Momento delicado

Depois de um dia de muito trabalho, Pai Manoel falou com Alice que estava sentindo dores nas costas. Alice ficou muito triste, pois não tinha dinheiro para levá-lo ao médico particular e o SUS tinha um atendimento limitado.

No dia seguinte, Pai Manoel acordou e Alice perguntou:

— O senhor está melhor, meu pai?

— Sim, minha filha, as dores passaram. Estou indo para a casa do Doutor Thiago, ele me arrumou um trabalho cuidando de suas plantas e de seus animais e não quero desapontá-lo.

Chegando lá, quando começou a trabalhar, sentiu falta de ar e as mesmas dores do dia anterior. Nem terminou o trabalho e foi para casa.

No outro dia, bem cedo, foi ao hospital público para conseguir uma ficha para atendimento. Chegando lá, foi um dos primeiros a ser atendido, porque madrugou. O médico que estava de plantão era, justamente, o Doutor Thiago.

-Bom dia, Senhor Manoel, o que está sentindo?

— Bom dia, Doutor Thiago, eu estou sentindo dores nas costas e falta de ar.

— Vou passar uns exames para o senhor.

No dia seguinte, Pai Manoel, sob a influência do doutor, conseguiu fazer alguns dos exames. O médico amigo preferiu conversar com Alice, a filha do paciente. Pediu para que ela o procurasse.

Na casa dele, à tarde, Pai Manoel falou com a filha que Doutor Thiago precisava falar com ela. Às três horas da tarde, Alice procurou o Doutor Thiago e descobriu que seu pai estava com uma doença muito grave. A menina, muito triste, também por já ter perdido muitos familiares, deu a notícia para as irmãs.

A luta de Alice começou no dia seguinte: acordou de madrugada na tentativa de conseguir uma ficha pelo SUS para começar o tratamento do pai. Foram dias difíceis acordando cedo, procurando médico, internando o pai, fazendo exames, buscando ajuda financeira para comprar remédios. Mas as dores de Pai Manoel não paravam.

Dois dias antes de sua cirurgia, Pai Manoel não resistiu e faleceu. Morreu na fila do SUS.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.