Momento de Fraqueza

1 Talvez fosse burrice


Lábios tingidos de batom, a mesma cor escarlate que cobria as unhas e marcava o copo de uísque à sua frente.

Talvez, apenas talvez, fosse uma ideia estúpida se aproveitar daquele momento, onde sua própria fraqueza estava exposta. Mas talvez esse momento de fraqueza fosse o necessário.

Eram quatro da manhã. Ou seriam cinco? O bar ainda estava cheio, deveriam ser quatro. Mas o relógio, embaçado, parecia uma carinha triste, então deveriam ser algo entre quatro e meia e quinze para as cinco.

Mas isso não a impediu de discar o número com certa pressa.

Um toque, dois, seis. Caixa de mensagens, um coisa já esperada. Seu namorado deveria estar esperando, mas quem ligava? Ela não.

Novamente, caixa de mensagens. Puta que pariu, por que as pessoas iam dormir tão cedo? Ou acordavam tão tarde? Talvez fosse sua culpa, afinal, não eram horas de se ligar. Uma terceira tentativa. Quarta, quinta, sexta. Sexta tentativa, a mensagem sobre a caixa de mensagens rodava, aquela voz que tanto adorava. Se lembrava do dia em que estavam gravando aquilo, e teve de rir quando um gritinho fino foi ouvido.

No meio do sinal, o som mudou para uma voz sonolenta e arrastada.

– Sabe que horas são?

– Eu tenho cara de relógio? Por que as pessoas sempre me perguntam isso? – teve de rir, um pouco mais fechada do que era de costume. Nada da boca escancarada, cabeça jogada para trás e gargalhada chamativa que sempre, não. Era quase que amargo o gosto em seus lábios, e não se devia à bebida.

– Então eu digo. São quatro e quarenta da manhã, eu cheguei em casa há umas cinco horas atrás e estou tentando dormir. Então volte pro seu namorado e me deixe em paz.

Irritação, mais sono, trouxeram um frio à sua espinha. Realmente, era um absurdo. Ligar bêbada, quase cinco da madrugada e sabendo que, mesmo que fosse sexta, sua interlocutora teria que trabalhar no dia seguinte.

– Como vai o estágio?

Silêncio. Durante quase dez minutos a única certeza de que havia alguém do outro lado da linha era a respiração baixa e ritmada, que porém não lhe davam certeza se a outra garota estava acordada ou havia sucumbido ao sono. O suor já não se devia apenas a permanecer de jaqueta e calças de couro em um ambiente fechado com ar condicionado em manutenção, e sim ao pânico de ser ignorada.

Um suspiro frustrado e, que alívio!, ela ainda estava acordada.

– Me diga que você não está bêbada.

– Eu não estou bêbada.

– Mentirosa.

– Você quem quis ouvir.

Novamente silêncio.

Outra dose. Era tão bom o barman conhecê-la o suficiente para saber que não precisava de um convite para encher novamente o copo, fosse qual fosse a bebida da noite. Ele já havia tomado de si as chaves do carro, como sempre fazia quando percebia que estava inapta para pegar num volante, então sabia que não havia risco de acidentes de carro. E, mesmo que acontecesse um com ela envolvida, não seria a julgada por tentativa ou homicídio culposo.

Ergueu o copo em direção ao homem, um cumprimento mudo, agradecimento. Quanto mais uísque entrava em seu organismo, mais pensava em se levantar, atravessar a rua e bater na porta do apartamento que um dia fora de seu pai.

A mãe morta, o pai nada mais do que um pedaço de plástico que lhe garantia uma vida de relativa liberdade e uma irmã mais nova para criar. Uma irmã adorável, fechada em estudos e livros, curiosamente, fictícios. Sete anos de diferença as separavam, apenas, o que dificultava que ela tivesse opiniões minimamente sensatas sobre como criar e educar uma criança.

– Me diga que você, pelo menos, está no país. – Finalmente aquele silêncio feito de respirações e barulhos aleatórios de fundo foi quebrado e, pela janelinha de vidro, pôde ver as luzes da cobertura se ascenderem, um caminho trilhado até a cozinha, isso se nada tivesse mudado nesses últimos... – Eu juro que te mato se você estiver me ligando, sei lá, da China e minha conta de celular estiver milionária essa hora.

