Momentos

1 Capítulo Único - Dance


Notas iniciais
Foi uma sorte enorme ter tirado quem eu tirei, aliás. Yuri! On ice é o fandom que mais estou obcecada desde de Setembro/ Outubro do ano passado, então... Me deixou aliviada até aí.
Mesmo assim, passei o prazo todo nervosa com essa história, tanto por ser um presente tanto por não ser uma original. Obviamente, nunca ficaria perfeito, mas eu estava surtando de insegurança.
Victor e Yuri não são personagens difíceis de escrever, mas mesmo assim, sempre fico com uma pulga atrás da orelha escrevendo com qualquer personagem fictício, já que eu sei o quão chato é ler algo tão fora do personagem.
Reescrevi essa one várias vezes, mas estava perto do prazo então eu não podia escrever outra, porque eu tenho certeza que faria. Eu gostei dessa, até porque não me arrisquei muito.
Queria ter colocado muito mais coisas, muito mais ceninhas deles dois no dia-a-dia, mas não sei até que ponto ficaria bom e cheguei a conclusão de que até aí passou a ideia que eu queria.
Espero que goste do presente, e qualquer pessoa que ler, espero que goste também, eu me esforcei para que desse certo. (horas de fanarts de momentos bonitinhos deles dois).

Yuri sabia que só agora, morando com Victor na Rússia, realmente parecia estar conhecendo o outro. Conhecendo todos os defeitos e imperfeições que ele tinha. Conhecendo muito além das primeiras camadas já mostradas antes. Indo muito mais adiante do que a mídia exibira por tantos anos e o que Victor o deixara descobrir nos primeiros meses.

Sabia também que nem mesmo a relação deles era perfeita e puro romance o tempo todo, e que em grande parte do tempo, discordavam. Bem, isso não era nada de novo para ele, afinal. Era claro o quão diferente eram um do outro e como isso afetaria no relacionamento dos dois, seja ele qual for.

No entanto, enquanto dançavam de meias pelo tapete da sala, abraçados e rindo ao som de uma música qualquer do rádio e o som da chuva, Yuri não conseguia deixar de pensar no quanto tudo ali parecia tão certo. Tão bom. Tão perfeito. E qualquer discussão ou diferença entre eles parava de fazer sentido. Elas pareciam impossíveis de acontecer. Nem pareceriam importantes.

Já haviam dançado juntos tantas vezes no gelo, tanto treinando quanto apresentando-se, e apesar disso, enquanto rodopiava lentamente nos braços de Victor, sentia algo completamente diferente. Com o rosto enterrado no pescoço do marido, o cheiro dele invadia suas narinas sem qualquer esforço. Sentia-se em casa. O peito se aquecia e não queria estar em outro lugar além daquele.

Seus pés se moviam com sincronia. Braços o envolviam pela cintura, seus braços envolviam o homem à sua frente pelo pescoço. A voz de Victor em seu ouvido, cantando a letra baixinho.

Tudo o que queria era continuar mergulhado naquela sensação tão calma e agradável por horas. Música após música. Mas precisava admitir que qualquer momento que passasse com Victor ali naquela casa parecia ter esse efeito.

Sentia o mesmo enquanto assava cookies nos finais de semana para receber Yurio, e impedia Victor de ter dor de barriga por comer massa crua e também de roubar os biscoitos já prontos antes do loirinho chegar e comer com eles.

— Só uma colherada, Yuri! — Implorou, choramingando outra vez. A mão estava indo em direção a tigela, antes de receber um tapa nas mãos.

— Você vai passar mal, Victor! Eu já disse que não. Massa crua faz mal. — Negou com a cabeça, o rosto pintado de reprovação. O mais velho parecia uma criança!

Victor o abraçou por trás, todo manhoso. Esfregou o rosto em suas costas.

— Por favor, por favor! Sua comida é tão gostosa, meu amor... — Roubou-lhe um beijo na bochecha, tentando convencer o garoto. — Ou então me deixe comer alguns dos que estão prontos... Só um, que tal?

Nas primeiras vezes havia dado certo, e Victor reclamara de estar passando mal por dois dias inteiros. Aprendera a lição. Agora, Yuri o ignorava.

— Yurio vai chegar logo, você precisa esperar.

Victor bufou, inflando as bochechas como um garotinho mimado.

— Não quero. Ele sempre come quase tudo, Yuri! Não é justo... Você só faz cookies para ele... — O moreno precisou rir um pouquinho. Era sempre assim, todo final de semana.

