Momentos de Surto

2 Capítulo 2-Vida corrompida


Notas iniciais
Desculpe se teve alguns erros.Mais um relato de minha vida.

Ele perguntou se eu estava bem.Eu disse que sim.Acho que respondi.As alucinações pioravam.Como um punhado de droga que salpica seu pulmão.

O velho continuou.
”Você,Carl,fugiu de lá.Mas agora não lembra de nada.Por sorte,estes humanos evoluídos do século 45,ajudaram a gente.Eles,ou melhor,a gente foi escravizado e forçado a se misturar com esses monstros.
Os seres evoluídos queriam salvar o nosso planeta...”

A medida que ele ia falando,minha cabeça ia rodando e rodando.Sentia que minha vida passada,ia correndo pela minha mente.Aos poucos,eu ia me lembrando.Perdendo essa amnésia.
Aos poucos,ia ganhando luz na minha escuridão.

Um bebê gritante.Uma mulher linda o abraçava.As imagens refletiam em minha mente.Doía só de lembrar.Seres com quatro olhos.Facas e serras elétricas no lugar das mãos.Eu estava deitado.Eles grunhiam uma comunicação estranha.Eu gritava de dor e insanidade.Pavor e loucura.

O velho me perguntou se eu estava bem.Quando me vi,eu estava no chão.Mãos na cabeça.Abri meus olhos.Tudo rodava.As imagens dançavam.Não me sentia legal.Respondi que estava bem.Menti.Não me importava.

O amigo evoluído do velho disse algo.Parecia português.O velho traduziu.As palavras nem sequer chegaram no meu ouvido.Faziam um baque surdo.Desmaiei.

Abri meus olhos.Semicerrados.A imagem foi se formando.Seres corpulentos.Fantasmagóricos.Com olhares assustados e medonhos.De imediato,pulei de onde estava deitado.

Pensei que as lembranças passadas tivessem voltado.A voz do velho me acalmou.Me jogou pararealidade.Se é que podia chamar aquilo de real.

Ele falou que estavam me examinando.Saber porquê que eu desmaiava tanto.

Passaram horas e horas.Ouvindo apenas o chiado do silêncio e o barulho de metal batendo nos meus órgãos.Metal batendo em metal.Um terrível gosto de ferro na boca e um cheiro de enxofre que exalava pelo mundo todo.Inclusive na sala.

Só agora tive tempo de observar a sala.Agora que estava bem.Uma porta de madeira com um buraco desfigurado no meio.Com um lodo escuro.Quatro camas contando com a minha.Todas estavam com um lençol rasgado e sujo.Dessa vez de sangue.Uma delas estava encharcada.

Agora que eu estava sozinho.Percebi.O quarto tinha um ar sombrio.Medonho.A janela tinha imagens de anjos chorando.Chorando pela chuva.Porém o vidro estava quebrado.Em partes como o braço e as pernas.Partes singelas e pequenas,onde não deixavam a chuva entrar.

Depois do que sofri,não temo nada.Nada mesmo.Estava afogado nos meus pensamentos,quanto um som de vidro quebrando se apossou da sala.O velho abriu a porta da sala com uma voz preocupada,chamando meu nome.Ele apontava com seu dedo ressecado e trêmulo.Para algo atrás de min.Sua boca estava semi aberta.Sentia apenas um bafo quente nas minhas costas.O velho puxou da calsa uma arma que eu nunca vi.Antes mesmo de ele atirar.Me virei para ver o monstro.A imagem das coisas viravam um borrão e voltavam ao normal.Desfigurando a verdade.

O ser emitia um som de asa sacolejando.Sem que eu notasse tomei uma facada na barriga.O bicho me levantou na altura de seu rosto.Meu sangue caia como uma gosma.Uma gosma vermelho escuro.O gosto de ferro.O terrível gosto enjoativo.As garras atravessadas.Bem no meu coração quicante.Que parava de bater aos poucos.Fechei os olhos morri.

Acordo abruptamente na cama da sala com o mesmo,molhado de suor e sangue seco.Provavelmente não meu.Meu coração batia tão rápido e tão forte que eu pensei que iria ter uma parada cardíaca.Nunca fiquei tão ofegante.

O velho estava sentado na cadeira.Dormindo.Mas sua xícara quebrada estava na mão dele.Engraçado era que só tinha lâmpada quebrada no teto.A única luz da sala era a luz da lua,que estava cheia.

Me levantei e sai da cama.Cai no chão gelado.O baque que meu corpo fez no chão,acordou o velho.Que levantou-se e ajudou-me a sentar-se na cama.Foi quando ele me contou o que ocorreu.

Quando encostei minha bunda na cama fria,senti um nervoso.Meu estômago roncava e meu intestino reclama querendo defecar.Julguei que fora algo normal depois do sonho.