Sete anos. Sete anos de mensagens embriagadas na caixa postal, cartões postais, e insistentes cartas, sem nunca obter nenhuma resposta. Mensagens em redes sociais sempre visualizadas e nunca respondidas.

Quão ridícula era por perseguir de modo tão obsessivo alguém que ela conscientemente deixara para trás a fim de seguir a própria vida sem as amarras do passado?

– Al, você está bem?

Deuses, só o que lhe faltava era mais silêncio. Podia não estar em outro país, mas, se continuassem estendendo a ligação daquela maneira, não faria muita diferença.

– Eu estou naquele bar que o papai ia.

– Ah, ótimo, qual deles? Em Sicília, tem aquele em Munique, o em Londres, São Paulo, Pequim, Tóquio, St. Petersburgo, Xangai, Lima, Nova Iorque, Chicago...

– Naquela rua de frente pro prédio, pouco pra direita da faixa de pedestres.

Dessa vez não teve silêncio, pois, mesmo que Al tivesse se calado, o barulho da correria, de móveis sendo empurrados e da janela sendo escancarada pôde ser claramente ouvido. Girou minimamente o corpo, observando pela janelinha límpida a silhueta embaçada da mais nova.

Levantou o copo, já meio vazio, em cumprimento. Apenas duas palavras foram sua resposta, e então a felicidade por depois de anos falar com sua irmãzinha se dissipou como a fumaça do cigarro que ela lembrava de ver o pai fumando sentado naquele mesmo banco, naquele mesmo bar, anos antes; algo tão constante que simplesmente se fixou à sua memória como se colada a Super Bonder.

– Suba, agora.

Talvez não devesse ter ligado.

Agora não havia volta.

Deixou um punhado de notas no balcão e acenou para o barman, também dono do lugar, antes de se retirar, apoiando as mãos nas paredes e tentando não tropeçar nos próprios pés. Por milagre conseguiu chegar sem nada mais do que alguns arranhões em suas mãos em frente a porta de madeira escura.

Ah, agora sim caíra. Por que mesmo tivera a genial ideia de apoiar o peso na porta sem considerar que a irmã teria que puxa-la para abrir passagem?

– Porra...

– Porra digo eu. Por que você está aqui?

– No chão? Porque minha adorável irmã mais nova abriu a porta com muita violência e a gravidade fez seu trabalho – e, mesmo com a bochecha dolorosamente apertada contra o chão e os olhos comprimidos pelo excesso de luz repentino, sabia que a outra tinha revirado os olhos.

Suas pernas foram empurradas para o lado, levando todo o corpo, e o suave barulho da tranca pareceu mais uma escola de samba para seu cérebro embriagado. Nessas horas era que amaldiçoava com todo seu ser o criador do uísque; um homem miserável que com certeza planejara a bebida (deliciosa) para que as pessoas perdessem a noção das doses, tivessem hangovers e passassem vergonha. Com certeza ele estava até hoje no inferno rindo dos infelizes que caíam em sua armadilha, e odiava que rissem de si.

– Em casa. Achei que tivesse dito que nunca mais nos veríamos.

Ops. Al ainda estava ressentida. Dava tempo de voltar atrás, sei lá, para antes da ligação ser atendida? Não? Que ótimo.

Girou o corpo no chão, deixando os braços cobrirem seus olhos de forma preguiçosa. Que cheiro era aquele? Nicotina? Nossa, sério que sete anos mudavam tanto assim uma pessoa? Onde estava aquela garotinha invocada que sumia com as carteiras de cigarro do pai, alegando que fazia mal aos pulmões?

– Vamos, levante. Não te quero vomitando no chão do apartamento, estraga a madeira corrida, sabia? – a voz era fraca, como se Al estivesse cansada, ou pior, porém mais provável, que tivesse desistido de si.