O mais velho realmente gostava dos biscoitos. — Aquele pirralho birrento... — Murmurou um tantinho irritado ainda que fosse perceptível que era pura birra.

Ao ser notado rindo, viu o rosto de Victor fingir indignação.

— Eu não acredito nisso, Yuri! Você é tão cruel! — E as mãos entrelaçadas na barriga de Yuri se soltaram. Victor abriu um sorrisinho. — E pessoas cruéis merecem sofrer.

O mais baixo logo começou a se contorcer nos braços de Victor e rir, pedindo para que as cócegas parassem. Podia ver até as lágrimas escorrendo pelo rosto ao som da risada desesperada. Porém Yuri foi salvo pelo som da campainha e do timer do forno.

— Bem na hora! — Soltou ofegante, quando Victor parou ao ouvir o som. — Você atende a porta enquanto eu tiro os cookies do forno.

Sentia o mesmo quando Victor chegava no fim do dia, após os treinos dele, já que Yuri nem sempre o acompanhava, e deitava consigo no sofá.

— Yuri! — Sentiu o nariz gelado roçar em sua bochecha e um beijo delicado foi depositado ali. E então Victor estava deitado por cima de si, o abraçando. — Como é bom chegar em casa e abraçar você... — Comentou e encostou o ouvido no peito do marido. — O ritmo das suas batidas me acalmam tanto...

E em minutos, Victor sempre acabava dormindo.

Foram várias as vezes que se lembrava de passar algumas horas lá, mexendo no cabelo de do mais velho ou lia algo, apenas aproveitando o momento, enquanto Victor continuava ali, ressonando baixinho, o apertando entre os braços.

Sentia o mesmo quando, todos os dias, Victor insistia em pentear e secar seu cabelo após o banho, como fazia antes de suas apresentações. Tinha virado um costume, e Yuri não podia negar o quanto adorava a tal atenção.

Ou quando passavam horas abraçados, enrolados num cobertor, ainda que não se falassem e estivessem apenas usando a internet ou lendo porque estava frio demais. Mesmo que ambos soubessem que o frio era apenas uma desculpa para estarem juntos.

Sentia o mesmo ao acordar nos braços dele e passarem minutos ao se encarar apenas para então sorrirem como crianças.

E apesar de parecer que qualquer momento do cotidiano parecia especial e perfeito para Yuri, como ao acordar e ter café o esperando antes da corrida matinal, ou Victor ser grudento e atrapalhar enquanto cozinhava, ainda viviam discutindo por coisas bestas, mesmo que logo se resolvessem, e podia confirmar com toda certeza no mundo, que o de cabelos claros também tinha um lado perfeitamente desagradável.

Não era tão raro assim, afinal. Victor nunca queria lavar a louça, reclamava da água gelada ou de como ficaria com as mãos ressecadas e aquilo o incomodava, mesmo que tivessem água aquecida e luvas.

Bem, mesmo que algumas vezes tentasse compensar cozinhando algo. O homem certamente cozinhava bem, só que nem sempre as receitas davam certo.

Victor tendia a ser avoado e às vezes, na maioria, perdia o tempo e queimava qualquer coisa que tentasse preparar.

Ou de como ele costumava comer algo que Yuri havia especificado que comeria mais tarde.

— Victor... — Segurou o rosto dele entre suas mãos. — Uma hora atrás havia um pedaço de pudim dentro da geladeira. O meu pudim. — Enfatizou. Olhava Victor nos olhos, sério. — Eu só saí e quando chequei dois minutos atrás, porque eu estava morrendo de vontade de comê-lo, o pudim não estava lá. — Aproximou ainda mais os rostos. Os narizes estavam se tocando, porém não havia clima romântico nenhum ali. — Você sabe quem comeu ele?

O mais velho devolvia o olhar sério da mesma forma.

— Eu não faço ideia do que aconteceu com seu pudim, Yuri. Eu não comi.

— Engraçado, não é? Porque moramos só nós dois aqui nessa casa. E se eu não comi... — Victor sabia que havia esgotado a paciência de Yuri. Era provavelmente a terceira vez que fazia aquilo.

Quando Yuri desceu os olhos para as mãos de Victor e encarou o pratinho e a colher de plástico, precisou contar mentalmente até dez antes de olhar para o marido outra vez.

— Victor...

— Ops... Acho que ouvi meu celular tocar. — E antes que qualquer coisa pudesse lhe acontecer, se desvencilhou das mãos de Yuri e sumiu do cômodo.

