Momentos De Impacto.

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
como disse, fui escrevendo e deu nisso ai. Espero que gostem.

A vida é marcada por momentos de impacto, sendo positivos ou negativos.

E acho que a minha vida só começou de verdade, quando um desses momentos aconteceu. Estava saindo do lab, e ia em direção à sala de armários. Chegando lá, a vi sentada, no chão, com as mãos encobrindo o rosto, e parecia chorar. Primeiro momento impactante. E aquele não era bom, muito pelo contrário, vê-la naquele estado era horrível. Eu queria abraça-la, confortá-la, ajudá-la. Mas meus medos não me permitiam... E eu teria que vencer as barreiras que existiam dentro de mim. E seria aquele momento que teria esse poder? O poder de fazer com que eu superasse as barreiras que ao longo de toda minha vida eu não havia superado?

Sim. Aquele momento tinha uma força enorme dentro de mim, não sabia como, mas eu sabia o porquê, eu a amo! Aproximei-me, ela ainda não havia me notado. Ajoelhei-me ao seu lado, levando meus braços ao redor daquele corpo magro. Outro momento de impacto.

Ela levantou a cabeça, e aqueles olhos castanhos se chocaram com os meus. Estavam vermelhos, mas nada que os tirasse a beleza. Não falamos nada por um bom tempo, ficamos apenas ali, desfrutando daquele momento.

Naquele dia, levei-a pra casa. Ela não estava em condições de dirigir... O trajeto foi feito em silêncio. Chegando lá, coloquei-a na cama, e sai do quarto. Vê-la naquele estado era difícil, mesmo porque, eu sabia que aquilo poderia ser por minha culpa... Resolvi ficar por lá, pelo menos aquela noite. Ela não tinha condições de ficar sozinha.

E foi a partir daquele momento que uma nova história começou. E minha vida mudou. Depois daquele dia nos entendemos. Sim aquele sofrimento era por minha causa. Lembrar-me disso nos dias de hoje dói, me machuca. Mas eu assumi meus erros, e consegui superar as barreiras que ainda existiam dentro de mim. Declarei-me a ela, e a puxei para um beijo, que estava entalado dentro de nós há vários anos. Aquele foi um dos momentos mais impactantes das nossas vidas.

Desde daquele beijo, os nossos momentos impactantes foram muitos. Tanto positivos quanto negativos. Cada sorriso que dela recebia, era como ver o arco-íris surgindo depois de uma grande tempestade.

Tudo para nós dois era novo, e alegre. Por quê? Exatamente pelo o que eu disse no começo desse parágrafo, agora éramos “nós dois”. E aquilo era novo.

A vida não poderia estar melhor, éramos um casal unido, feliz. Tínhamos amigos, já até morávamos juntos. Quando veio o diagnóstico...

Ela vinha se sentindo fraca, não tinha a disposição que tinha antes, tanto para trabalhar, como para fazer todas as outras coisas que fazíamos juntos (hoho’). Foi então que resolvemos consultar um médico. Vários exames foram feitos, e quando todos estavam prontos, nós estávamos sentados no consultório, minha mão segurando a dela. De alguma forma, eu queria passar coragem, mostrar que estaria com ela sempre. E foi ai que o médico deu uma última olhada nos exames. Levantou os olhos e nos disse que Sara realmente estava com leucemia. Aquele com certeza foi um dos nossos piores momentos. Senti como se meu mundo desabasse.

Saímos do hospital, eu estava realmente mal. E foi ai que uma lágrima teimou em sair dos meus olhos, eu não resisti e permiti sua lenta descida, que percorreu todo o meu rosto, escorrendo pelo meu queixo. Percebendo a lágrima teimosa, Sara como a heroína que sempre foi, virou-se em minha direção e disse “Porque está assim meu amor? Nada está perdido, eu ainda não morri, e estou aqui com você, vamos aproveitar o tempo que temos juntos, sem pensar no amanhã, ok?”. Senti-me um lixo. Nunca tive e nem terei, nem mesmo a metade da coragem que Sara tem.

Continuamos nossas vidas, mesmo que sua qualidade não fosse satisfatória, já que Sara, agora, tinha suas limitações. Ela continuava a trabalhar, e seu trabalho não perdeu a qualidade, muito pelo contrário, ela se esforçava mais a cada dia.

Então, chegou o dia em que me levantei da cama, enquanto Sara ainda dormia, e fui fazer minha higiene matinal. Quando sai do banheiro e retornei ao quarto vi minha mulher caída no chão, ela parecia tentar se levantar. De súbito, corri ao seu auxílio. Ela estava fraca. Naquele momento eu não sabia o que falar. Resolvemos que ela iria para o hospital, lá os cuidados necessários seriam tomados.

Sara já estava internada há um mês. Pedi licença do lab, e claro, todos por lá entenderam. Ela recebia visitas todos os dias. Era Cath, trazendo sempre sua alegria para aquele quarto quase sem vida, ou Greg com suas piadas sem graças, que sempre animavam à morena. Outras vezes eram Warrick e Nick, que iam fazer companhia.

Eu queria que o estado da minha mulher melhorasse. Mas como querer não é poder, ele piorava a cada dia. Mas nem isso tirava o sorriso do rosto de minha Sara, e todos os dias quando acordava, ela ainda me dizia: “eu ainda estou viva, vamos aproveitar.” E eram essas palavras que me ajudavam a ter força a seguir em frente, vendo minha própria vida debilitada numa cama de hospital.

Daquele dia, quando acordei, vi que Sara já estava acordada, ela chorava, baixo, mas chorava. Estranhei, não era essa a Sara que eu conhecia. Mesmo naquele estado, ela acordava todos os dias alegre, com um lindo sorriso no rosto. Não disse nada, apenas cheguei ao seu lado e segurei sua mão, quando ela soltou: “Gil, está ficando cada vez mais difícil, me sinto fraca... Mas saiba meu amor, que sempre, sempre te amarei e mesmo que eu não esteja mais aqui, estarei em outro lugar, te amando do mesmo jeito!” Esse foi o momento mais impactante de nossas vidas. Ouvindo aquilo, eu não aguentei e desabei-me num choro compulsivo, enquanto ela enxugava minhas lágrimas.

Naquela noite, Sara se foi. E aquilo foi como se um pedaço do meu corpo, e da minha alma fosse embora. Como agora poderia viver, se meu motivo de sorrir todas as manhãs havia me deixado? Pode parecer egoísmo, mas mesmo Sara sofrendo, eu queria que ela ficasse comigo. Naquele dia, eu realmente achei que minha vida tinha acabado.

Hoje tento a cada manhã, levantar-me e olhar para o céu e dar um sorriso, pois foi Sara que me ensinou a sorrir, pois ter a dádiva de viver um novo dia não é para qualquer um. E quando penso que devo desistir me lembro também do que Sara disse a mim, no seu último dia de vida, e sei que em algum lugar, ela está comigo, e ainda me ama, como eu a amo.


Notas finais
e ai? Será que tem reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!