E aquilo doía como um tiro. Ou até mais, e ela sabia que podia comparar porque aprendera do melhor jeito que você não pode dormir com a filha de um especialista em armas de fogo e dar no pé no dia seguinte sem sofrer nenhuma consequência.

– Al, me ajude. Já foi um milagre atravessar a rua e sair inteira. – Ainda de olhos fechados, estendeu os braços de forma manhosa.

Mais sentiu do que viu a sombra, e tateou em busca de longos cabelos que não foram tocados.

– Al, cadê seu cabelo?

Silêncio.

– Al...?

Sem resposta, abriu os olhos devagar. Quando finalmente conseguiu focar a mais nova, com uma dificuldade de não se lembrava de ter tido em outros momentos da vida, a boca se abriu em choque e seus olhos lacrimejaram.

Apenas... parecia errado. A mais nova sempre tivera um orgulho fora do comum dos longos fios, que tanto as assemelhavam, e agora ele estava em um corte que mais a fazia parecer um personagem de desenho animado japonês.

Havia algo que estava despontando pela lateral do braço, passando por debaixo da camisola. E, aliás, ela arrumou o casaco que colocara de modo extremamente rápido quando percebeu o olhar naquele ponto específico.

– Vá pro seu antigo quarto que eu levo aspirina.

Bom, pelo menos ela teve ajuda para se erguer. Os quartos eram para um lado, a cozinha para outro. A mais nova se enfiou na cozinha, a camisola fina balançando, a luz do cômodo dando uma vista do contorno de suas pernas. Al havia crescido.

Se apoiou nas paredes. Seu quarto estava apenas com a cama feita, totalmente diferente do que se lembrava. Não haviam pôsteres, livros espalhados ou roupas no armário. Tudo deveria ter ido pro lixo, e não seria ela a tirar o motivo daquela atitude tão radical. Ou não, talvez merecesse.

Tirou a jaqueta. Havia conseguido na Índia, em um bazar de ex-militantes da Coroa Inglesa, por um preço tão insignificante que quase fora grátis. Deixou-a em cima dos lençóis e não se deitou. A luz do quarto do pai estava acesa, mas tinha certeza de que ele estava em algum lugar do Oriente Médio, afinal, tratava-o do mesmo modo que Al fazia consigo.

Contra todas as reclamações de seu corpo e sua mente, cambaleou até o final do corredor, encontrando a cama king-size do pai metade arrumada e metade como se a pessoa que estivesse ali houvesse levantado há pouco. Na mesa de cabeceira muitos livros, desde clássicos de figuras como Shakespeare, Jane Austen e Camões até autores atuais, como a saga de Percy Jackson, perfeitamente organizada, e Pedro Bandeira. E, que surpresa!, aquilo era um exemplar de Meg Cabbot? Todos disputavam espaço com o abajur alto e, sem dúvidas, as gavetas também estavam recheadas.

Na outra mesa se encontravam exemplares de Anatomia, funcionamento de órgãos e até edições sobre neurologia. Como se o quarto estivesse dividido entre dois mundos completamente diferentes. Tudo o que faltava era a tela da televisão se dividir entre seja o que estivesse acontecendo no Discovery History e a MTV.

Experimentou aproximar o nariz da fronha marcada, sentindo o cheiro característico de refrigerante de limão e torta de maçã invadir suas narinas. Não resistiu em deixar os coturnos de lado e se encolher em posição fetal, o rosto afundado no travesseiro e pés enfiados sob a colcha aconchegante.

– Achei ter dito para ir pro seu antigo quarto, e você está manchando o meu travesseiro de batom. É bom que saiba como tirar a mancha.

– Onde está o velhote? Ele te abandonou sozinha de novo?

– Ele me deu o apartamento. Está usando meu antigo quarto, e ele não me abandonou. Você quem foi embora pra não voltar.

Ergueu a cabeça, vendo os olhos grandes de um azul estranhamente nublado mais próximo do que antes, até perceber que Al se sentara na borda do colchão, alinhada com sua barriga. Numa mão dois comprimidos brancos e na outra um copo de água.

