Momentos Devie
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Estava na hora da aula de bondade, mas a Fada madrinha tinha nos liberado dela. Agora, só mais um momento vazio entre aulas. Hoje é especificamente um dia bem...Chato. Esse momento vago era tão bom, eu voltava para o quarto e costurava, ou lia algum livro. Em alguns momentos pensava feliz em como nossas vidas mudara, e nele também. Não tinha como tirar da cabeça.
Entretanto, hoje eu não quero pensar, costurar, ler ou conversar com meus amigos. É um daqueles dias em que a gente quer fazer algo, mas não faz ideia do quê. Apenas que não quer as opções que já tem. Decido andar pela escola. Como é um lugar tão grande, com certeza deve ter vários lugares que não conheço ainda. Ao passar pelas escadas, vejo a razão de algumas noites nada dormidas subindo os degraus de forma rápida. Será que estava indo ao ensaio da banda? Fazia tempo que não o via tocar, e pra falar a verdade, desde a coroação não nos falamos tão bem quanto antes. Parece que sentimos vergonha perto um do outro. É normal?
É engraçado pensar assim. Desde muito tempo eu lidava tão bem com garotos! Minha mãe ensinou direitinho como flertar e agir, a conseguir o que eu queria. Mas agora, parece real. Sinto coisas que antes pareciam bobagens, como aquela sensação boba na boca do estômago ou minhas bochechas queimarem. Sempre ri das pessoas que falavam isso, e agora estou assim. Patético. Acho que o amor é isso, então. Bobo, sincero, e deixa a gente nas nuvens.
Decido ir atrás dele. Quem sabe não precisamos de um tempo sozinhos? Ou acostumarmos melhor um com o outro. Tento subir o mais rápido possível e sem muito barulho com meus saltos; por que insisto em usá-los mesmo? Ah, eu não imaginava que precisaria subir alguns lances de escada perseguindo o Doug. Chegamos ao quinto andar e vejo que ele está debruçado na sacada .Essa é a primeira vez que entro aqui.
—Já estou descendo, diga a eles que só preciso de um tempo para pensar. -Doug diz enquanto caminho até ele.
—Hmm...Pessoa errada. Mas achei impressionante o fato de você saber que tinha mais alguém aqui. -Digo parando ao seu lado e ele me olha surpreso.
—Desculpe, Evie. Achei que era o Jonas me chamando de volta para o ensaio. Ele sabe que eu gosto de ficar aqui. E, como já conheço o silêncio, presto atenção quando alguém chega. -Ele se vira para mim e me abraça, e durante aquele tempo, parece que tudo para. Sinto como se houvesse apenas nós dois, e aquele terraço e a sua vista fossem o último lugar da terra. Não me solto do seu abraço, então ficamos nos braços um do outro.
—E por que você não quer voltar a ensaiar? Gosta tanto de fazer parte da banda!
—Teve uma briga durante o ensaio, o Eric...-Ele diz desconfortável e nos separamos, voltando a olhar o horizonte.
—Eric Jr. Filho da Ariel. -Digo revirando os olhos. Claro que foi ele
—Ele mesmo. Como sempre, quis arrumar briga pois as coisas não aconteceram como ele queria.
—Olha, esses príncipes estão péssimos, viu? Primeiro Chad, agora ele. Minha mãe me fez ter uma imagem completamente diferente deles, não sabia o quanto eram mimados.
—É verdade. -Ele diz com um sorriso, parece mais calmo. -Mas acho que é complicado viver num Reino unificado, onde apesar de muitos terem o título, só um reina. Além disso, depois de tanta coisa que os pais passaram, é natural querer que os filhos só tenham coisas boas na vida, o que infelizmente, pode acabar em mimo.
—Mas com você não foi assim.
—Não. -Ele olha pra mim e segura a minha mão. Talvez não ser um príncipe tenha ajudado, ou a sorte de ter pais que me corrigiram também. Mas acho que no fundo, eles só querem o bem dos próprios filhos, mesmo que errem no processo.
