Momentos
3 A primeira e a última vez que cozinhamos
Notas iniciais
Eu posso ser muito habilidoso em muitas coisas como: Taijutsu, Ninjutsu, Dojutso e até mesmo em meditação, porém cozinhar não entra nessa lista. Em todos os momentos que passamos juntos sempre foi a mesma coisa, eu arrumava a comida e deixava Tenten na responsabilidade de tornar algo comestível, na maioria das vezes ela só jogava em uma panela e colocava em uma fogueira. Mas tudo isso mudou quando ela resolveu pedir para a mãe ir buscar algumas armas que faltava para podermos ir em uma missão, Tenten se vendeu e me colocou como brinde para ser escravo da mãe dela. Nunca tive que fazer tantas tarefas domésticas na minha vida, quando pensava que estava tudo acabado, ela chega com aquele sorriso amarelo e balançando o corpo de maneira nada sincronizada.
— Então, falta uma coisa, talvez a gente acabe tendo que fazer a limpeza toda de novo...
— Pare de enrolar, fale logo Tenten! — falei me estressando, não impostava o quanto eu meditasse, nunca teria paciência para enrolações.
— Ela quer que a gente faça o jantar — terminou com um sorriso, estava tentando deixar tudo mais simples.
— Enrolou tudo isso só para falar que temos que cozinhar?! — massageei as têmporas, não que fosse difícil, mas cozinhar nunca foi minha atividade preferida, sem falar que Tenten é totalmente desorganizada e desastrada, aposto que trocaria os ingredientes — O que iremos fazer?
— Não sei, pensei em fazer uns pãezinhos — disse animada, seus olhos chegaram a brilhar ao dizer “pãezinhos”, era impossível dizer se ela gostava mais de armas ou pães.
— Não iremos jantar “pãezinhos”. Temos que cozinhar alguma coisa decente.
— E o que sugere? E nem vem falando macarrão com peixe — ela disse fazendo bico e analisando as unhas. Macarrão com peixe tinha sido a primeira coisa que pensei, e ela sabia disso, por isso iria querer dificultar as coisas.
— Do que sua mãe gosta? — perguntei, o melhor era fazer algo que ela gostasse, e não o que a gente gostava.
— Hum... — Tenten fazia barulho até para pensar, andou por um lado para o outro, estava quase dormindo quando ela gritou animada — Takoyaki! Mamãe adora esses bolinhos e podemos fazer um Matcha aisu kurimu, um sorvetinho para refrescar — Não recusei apenas por que ela realmente estava animada com essa ideia.
— Temos tudo o que precisa? — perguntei, não conseguia mostrar interesse nisso.
— Precisamos de um polvo, vem! — disse puxando minha mão para fora de casa.
Foi quase impossível encontrar o polvo que Tenten queria, era incrível como ela discutia como se soubesse alguma coisa sobre polvos. Quando finalmente encontramos um “bonitinho”, eu arrastei ela para casa.
Separamos tudo o que iriamos usar para fazer o bolinho de polvo com molho. Primeira coisa a se fazer era cozinhar o animal, não foi tão difícil, colocamos ele em uma panela com água e ligamos o fogão, deixamos ferver por uns minutos e removemos a pele, aquilo era mais nojento do que aparentava. Tenten pegou uma frigideira e quase torrou o polvo. Eu piquei tudo, deixei quase todos do mesmo tamanho, porém ficaram um pouco maiores do que o esperado. Para moer o katsuobushi, utilizamos uma arma que Tenten tinha, em apenas alguns segundos e tudo estava triturado. Tenten colocou os demais ingredientes e misturou, ela cantarolava enquanto fazia isso. Ao mesmo tempo, eu batia os ovos com um molho de soja. Assim que acabei, misturamos tudo de mexemos rápido, achamos melhor colocar um pouco mais de molho.
— Eu acho que vai ficar muito bom, mamãe irá amar.
— Estamos indo melhor do que eu esperava — afirmei, até o momento não tínhamos sujado quase nada, e o melhor e que não havia ferimentos.
