Molly & Arthur

18 Primeira oportunidade


Notas iniciais
Bem, capitulo novo para vocês. Espero que gostem porque acho que esse é bem capaz de fazer alguns leitores se manifestarem. Pelo menos eu espero por isso. Boa leitura e nos vemos lá embaixo.

9 de Julho de 1964

Arthur sentou-se em seu lugar de sempre na mesa de jantar. A maioria das refeições a noite na casa dos Weasleys era um caso turbulento como gostava de descrever sua mãe. Quando ela se via com toda família reunida na mesa e sendo obrigada a conviver com quatro homens ruivos (sendo aqui incluído não apenas os filhos como o próprio marido) que não tinham o menor receio de usar os bons modos à mesa. Ela os havia ensinado boas maneiras para seus filhos sim só que a liberdade de estar em casa os fazia pensar que aquilo era ridículo.

Normalmente SJ, Billius e Arthur passavam uns sobre os outros em disputas para ver quem alcançava primeiro à caçarola tão almejada ou outra panela que estivesse ali para quem quisesse se servir. Eles colocavam os cotovelos sobre a mesa e enxugavam o rosto em suas mangas.

Embora SJ fosse noivo e um trabalhador do ministério da magia bastante dedicado isso simplesmente desaparecia quando ele estava em casa na hora das refeições ao lado da família. Aqueles momentos eram algo que realmente o fazia deixar de lado toda aquela pompa de homem de negócios para simplesmente se juntar aos seus irmãos.

Aquelas eram suas piores maneiras já que as melhores são guardadas para a escola e eventos importantes. Aparentemente, colegas de escola de Arthur não se enquadram na segunda categoria. Apesar de mesmo ele ter se esquecido por um tempo de que ela estava ali. E se sentiu horrível por fazer isso afinal ela era a sua convidada e o melhor que poderia fazer era tentar se conter na frente dela. Complicado quando já se esta comendo uma coxa de frango com as mãos.

Seus irmãos não agiam de forma melhor. Até porque o ruivo entendia a lógica dos rapazes de que se um dia Molly fosse parte da família (como Billius e SJ tinham conversado numa ocasião e o caçula escutara sem que os dois percebessem) era de que ela teria que se acostumar com coisas daquele tipo. Ridículo, pensou Arthur. Tanto a ideia quanto as atitudes daqueles dois.

As únicas duas pessoas ali que pareciam seguir normas de etiqueta na mesa eram as mulheres como era de se esperar. Além da mãe dos garotos e de Molly também estava ali Danielle Clearwater. E aparentemente a gravidez a havia deixado com um apetite digno da família de seu noivo.

O que não era surpresa para Arthur já que pelo que havia ouvido falar de seus tios em algumas reuniões da família era que mulheres quando gravidas de Weasleys costumavam a ter um apetite aterrorizante talvez porque desde a barriga a criança já fosse alguém que pudesse se dizer um grande apreciador de boa comida.

Arthur olhou para seus dedos e pode ver que o caldo da carne havia escorrido. O ruivo teve que se conter na atitude quase que automática de levar os dedos a boca para lambe-los quando viu a garota que estava ao seu lado.

O rapaz puxou então o guardanapo limpando os dedos pelo menos com o mínimo de educação que um dos homens ali havia demonstrado naquele jantar. Molly observava de olhos arregalados toda aquela cena parecendo nem ao menos notar Arthur que a olhava agora.

Ela veio para ficar com os Weasleys durante o final de semana. Embora a mãe de Arthur tivesse feito o seu melhor para fazê-la sentir em casa tanto no quarto quanto no jantar só que Molly simplesmente não estava acostumada com a agitação de sua casa.

Arthur se perguntou como que ceias familiares eram em sua casa. Ele supôs que tudo estava quieto e perfeitamente limpo. Pelo menos a imagem que ele tinha mesmo que os irmãos dela fossem mais novos ainda era bem provável que eles tivessem tido aulas de etiqueta ou algo assim.