O velho me disse que examinaram-me e não encontraram nada.Mas eu dormi por cinco dias.Me sentia melhor agora.Sem dizer nada,ele saiu em direção à porta.Perguntei-lhe para onde ele estava indo.Ele não respondeu.Tentei me acalmar.Porém fui surpreendido pelo som de vidro quebrando.Era a janela.A janela de anjos.De anjos tristes.Que foram mortos.

Ouvi o velho gritando meu nome e abrindo a porta abruptamente.Um incrível bafo quente invadiu as minhas costas.O medo se apossou de min,junto com um incrível enjôo.Meu corpo todo tremia de pavor.

Estava acontecendo como no sonho.O velho puxou uma arma que eu nunca vi.Engoli em seco.Meu coração estava disparado.Meu estômago gritava.Por um momento pude ouvir a chuva lá fora.E os gemidos dos seres humanos débeis no prédio.Pensei:”É o meu fim”.

Para mim pareceu que passou devagar.Mas isso não estava no sonho.

Porém quando fui receber a facada do monstro,tudo pareceu parar.Não entendi.

O velho parado com uma arma na mão esquerda.Seu rosto de pavor.De medo.Sua boca aberta.E o monstro olhando para min e suas garras olhando para minha barriga.

Tudo estava em silêncio.Tudo a minha volta.Porém,o som do resto das pessoas lá embaixo ainda continuava.A chuva ao redor do andar,tinha parado.Nunca ouvi a música do silêncio.É tão pacífico.Até os átomos pararam.Andei até o velho.Abruptamente,tudo volta ao normal.E eu desmaio.Vejo os borrões dançando e sinto o chão gélido.Alguns segundos antes de apagar.ouço o eco do disparo da arma.

Sou acordado pelo velho.Sua voz medrosa me preocupava.Uma voz rouca.Posso até imaginar sua saliva salpicando sua encardida barba branca.“O que você fez,Carl?”- Perguntou-me a voz triste dele.“Fiz o que?Parar o tempo?”-Respondi não mostrando interesse.Ele falou que tinha me movido até ele em uma velocidade surpreendentemente rápido.

Não entendi.Senti uma Ânsia de vômito.Mas o que eu iria vomitar?Não comia nada a dias.O nosso silêncio foi cortado pelo grito do meu estômago.

O velho trouxe-me umas pílulas em um prato quebrado.Não outra mão a xícara quebrada em um pratinho quebrado.Dentro da xícara tinha um líquido preto fumegante.Devia ser café.

As pílulas eram metade branca metade transparentes.As cores eram variadas.A cada passo que ele dava,a xícara emitia o som de costume ao colidir com o pires.Ainda me lembrava o que cada uma correspondia.Comi a preta, de carne,a branca de arroz e a amarela,que era batata.A verde clara era alguma leguminosa.

Dormi na cama sem ao menos dar satisfações ao velho.Ele iria me esmagar de perguntas quando eu acordar.

Abro meus olhos.Enxergo o sujo e embaçada teto.Sento-me na cama e tento sair do estado letárgico.Na saída da sala vejo o velho e o seu amigo conversando sobre a luz da vela. Suas sombras dançavam como crianças correndo em volta da fogueira.Sem compromisso com a vida.

Ao tentar ouvir,vi uns sussurros vindo deles.Me levantei,e consegui entender o que eles falavam:”Mas você acha que foi realmente ele que gerou essa guerra?” Disse a voz rouca e assustada do velho.

Senti meu corpo todo gelar.Um nervosismo misturado com frio.Meu estômago caiu para as pernas.Uma onda de enjôo e ânsia de vômito ia e vinha.Senti um pequeno refluxo que esquentou meu corpo, e logo veio aquele formigamento que corria pelo meu corpo todo.Mal conseguia andar por causa da tremedeira.Porém consegui sair da sala.

Ao sair do quarto,encontrei o velho e seu amigo.Ambos olharam-me com um rosto assustado.O amigo do velho não possuía expressão,mas parecia surpreso.A voz do velho me perguntou por trás da barba se eu estava bem:”Carl,descobri coisas que você deve saber.Hotligar vai te contar.” Ele falou olhando para seu amigo futurístico.Parece que esse era o nome dele.Seu rosto sem expressão começou a gesticular palavras.Incrível era que ele estava falando em inglês.A cada palavra que ele mastigava,seus olhos profundos e penetrantes não piscavam.Justamente por falta dos cílios.Dava medo olhar para eles.Aquele corpo pequeno e desnutrido me dava nojo.

A respiração do velho ia e vinha com a mesma entonação e ritmo.Produzindo o chiado do ar passando pelo pêlos nasais.Meu estômago borbulhava a cada segundo.Corroendo o mesmo pelos ácidos estomacais.Hotligar dizia algo mais ou menos assim:

Notas finais
Mandem review.Isso me ajuda a saber se to bem