Moment
1 Moment.
Notas iniciais
Essa eu juro que (re)corrigi, mas vai que... -q
Sugestões, reclamações, elogios, arremesso de pedras... Qualquer coisa use a caixinha feliz lá em baixo que tá tudo certo (Y)
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Mais uma noite fora de casa. O barulho da chuva me fazendo fechar os olhos e pensar no quanto eu preciso chegar agora.
Eu não sei por quanto tempo mais eu vou aguentar isso. Esse trabalho me mata, aquela mulher se jogando em cima de mim todos os dias me irrita e o fato de saber que eu só vou ganhar alguma promoção naquela empresa maldita se tiver alguma coisa com ela me enoja.
E nem é tanto pelo fato de eu não me envolver com mulheres, por uma parte sim – não vou ser hipócrita -, mas eu realmente não suporto essa forma barata de se vender. Sendo o pai dono de tudo aquilo, ela não precisa ser assim.
Mas deixando-a de lado, é melhor me concentrar no meu único ponto de paz nessa vida, assim a minha cabeça não explode de dor.
Yuu.
Mesmo nesse metrô lotado e sabendo que vou ter que andar umas três quadras, sem guarda-chuva, até chegar finalmente em casa, só a menção do nome dele me faz sorrir livremente.
Ok, grandalhão com cara de tarado, o sorriso não foi pra você.
Faltam duas estações. É melhor eu me certificar de conseguir chegar à porta agora, do que me aventurar a só me mexer quando tiver chegando, isso não dá certo.
Desci, observando cansado que o sol deveria estar nascendo por trás das nuvens pesadas, essa chuva fina lembra o meu moreno, de todas as vezes que nós vimos o amanhecer juntos — geralmente depois de uma noite inteira acordados, falando besteira — de como às vezes eu sentia sua mão quente procurando a minha, outras tantas, eu — bem mais exigente — procurava seu corpo pra me apoiar e assim conseguir dormir.
Me faz refletir sobre tudo o que nós abrimos mão. Não diria que a nossa história é como as dos contos de fadas, a começar pelo casal. Eu não fui fácil, ele foi pior e, além disso, foi um caminho um tanto longo até que nós conseguissemos uma casa e um relacionamento mais ou menos estável.
Não corri, como a bom senso pede, apenas fui sentindo cada gota gelada.
Cansado demais.
Meu celular começou a vibrar no bolso, fui pra baixo do primeiro abrigo que achei: uma pet shop ainda fechada.
-Amor, me diz que você já está chegando.
A voz sonolenta e imponente do outro lado da linha me pegou de surpresa. O sorriso quase involuntário surgiu, de novo.
-Eu ‘tô perto, não precisa se preocupar.
-Mas é que ‘tá chovendo e você não levou guarda-chuva e... – um bocejo. – Você não me deixa ir te buscar.
Não me importei se o celular ia pifar ou não, saí na chuva mesmo, tudo o que eu precisava era o meu moreno e a minha casa.
-Ei... Eu não sou de papel, Aoi. Sei me cuidar.
-Eu sei, eu sei... Mas você não pode me culpar por me preocupar, pode?
-Não, não posso. Mas eu também não gosto nem um pouco de você ficar me esperando, assim quase não dorme. Devia me ouvir.
-Não quero.
-Mas você pode me culpar por me preocupar, não pode?
-Claro que posso, é infundado.
Deixei um riso baixo escapar e observei que mal senti as três quadras passarem.
-Uhum. Tudo bem, já me acostumei. Sou o culpado por tudo. – suspirei teatralmente e apoiei o celular no ombro, enquanto procurava minhas benditas chaves que sempre se escondem de mim.
Elas só podem ter vida própria, não é possível.
-Eu sei... Vai demorar muito?
Abri a porta e a primeira coisa que eu focalizei naquele meio escuro foi Yuu no sofá, com fones de ouvido e o inseparável notebook. Só essa visão me faz sentir em casa. Desliguei o celular.
Fechei a porta, tirei os sapatos e me aproximei, puxando o aparelho do colo dele. Quase instantâneamente vi sua expressão passar de desentendimento à manha. Uni nossos lábios rapidamente.
-Koou, não faz isso, a reunião é daqui a duas horas e eu preciso de tudo perfeito.
Salvei tudo o que ele tinha feito até o momento e fechei o note mesmo sob os resmungos roucos. É contraditório demais ver como ele parece tão infantil e másculo.
Talvez essa seja a razão para o meu amor irracional.
-Quantas vezes você já revisou isso?
-...Nove.
-E quantos erros tinha nas últimas cinco?
Coçou a nuca um pouco desajeitado.
-...Nenhum.
-Você precisa dormir.
-Sem você?
Suspirei, só então percebi que o frio que eu estava sentindo, junto com a vontade de espirrar iam me resultar uma boa gripe.
-Vem.
É sempre assim, ele não dorme antes de eu chegar e eu já nem consigo contar mais quantas vezes disse que isso não era sadio, meus horários são loucos, eu trabalho até tarde, quase todos os dias, mas posso acordar bem depois dele de manhã.
Seguindo essa rotina ele pode acabar doente ou qualquer coisa do tipo. Mas nenhum cuidado meu adiantou.
Eu estava — inconscientemente — pronto pra deixá-lo na cama sozinho por alguns minutos, apenas o tempo de um banho rápido e depois me juntar a ele, descansar por poucas horas e logo me enfiar naquela porcaria que eu chamo de trabalho de novo.