_ Gostaria de um pouco mais de purê de batatas, Molly? — Perguntou Danielle depois de ter tornado a se servir mais uma vez e perceber o olhar da ruiva. Molly sorriu e pareceu despertar para o pedido da garota.

_ Sim, por favor — falou Molly estendendo o prato para que fosse servida.

_ É muito bom ouvir essa palavra nesta casa — disse, Cedrella seriamente então olhando fixamente para cada um dos seus filhos.

_ Quando o pai chegará em casa ? — Perguntou Billius ignorando a implicação.

Quando Septimus voltasse para o jantar poderia se dizer que o dia seguinte seria oficialmente que ele estaria de férias. Os Weasleys (mais Molly) estavam indo para passar três dias em um acampamento. Era uma viagem anual que a família sempre realizava. Sendo aquela a primeira vez que levariam alguém de fora.

_ Deve ser em breve – disse Cedrella olhando para um relógio que estava pendurado na parede mais próxima – Não se preocupe, ele me garantiu que chegaria para o jantar mesmo que já se pudesse atrasar um pouco.

_Eu pensei que ele iria estar em casa agora — disse Arthur — Ele deveria ter saído há meia hora.

_ Eu acho que ele ficou ocupado por lá certamente um trabalho difícil de última hora — falou Cedrella então ela se virou para Billius — Será que você terminou as malas? – o seu filho do meio levantou o olhar para ela parecendo confuso e com as bochechas estufadas de comida — Então, por que vocês não falam o que fazem no ministério para a Molly – ela se voltara para SJ e Danielle que pareciam já estarem satisfeitos como tinham diminuído o ritmo em comer.

_ Nós trabalhamos para o Departamento de Acidentes e Catástrofes Mágicas — falou Danielle para Molly – Nós fazemos parte do Esquadrão de Reversão de Magia Acidental é um setor bem movimentado e trabalhoso porque sempre temos algum caso para resolvermos.

_ E o que vocês fazem? – perguntou Molly interessada.

_ Eu estou na Comissão de Justificativas Dignas de Trouxas – disse SJ – enquanto Danielle é obliviadora então de uma forma ou de outra não nos vemos tanto quanto pode parecer porque na maioria das vezes o meu trabalho é no escritório enquanto o dela é em campo.

_Nós tivemos uma ocorrência com o Esquadrão de Reversão há par de anos atrás quando Gideon acidentalmente ateou fogo ao casaco de pele de uma senhora trouxa – falou Molly — mas o que o a comissão faz?

_ O trabalho deles é muito divertido — disse Arthur — Quando o mundo bruxo está exposto aos trouxas e não se pode ser acobertado ou obliviado é então que a comissão vem com desculpas que trouxas vão acreditar.

_ Esse do casaco dessa senhora trouxa – falou SJ – Eu suponho que tenham dito que a causa do fogo foi alguma bituca de cigarro que causara a queima – ele riu antes de beber seu suco – É um clássico quando se trata de incêndios mágicos acidentais.

_ Isso soa como diversão — disse Molly com um sorriso.

Foi então à porta se abriu e o Sr. Weasley entrou em casa depois de um dia cansativo no ministério. Todos na mesa de jantar se voltaram em direção da porta da sala de estar que de onde estavam tinham uma visão da entrada.

Septimus estava com a capa de viagem marrom escura como se tivesse as colocado apressadamente. Sob seu cabelo ruivo e barba podia-se notar que seu rosto estava vermelho. Sua expressão se contorcia em uma careta furiosa. Cedrella ao perceber o estado dele se levantou e foi em sua direção.

_ O que houve de errado, querido? — perguntou Cedrella se apressando até o marido.

_Parkinson e sua maldita mania puro sangue — disse o Septimus enquanto continuava andando e finalmente indo até o quartinho dos fundos que era onde sua esposa costumava trabalhar com suas costuras. Cedrella o seguiu só que mesmo com a porta trancada aquilo não lhes deu muita privacidade.

