Momentos
11 ... de Perceber Certas Coisas
Notas iniciais

Shino e Kiba estavam sentados esperando para receber a próxima missão. As coisas andavam calmas ultimamente, então a chance de alguma aventura era sempre bem-vinda.
— Espero que seja algo Ranking A — Kiba bocejou — Andei treinando uma técnica nova com Akamaru e to doido pra testar.
Shino não respondeu. Discordava daquele pensamento, já que tudo andava em relativa paz nos arredores. Uma missão de Ranking A significava ter que ir para longe, e isso não estava em seus planos. Preferia ficar em casa e estudar mais para os exames do ano seguinte, quando tentaria o estágio para o curso avançado da Academia pela segunda vez. Ao contrário de Kiba, não queria ficar com as missões para sempre.
Nesse momento ouviram o som de passos. Um homem logo surgiu pelo corredor, cabisbaixo e andando devagar, escoltado por dois ninjas com máscaras do esquadrão ANBU.
Passaram em frente sem dedicar sequer um olhar para os dois rapazes. Na verdade, o homem parecia querer esconder o rosto, mantendo o queixo quase colado no peito. Andava como se o mundo pesasse em seus ombros.
A visão deixou Kiba um tanto impressionado e inquieto. De onde conhecia aquele homem?
— Ele foi nosso professor no primeiro ano do Fundamental — Shino explicou, conhecia o namorado bem o bastante para saber o motivo do desassossego.
— Ah! Tem razão! O cheiro dele é bem familiar, mas não lembrava direito de quem — silenciou por alguns segundos — Ne, Shino? Esse professor era meio esquisito, não era?
— Era — Shino respondeu.
E o garoto pareceu perder o interesse no assunto. Agora que ele veio a tona, Shino também se lembrava bem. O primeiro professor do Fundamental marcou muito por ser esquisito, até então algo que não surpreendia de todo. O problema era o instinto que alertava para o perigo. Talvez pela ligação Inuzuka com os cães, animais fiéis e intuitivos; e a proximidade Aburame com insetos que viviam coletivamente se protegendo de um mal externo, ambos logo sentiram que algo estava errado com o professor. Principalmente por ele gostar tanto das menininhas, algumas, ocasionalmente, sentando-se no colo dele para fazer as atividades de desenho.
Na época, apenas sentiam como “esquisito”, sem ter como avaliar de outra forma. O tempo passou, eles cresceram e a questão deixou de ser importante. Até aquele momento, quando lembranças da infância vieram.
— Caralho, Shino. Você acha que na nossa época ele era “esquisito” do tipo normal, ou esquisito do tipo... pensei uma merda fodida aqui.
— Sei o que você pensou — Shino suspirou. Reunindo as peças e somando à cena do homem que parecia estar sendo preso, o cenário sombrio se descortinou: era muito provável que se tratasse de um predador sexual com preferência por crianças.
E isso fez o pensamento de Shino mudar por completo. As redondezas estavam calmas, tranquilas; mas podia ser apenas uma camuflagem para coisas terríveis que aconteciam sem que se dessem conta. O perigo não estava lá longe, e não vinha apenas nas asas da guerra.
A maldade espreita e ataca quando menos se espera.
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