Momentos

96 ... em que Filhotes se Tornam Adultos


Notas iniciais
96. Que seja narrada por um cachorro;

Aquele foi o limite.

O máximo que Akamaru podia aguentar!

Ele foi deixado pra trás. Largado em casa, esquecido! Pela primeira vez em vinte anos de uma linda e fiel parceria, pela primeiríssima vez na realização de uma missão, Inuzuka Kiba deixou o ninken para trás, em casa.

A justificativa?

Kiba queria que ele, o grande Akamaru-sama se tornasse mais próximo do outro humano! Daquele traidor maldoso que entrou na vida de ambos e roubou toda a atenção de Kiba para si!

Akamaru nem viu o golpe se formando. Em um dia era amigo do Shino, em seguida disputavam a atenção de Kiba! E Akamaru sentia que perdia. Sim, perdia. As brincadeiras com seu parceiro humano eram cada vez mais escassas, recebia atenção nas folgas, às vezes Kiba arremessava a bolinha... mas a maior tarde do tempo do garoto era dividido com ele.

O esquisito sem graça dos insetos!

Que ofensivo! Que injusto!

Akamaru queria que fosse como nos velhos tempos, quando rolavam despreocupados pela grama, nadavam escondidos no lago e recebia ordens pra marcar territórios na floresta. Sentia tanta saudades desse tempo, quando Kiba e ele eram cumplices de travessuras. Agora até bronca levava, quando queria mostrar a insatisfação rasgando os casacos de Shino e fazendo xixi nos trabalhos escolares! O que lhe rendeu um castigo prolongado.

Kiba parecia magoado com suas atitudes. A ponto de sair sozinho para uma missão e pedir que Akamaru se entendesse com Shino.

Isso nunca aconteceria.

Nunca!

Estava cansado de dividir seu humano. Ia aproveitar que estava sozinho em casa e fazer xixi nos sapatos de Shino! Mostrar quem era o Alpha daquela casa. Ah, se ia...

Observou da casinha quando Shino saiu para o tal estágio ou algo assim. A expressão dele era um pouco mais tensa que o normal (só um ninken de alto nível para perceber isso).

Sorrateiro, Akamaru entrou pela janela da cozinha, que volta e meia esqueciam aberta e foi silencioso pelas escadas até o quarto no segundo andar. Abriu a porta com o focinho e invadiu o território proibido! Nem precisava recorrer ao faro para descobrir quais eram as coisas de Shino, que ia regar com seu xixi quentinho (guardado a noite toda só pra isso).

Aproximou-se de uns sapatos enfileirados próximos do guarda-roupas, ergueu a patinha e preparou-se para mandar aquele jato caprichado!

A culpa era toda deles! Se Kiba fosse como Tsume-san saberia administrar a situação! Afinal ela e Kuromaru-san estavam sempre...

Não, espera.

Tsume e Akamaru eram péssimos exemplos. Akamaru nunca os viu brincando na vida toda!

Então tinha Hana-nee e os três Haimaru-nii e...

Não, espera de novo.

Hana era muito carinhosa e gentil, mas não era de ficar rolando pela grama com os ninken.

Lentamente a patinha foi se abaixando enquanto Akamaru compreendia a verdade. Kiba conseguia brincar consigo muito mais do que os outros adultos, ele se esforçava mesmo para lhe dar atenção como nos velhos tempos, mesmo tendo outro humano em sua vida, coisa que nem Tsume nem Hana tinham.

Notas finais
E as mulheres não pareciam ter tempo de brincar com os mascotes. Akamaru não podia sequer se lembrar de Kuromaru ou dos Haimaru se vingando como ele pretendia. No fim das contas era realmente infantil e bobo da sua parte lutar contra o rumo natural que a vida tomava. As coisas não voltariam a ser como antes, nunca. Enquanto todos tentavam se adaptar, Akamaru remoía de ciúmes bobo, desprezando as tentativas de seu dono de harmonizar o lar em que viviam, de um jeito muito humano e cheio de amor. Akamaru finalmente compreendeu tudo. Quando saiu do quarto deixou tudo intacto, do jeito que encontrou ao entrar. E levou consigo a vergonha de quase decepcionar Kiba, seu precioso parceiro da vida. —-- Shino chegou em casa emocionado pelo encontro com Sumire. Agora sabia o nome da garotinha, ainda que não tivesse acesso a muitos detalhes. A felicidade por saber que ela estava bem era imensurável. Chegou em casa e surpreendeu Akamaru sentado na frente da casa. O ninken balançou a cauda demonstrando felicidade por ver Shino chegar. Latiu duas vezes. Shino ergueu as sobrancelhas, admirado com a recepção calorosa. Acabou sentando-se ao lado dele. — Sente falta de Kiba, não é? — coçou atrás da orelha do mascote, que aceitou o carinho com docilidade — Eu também sinto. Akamaru apoiou o focinho no colo de Shino, o carinho era agradável. Tanto quanto o que Kiba lhe fazia. Ainda ficaram um tempo ali fora, aproveitando a companhia um do outro, numa cumplicidade que antes não existia, porque foi naquele segundo que a mentalidade de Akamaru deixou de ser de um filhote e ele aceitou Shino como parte de sua família.