Momento de Glória
1 A Carta de Margaret
A batalha acabou; nosso conflito cedeu por toda a Ordenia. A plebe sofrerá perante as nossas decisões errôneas de ter confiado no falso ser.
Dos céus dourados vieram as desgraças que os acometeram e açoitaram, caindo como granizo sobre os pobres que mal tinham teto para se defender; dos rios virão os missionários e os profetas de fora, trazendo as vidências da ruína e das profecias do sofrimento de nossa capital real.
Os paladinos, antes símbolos de nossa glória perante o Deus Ordeiro, estão corrompidos, eram nossos protetores e agora, nossos algozes. Os fiéis de Ômega caíram em seus preceitos, seus dogmas até se tornaram pagãos.
Já os guerreiros lutaram até que suas lâminas, seu sangue e seu suor todo se esvaziassem, somente as almas se mantiveram ali, não conseguindo partir para o descanso, cobiçando saber o resultado final daquela batalha capital.
Os céus brilhavam perante a lua escarlate, que nos observava sem pesar, apenas vendo todo nosso sangue o chão derramar, o conflito fora tão pesado que entre em meio às trevas apenas um brilho fosse a manifestar.
Das mortes e dos mares de sangue, o abismo de dor era criado e apagado toda vez que a luz ia se manifestar, as espadas encravadas no solo faziam o campo de batalha se tornar um jardim de aço e prata de que ate os Mesos tinham medo de se aproximar, a procura da vitória para Ômega era uma ilusão que poucos conseguiam ainda guardar.
No entanto, não há mais o que negar, não havia mais pelo que lutar, a morte, o doce do último respiro, começava a chegar, pela espada ela viveu, pela espada irias tombar. Oh, minha mestre, a grande dama de ferro, que protegeu até o fim de tua existência tudo aquilo que um dia foi acredita, foi a mais valente entre os homens e mesmo com sua ruína nunca fora a recuar
Mesmo que jamais chegue a ler minhas palavras deixadas, sei que esta mensagem a ti chegará, pois no fim desta guerra, mesmo que seu corpo se encontre abaixo da terra, ninguém poderá dela te negar, sejam os anjos do senhor em seu relento a recitar, ou os demônios da morte que em seu testamento vão apelar.
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