Momentos
40 ... de exaustão
Notas iniciais

Kiba estava morrendo de sono. Morrendo mesmo.
Ele começou os treinos intensivos para ser jounin. Hayate ajudava com isso. E o homem parecia calmo e gentil, mas só parecia mesmo. O professor era um sádico que não admitia falhas!
Tá... não era para tanto.
Hayate era exigente. Cobrava altos resultados e fazia Kiba repetir exercícios até que acertasse cada um. Segundo o sensei, o exame era difícil. Mais difícil do que para se tornar professor da Academia.
Isso alimentava o ego de Kiba, claro. E o fazia romper limites tentando acertar e melhorar sempre. As semanas começaram a ficar pesadas. Nos finais de semana não tinha muito animo pra nada.
Acordava tarde e ficava enrolando na cama, morto de sono. Por esses dias acabou perdendo um pouco da rotina que levava. Não via Shino já tinha alguns dias, seu namorado envolvido com a nova etapa para se formar professor.
Também se afastou um pouco de Naruto. Estava chateado com o amigo e a reação infantil que teve quando Sasuke saiu de casa. Pelo que ouvi falar por aí, o rapaz voltou para as terras dos Uchiha e estava escondido por lá, evitando contato.
Kiba sentia-se meio dividido. Parte de si tinha certa pela por Sasuke ser aquele resumo de escolhas ruins, de tudo o que deu errado na vida dele e, quando tinha a chance de concertar, apenas errar de novo. Mas a outra parte, a parte maior do coração de Kiba, trazia certa satisfação por vê-lo sofrendo. Era algo mesquinho, mas que não podia controlar. Sasuke foi peça importante na guerra que tirou Hana da família. E tantos outros...
Batidas breves na porta cortaram os pensamentos. Tsume não esperou autorização para entrar no quarto.
— Ei, moleque. Não tá com fome?
Ela conhecia bem seu filhote. Pra Kiba perder o café da manhã, devia estar muito cansado.
— To. Meu estomago começou a se auto digerir, mas to cansado demais pra sair da cama, mamãe.
Tsume sentou-se na beirada do colchão, se permitindo fazer um carinho nos cabelos bagunçados no filho. Nunca foi uma mulher afetiva, mas isso mudou um pouco depois da guerra. Perder Hana derreteu uma parte significativa da barreira de gelo que envolvia os sentimentos daquela mulher. Kiba era tudo o que lhe restava na vida. Se tal pensamento não a amolecesse, então nada mais o faria.
— Vou trazer algo pra você comer.
— Na cama?! — Kiba não acreditou na oferta.
— Só dessa vez. Está se esforçando, garoto. Me sinto orgulhosa.
Kiba sentiu os olhos marejarem. Receber um elogio de sua mãe não era rotineiro. Na verdade, era tão raro que o impacto o acertou em cheio.
— Obrigado! — sussurrou.
Tsume bagunçou os cabelos do filho mais um pouco, cheia de ternura. Tinha certeza de que Hana também estaria orgulhosa em ver o irmão caçula se dedicando tanto após escolher a carreira que seguiria.
Saiu do quarto para buscar o café, mas quando voltou Kiba tinha sucumbindo ao cansaço. Acabou colocando no criado-mudo, para que ele se alimentasse ao acordar.
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