Ou como o marido era um tanto resmungão, e como aquilo irritava Yuri!

Sobre como Victor costumava sorrir ironicamente quando irritado, sendo infantil, sem explicar qual era a milésima coisa que havia acontecido de errado. E então reclamava com Yurio.

O moreno riu um pouco mais, lembrando de quantas vezes Yurio havia resolvido várias das discussões idiotas que tinham, já que ambos pareciam recorrer ao garoto todas as vezes. O loirinho costumava usar a desculpa de "não suportar dois adultos brigando como crianças".

Visualizava perfeitamente o garoto dizendo "vocês dois são insuportáveis juntos, sendo melosos e coisas do tipo, mas suporto vocês menos ainda quando discutem. Sobra ainda mais para mim" e bufando logo depois como acontecera numa das últimas brigas.

Uma de suas mãos foi segurada, Yuri foi rodopiado e então inclinado, para então sentir os lábios de Victor nos seus, suave e puro. Um gesto de carinho.
*

Ao abrir os olhos e encostar a própria testa na de Yuri, tudo o que via eram os olhos vibrantes do mais novo em seus braços. Olhou demoradamente, sentindo a pele arrepiar. Cada detalhezinho naquele rosto era maravilhoso. Fechou os olhos e o beijou outra vez.

Beijo bem diferente do anterior. Aquele, tão singelo, esse, tão cheio de desejo. E não tardou para que fosse correspondido da mesma maneira, braços voltando à sua nuca e acariciando os fios claros, suas próprias mãos escorregando pelo corpo do amante.

Não conseguia nem colocar em palavras o tamanho do que sentia por Yuri. Estava tão, tão apaixonado...

A mesma euforia de paixão de meses atrás, que geralmente tendia a diminuir ao longo do tempo de relacionamento da maioria das pessoas, não parecia estar acontecendo. Continuava lá. E sentia que se apaixonava cada vez mais todos os dias. Seu coração continuava acelerando sempre, as bochechas corando e o sentimento de felicidade ao ser correspondido. Tudo permanecia.

Mas como não se apaixonar por todos aqueles sorrisos cativantes quando chegava em casa?

Certamente, a ideia de ser técnico e competidor fora loucura, o deixava esgotado às vezes, mas não se arrependia nem por um segundo.

A sensação de ter alguém o esperando, a casa iluminada e reconfortante, como um porto seguro era muito melhor do que antes.

Até mesmo o gostinho de comida caseira era algo que Victor amava. Yuri às vezes levava seu almoço até o rinque e definitivamente, era uma das coisas que mais gostava de comer.

Não tinha do que reclamar com tantas mudanças proporcionadas por Yuri em sua vida. O garoto, por si só, era uma constante mudança. Uma hora tão doce, tímido, e em outra, como um vento que antecede uma tempestade, tão sexy e com tanta presença e atitude, que simplesmente acabavam com seu fôlego... Impossível de prever ou de se cansar. Yuri seria sempre uma surpresa para si.

Tinha certeza que era louco por cada uma das versões de Yuri. Cada uma de suas reações.

Separaram-se em busca de ar, e Victor desceu os lábios em direção ao pescoço do garoto... Tão branquinho. As mãos do moreno desceram por suas costas e Victor não teria tido o menor problema de continuarem aquilo, se não fosse a campainha tocando um tanto quanto insistentemente.

— Ah, deve ser o Yurio... — Yuri soltou-se dele e ajeitou a roupa, um tantinho ofegante e vermelho. Não que o mais velho não se encontrasse no mesmo estado. Sentia as bochechas ainda quentes. — Pobrezinho, deve ter pegado chuva... Eu vou buscar uma toalha para ele.

Victor viu o mais novo virar o corredor enquanto abria a porta e um loirinho passava todo encharcado. Riu da visão discretamente. Yurio definitivamente parecia um gatinho daquele jeito. Tremendo todo encolhido.

Fechou a porta, já que quando o vento frio entrou Yurio tremeu mais. Pegar chuva no inverno era quase um pedido para que ficasse doente.

Por sorte, Yuri logo voltou com uma toalha e um pijama para que o loiro se trocasse. Ele dormiria ali naquela noite, era um costume ele vir e passar a noite.

Enquanto Yurio ia até o banheiro, Victor foi até o marido, que estava na cozinha, preparando chocolate quente.

— Será que eu deveria pegar um cobertor para o Yurio? — O moreno parecia preocupado. — Ele estava tremendo bastante...