Mas eu não estava pronto para ser arrastado quarto adentro, ouvindo que a chuva havia piorado. Muito menos pra ele começar a tirar minha roupa.
-Agora, Aoi? Eu ‘tô quase morrendo de sono...
Apesar disso eu o ajudava, levantando os braços e depois uma perna e outra.
-Tudo bem, eu abuso de você, não precisa de forças.
Arregalei os olhos. Ele não faria isso, faria? Eu nem fiz nada de tão ruim pra merecer. Claro que teve aquela vez que estava nevando e eu o obriguei a dormir fora de casa depois de um briga estúpida ou no último aniversário dele que eu acabei tudo por causa de uma mancha de batom que por acaso era minha (longa história) e também teve a comemoração de um ano de namoro, que eu o ridicularizei na frente de todo mundo e o fiz se sentir o pior lixo possível.
Isso não justifica um estupro, justifica?
-Se quer a minha opinião, eu tenho todo o direito de fazer isso, depois de tudo.
Sua voz soou divertida.
-Pensei muito alto?
-Não, a expressão te entregou.
Fui sendo empurrado até chegar ao banheiro. Aoi me deixou do lado de fora do box e foi abrir o chuveiro. Testando a temperatura, acho.
-Nossa, vai ser em baixo do chuveiro? Não sabia que era tão seletivo com lugares.
-Nunca te disse? Tenho tara por banheiros.
Fui colocado em baixo da água morna e fechei os olhos. Quase dormi. Meio inerte, eu senti como Aoi não parecia mais ter aquele receio em me tocar.
No começo de tudo, eu confesso que achei que era nojo, mas depois ele me disse que era medo. Medo de me machucar...
Não me machucaria, nem que quisesse.
Ao sentir meu corpo envolto num tecido quente e logo depois colocado na cama, eu estava quase pronto pra me deixar levar. Só faltava uma coisa.
-Yuu...
-Hum?
-Deita aqui.
Indiquei o lado dele da cama, com leves batidas sobre o colchão.
-Er... Eu acho que perdi o sono...
-Como assim?
-É que você não chegava, e aí eu quis ficar acordado pra te ver chegando, só que meus olhos não queriam ficar abertos e eu tentei tanto que eles não fechassem... Então eu tomei café.
Hm, se explicando como criança que fez algo errado. Nada bom.
-Quantos copos... Exatamente?
-Er... uns seis ou sete...
-Aoi...
-Tá, uns dez.
-Yuu...
-Ok, eu admito. Quatorze.
-Shiroyama Yuu.
-Dezesete!
-Dezesete copos de café? Você não vai dormir mais nessa vida.
-Eu sei. Então, como eu tô meio elétrico, acho que vou ver TV.
Já ia saindo do quarto
-Não, você vai deitar aqui comigo.
-Mas, Kou.
-Por favor?
Sim, eu usei meus olhos cor de mel para um pedido desesperado por companhia. Quem liga?
-Você venceu, eu não resisto.
Assim que eu o senti ao meu lado, deixei a cabeça descansar sobre seu peito, podendo ouvir cada batida do seu coração, e o abracei como se a qualquer momento fossem tirá-lo de mim.
Ele entrelaçou nossas mãos.
-Kou...?
-Ainda sou meio ouvidos...
-Você pode me contar como foi o seu dia quase interminável?
-Agora?
-Tem que ser.
-Certo. – limpei a garganta e falei tudo num estado quase letárgico. -Não teve nada de mais, eu fui assediado, depois rebaixado. Me agarrei à única pessoa que eu não odeio lá, ou seja, me enfiei na sala do Kai, você ligou a primeira vez e eu tive que aguentar a zoação do covinhas pelas declarações... Mas isso é só porque o Meevs tá longe e ele não tem o que fazer. Nós perdemos algumas horas conversando, achando que ninguém ia notar nossa ausência. E ninguém notou. Então eu te liguei pra saber como você estava e... Depois eu vim pra casa, fiquei pensando em você no metrô e acabei sorrindo pra um grandalhão qualquer, cinco minutos depois você ligou de novo e agora eu estou aqui, tentando dormir... Posso?
-Ainda não.
Suspirei, cansado.
-O que foi dessa vez?
-Eu tenho que te pedir uma coisa.
Ele me pedindo alguma coisa com essa voz mansa é quase um alerta-problema.
-Depende, é pra você?
-De certa forma...
-Então eu posso.
Sinceramente. Até se ele me pedisse pra pular de um avião sem paraquedas, eu tenho certeza que estaria lá. Se brincar, com um cartaz escrito: Yuu, eu te amo.
Não vou mentir. Eu não direi “não” a nada que seja por ele.
-Então nós vamos nos casar?
-Claro que... Oi?
A risada dele preencheu todo o ambiente e nada mais importou depois disso. Eu dormi nos braços da única pessoa que deu algum sentido à minha vida.
O amanhã é outra história.
Notas finais
Essa saiu quando eu tava lá no meio do nada, olhando pro nada, fazendo nada :D
É de presente pra Thay e talvez tenha continuação... Hm, pelo menos eu demorei menos de um mês desde o dia do aniversário, né...? Er... Ok. Não justifica.
De qualquer forma, eu ainda deixei passar mais um dia porque quando eu fui postar ontem, já era hoje e a minha mãe não ficou nem um pouco feliz de me ver no pc.
Mas, Thaaaay, sabe que eu te amo e que a fic é de coração, né? Né? NÉ? *----*
/pelamordizqueé
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