_O que aconteceu, Septimus? – perguntou Cedrella – Explique-me essa historia direito.

_ Parkinson está acontecendo – falou Septimus – Ele está me acusado de ser desleal com os interesses do Ministério só porque eu tenho amigos trouxas.

_ Isso é ridículo – disse Cedrella – E como ele sabe que temos amigos trouxas?

_ Ele deve ter me ouvido conversando com algum dos meus colegas de trabalho sobre isso – falou Septimus – Parkinson me chamou ao seu escritório dizendo que alguém tinha enfeitiçado seu escritório e ele não estava conseguindo abrir as gavetas ou algo do tipo... Ao que me parecia era apenas uma desculpa que ele criara para poder falar comigo – ele bufou — Mesmo assim isso não deveria importar afinal é da minha vida pessoal que estamos falando.

_ Exatamente – disse Cedrella — O que isso tem a ver com o seu trabalho?

_Nada... E eu queria ter dito isso a ele só que não posso arriscar em desacatar alguém superior a mim lá dentro – falou Septimus – Então fui obrigado a ouvir que ele falasse um monte sobre a supremacia bruxa. E não sou o único que tem sido alvo de coisas desse tipo... Selwyn conversou com Cattermole há um tempo sobre como ele deveria ter escolhido melhor antes de se casar com uma trouxa.

_ Cattermole é casado há anos com a sua esposa – falou Cedrella – Eles não deveriam se meter na vida dele e nem na sua afinal desde que estejam fazendo o trabalho de manutenção corretamente não há nenhum problema externo que seja de interesse deles para ser sincera não há nada na sua vida pessoal que deva ser julgada.

_ Eu sei – respondeu Septimus.

_ Você tem feito seu trabalho excepcionalmente por todos esses anos – disse Cedrella – Não sei o porquê eles vieram para cima tão de repente assim sem motivo importante, quer dizer... E dai que convidamos trouxas para o jantar? E que somos amigos deles? Isso não deveria fazer diferença alguma.

_Há um monte de gente que acha que os bruxos devem sair de seu esconderijo e estabelecer seu domínio sobre os trouxas – disse Septimus – Não é de hoje isso e você sabe muito bem... É só que agora as coisas parecem estar indo por outros caminhos. E eu já ouvi vários rumores sobre um bruxo das trevas que está reunido seguidores como Grindelwald fez há alguns anos atrás.

_ E você sabe disso por que Parkinson te contou? – falou Cedrella.

_ Não, eu ouvi uma conversa enquanto fazia as manutenções das janelas internas – disse Septimus – Sei que é errado só que eram os Blacks falando então eu simplesmente fiquei calado porque sabia que iriam me ignorar como sempre fazem. Eles falavam sobre esse bruxo das trevas e como ele estava crescendo com suas forças e disseram que ele chama a si próprio de Lord Voldemort.

_ Voldemort? Oh, por favor... isso nem é um nome de verdade – falou Cedrella – E não há provas ainda que ele exista pode ser apenas uma historia inventada que se espalhou de repente afinal não ouvi falar desse tal Lord ainda no rádio ou mesmo no jornal. E outra, não deveria dar ouvidos aos Blacks...

_ Eu não sei se é bem por ai Cedrella – disse Septimus – algo está acontecendo e eu posso sentir isso como se grandes mudanças estivessem por vir.

_Septimus, isso é ridículo não é porque alguns pensam que somos superiores aos trouxas que a maioria irá aceitar essa causa – respondeu Cedrella – Uma das lições que devem ser aprendidas é que nós somos todos humanos... Somos todos iguais diante da morte e é isso que importa no final.

_ Eu sei que somos – disse Septimus — Estou apenas dizendo o que eu ouvi.

_ Eu sei, querido – falou Cedrella – Mas por que está tão preocupado com isso?

