Momentos
39 ... de adiar diálogos
Notas iniciais
O rapaz balançou a cabeça de leve, afastando o prato de lamen de si. Não podia mais esconder aquele segredo de seu namorado. A culpa foi difícil de lidar.
— Não é sobre isso — Shino falou sério.
— Olha a diferença — Kiba meio que falou e mastigou ao mesmo tempo, uma técnica que dominava tão bem quanto as ninjas — A gente conversa pra resolver as coisas. O Naruto e o Sasuke vivem brigando. Não tem relação que sobreviva a isso, não é?
Shino analisou seu namorado. Não esperava que ele tivesse tal percepção do relacionamento do outro casal. Acabou sentindo a boca um tanto seca.
— Nós também brigamos... — jogou como quem não quer nada.
— Claro! A gente é muito diferente, Shino. Às vezes você faz umas coisas bem irritantes, eu entendo que é o seu jeito. Mas eu sou cabeça-dura e acabo agindo antes de pensar. Daí acaba em briga.
A acusação pegou Shino de surpresa.
— O que eu faço que te irrita?
— Ih, um caralho de coisas. Tenho que contar até cem em alguns momentos. É foda.
O rapaz não soube como reagir. Mas antes que dissesse alguma outra coisa, dois homens entraram no restaurante. Um deles parecia arrasado.
— Eu percebi que ele nunca se recuperou da perda — foi dizendo para o colega — Mas não pensei que se jogaria de Hokage-iwa...
— Nem eu...
E caminharam para a parte interna do Ichiraku, onde ficavam os reservados.
Shino assistiu até que sumissem de vista. Virou-se para continuar a conversa, interessado em saber o que em si era tão irritante. Notou que Kiba tinha parado de comer, a colher suspensa no ar pingando caldo do lamen.
Eventualmente alguém fazia isso, subia no monumento Hokage e se jogava de lá, dando fim a própria vida. Acontecia bastante com quem perdeu pessoas importantes durante a guerra e não conseguiu superar a dor, preso na solidão.
— Nunca vou entender... — Kiba sussurrou. Ele passou pela pior provação, em um ataque suicida durante os confrontos. Foi difícil para Kiba vencer o tormento e se recuperar.
— Tem coisas que não foram feitas para se entender — Shino refletiu.
O garoto baixou a colher, meio esquecido da comida. A guerra tinha acabado há mais de dois anos, mas certas coisas não desapareciam. Fosse a morte de Hana ou os dilemas que enfrentaram... as lembranças ruins surgiam quando menos se esperava, apontando a ausência que tanto doía. A falta de Hana, de Neji, de todas as pessoas que faziam parte da vida antes e desapareceram.
Kiba sorriu fraco.
— Eu sei. Não dá pra entender ou esquecer tudo. Mas dá pra tentar superar. Você me ajudou muito, Shino. Por isso suas partes irritantes não me afastam. Porque a parte que eu amo é muito maior — desviou os olhos brevemente, pensando no que falou — Eu amo essas partes irritantes também!
— Precisamos conversar — Shino sussurrou. A garganta apertou um pouco.
— Tudo bem se for outro dia? Acho que hoje não. Já tive emoção demais...
O rapaz acenou concordando, decidido que contaria dos insetos o quanto antes.
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