Sentou-se, devagar, e com ajuda do líquido engoliu o remédio. Procurou por um espaço na madeira da mesa de cabeceira, pois sabia que molhar um daqueles livros era assinar sua carta de suicídio, e apoiou o copo. A trança alta estava se desfazendo, sabia disso. Podia sentir as mechas escorrendo entre seus dedos, continuamente se soltando.

Agora sentada, ela olhava para Al. Sempre havia gostado de fazer isso, pois sentia-se olhando para si mesma no passado, mesmo que agora fosse diferente. Não era mais um espelho, porque, agora via, nunca foram iguais. Era azul contra verde, sardas contra pele sem manchas, lisos contra cachos. Ainda eram duas morenas de peles claras e olhos grandes, mas fora isso as semelhanças acabavam.

Se fossem estações, ela seria um típico verão das praias mundialmente conhecidas do Rio de Janeiro, e a irmã o mais rigoroso dos invernos no mais extremo norte da Rússia. Talvez a comparação não fosse boa, mas após tanto tempo era assim que se sentia.

– Al... – estendeu a mão, novamente mais sentindo do que vendo, dessa vez as lágrimas finas que escorriam pelas bochechas da mais nova. – Ai meus deuses, desculpe, desculpe. Eu nunca pensei que...

– Que eu fosse reagir assim?

Dessa vez ela sentiu, viu e ouviu o tapa estalado que recebera, mas, ao invés de se afastar, suas mãos escorregaram, prendendo-se à cintura fina e puxando-a contra seu corpo. Ah, a cintura fina. Mesmo quando era criança a irmã a tinha, e talvez fosse uma das suas melhores memórias quando, só para incomodá-la, passava as longas unhas na parte que ficava exposta quando a camisa subia. Al sempre dava um grito agudo e chutava suas costelas, assim como fizera no dia em que gravara sua secretária eletrônica.

E aquele grito fino do final da mensagem continuava lá, sete anos depois.

– Me solte! Você nunca pensou em mim, não foi? Achou o que, que eu ia ficar melhor sem você? Bom, aqui vai uma verdade: você vive dizendo que nosso pai nos abandonou, mas a única que pulou fora foi você!

Doía, mas a verdade sempre dói.

Afundou o nariz nos cabelos curtos. Refrigerante de limão e torta de maçã não pareciam combinar com a garota, mas quem ligava?

– Desculpe, Al. Eu fui egoísta e você tem todo o direito de estar brava.

Al parou de se debater, parecendo sucumbir ao choro engasgado totalmente atípico para a estudante de medicina.

– Me perdoe. Eu tive medo.

Ela se levantou, empurrando a mais velha contra o colchão e sorrindo de maneira sarcástica. O rosto vermelho, em conjunto com as lágrimas insistentes, fizera com o que as sardas quase sumissem.

– Você teve medo? Eu era uma garota de treze anos. Treze anos. – os óculos de aro fino, antes apoiados num exemplar de Macbeth, pareceram simplesmente surgir em seu rosto, tal foi a velocidade do movimento. – E, adivinhe, eu tinha uma paixão. Paixão essa que dormiu comigo e no dia seguinte desapareceu, sumiu no ar, deixando só um bilhete para trás. E agora você volta, embriagada e com a porra de um namorado, pedindo que eu te perdoe? Ah, vá à merda!

Novamente, doía. Dessa vez era mil vezes pior do que o tiro, ou qualquer coisa que jamais tivesse acontecido consigo. Tentava formular uma resposta e, ao mesmo tempo, admirar a nova silhueta da outra pelos contornos da camisola; as pernas mais torneadas, quadris mais largos e seios mais fartos.

Se lembrava daquele dia. Era bem vergonhoso, na verdade, porque tudo começou com uma porta destrancada. Tinha seus vinte anos, calças arriadas e pornografia lésbica rodando na tela do computador, quando sua adorável irmã abriu a porta pedindo ajuda com... oh, céus, ela nunca chegou a ouvir. Ocupou-se em se insinuar para a mais nova. E o beijo que se seguiu, nada casto, fez uma emoção se acender em si; era sua irmãzinha, era errado, era deliciosamente excitante.

