animadamente, respondendo ao carinho que recebia.
O gatinho esticou as quatro patas, se espreguiçando. Depois levantou, arqueando as costas e então foi para os braços de Kate, soltando um miado fino enquanto esfregava o focinho gelado no pescoço dela.
– Eu trouxe uma surpresa para você. -Disse baixinho, sentindo o perfume que exalava dos pelos.
O gato não mostrou reação, continuou o que estava fazendo. Kate riu, pegando-o no colo e caminhando até a cozinha, onde tinha deixado o whiskas sachê para filhotes.
Pegou a tigela e preparou a comida do gatinho, fazendo carinho na cabeça enquanto ele comia. Depois de comer, ele bebeu água, e então sentou ao lado dos pés de Kate, olhando para ela.
– Você quer brincar, né? -Ela riu. — Vem, vamos achar a sua bolinha.
Kate logo achou o brinquedo e começou a correr com o gato pela casa, ela jogava a bola e ele ia atrás, correndo como se fosse um jogador de futebol em campo. Ficaram quase uma hora brincando, até o gatinho cansar e pular na cama de Kate.
– Hey, eu comprei uma cama para você, por que não a usa? -Perguntou, mesmo sabendo que o filhote não entenderia nada.
E, de fato ele não mostrou reação alguma, continuou lambendo sua patinha.
– Eu vou tomar um banho, se comporte hein... -Ela disse, beijando a cabeça do gato.
Foi até o banheiro e ligou o chuveiro, deixando a água esquentar enquanto pegava a roupa que vestiria. Quando voltou ao banheiro, lá estava o gatinho, olhando para a água.
– Hey, você não pode ficar aqui, eu tenho eu tomar banho.
– Meeow... Meow.
– Desculpe gatinho, eu não te entendo. -Riu levemente, pegando o filhote no colo e levando-o até a cama. — Fica aqui, quando eu voltar nós vamos ver um filme.
Dessa vez o gato não protestou, ficou na cama brincando com a coberta. Um tempo depois, quando Kate voltou, encontrou-o dormindo, era tão pequeno e tão fofo. Cobriu o gatinho com uma mantinha e foi para a cozinha arrumar a bagunça que tinha lá.
Limpou tudo, organizou a sala e viu os minutos finais de um filme. Quando pensou em ir para a cama, dormir mais cedo e recuperar o sono da semana, sua campainha tocou.
Mal tinha levantado do sofá e já pode ver o gatinho vindo em sua direção. Mas ele passou direto e foi para a porta.
Pegou o gatinho no colo, e ele pareceu gostar da ideia, apoiou a cabeça no ombro de Kate e ficou quietinho naquela posição, vendo o que acontecia ao seu redor.
Beckett abriu a porta e não se surpreendeu nem um pouco ao ver que era Castle ali.
– Hey, Castle.
– Oi... -Ele disse, olhando para o gato nos braços da parceira. — O que é isso? -Perguntou, já entrando no apartamento.
Kate revirou os olhos, era impressionante como ele se sentia em casa e adorava entrar sem ser convidado. Não que ela se incomodasse... Muito.
– O que isso parece ser? -Perguntou de volta, trocando a posição do gato, que olhava fixamente para Castle.
– Okay, eu sei que isso é um gato, mas por que tem um gato aqui? -Ele colocou algumas sacolas na bancada da cozinha.
– Eu adotei. -Disse, passando a mão nos pelos do filhote e sorrindo orgulhosa.
– Kate Beckett adotou um gato? Quem diria... -Ele riu. — Como isso aconteceu? Estou curioso para ouvir essa história, detetive.
– Foi duas semanas atrás, quando eu estava procurando por uma bota nova, passei na frente de um pet shop e lá estava ele, sozinho em uma gaiola. Ele era menor, e parecia uma verdadeira bolinha de pelos. E então eu percebi que me sentia tão sozinha em casa, ele parecia ser um bom companheiro. Resolvi adotar.
– Ele parece legal, parece ser um bom companheiro.
– É sim, muito adorável. Quer segurar ele?
Castle acenou com a cabeça, seu sorriso se iluminando. Pegou o gatinho e ele foi de bom grato, cheirando o escritor para tentar reconhecê-lo.
– Então, Castle... O que veio fazer aqui? -Beckett perguntou depois de alguns minutos.
– Ah, eu vim te convidar para jantar. -Ele respondeu ainda envolvido em brincar com o pequeno gatinho, que corria de um lado para o outro, tentando pegar um cordão.
– Jantar?
– É... -Ele murmurou, distraído.
Kate revirou os olhos, ele não estava nem prestando atenção no que ela dizia.
