Momentos

70 ... das Palavras Certas


Notas iniciais
70. Uma fanfic que envolva misticismo (e que, na história, se torna verdade);

Tsume era uma mulher dura. Ela aprendeu com a mãe que crianças precisam de limites. E nem todas aprendem com palavras. De vez em quando umas chineladas ou puxões de orelha ajudavam na educação, a corrigir o caráter e endireitar os pequeninos.

Tsume confiava que a suavidade de sua primogênita era um bom equilíbrio para as intempéries resultantes das peripécias de Kiba. E deixava por conta da menina certo mimo que alentasse o irmão depois dos castigos.

Mas Hana não estava mais ali. A guerra a roubou do convivo familiar, aplicando um golpe no ponto fraco de toda mãe. E essa dor tornou Tsume menos grosseira em seus gestos relacionados ao filho.

Ainda não era mulher de sutilezas , mas a casca que dificultava as emoções de se expressar, cedera bastante.

Foi muito mais fácil do que seria antes entrar no quarto de Kiba e ir sentar na cama onde o rapaz estava encolhido, escondido debaixo do edredom.

— O que aconteceu, moleque? Brigou com o Shino?

— Não. Com o Naruto.

Tsume suspirou. Aquela seria sua segunda opção. Notou que o filho voltou para casa aborrecido. Quando recusou a refeição, soube que a coisa era mais grave do que imaginou.

— Naruto fez algo horrível. Acho que nunca mais poderemos ser amigos de novo.

A afirmação fez Tsume sorrir, condescendente. Depois de uma guerra poucos problemas pareciam tão horríveis a ponto de não serem remediados. Além disso, seu filho era dramático e exagerado. Não podia ser nada assim tão terrível.

Em velhos tempos, um ou dois puxões de orelha colocariam as ideias dele no lugar. Agora, Tsume não podia fazer isso. Não mais.

Saiu do quarto em silêncio e voltou alguns minutos depois, indo sentar-se novamente sobre a cama.

— Você já tem idade para decidir que pontes podem ser queimadas e quais vale a pena manter. Aqui, pegue — estendeu o pequeno amuleto na direção de Kiba, que saiu debaixo do edredom — Isso era do pai de Hana. É para proteção. Ele me deu pouco antes de sair em missão, acho que intuía o futuro. Eu deveria ter dado pra Hana como herança, mas não quis dar algo tão poderoso a ela e não ter nada para dar pra você.

Ou talvez fosse o desejo de ter algo, uma lembrança do homem que tanto amou. Mas agora devia entregar o legado e sua mensagem de otimismo.

— Mamãe! — Kiba sentou-se na cama e aceitou o amuleto. Assim que o tocou sentiu uma tênue fluência de chacra, quentinho e aprazível — Tem certeza?

— Claro. Fique com isso para te proteger e proteger o seu futuro. Brigar com um amigo é horrível, e eu confio que sua decisão será acertada. Hoje pode ficar aí se lamentado. Mas amanhã use a proteção do amuleto e volte a ser o que era. Eu preciso do seu sorriso.

Kiba apertou o objeto com carinho. Lágrimas arderam nos olhos, mas não deixou que caíssem. Ao invés disso sorriu para a mãe com sinceridade. E Tsume soube que tudo ficaria bem.

Notas finais
70/100 cumpridos com sucesso! Só faltam 30, produção!!