_ Por quê? – disse Septimus suspirando — Porque eu sinto que Isso vai ficar muito pior antes de melhorar apenas marque minhas palavras.

_ Bem, se acalme e vá se lavar – respondeu Cedrella — As crianças estão entusiasmadas para a viagem que iremos fazer amanhã. Eu não acho que devemos preocupa-los.

Arthur empurrou as batatas ao redor em seu prato com o garfo. Ele lamentou que Molly tivesse que ouvir essa conversa. Ela estava fazendo um estudo do padrão sobre o tapete por algum tempo com uma cara ilegível. O rapaz queria poder ser capaz de ler seus pensamentos naquele momento.

_ Então, Molly... – perguntou Billius em voz alta talvez para simular que todos eles haviam ignorado a conversa dos pais que ocorrera no cômodo ao lado — você já acampou antes? — aquilo pareceu despertar a garota ruiva que olhou para cima.

_ Desculpe-me, eu estava com a cabeça longe – respondeu Molly timidamente – poderia repetir a pergunta, por favor? – Aquela altura Cedrella já havia retornado a cozinha e ao ouvir a frase da garota acabou por sorrir.

_ Acho que essa cozinha nunca viu tanta educação vinda de uma pessoa só – disse Cedrella sorrindo – seus pais devem ter orgulho de uma filha como você, minha querida.

_ Obrigada Sra. Weasley – falou Molly sorrindo levemente – É muito gentil de sua parte.

_ Hã... Mamãe – disse Arthur parecendo meio constrangido por deixar de contar algo sobre garota para Cedrella — A mãe da Molly está falecida há alguns anos... – ele fez uma pausa parecendo que suas orelhas fossem começar a corar ainda mais vividamente do que o tom rosado que já estavam — Ela vive só com o pai e os irmãos dela.

_ Oh, bem... Eu não sabia disso – falou Cedrella parecendo sem jeito – Lamento muito em saber e posso compreender o quanto deve ser um assunto delicado para você...

_ Tudo bem, Sra. Weasley – disse Molly – foi pouco tempo que nós a tivemos por perto... — Ela pegou na mão de Arthur por baixo da mesa ao notar que ele estava parecendo ainda meio envergonhado e ao unir seus dedos uns com os outros foi que o garoto ruivo se voltou para ela parecendo surpreso — Mesmo assim sei que cada momento com ela foi especial e eu guardarei sempre ela em meu coração.

_ Eu sei, querida – falou Cedrella — Mesmo assim de onde estiver acredito que ela olhe para Molly e veja quão educada e bonita sua filha se tornou – ela tocou no ombro da ruiva — E deve ter bastante orgulho assim como seu pai deve ter.

_ Obrigada, Sra. Weasley – respondeu Molly então desviando seu olhar para Billius – qual tinha sido mesmo a sua pergunta? – o garoto parecia ter sido desperto também de seus pensamentos e se voltou para a garota.

_ Oh, sim... Eu tinha perguntado se você já tinha ido acampar antes? – disse Billius.

_ Não – respondeu Molly meio acanhada — Nós não viajamos muito.

_ Isso é uma vergonha — disse Cedrella reunindo-se a mesa com seus filhos – mas entendo com todo o trabalho do seu pai com a loja no Beco Diagonal é meio difícil tirarem férias – ela deu um gole em sua bebida – a proposito, como vão os negócios? Eu li que o sócio dele está com problemas com aurores no Profeta Diário.

_ Sim, mas não é tão grave quanto possa parecer – falou Molly – Nada que não dê para se reerguer pelo menos é o que papai diz a respeito e eu confio que isso vá acontecer.

_ Bem, todos nós iremos torcer por isso – respondeu Cedrella então se voltou para seu filho caçula – Arthur você está bem? Parece estar muito avermelhado – O rapaz realmente estava bem corado e era devido ao contato de sua mão com a de Molly é claro que a ideia de que sua mãe tinha notado só lhe fazia ficar mais sem graça só que mesmo assim não iria tira-la dali.