Ele sentou no chão e pegou o cordão que o gato segurava com as duas patas. Castle lançava o brinquedo para um lado e o pequeno corria atrás, lançava para o outro e o gatinho vinha correndo. Ficaram minutos assim, até que o gato parou de correr e subiu nas pernas do escritor, deitando ali. Parecia confortável, então fechou os olhos e relaxou. Logo o gato dormiu.
– Ele está dormindo. -Rick anunciou, animado por ter conquistado a amizade do animal.
– Sim Castle, ele dormiu na sua perna, e agora é bom você ficar quietinho, ele não gosta muito de ser acordado.
– Não posso me mexer?
– Não. -Kate sorriu, divertida.
– Chato. -Castle murmurou baixinho.
– Mas você ainda não disse o que veio fazer aqui... -Kate o olhou esperançosa.
– Ah, eu vim te convidar para jantar, mas parece que o nosso bebê não vai deixar.
– Nosso bebê? -Ela arqueou uma sobrancelha, sorrindo divertida para ele.
– É... Você sabe, o gatinho...
– Uh hm... Mas pra quê ia me chamar para jantar?
– Para nada... -Ele disse, na verdade não era bem isso.
– Castle! Você está mentindo, eu sei.
Ele fez que não com a cabeça.
– Castle!
– Okay, okay. Eu meio que estou... Fugindo de casa por um tempo.
– Hunn, sabia que você tinha aprontado algo. O que foi dessa vez? -Kate riu.
–Alexis está no Hamptons pelo fim de semana com as amigas, minha mãe achou divertido convidar as amigas dela para o meu apartamento, então eu estou sem as minhas duas casas e eu preciso escrever algo, porque para ajudar, Gina não para de me ligar pedindo os capítulos do próximo livro.
– Ah! -Ela riu, acordando o gato. — E você acha que minha casa é um campo de proteção contra os seus problemas?
Os dois observaram como o gatinho apenas trocou de posição e voltou a dormir.
– Seu gato me acolheu bem, e, além disso, eu trouxe o jantar e também trouxe sorvete. -Sorriu, tentando convencê-la.
– Tudo bem, você pode ficar, mas esqueça essa ideia de sair para jantar, eu estou muito cansada, então vamos comer o que você trouxe, ou pode ficar a vontade na minha cozinha e preparar algo.
– Sério? -Perguntou animado. — Obrigado Kate, você salvou minha noite. -Ele disse, abraçando-a.
– Okay, okay só não precisa me esmagar.
– Ah, certo, desculpe. -Eles se olharam, sem saber o que fazer. — Eu vou... Preparar as coisas para jantar, você pode ficar ai descansando com seu filho que eu me viro.
Ele se foi, sem deixar Kate responder. Ela apenas revirou os olhos e sorriu. Castle era impossível.
Alguns minutos se passaram e o gatinho acordou, sentindo um cheiro diferente. Pulou do sofá e foi correndo para a cozinha. Logo percebeu que o cheiro vinha de cima da bancada da pia. Mas ele era muito pequeno para pular até lá, então optou por escalar a calça jeans de Castle, fazendo com que Kate — que o tinha seguido — risse da cena.
– Ah ha ha. Muito engraçadinho você. -Castle disse, pegando o gato nos braços. — O que você quer? Ela não te deu comida?
– Meow.
– Beckett! Você não deu comida para ele? -Perguntou, com os olhos arregalados.
– É claro que dei Castle, você acha que eu ia deixa-lo morrer de fome?
– Olha... Do jeito que você se alimenta...
– Cala boca Castle, cala. -Disse, revirando os olhos e pegando o gato dos braços dele.
– Hey, ele veio pedir meu colo. -Protestou, repousando os braços na cintura.
– Ele quer dormir Castle. Eu já volto.
Kate disse e desapareceu em seu quarto, levando junto o pequeno gatinho.
– Gato sortudo, dorme no quarto dela. -Resmungou baixinho, para ninguém ouvir.
Durante alguns minutos, Rick ficou na cozinha terminando de esquentar as comidas e arrumar a mesa.
– Até que você não é tão ruim preparando o jantar. -Ela disse, surgindo ao lado do escritor.
– É... Alexis nunca reclamou. -Disse, colocando o ultimo prato na mesa. — Seu filhote dormiu?
– Sim, ele tomou conta da minha cama. Mas dormiu. -Ela riu. — Enfim, o que temos aqui?
– Comida italiana, e vinho para acompanhar.
Os dois jantaram tranquilamente, conversando sobre assuntos diversos. Riram e compartilharam um bom momento juntos. Assim que terminaram, Castle se ofereceu para organizar tudo enquanto a detetive aproveitava de um momento para descansar.
– Castle... Posso te perguntar uma coisa?
– Claro! -Ele sorriu, secando a mão na toalha.
