Moments
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Primeira pessoa, Mariana narrando
Ao abrir os olhos lentamente, pude enxergar uma face masculina e desconhecida. Após um breve momento, ao perceber o modo como o rapaz estava vestido, assumi que fosse alguém relacionado à Medicina. Eu estava deitada em alguma coisa que parecia uma cama nada larga e não muito confortável, e o desconhecido parecia fazer um curativo no canto direito de minha testa, só percebendo que meus olhos estavam abertos quando já havia finalizado o tal curativo. Parei para analisar onde estávamos, era um lugar pequeno, com objetos e outras coisas usadas por médicos. Era uma ambulância? Eu estava em uma maca?
– O que houve? Onde estou? – Perguntei, confusa e meio sonolenta.
– Sou Peter, um paramédico. Você sofreu um acidente e está dentro da ambulância, mas ainda não partimos. Te dei um remédio que provavelmente lhe causará sonolência, mas é para evitar que acabe sentindo dor antes de chegarmos no hospital. Aparentemente você não sofreu muitos danos, mas lhe levaremos para o hospital para realizar alguns exames. Sabe como é, precisamos ter certeza. – O jovem paramédico esclareceu rapidamente. – A dianteira de seu carro está totalmente danificada, mas, se isso te faz feliz, todos os itens pessoais que encontramos dentro do automóvel estão a salvo. – Tentou me animar.
– Acidente? Eu feri alguém? – Ignorei totalmente o que ele falara sobre os itens pessoais e o estado do carro. Apesar de realmente sentir-me meio sonolenta, a preocupação tomou conta de meu corpo. Não queria que ninguém se machucasse, muito menos por uma irresponsabilidade minha.
– O que aconteceu? Onde ele está? Ele está bem? – Uma voz masculina gritou do lado de fora da ambulância. Por algum motivo, aquela voz me soou mais que familiar. Apesar de falar meio devagar, estava claramente preocupado.
– Acalme-se, Harry. Vão levá-lo para o hospital. Ele não está bem agora, mas disseram que não é nada tão grave assim. Não precisamos nos preocupar, vai ficar tudo bem. – Outro garoto, cuja voz também me era familiar, tentou acalmá-lo.
– Como vou me acalmar?! Eu estava...
– Eu te entendo, Harry! Eu fiquei exatamente como você está, mas o Louis tem razão, não temos que nos preocupar, isso só vai deixar tudo pior! – Mais uma voz familiar o interrompeu. Harry e Louis? Aquilo era estranho, mas eu apenas ouvia em silêncio. Peter provavelmente percebera que eu estava a ouvir as vozes que vinham de fora, pois nem respondeu à minha questão.
– Eu posso me levantar e dar uma olhada ali fora? – Perguntei ao paramédico, que parecia guardar algo. Precisava ver o que estava acontecendo, se estava realmente ouvindo aquilo ou se estava delirando.
– Até pode, mas é preferível que não saia daqui de dentro. Pode sentar ali na parte da porta traseira, se quiser. Mas mova-se com calma, e se quer mesmo sentar ali, eu te ajudo a chegar lá, pois pode acabar se desequilibrando e caindo devido à sonolência que está sentindo. – Avisou-me o paramédico e eu assenti.
Ao levantar-me, senti uma pontada na região em que o curativo se encontrava, mas apenas ignorei aquilo. O jovem paramédico me pegou pela mão, ajudando-me a chegar até o fundo da ambulância e também a sentar-me ali na porta.
– Vou avisar que você acordou. Tem algo que você queira pegar agora que estava dentro do carro? Quer ligar para seus parentes?
– Não, tudo bem. Obrigada. – Respondi, forçando-me a sorrir.
O jovem assentiu, desceu da ambulância e afastou-se.
– Ei, acho que vocês vão querer ver isso. – Uma voz masculina, desta vez desconhecida, que parecia ser de um homem bem mais velho, gritou.