_ Eu acho que estou com calor – disse Arthur com a voz um pouco pausada – Está um pouco quente aqui não acha? – ele mexeu no colarinho e aquilo pareceu fazer Billius rir mesmo que estivesse tomando seu sorvete e mesmo assim tivesse quase engasgado.

_ Então, tome seu sorvete Artie – falou Billius soltando um risinho – talvez isso lhe faça se sentir melhor.

_ Isso é verdade – disse Cedrella enquanto empurrava uma tigela para próximo dos dois mais jovens – Está ótimo, fui eu mesma que fiz com a antiga receita da mãe do Septimus – enquanto a garota soltava sua mão e começa a servir-se sendo que Arthur pareceu relaxar os ombros — Você já provou sorvete caseiro antes Molly?

_ Não, mas sei que deve está ótimo – falou Molly então entregando a tigela que havia acabado de servir para Arthur e pegando outra para si e começando a enchê-la. E depois de um tempo logo os dois estavam saboreando a sobremesa.

_ Então? – perguntou Cedrella com um sorriso nos lábios.

_ Eu acho que nunca provei nada tão bom – disse Molly com sinceridade.

_ Fico bastante feliz em saber que você gostou – respondeu Cedrella – Talvez algum dia possa te passar a receita – E a ruiva pareceu meio que sem jeito o que não saiu despercebido por Arthur que moveu os óculos parecendo se compadecer do sentimento da garota.

_ Pensei que as receitas da vovó Weasley eram apenas para as mulheres da família – falou Danielle sussurrando para o noivo ao seu lado que pareceu fazer de conta que não tinha escutado – Eu serei sua futura esposa e sua mãe nem me ofereceu algo assim antes.

_ Esquece – disse SJ terminando seu sorvete e se levantando da mesa – vem, vamos para meu quarto ouvir algum daqueles discos que você me trouxe hoje de manhã.

_ Eu ainda estou comendo – falou Danielle mostrando a segunda tigela de sorvete – sua mãe não gosta quando nós levamos algo para comemos no quarto.

_ Mãe? – perguntou SJ chamando a atenção de Cedrella – Está tudo bem se a Danielle levar o sorvete lá para cima? – a mulher então desviou seu olhar para os dois e encarou o casal antes de responder.

_ Claro – falou Cedrella então se virando para Danielle em especial – Se você quiser depois mais não se sinta envergonhada de pedir e mande o SJ descer para buscar mais para você, querida.

_ Obrigada, Sra. Weasley – respondeu Danielle enquanto SJ puxava a noiva pela mão em direção da sala de estar enquanto se afastavam podia ainda se ouvir as vozes deles mesmo que suas palavras fossem indecifráveis agora.

Não demorou muito tempo quando finalmente Septimus entrara pela porta. Já vestia suas roupas de usar em casa só que ainda parecia estar bastante tenso pelo que podia se perceber pelo modo quase que sem emoção que cumprimentara os presentes.

Arthur percebeu que o pai estava realmente abalado pelo modo como ele cheirava a tabaco o que indicava que tinha fumado seu cachimbo antes mesmo da refeição algo que só fazia depois do jantar. Cedrella começou a lhe preparar um prato enquanto o marido chegou e tomou seu lugar na cabeceira da mesa. E o homem agradeceu a esposa por isso.

Ambos os irmãos que haviam restado na mesa se entreolharam rapidamente e quase que um acordo silencioso foi que decidiram iniciar uma conversa para tentar amenizar o clima tenso. O que de certa forma funcionou.

O restante da refeição foi bem tranquila e com uma conversa forçada sobre a barraca que iriam ficar e as coisas que esperavam fazer. Eventualmente Billius ao perceber que já estava satisfeito foi que fez a sua desculpa numa tentativa de fuga.

