Momentos
15 ... de segredos (não) guardados
Notas iniciais

— Então. O que me diz? — Kiba perguntou ansioso, olhando para Shino.
O rapaz suspirou. Estavam indo para o campo na intenção de passar a tarde treinando algumas técnicas novas que aprenderam a pouco tempo. Depois tentariam sair para jantar e, se tudo desse certo, sem a interferência de terceiros.
A questão que Kiba formulou, tinha a ver com o longo monologo que veio executando desde que se encontrara na saída da cidade rumo ao lugar em que podiam treinar em paz. Trajeto em que, inusitadamente, Kiba defendeu o direito de cada um guardar seus “segredinhos”. Não é só por ser namorados que tinham que falar tudo um pro outro, oras – palavras de Kiba.
— Concordo — Shino soou sem afetação. Não é como se tivesse algo a guardar ou a esconder. E, mesmo que não ocultasse de proposito, seu jeito discreto dava essa impressão. Por outro lado, era hilário que Kiba decidisse aquilo. Logo ele, um livro aberto e de fácil leitura. Parecia impossível que guardasse o segredo que fosse, de quem quer que fosse.
— Ótimo! Segredos dão um arzinho de mistério ao relacionamento, não acha? Que graça tem se a gente souber tudo um do outro...? Nenhuma, né?
E Kiba retomou o discurso, adiantando-se alguns passos, quando o campo tornou-se visível.
Shino inclinou a cabeça de leve para o lado, dando-se conta de que tinha um segredo sim! Seu segredo recém adquirido era que, na verdade, sabia a que segredo Kiba estava se referindo. Confuso?
Bem. Ontem, Tsume que tomava um relaxante chá da tarde num dos raros dias de folga, teve a infelicidade desagradável de ser picada por um carrapato. Um carrapato no seu sofá!! Sem dificuldade descobriu um pequeno foco infestando as costas do móvel.
Ah, a mulher não pensou duas vezes.
Atraiu o filho para a sala com um berro que faria um leão se acovardar. Com o coração aos saltos e a boca seca, Kiba chegou pálido, assim que ouviu a acusação tentou fugir. Mas a mãe o pegou e arrastou o pobre coitado pela gola até a banheira, onde lhe deu um banho esfola-pele de deixar a tez brilhando.
“Pra que esses pudores?”, ela resmungou na parte mais engraçada-triste-tensa-bizarra da cena, segundos antes do filho cair na banheira que se enchia de água e sais de banho. “Já vi isso daí quando tinha o tamanho de um polegar.”, e lá estava a esponja cheia de espuma entrado em ação de novo.
Foi um banho rápido e eficiente. Lavou qualquer carrapato que por ventura Kiba carreasse, limpou a craca acumulada atrás das orelhas e esfacelou um pouco a dignidade do auto-proclamado futuro Hokage.
Não admirava Shino que Kiba quisesse guardar segredos aquela altura do novo. E o pior: os carrapatos nem eram do garoto. Akamaru tinha cem por cento da culpa, a parte de Kiba nessa história era deixar o cachorro entrar escondido na casa, quando a mãe não estava.
Como ele sabia desses detalhes todos?
Okay. Talvez Shino tivesse sim, os seus pequenos segredinhos...
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