Momentos
24 ... de prisão, sofrimento e dor
Notas iniciais

No instante em que Tsume colocou o termômetro debaixo do braço de Kiba, ele já sabia o que ia acontecer. Uma gripe horrorosa se confirmaria.
Quarenta e um graus de febre. Quase a ponto de ter convulsões e morrer.
As consequências?
Cama, para se recuperar.
O primeiro dia traria um Kiba tão fraco e debilitado, que nem forças pra se alimentar ele tinha. O sono agitado de delírios febris e medonhos não proporcionava qualquer tipo de descanso ou recuperação. A pele quente exigia a troca de muitas toalhas umedecidas, uma tentativa tênue de baixar a temperatura.
No segundo dia, cenário idêntico. Kiba era forte, geralmente sadio. Por isso quando uma doença o derrubava, a coisa era feia para valer, assustadora mesmo. A ponto de não ter consciência das coisas, perdido nos caminhos dos sintomas.
Apenas no terceiro dia a febre cederia um pouco. O garoto, fraco e desnutrido pela fome, abriria os olhos pela primeira vez desde que a doença foi diagnosticada. Estava sem animo, sem fome, sem vontade de viver. Nem a visita preocupada de Shino traria de volta aquele Kiba a que estavam acostumados.
Ele odiava ficar doente, se sentir frágil e fraco. Ficar na cama era o pior castigo, doía olhar pela janela e ver o sol lá fora. Toda a vida acontecendo, sem poder participar. Ter que imaginar todas as missões que deixaria de pegar, porque seu corpo era incapaz de sair da cama.
No quarto dia, a desesperança. Ao mesmo tempo em que a doença cedia um pouco, as funções normais se reestabeleceriam. O remédio horrivel descia amargo, mas não sem antes boa dose de manha e repudio. Nesses momentos Kiba tinha sorte, porque ainda que acabasse sendo chato, Tsume não o grudava pela orelha. Ver o filho fraquinho partia o coração de mãe.
No quinto dia, uma recaída inesperada. Termômetro de volta aos quarenta graus, febre e mal estar judiando dos músculos. Delírios, tosse, suor abundante e pegajoso. Aquela gripe não seria vencida tão facilmente. Talvez precisasse de internação e remédios mais pesados.
O sexto dia, o pior dia. A enfermidade de Kiba atingiria às pessoas que amava, obrigadas a assisti-lo definhar sem poder nada. A doença era mais grave do que pensavam. Só perceberam isso quando era tarde demais para encontrar uma cura e salvá-lo.
O sétimo dia. O último dia. O confinamento chegou ao fim, assim como a vida de Kiba.
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Essa foi a humilde história que se desenrolou pela mente de Inuzuka Kiba, no espaço de tempo em que Tsume botou-lhe o termômetro debaixo do braço e esperou o sinalzinho sonoro, coisa de menos de um minuto.
— Trinta e sete graus e meio — a mulher disse por fim — Está meio febril, tome o remédio e pega um lenço.
Kiba fungou, ignorando o incômodo do nariz escorrendo e levantou-se do sofá. Impossível estar mais alegre!
— Nunca mais mergulho no lago de roupa! — prometeu. Tsume balançou a cabeça, certa de que ele cumpria a palavra dada até surgir a oportunidade de mergulhar outra vez!
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