_Bem, está ficando tarde – disse Billius olhando para o pulso para um relógio inexistente — Vou terminar de arrumar a minha mochila – ele olhou para a mãe enquanto se levantava e depositando um beijo em sua bochecha — Boa noite – então desejou aos outros na mesa antes de se retirar.

_ O resto de vocês provavelmente deve ir para a cama – falou Septimus pela primeira vez desde que tinha se sentado a mesa assim que Billius tinha deixado o lugar – Bem como nós dois iremos fazer daqui a pouco já que amanhã será um logo dia – ele fitava a sua bebida em mãos — E todos nós iremos ter de acordar cedo — Arthur e Molly concordaram e acabaram por se levantar da mesa também.

_ Boa noite – disse Cedrella para os jovens – Molly, por favor, deixe-me saber se você precisar de alguma coisa – a ruiva sorriu para a mãe de seu amigo – Eu irei deixar alguns cobertores extras ao pé da cama. Para o caso de sentir frio durante essa noite porque eu sei que você pode sentir um pouco esse clima frio londrino.

_ Muito obrigada, Sra. Weasley — falou Molly e a mulher fez um gesto que significava que ela não precisava agradecê-la por aquilo — E obrigada mais uma vez por me convidarem.

_É um prazer para todos nós, minha querida — respondeu Cedrella enquanto os dois jovens saíram da cozinha indo em direção a sala de estar.

Ainda estavam em silêncio com Molly subindo a frente de Arthur de modo que o garoto não pode ver sua face pensativa e distante. Caso a tivesse visto talvez pudesse ter percebido algo mesmo assim era possível que não já que Molly estava inexpressível conforme sua mente vagava. Eles estavam no meio da escada quando Molly se se virou novamente para trás quase encontrando com Arthur e a garota começou a descer de volta. Depois de alguns segundos estranhando a atitude da garota foi que Arthur a seguiu.

_ Você esqueceu alguma coisa? – perguntou Arthur logo atrás dela só que Molly apenas balançou a cabeça – Então o que é? – A garota não lhe respondeu fazendo com que apenas continuasse a segui-la.

Ela estava com uma marcha determinada quando abriu a porta que dava para a cozinha e então entrando no lugar. E foi quando Molly se aproximou da mesa novamente e estava andando para perto do pai de Arthur. E a ruiva parou ao seu lado lhe chamando a atenção.

_Sr. Weasley , eu só quero que você saiba que meu pai e eu conversamos longamente sobre supremacia mágica ultimamente – falou Molly com um tom de voz cordial – E nós decidimos que não iremos apoiar qualquer espécie de tratamento abusivo com os trouxas somente por eles serem o que são. Isso não é certo. É injusto e todos deveriam ver assim – ela fez uma pausa — Então, Sr. Weasley quero que saiba que os Prewetts (ao menos uma boa parte de nós) somos traidores de sangue também e estamos orgulhosos disso.

Então houve um silêncio para finalmente Septimus encarou a menina e sorriu levemente. Molly parecendo feliz e aliviada por ter dito aquelas palavras foi que saiu da cozinha deixando os três Weasleys ali para trás. Houve uma troca de olhares entre eles e Cedrella estava sorrindo abertamente para Arthur que se sentiu meio incomodado pelo que poderia estar passando pela mente de sua mãe.

Só que isso sumiu assim que Molly o chamou perguntando se iria subir com ela. Ele murmurou qualquer resposta antes de finalmente segui-la e quando a encontrou esperando por ele na escada e viu o como ainda estava com aquele mesmo olhar com o qual havia falado com o pai dele.

Arthur perguntava a si mesmo se sempre tinham sido daquele mesma maneira seus olhos. Ele reconhecia-os é claro desde sempre assim como os adorava pela maneira como eram. Só que parecia naquele momento brilhar algo a mais talvez fosse determinação. Pelo menos era isso que Arthur via. Porque naquele momento, Arthur pensava como Molly era a garota mais corajosa que já conheceu.