Um ruído quase inaudível de papel sendo desdobrado. Um longo momento de silêncio. Pela direção de onde aquelas vozes haviam vindo, eu podia dizer que eles não estavam longe da ambulância, apesar de estarem fora de minha visão. Eu até levantaria para ver, mas estava com medo de cair ou algo assim e não achava ser uma boa ideia desobedecer Peter.
– Onde está ela? – Um deles perguntou de repente, parecendo mais próximo agora.
– Você não pretende ir e... – Outra voz, que agora parecia ser de um homem daqueles enormes e de dar medo, iniciou a pergunta, mas o garoto o interrompeu.
– Onde está ela? – Repetiu.
– Está sentada na parte traseira da ambulância. – A voz do paramédico que me atendera respondeu ao jovem.
Passos. Alguém se aproximando.
Primeira pessoa, Zayn narrando
Ao ver a garota, que mantinha a cabeça baixa e o olhar no chão, abri um pequeno sorriso. Parei à sua frente, deixando certo espaço entre nós, apenas por precaução. Segundo a carta que encontraram nas coisas dela, ela era uma grande fã, e nunca se sabe qual reação esperar das fãs.
– Como você está? – Perguntei amigavelmente a ela, que levantou o olhar para mim. Como era esperado, seu olhar era de enorme surpresa ao me ver. – Eu sou...
– Zayn Malik. – A jovem me interrompeu, incrédula. Seus olhos se arregalaram um pouco e ela ficou sem reação por um momento. – Eu sei bem quem você é. – Completou, provavelmente ainda não acreditando no que seus olhos viam. Até que ela estava reagindo bem à minha presença, geralmente as garotas gritavam ou choravam. Mas ela parecia meio sonolenta, talvez esse fosse o motivo da calma.
– Por favor, não me diga que é daquelas fãs que surtam. Não é que eu não goste, é que eu não sei sua atual situação e talvez não seja bom surtar neste momento. – Ela respirou fundo e, após um momento, soltou uma breve e silenciosa risada, provavelmente tentando relaxar.
– Não, não. Eu não surto, apesar de surtar por dentro, pois alguém surtando na sua frente deve ser irritante. – Respondeu, fazendo-me rir. – Mas o que está fazendo aqui? – Perguntou.
– Bom, ouvi falar que é nossa fã e, pelo que ouvi, parece gostar especialmente do Liam e de mim... Por isso achei melhor eu vir conversar com você. – Respondi sorrindo.
– E por que você viria até aqui para conversar comigo?
– Você já sabe o que aconteceu?
– Não exatamente. Eu só me lembro que havia jogado o celular para o banco de trás do meu carro, havia discutido com meu ex, eu não lembro para onde eu olhei depois ou o que aconteceu, só lembro que em um momento eu estava lá, e no outro eu acordei aqui. O paramédico disse que sofri um acidente e que vou ter que ir para o hospital fazer alguns exames gerais para garantir se estou bem, e ele me deu um remédio para que eu não sentisse dor, e agora estou super sonolenta por causa do bendito remédio. – Respondeu, ainda parecendo meio confusa.
– Eles não te disseram quem estava no outro carro?
– Não, eu perguntei se machuquei alguém, mas o paramédico não respondeu, aí eu ouv... – Ela se interrompeu, como se de repente houvesse entendido tudo. – Ai meu Deus, eu só ouvi a voz do Harry, a do Louis e a sua. Se vocês estão aqui, o Liam e o Niall... – O tom de voz dela havia mudado rapidamente para um tom de preocupação.
– Calma, respira fundo. – Pedi, interrompendo-a.
– O que eu fiz? Como eles estão? Onde? Meu Deus, eu sou um monstro! – As palavras quase se atropelavam de tão rápido que ela falava. Onde estava a sonolência agora?