Adicionamos o polvo que estava de lado e alguns temperos na mistura, Tenten foi colocando tudo o que achava nos armários. Para cozinhar usei a liberação de fogo. Não conseguimos fazer o formado o bolinho, então no fim ficou parecendo uma panqueca com elevações, pequenas montanhas formadas por polvo torrado e outros temperos.
— Agora só falta o molho — disse olhando para ela.
— Neji, eles ficaram feinhos — respondeu olhando para o prato, não acredito que ela tenha ficado triste só por que estavam... Diferentes.
Ignorei ela e fui fazer o molho de takoyaki, ela se pôs para fazer a maionese. Quando finalmente terminamos, limpamos o que havia sujado e fomos descansar um pouco. A mãe de Tenten chegaria tarde, então não íamos esperar por ela, porém deixaríamos tudo pronto.
— Acho melhor esquecermos do sorvete. — falei com os olhos fechados, nunca pensei que limpar e cozinhar cansava tanto.
— Mas matcha aisu kurimu é tão bom. — Tenten me encarrou, sabia que ela estava tão cansada quanto eu, mas queria fazer o melhor que podia.
— Podemos ir comprar, eu pago — ela sorriu, até parecia uma criança. — Mas, primeiro vamos jantar.
Levantei e ajudei ela a se levantar, fomos para cozinha encarar nossa panqueca montanhosa com o molho aguado e a maionese pastosa. A vontade de comer ia diminuindo a cada segundo, cada um pegou um pedaço e colocamos o molho em cima, Tenten pôs a maionese acima do molho, eu resolvi deixar separado em um canto do prato.
— Bom apetite — dizemos, após Tenten agradecer pela refeição.
Lembro do momento em que coloquei aquilo na minha boca e comecei a mastigar, era horrível. Estava queimado em uma parte e crua no outro, o molho não tinha muito sabor, resolvi experimentar a maionese. Maldita ideia. Quase morri com a quantidade de pimenta que Tenten havia colocado.
— Neji! — ela correu ao meu socorro, me entregou um copo de água, o líquido passou tão rápido pela minha garganta que nem percebi.
Quando viu que eu estava bem ela começou a gargalhar, não sei como ela conseguia achar tanta graça naquilo, os olhos castanhos até lagrimejaram. Por impulso ataquei o molho nela. Parou de rir na hora, porém, obviamente ela não deixaria isso barato. Puxou meu cabelo e passou a maldita maionese apimentada. Me deixei levar pelo momento e pelas risadas de Tenten e começamos uma guerra amistosa de comida, o polvo voava de um lado para o outro, a cozinha ficou mais bagunçada e suja do que antes.
Terminei deitado no sofá, Tenten se jogou em cima de mim, segurava a barriga de tanto rir. Os cabelos dela se enroscaram nos meus, isso dificultou quando bateram na porta e fomos atender. Por sorte era apenas o Lee, provavelmente estava treinando por aí.
— O que aconteceu aqui? — perguntou confuso.
Tenten não conseguia parar de rir, eu a acompanhei na risada, porém consegui explicar o que estava acontecendo, no fim Lee nos ajudou a arrumar tudo, entretanto antes, precisávamos de um banho.
— Podemos cortar o seu cabelo, vai ser só um pedacinho —Tenten disse, tentávamos desenroscar os cabelos, mas era impossível, estavam todo melado de molho e maionese. Com muita paciência conseguimos nos separar.
Após tudo estar limpo, Lee foi embora, deixando eu e Tenten sozinhos novamente.
— O que iremos fazer agora? — questionou triste.
— Ainda estou te devendo um sorvete — Sorri amistoso, ela retribuiu.
Caminhamos pela cidade e tomamos o sorvete, compramos uns pãezinhos e macarrão com peixe, voltamos para casa e jantamos. Foram momentos terríveis na época, porém agora é algo engraçado de se lembrar, ainda mais por ser apenas a nossa segunda tentativa de um encontro.
Fale com o autor