E quando se viu já estava em frente à Molly ali na escada com ela alguns degraus acima fazendo com que estivessem na mesma altura. Então veio aquele sentimento que já sabia que existia e os olhos do rapaz fitaram os lábios dela por alguns segundos. Arthur Weasley estava sentindo vontade de beijar uma garota pela primeira vez. E não era qualquer garota porque aquela era Molly Prewett.

Será que ele deveria fazer isso? Talvez Molly percebesse e também quisesse beija-lo. E se não quisesse? Não seja ridículo Arthur, é apenas um beijo. Apenas seu primeiro beijo e provavelmente o dela também. Tem que ser algo especial. Seria aquele o momento?

E se ele estragasse tudo? Porque se tinha algo que Arthur sabia que às vezes conseguia ser era um grande desastrado. E se ele acertasse o nariz dela com o seu? Ou se não fizesse direito? Por que suas mãos estavam tão suadas? Como é que se respira mesmo? Oh, por Merlin... Arthur, você está bancando um idiota.

E ela está te olhando estranho talvez esteja achando esquisito esse silencio ou clima estranho ou talvez tenha percebido o que você quer fazer. Já está pensando demais e isso não é bom. Apenas faça. Você tem que fazer agora.

_ Arthur? – perguntou Molly.

_ Hã? – respondeu Arthur – O que?

_ Você está bem? – questionou Molly.

_ Oh, sim... – disse Arthur respirando profundamente – É só que... Eu estava pensando no que você falou lá na cozinha para o meu pai – e garota pareceu compreender e suspirou enquanto colocava uma mexa de seu cabelo para trás – Você não sabe o quanto fez bem a ele dizendo aquelas palavras.

_ Alguém precisava mostrar que há outros por ai que pensam iguais como vocês – respondeu Molly – Não foi nada demais – ela cruzou os braços na frente do corpo — apenas falei porque pensei que não iria ficar bem comigo mesma se não falasse isso.

_ É, mesmo assim... – disse Arthur – você foi inacreditável.

_ Você gosta de usar essa palavra não é mesmo? – falou Molly rindo e o rapaz riu também então parando novamente e ficando em silêncio por um tempo se fitando novamente – Arthur? – quebrou o silêncio depois de perceber o olhar novamente que ele tinha feito.

_ Que foi? – perguntou Arthur.

_ Vamos subir? – falou Molly – Você me falou que poderíamos jogar algumas partidas de xadrez antes de dormir – E o ruivo acenou positivamente e os dois iniciaram a subida da escada em direção ao andar superior – Nunca aprendi realmente a jogar xadrez muito bem porque sempre achei um jogo violento e rude.

_ Eu posso te ensinar – sugeriu Arthur e a garota sorriu agradecendo.

E aquela noite Arthur pensaria se tinha desperdiçado um momento. Motivo pelo qual Molly estranharia a quantidade de vezes em que o venceria no xadrez bruxo. A pergunta era se deveria beija-la ainda vinha a sua mente. Ele estava arrependido de não o ter feito? Com toda a certeza sim, apesar de que tinha sido melhor assim porque ele pensou que Molly merecia mais do que um beijo numa escada com a ameaça dos pais dele aparecerem.

Ele teria outra oportunidade. E Arthur sabia que faria acontecer porque iria ser um momento do qual iriam se lembrar por anos. Anos? Sim, porque Arthur queria ter Molly como sua namorada e esperava que ela fosse aceitar. Apenas tinha que esperar um pouco mais e planejar tudo para que saísse perfeito.

Notas finais
E então? Gostaram? Acredito que sim já que aqui podemos ter uma noção do que estar por vir nos próximos capítulos. Se manifestem leitores fantasmas. Nem que seja para xingar o Arthur dizendo que ele deveria ter beijado a Molly ali naquele momento. Espero vê-los nos reviews. Até a próxima.