Ela já tinha os seios fartos, a altura definida e os cabelos batendo na cintura. Al era apenas uma criança, que escondia o rosto com os braços, ruborizava com facilidade e tinha complexo de inferioridade por causa do busto – ou a falta deste. E, sendo a desgraçada que fora nos três anos anteriores, simplesmente acordou no meio da madrugada, pegou dinheiro, roupas e deixou para trás uma criança adormecida e um bilhete de despedida, do qual se arrependera dois anos depois, quando Al aparecera na lista de amigos sugeridos pelo Facebook, sorridente, mais do que nunca parecendo sua mãe com aquele batom cor-de-boca, que em sua opinião era um nome ridículo, e as covinhas marcadas como se alguém, na hora de desenha-las, tivesse forçado a ponta do lápis num ponto e escorregado suavemente no final.

– Eu sei, mas me desculpe. – segurou-a pelas mãos. Gostava tanto daqueles óculos... Passou as palmas das mãos para secar as lágrimas, fazendo a outra se sentar novamente na cama. – Eu me odiei tanto por te abandonar...

Não ouviu a resposta de Al. Elas pareciam o clássico estereótipo de casais dos romances best-seller que tanto lhe enchiam a paciência: uma estudiosa certinha e um badboy. Com a diferença de que ela duvidava um pouco que um casal lésbico e incestuoso chegasse nos mais vendidos. Ou talvez chegasse, as pessoas adoravam tabus e não faltariam punheteiros para as cenas de sexo. Se não odiasse tanto ler, admitia que compraria um exemplar.

Inclinou o corpo para frente, mantendo o rosto da irmã imóvel com as mãos. Seus lábios se encontraram. Não houve a resistência esperada, e sim mãos subindo até seu pescoço e a sensação dos seios da irmã contra os seus, e, deuses!, como era bom.

– When no one is around you...

Riu, esperando pelo complemento. Não se lembrava de Destiny Childs no meio dos CDs da mais nova.

– Say “baby, I love you”

– Se eu disser isso... Você me chama pelo nome, senhorita Alice? – sorriu, pois era a única coisa que conseguia fazer quando a confirmação saiu em um sussurro dos lábios meio manchados com seu próprio batom. – Eu te amo.

– Eu te odeio, Alicia.

– Hã?

– Você some durante sete anos, depois de me deixar sozinha. Eu chorei por semanas, entrei em estado depressivo e tentei me matar tantas vezes que perdi a conta. – Alice arregaçou as mangas do casaco, mostrando as cicatrizes que se estendiam ao longo da pele. Cortes longos e verticais. – E, mesmo assim, quando eu finalmente acho que me curei e toco a vida, você aparece aqui com suas palavras bonitas, sorriso sacana e desculpas e eu percebo que nunca deixei de te amar de verdade.

Ela sorri por cima do susto, passando as pontas dos dedos pelas cicatrizes, colando seus lábios devagar, diversas vezes.

Não precisava dizer nada. Apenas puxou o casaco para fora dos braços de Alice, sentindo suas mãos suaves se infiltrarem com violência por baixo da sua camiseta.

Era errado, sujo, pecaminoso e tudo o mais que quisessem dizer, fosse por serem mulheres, fosse por serem irmãs.

Mas era amor e, no momento, aquilo bastava.

E o olhar estaria ansioso esperando

E a cabeça ao sabor da mágoa balançando

E o coração fugindo e o coração voltando

E os minutos passando

[passando...

Vinícius de Morais

Notas finais
Comecei a escrever ouvindo "Why'd You Only Call Me When You're High", do Artic Monkeys (meul deus, eu só amei muito AM), por isso o ambiente de bar inicial. O fim foi porque, no dia anterior, eu tinha postado "Talvez", lá no fandom do Batman 'u' E era meio deprê. Como eu amei as irmãs, quis dar à elas um final feliz, na medida do possível. Amei tanto a Alice e a Alicia (sim, foi mudado da Amanda pra Alicia) que elas vão virar longfic em breve. E não sei a implicância do Nyah! com o tamanho das NF :'(.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!