Momentos
88 ... de “dias daqueles”
Notas iniciais

Konoha seguiu em frente. O poder da vila não estava só no quesito militar. A força do povo era parte de sua supremacia. As pessoas guardavam as magoas e dissabores, porque não se pode simplesmente estagnar no tempo.
Porém não era fácil. Cada passo dado tinha um peso e um custo, e consequências. Sendo a cura das feridas uma das mais importantes.
Uma das frases ditas por Shino marcou fundo, na qual Kiba se agarrou como uma taboa de salvação.
“Você tem que viver por Hana também”.
Sim! Ele compreendeu aquilo muito bem. Viver por Hana significava sempre tê-la no coração, nunca esquecê-la e honrar suas memórias. A irmã o amava, jamais desejaria vê-lo afundando em tristeza e inércia, preso em sofrimento eterno. Ao sorrir, ao amar, ao viver, Hana seria honrada.
Mas era engraçado.
Algumas situações aleatórias, em que se via vitima leve angústia, como naquele instante. Era dia de feira e Kiba analisava grandes tomates vermelhos e apetitosos. Estava um bom tempo observando a fruta em suas mãos, pensativo e distante dali. Suco de tomates era seu preferido! Hana sempre fazia no almoço.
Suspirou, longa e lentamente.
Então continuou escolhendo mais alguns, pagou e os colocou na sacola junto com o resto das compras. Estava no aguardo de alguma missão, teria treino na parte da tarde. Uma rotina... normal.
Akamaru latiu e Kiba sorriu pra ele.
— Já comprei tudo! Vamos embora — seus planos eram de curry. Pelo menos pro jantar.
Teve uma surpresa ao chegar em casa e encontra-la aberta. Shino estava de volta!
— Tadaima — anunciou enquanto tirava os sapatos na entrada.
— Okaeri — Shino, que estava sentado no sofá, respondeu. Levava um livro nas mãos. Teoria da Docência.
— Veio cedo!
— O novo semestre ainda não começou. Por enquanto temos alguma folga.
— Penúltimo semestre!! — Kiba ficou eufórico com a ideia de ver o marido formado e lecionando! Casar-se com um professor, que honra!
Shino colocou o livro sobre o sofá e foi ajudar Kiba com as compras. Juntos guardaram tudo nos devidos lugares, exceto os ingredientes pro curry. As finanças do casal ainda estavam apertadas, quando Shino conseguisse terminar o curso e começasse a trabalhar tudo melhoraria! Poderiam sair para comer fora mais vezes e aproveitar o casamento recente com mais primor.
Enquanto isso não acontecia, preparavam as refeições caseiras, o que não era ruim! Shino adorava ver o jeito desastrado com o qual Kiba cortava os legumes e picava a carne. Ele fazia questão de ajudar, mas era um desastre.
Depois de colocar o curry pra cozinhar e ligar a panela de arroz, só faltava aguardar.
Voltaram para a sala e sentaram-se juntinhos no sofá, com Kiba abraçando Shino pela cintura e meio que sentando-deitando apoiado no corpo dele. Dois ou três suspiros depois, Shino entendeu que era um “dia daqueles”.
Desde o julgamento dos criminosos, Kiba tinha recaídas. Ficava triste do nada, embora Shino pudesse ver seu esforço em tentar seguir em frente.
Por sorte “dias daqueles” eram a exceção, e em todos Shino oferecia seu apoio.
Fale com o autor