Momentos
8 ... de autoanálise
Notas iniciais

Estava tão acostumado ao genjutsu de autoindução que foi extremamente fácil conjurá-lo.
Shino aproveitou que estava viajando com o pai, em uma das vilas vizinhas, procurando uma espécie de inseto. Algo ainda não descoberto ou raro, por isso não reconhecido de imediato. Animaizinhos que logo despertaram o interesse dos Aburame.
A noite, após intensas buscas, Shino aproveitou a calma e o silêncio do quarto para meditar. Treinar a mente era tão importante quanto apurar o corpo. E, de tempos em tempos, gostava de avaliar sua própria evolução.
Sentou-se no chão do quarto, moveu as mãos e manipulou o chakra.
Assim que fechou os olhos, uma sequencia de imagens descortinou-se em sua mente. Shino viu a si mesmo, em momentos pontuais de sua vida. O primeiro da fila, um bebezinho deitado no chão, chorando ao acabar de nascer. E então um salto, o próximo Shino pequenino, imagem de quando falou a primeira palavra. E o Shino ao dar os primeiros passos incertos, vascilantes.
Estavam todos ali. Podia reconhecer cada momento crucial que o ajudou a crescer, amadurecer; a dar significado e justificar a sua existência. “Shinos” do passado que se somavam e o transformaram no homem que era hoje.
O Shino que aprendeu o primeiro jutsu. Que entrou na escola. Ah, esse era um pouquinho diferente dos outros. Havia certa luminescência na pele pálida que não sabia muito bem o porque, mas sabia a causa. Aquele Shino, do começo da fila, foi o Shino que conheceu Kiba. O garotinho hiperativo que dizia umas coisas sem noção e não parava quieto, perturbando a sala toda quando se juntava com o outro menino hiperativo da turma.
Aquele Shino... que conheceu Kiba. E recebeu luz em sua existência. Nada foi igual depois de tal encontro.
E então o Shino da academia. Das provas. Sim, como aprendeu com as provas.
Observou a imagem central, um adolescente que, de certa forma, transmitia uma sensação pesada. É. Aquele foi o Shino que se deu conta do que sentia pelo amigo de infância. Tempos difíceis que o fizeram questionar sua existência e seu futuro. Tempos que o ensinaram muito.
Figura mais tensa do que essa, só o Shino marcado pela guerra, ao fazer a primeira vítima mortal. O primeiro inimigo a perecer por suas mãos. Nem todo aprendizado deriva de coisas boas, no fim das contas.
Reconheceu um Shino que destoava dos demais, enfrentando a primeira manifestação de preconceito, quando andava de mãos dadas com Kiba por Konoha. Realmente algumas lições são trazidas pela raiva. E pela dor.
Havia um novo Shino, que não existia ali na última meditação que fez. Era o Shino do matsuri. Aquele que consolou Kiba enquanto o namorado chorava pela irmã. Podia se tornar mais forte por outra pessoa, para proteger e cuidar de quem amava. Podia amadurecer belo bem estar alheio. Talvez mais intensamente, pois se fosse uma existência solitária, não haveria tais variados momentos de si ao aprender as lições da vida.
Grande parte de suas transformações estavam ligadas ao Kiba.
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