Victor colocou a mão no queixo, pensativo. Gesto bastante comum de sua parte.

— Isso provavelmente vai irritar ele, e ele irá reclamar que não é mais criança, então... É, você deveria. — Abraçou o garoto. — Mas eu pego, pode continuar aí.

E não demorou muito para que estivessem todos os três no sofá, Yurio enrolado num cobertor com Makkachin no colo dele, e Victor e Yuri em outro cobertor, abraçados, assistindo o filme da semana.

Era um costume que haviam adquirido ao longo dos meses, pela convivência. Todo aquele ar de família que existia naquelas simples coisas aquecia o coração do platinado. Algo que havia deixado de lado por longos anos, e agora... Não sabia se conseguiria ficar sem aquilo. Era algo tão simples, mas que o deixava tão feliz...

Quase podia se imaginar bem mais no futuro, com Yuri e filhos, e vê-lo tratar as crianças exatamente como cuidava do loirinho próximo deles.

Talvez nem precisassem de alguns anos, a família estava basicamente completa. O mais novo era considerado um filho pelo casal dada toda a conexão que tinham e o tempo que passavam juntos.

Nos primeiros meses, claro, Yurio resistira um pouco aos convites. Mas conforme o tempo fora passando, até ele parecia estar acostumado com tudo aquilo. Parecia até gostar. Ia até ali por vontade própria. E mesmo que não falasse, Victor tinha plena certeza de que o garoto se importava com eles o mesmo tanto que se importavam.

A primeira lembrança que vinha à sua mente era de uma das primeiras vezes que foram assistir filmes, daquela mesma forma, mas sem cobertores nem nada e acabaram dormindo, ele e Yuri. De madrugada, acordara coberto, o loirinho encostado em Yuri e Makkachin embolado nos dois, também cobertos.

Sabia que havia sido Yurio, já que estava Victor estava abraçado ao moreno e provavelmente teria acordado se tivesse saído dali.

Yuri pulou no sofá por causa do filme, e Victor fez questão de abraçá-lo mais, enquanto o moreno escondia o rosto em seu pescoço.

— Eu acho que vou pra cama. — Yuri murmurou. — Eu não aguento esse. É um milhão de vezes pior que o da semana passada. Eu não vou conseguir dormir...

Por estar distraído, o mais velho nem fazia ideia do que se passava no filme direito, mas o loirinho perto deles parecia entretido e pouco assustado.

— Eu não acredito que está com medo de um filme desses, Katsudon! É tão idiota e clichê... — Pegou outro punhado de pipoca e enfiou na boca, falando enquanto mastigava.

— Ah, eu te protejo, Yuri! — Riu enquanto se remexia com Yuri em seus braços, apertando e chacoalhando. — Prometo que vamos dormir coladinhos hoje. Nenhum monstro vai te fazer mal. — Sussurrou no ouvido dele, vendo as orelhas ficarem vermelhas. Tão fofo!

— Não precisa... Eu...

— Shhhhh. Sem falatório meloso de vocês durante o filme. Ninguém merece. — Yurio revirou os olhos, voltando à tela, deixando claro o descontentamento.

Passados alguns minutos, Victor conseguia sentir a respiração calma de Yuri e sabia que ele tinha dormido.

Ficara lá até o filme terminar, fazendo companhia para Yurio, para só então apagar as luzes e colocar o marido na cama.

O garoto preferiu dormir na sala, em um colchão, mesmo que tivessem um quarto de hóspedes, para que pudesse continuar assistindo televisão.

"Yakov nunca me deixa assistir até tarde... Aqui posso assistir o quanto eu quiser." Explicou quando Victor perguntara o motivo, sendo deixado com as recomendações para que não dormisse tão tarde apesar de que sabia que não adiantaria de nada.
*

Gostava muito mais dos dias frios do que qualquer outro dia. Geralmente, tendia a dormir abraçado a Yuri e acordar da mesma forma, todo embolados um ao outro.

Apesar disso, não era sempre que acontecia, pois Yuri tendia a se esparramar todo. Não que ele não desse um jeito. Como o marido tinha costume de roubar todo o cobertor para si e deitar na ponta da cama, usava isso como uma desculpa para ficar próximo.

Acordava antes que o moreno na maioria das vezes também. Costumava dormir cedo e acordar cedo, enquanto Yuri sempre ficava até tarde da noite acordado.

Por isso, era ele quem fazia o café da manhã, só para que depois fossem correr com Makkachin e seguir para o treino.