—Acho que sim. -Digo, e dessa vez, eu que fico triste. Dali consigo ver a ilha, e todo esse papo de pai e mãe traz memórias. Será que a minha mãe me ensinou daquela forma por que me amava? Vilões não amam ninguém além de si mesmos. Ou será que a história muda quando se trata de seus filhos?
—Parece bonito lá, você sente falta dela?-Doug parece ler meus pensamentos. E eu sorrio pensando em como ele ficaria chocado ao ver como é na ilha dos perdidos.
—Você é muito gentil, Doug. -Ele parece desconcertado.- Lá é escuro, as cores parecem limitadas, sabe? Sempre escuras, pouca variedade. A comida é a que sobra de Auradon, também não varia muito. Fazemos o possível para sobreviver, é completamente diferente daqui. Lá se você ajudar alguém, sofre grandes consequências. Não podemos demonstrar amor, compaixão, nem nada que é comum pra vocês.
—Parece difícil.
—Sim, é. No início pareceu ruim vir pra cá, mas é uma bênção! É tão bom ter uma nova perspectiva, poder ser Boa. Pode parecer clichê, mas traz muita satisfação. Eu nunca fui tão feliz quanto agora, e sei que os meus amigos também. O Carlos, quando o conheci, era um capacho da Cruella, visto mais como um lacaio do que um filho, e agora ele faz parte de algo. E somos uma família.
—Vocês parecem mesmo mais felizes do que quando chegaram aqui. E você...parece ainda mais bonita.
—Sempre um Gentleman. -Ele segura a minha mão, mas ainda parece incomodado com algo.
—Evie, lembra daquela vez que eu te contei que o Chad veio ao meu quarto, falou besteiras e bati nele?
—Como não lembrar? -Digo com um sorriso ao imaginar a cena.
—Bem, naquela noite ele disse algo...
— O que aquele maluco te disse? -Falo um pouco alto, preocupada, ele parece surpreso. Tento diminuir o tom de voz. -O que aconteceu?
—Ele disse que vocês se beijaram...
—O QUÊ?! -Grito e parece que até os passarinhos pararam para ouvir.
—Calma, eu sei que não é da minha conta, cada um tem o direito de fazer o que quer, mas isso ficou na minha cabeça...
—Doug. -Digo um pouco mais calma e seguro suas duas mãos- Eu nunca beijei o Chad.
—Não? -Ele parece aliviado
—Olha, no início até que tentei, admito. Mas ele não quis; talvez fosse uma aproximação muito grande com uma VK. De qualquer forma, fico feliz por isso. Imagina ter essa lembrança? Eca! Sem falar que só tem uma pessoa que eu gostaria de beijar aqui em Auradon.
—É m-mesmo? Quem? -Ele diz completamente deslocado, o que me faz pensar no quanto ele é fofo.
—Doug, estou cansada de mandar indiretas. – E é verdade. Ele é diferente dos rapazes da ilha, mais real, sincero. Realmente parece sentir algo por mim e me respeita. Queria que ele mostrasse alguma atitude, mas parece que dessa vez vai ter que ser comigo. Aproximo meu corpo do dele e coloco suas mãos na minha cintura. Logo, as minhas repousam em seu pescoço e gentilmente puxam pra mais perto. Nossos rostos estão próximos agora, e consigo sentir seu coração acelerado, que bate tão rápido quanto o meu. Inclino a minha cabeça e sinto que ele me segura com firmeza. Finalmente meus lábios se encostam nos seus e, ele parece acordado de um transe. O beijo é lento, tímido no início, mas logo fica mais forte, ganha rapidez e urgência. Esperamos muito por esse momento, o que o torna mais especial. Quando está perto do ar acabar e o inevitável fim acontecer, ouvimos o barulho de uma porta batendo com força.
—Doug, você está aí? -Liam, filho do Soneca aparece.- Cara, estão procurando você por toda parte! Ah...-Ele para quando nos vê, Doug tira rapidamente a mão da minha cintura e nos separamos de forma abrupta. Tem batom nos seus lábios.
—Ah, ok eu já estou indo. -Ele olha pra mim como se pedisse desculpas e eu dou um sorriso.
—Vai, nos falamos depois. -Ele assente e vai embora, me deixando com um sorriso bobo e batom nos lábios.
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