– Você não veio aqui porque precisava escrever? Eu estou percebendo que você está fugindo disso e se aproveitando de qualquer coisa para ocupar o tempo.
Ele baixou o olhar. O que ela estava falando era verdade. Castle não queria escrever, queria passar tempo com Kate, mas ele precisava escrever.
– Olha, você não vai me ouvir falar isso nunca mais, porém... Você não vive dizendo que eu sou sua musa inspiradora e não sei mais o que?
– Sim. -Concordou rapidamente.
– Então... Aproveita que você está aqui, pegue o notebook, sente sofá e escreva. Eu vou estar bem ali -apontou para o outro sofá- lendo um livro.
Castle ficou olhando-a durante alguns segundos. Ela realmente parecia diferente naquela noite.
Poder dos animais fofinhos. Pensou, sorrindo.
– Agora eu estou com medo de você ser um clone do mal da verdadeira detetive. Você vai me assassinar e culpar a Kate.
– Não me faça ficar arrependida do que eu disse, Castle. -Ela avisou, já caminhando em direção à sala.
Ele concordou com a cabeça, mesmo ela não vendo, e colocou tudo organizado na pia para lavar mais tarde. Pegou o notebook na bolsa e foi até a sala, se preparar para escrever.
Kate estava lá, esticada no sofá maior, lendo Heat Wave. Ela estava tão concentrada na leitura que até parecia não ter notado a presença do escritor, e Castle preferiu não incomoda-la. Mas não pode deixar de ver como os pés dela pareciam macios, pedindo por uma massagem. E as pernas também.
Escrever, escrever e escrever. Disse para si mesmo, sentando-se confortavelmente no outro sofá.
Kate notou que ele a olhava, mas não disse nada, não tinha nada para dizer. Não queria atrasar a escrita dele, afinal, enquanto mais rápido ele escrevesse, mais rápido o livro seria lançado e mais rápido ela poderia ler.
Sorrindo, ela voltou a ler o livro. E nenhum dos dois notou as horas passando. Kate estava envolvida na leitura, e Castle na escrita. Era surpreendente como as ideias surgiam facilmente. Kate era realmente sua musa inspiradora.
Perto das nove horas da noite, os dois foram tirados de suas atividades quando o gatinho apareceu miando na sala.
– Oi amigão. -Rick o chamou, acariciando os pelos dele quando chegou ao seu alcance.
– Nossa, eu não vi a hora passar. -Kate comentou.
– Sim, eu percebi que você estava aproveitando a leitura do meu livro. Você gosta desse livro não é? Só não sei se é por causa daquela parte ou por conta de quem o escreveu.
– Eu gosto do gênero, Castle, do gênero. -Disse, esticando os músculos.
– Ahan, sei... Bom, acho que está na minha hora de ir para casa, não posso deixar minha mãe destruir o apartamento.
– Martha é uma ótima mulher, se ela conseguiu tomar conta de você, nada é impossível para ela. -Kate piscou.
– Muito engraçada você, detetive, muito engraçada.
O gato foi para o sofá em que Kate estava, sentando no colo dela.
– Você que é um chato.
– Ah sim, bem eu. -Fez bico. — Você quer que eu limpe a cozinha antes de ir? Eu posso fazer isso, não tem problema.
– Não precisa, eu cuido disso depois.
– Tudo bem, então... -Começou a guardar suas coisas. — Eu vou para casa, deixarei você descansar com seu filhote.
Castle foi em direção a ela, para deixar um beijo em seu rosto, mas nesse momento a gato pulou no chão e saiu correndo, fazendo com que Castle quase tropeçasse, e acidentalmente encostasse seus lábios nos lábios da detetive, e não na bochecha.
Ele se afastou rapidamente, mas demorou tempo suficiente para sentir a maciez dos lábios dela e o modo como se encaixavam perfeitamente aos dele. Lembrou-se do beijo que tinham compartilhado mais de um ano atrás, e sentiu o rosto ficar vermelho.
– Desculpe. -Murmurou envergonhado, sem olha-la.
– Tudo bem, não foi sua culpa. -Deu de ombros. — Não é como se isso matasse, certo.
– É... -Ele concordou. — Então, boa noite, obrigada por emprestar sua casa e pela companhia. Até segunda, detetive.
– Até, Rick.
Ela disse e ficou vendo-o desaparecer pelo corredor e seguir pelas escadas. Assim que fechou a posta, levou uma mão até a boca.
Eles tinham se beijado. Novamente.
Claro que não era como da primeira vez, mas era bom da mesma forma, e ela só sabia que queria beija-lo outra vez. Varias vezes.
Algum dia desses... Pensou, sorrindo enquanto saia pela casa procurando o gatinho que tinha provocado aquele beijo repentino.
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