Dessa vez, não levantou. Continuou ali, mexendo no cabelo do garoto, sorrindo levemente. Esperava que durasse para sempre. Ele e Yuri. Tivera uma pequena amostra do que era ficar sem o garoto e quase perdê-lo e não queria sentir outra vez nunca mais.

E para que isso não acontecesse ele continuaria a se esforçar. Tudo para que seus dias continuassem tão bons quanto aqueles.

Com a outra mão, continuava traçando nas costas do garoto as palavras "Amo você".

Não havia se dado conta de que o marido acordara até que em seu peito sentiu os dedos dele traçando "Também amo você". Sorriu e o abraçou melhor. Yuri se remexeu um pouco, balançando o rosto, até Victor perceber que ele estava o cheirando. Beijou o topo da cabeça o garoto, rindo.

— Acho que deveríamos levantar. Temos um filho para alimentar. — Brincou, enquanto continuava a abraçar o garoto, escorregando as mãos pelas costas dele como forma de afeto.

— Hmhm. — Viu que Yuri continuava de olhos fechados, sorrindo. — Mais cinco minutinhos... — Murmurou, com a voz abafada.

— Eu me pergunto o que te faria querer levantar da cama mais cedo todos os dias... — Comentou.

Não era raro que Yuri, quando acordavam no mesmo horário, enrolasse para levantar. Menos raro ainda que o convencesse a ficar ali também. A não ser em fins de semana onde sua motivação para sair da cama caía para zero. Pelo menos até o meio-dia.

Era vívido todos os gritos de Yakov por atrasos nas práticas. No entanto, não podia culpar o fato de ter um marido tão fofo ao prendê-lo na cama. Não quando era abraçado ou mimado apenas para ficar ali. Quem poderia recusar algo do tipo?

— A cama não ser tão macia e quentinha? — Respondeu se espreguiçando.

— Vou providenciar. — E ouviu risos de Yuri. O garoto levantara a cabeça e selara os lábios dos dois.

— Bom dia, Vitya. — Sorriu e parecia um tantinho mais desperto.

Suspirou e teve certeza de que era o homem mais sortudo do mundo ao olhar para o moreno e poder presenciar aquilo. Yuri era todo sexy com os cabelos desgrenhados e a blusa amassada, mostrando apenas um pedacinho de pele ao se sentar.

— Bom dia, amor da minha vida. — Precisou sentar também, e ao fazer isso, como o típico meloso que era, encheu o rosto do marido de beijos estalados, o abraçando.

Não tinha com não acordar animado às vezes. Não com Yuri ao seu lado. Ficava sempre um tanto empolgado.

Passaram de um selinho para um movimentar de lábios. Estava inclinando Yuri em direção ao colchão quando o mesmo espirrou sem querer. Fora pego tão desprevenido que deu um pulo na cama. Com isso, acabara caindo dela e Yuri em seus braços. Havia ficado um tanto na ponta...

Resmungou com a dor do impacto e de outro corpo em cima do seu.

— Talvez realmente devêssemos levantar... — Comentou rindo, enquanto Yuri concordava e saía de cima de si também risonho.

— Eu não esperava que você caísse da cama por um espirro...
*

Estavam há alguns minutos calados apenas comendo quando Yurio fora o primeiro a se manifestas e iniciar o assunto outra vez.

— Hm... — Parecia meio sem jeito, coisa rara vinda do adolescente. — É que hoje o Bek- quer dizer, o Otabek vai chegar aqui e... Será que vocês podiam me levar até lá? No aeroporto.

Yuri e Victor se entreolharam. Era um pedido um tanto quanto estranho. Geralmente, Yurio tendia a se virar sozinho, e andar por aí não era um problema para ele. Seguira Victor por conta própria até o Japão, afinal.

— Aconteceu alguma coisa? — O moreno começou dizendo.

— Já era previsto de eu passar o final de semana aqui, não é? — Coçou a cabeça e engoliu outro gole de café, mesmo que não gostasse tanto assim. Muito amargo. Ainda que colocasse bastante açúcar.

Os dois adultos confirmaram com a cabeça, e Victor parecia sorrir um pouco, entendendo onde o garoto queria chegar.

— O hotel dele deu problema com as reservas de última hora e... Na minha casa não tem espaço e...

— Você está querendo perguntar se ele poderia ficar aqui, não é?

— É só no final de semana. — Apressou-se em dizer.
Yuri sorriu docemente.

— Seria um prazer ter ele por aqui.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!