Havia algo nele que brilhava, e não estava se referindo aquelas explosões. Talvez todos seus pensamentos atordoados sobre aquele super herói não passassem de uma reação a sua dor de cabeça, e ao fato dele ter lhe salvado, mas existia algo de terrivelmente encantador em Ground Zero.

Sentiu quando ele pousou seu corpo em uma maca, murmurando algo desconexo e caindo sobre a maca ao lado. Havia iniciado seu trabalho na Update Hero havia pouco tempo, e não era mais do que uma ajudante de herói, mas quando um ataque começou sobre o prédio, você precisava correr para a ala das crianças, onde os filhos dos heróis que não tinham com quem deixar ficavam, porque odiaria que algo acontecesse a crianças.

E foi assim que levou com toda a força um golpe, não tinha tempo para reagir enquanto segurava duas pequenas crianças em seu colo, porque seu objetivo era protegê-las. Viu aquele homem surgir no corredor, e embora parecesse tentado a correr atrás do vilão, o loiro puxou as duas crianças de seu colo e mandou que se certificasse que não havia mais nenhuma.

Pelo suor escorrendo em seu rosto, tinha certeza de que algum lugar próximo estava em chamas, mas continuou revirando a sala, embusca de mais uma criança. O pequeno garoto estava encolhido no armário, os olhos cheios de lágrimas e prestes a usar qualquer que fosse a individualidade dele em você.

—Não precisa ter medo, eu sou uma heroína, vou te proteger. —contou para a criança lentamente, e quando teve certeza de que ele havia entendido cada palavra, pegou o menino no colo e correu para fora daquela sala.

A fumaça começava a se espalhar de um modo desesperador, não conseguia encontrar uma saída, os corredores estavam travados por paredes caídas ou batalhas, não podia enfiar uma criança em meio a uma luta como as que aconteciam. Correu para o último corredor que lhe sobrava, entrou em um dos banheiros, molhando sua máscara e pondo-a sobre o nariz da criança, que tossia mal conseguindo respirar.

A janela do banheiro era muito pequena e dava para dentro da propriedade, mas precisava tentar, ajeitou a criança sobre a pia e, com toda a força que tinha naquele momento, chutou a parede próxima a janela, vendo parte dela ruir. Tudo bem, aquela passagem precisava ser o bastante, porque o menino parecia prestes a desmaiar. Agarrou o pequeno em seu colo e se jogou para fora da janela, naquele momento você nem mesmo pensava em tentar um de seus pousos heróicos, apenas queria permanecer de pé, em um lugar sem lutas, onde o menino pudesse respirar.

Suas pernas doíam terrivelmente, mas estava viva, e dois homens corriam em sua direção. Não tinha tempos para lutas, rolou por entre eles, abraçando a criança da melhor forma que podia, porque você não estava disposta a soltá-la. Viu quando aquelas pessoas vestidas completamente de branco, médicos, vieram em sua direção, pegando o menino e tentando ajeitar uma máscara respiratória em seu rosto, mas precisava voltar, porque todos ainda estavam ali dentro.

E então você finalmente poderia lutar de uma forma digna, sacou as duas espadas de sua roupa e voltou para o prédio, incapacitando os dois homens a sua frente. Na sua época de escola, lembrava que os colegas de classe lhe apelidaram de furacão por sua técnica de batalha com espadas, o que havia originado seu nome de heroína, Hurricane.

Andar após andar, derrubava pessoas e mandava os feridos para fora, mas em meio aquela sufocante fumaça, você não viu quando se aproximaram de suas costas, acertando sua cabeça contra a parede. Sentia que estava sangrando e não tinha forças para reagir, caída no chão, tossindo em meio aquela fumaça, sabia que não queria morrer ali, mas talvez fosse.

Mal respirava, precisava de ar, precisava se mexer, precisava conseguir sair dali, mas seu corpo não respondia, tudo era dor e sufoco. E foi então que ele surgiu novamente, o loiro que buscara as crianças, parecendo tão sem ar quanto você, mas ainda assim se abaixou ao seu lado, te levantando no colo e correndo para fora. Você quis gritar, porque os braços dele sangravam, e ainda assim ele explodia uma parede, pulando consigo para fora do prédio.

E foi assim que você acabou deitada em uma maca, com máquinas te ajudando a respirar e médicos tentando estancar seu sangramento, com Ground Zero logo ao seu lado, recebendo dos mesmos cuidados.

Por alguns segundos aqueles olhos vermelhos se fixaram nos seus, e então pode ver: se reconheciam como heróis.