– Ei! – Chamei sua atenção. – Respira. – Ordenei. Ela me olhou nos olhos e respirou fundo. Seus olhos eram de um tom verde meio azulado, eram realmente lindos... Espera, por que eu estava reparando nos olhos dela quando meu melhor amigo acabara de sofrer um acidente? – Calma, o Niall está chegando, ele não estava no outro carro do acidente. – Falei, mantendo o contato visual. Ela assentiu, como se quisesse dizer para si mesma algo como “está tudo bem, acalme-se”, e respirou fundo mais uma vez. Olhei para o chão e suspirei, logo voltando a olhar para a garota. – Mas Liam... está meio ferido sim. – Tentei ser cuidadoso com as palavras, pois não queria que a garota surtasse, afinal. Ela arregalou um pouco os olhos e sua expressão facial tornou-se uma mistura de culpa, preocupação e provavelmente raiva de si mesma.
– Eu não... Deus, eu não queria machucar ninguém, eu juro, mas eu estava tão brava, e estava chovendo, e eu estava chorando, eu não estava enxergando direito, mas não podia parar no meio da estrada e... – Não completou a fala. Quase não pude entender o que ela disse, pois as palavras saíram rápidas demais. – Onde ele está? – Perguntou, já descendo da ambulância. Assim que seus pés tocaram o chão, ela se desequilibrou. Por sorte, consegui pegá-la antes que fosse ao chão.
– Opa. – Falei sorrindo, para tentar deixá-la mais relaxada. – Fique calma, ok? Ele vai ficar bem, eu prometo. – Disse, observando o rosto da garota enquanto ela ajeitava sua postura. Estava claramente preocupada. Ela concordou com a cabeça e respirou fundo novamente.
– Acho melhor eu me sentar de n... – Antes que ela completasse a frase, a segurei, a ergui do chão e fiz com que sentasse de novo onde estava antes. Ela não era nada pesada. – Ah, obrigada... – Falou, sorrindo meio sem jeito.
– De nada. – Respondi sorrindo. Sentei-me ao lado dela, coloquei as mãos nos bolsos de minha jaqueta Varsity e fiquei olhando para o chão por um tempo. Voltei a olhar para ela, que parecia um tanto nervosa. – Bom, se isso te acalma, eu vou dar um jeito para te deixarem ver o Liam assim que possível. Ele também vai fazer alguns exames, parece que quebrou um braço e vão verificar se há algo mais de errado. – Falei, tentando manter um sorriso discreto nos lábios para que ela não se preocupasse. Obviamente eu estava preocupado também, mas não queria deixar isto transparecer. O importante era que Liam iria ficar bem novamente em breve.
– Ok, muito obrigada... – Respondeu e soltou um suspiro profundo. – Jeito horrível de conhecer meus ídolos, hein? – Ela brincou, tentando aliviar o clima. Soltei uma risadinha.
– Pois é... – Concordei. – Mas talvez algo bom saia disso tudo. – Respondi, sem deixar de sorrir.
O paramédico surgiu, parecendo meio apressado.
– Vamos? A ambulância com o rapaz já está saindo. Na verdade, devia ter saído assim que o retiraram do carro, mas houve algumas complicações por causa de segurança, policiais e etc. Ah, entre seus pertences, encontramos o seu celular com o número de sua mãe, então ligamos para avisá-la. – Explicou, já entrando na ambulância.
A garota não pareceu nada feliz com isso, mas disfarçou antes que o homem percebesse.
– Tudo bem. Vamos, então. – Respondeu, simplesmente.
– Bom, vou no carro com os meninos. Depois eu... Depois eu posso ir te ver lá no hospital? – Perguntei. Por que eu perguntei aquilo?
– Claro. – Ela respondeu, abrindo um pequeno sorriso. O sorriso dela era lindo...
– Ok, então, hm... Até mais tarde, Mariana. – Falei, descendo do veículo. O nome dela estava na carta, por isso eu sabia qual era.
A garota respondeu um “até” enquanto o paramédico lhe dava a mão para ajudá-la a levantar-se.
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