Notas iniciais
Bom, não demorei tanto então espero que gostem. Boa leitura.

22 de setembro de 1963

De propósito, Billius deixara o teste dos apanhadores para o fim. Arthur sabia que isso se devia a esperança de ter um estádio menos cheio e menos pressão sobre os envolvidos. Novamente o terceiranista podia pressentir que seu irmão mais velho estava tentando protege-lo de humilhação. Em pensar que tinha se inscrito naquilo apenas para dar um apoio ao irmão e porque queria que a historia se espalhasse e chegasse aos ouvidos de Molly.

Talvez se soubesse que estava prestes a fazer parte daquela loucura seria capaz de tentar impedi-lo e com isso voltar à fala com ele. Era um plano bastante bom apenas teve a falha já esperada que a teimosia da Prewett fosse maior do que a preocupação que pudesse ter. E aquilo realmente era decepcionante de uma forma que Arthur preferiu acreditar que a garota desconhecia o que ele iria fazer.

Então, lá estava o ruivo ouvindo as instruções dadas aos candidatos. Aparentemente seria uma fase de dois testes em que ocorreria a primeira bateria com dois candidatos e então viriam os outros dois. Os melhores que capturassem o pomo iriam competir entre si e o tempo iria ser um ponto crucial.

Pelo menos foi o que Arthur escutara das palavras do irmão porque quando simplesmente se desviara para olhar as arquibancadas foi que viu que em meio aquela multidão havia alguém a quem estava ansioso para ver.

Molly estava ali e em muito tempo podia vê-la olhando para ele depois de todos aqueles dias em que simplesmente o ignorara e evitara. Não importava o quanto estivesse nervoso com toda aquela historia de quadribol iria fazer seu melhor e dedicaria a captura para aquela menina. Se fossem melhorar as coisas ou piorar era algo que teria que pensar depois.

Arthur então desviou o olhar para as arquibancadas que estavam quase que por completo cheias. Nem era como se fosse uma serie de testes apenas parecia ser quase uma verdadeira partida. Todos os candidatos recusados e um bom número de pessoas que aparecera para assistir aos testes depois de um demorado café da manhã. De forma que aquele horário para a finalização dos testes se tinha simplesmente engrossado a multidão que agora estava maior que nunca.

Então foi decidido quem enfrentaria quem na primeira fase do teste. Arthur só foi perceber que tinha se iniciado quando os dois apanhadores subiram em suas vassouras e voaram até certa altura no céu. O pomo há um tempo tinha se perdido nos ares e agora os dois bruxos estavam pairando na altura numa tentativa de localiza-los. Foi questão de minutos para um deles fosse capaz de identificá-lo e ir atrás dele pelo campo sendo seguido pelo desafiante.

Pouco mais se pode dizer que houve a captura do pomo em que o vitorioso triunfante desceu em terra exibindo seu prêmio em mão. Arthur teve de engolir em seco ao identificar que aquele era o apanhador titular do time que estava tentando permanecer em seu cargo. O ruivo não via chance de uma vitória contra aquele rapaz que devia ter pelo menos uns três anos a mais do que si próprio.

Então chegou a vez de Arthur quando o seu irmão se aproximou dele e lhe colocou a mão sobre o ombro. Billius parecia tenso com o que estava por vir mesmo que tentasse não demonstrar e Arthur podia sentir isso vindo dele. Houve uma troca de palavras com o mais velho pedindo ao caçula que tomasse cuidado e lhe desejando boa sorte. O ruivo então removeu os seus óculos e entregou ao capitão para em seguida abaixar sobre seus olhos o par de visores de proteção que jogadores que precisavam de recursos para melhorar a visão geralmente usavam em campo por segurança.

Arthur olhou para frente e encontrou seu adversário. Foi um momento de surpresa ao identificar que se tratava de um de seus colegas de quarto ali e com um aceno de cabeça foi que o ruivo saudou Jack Jordan. Os dois então montaram em suas vassouras e alcançaram voo.

Jordan era um dos colegas de quarto de Arthur sendo que não tinham tanta afinidade que passasse apenas de alguns cumprimentos e trocas de palavras até porque o rapaz era bem fechado e focado nos estudos. Ele se tratava de um bruxo negro com um cabelo no estilo afro que o fazia pelo menos ter uma altura de um palmo ou dois a mais.

Talvez ver um rosto conhecido poderia ser algo que fosse acalmá-lo mais ou não. A verdade é que assim que alcançaram o ar foi que cada um seguiu por um caminho na tentativa de buscar aquela pequena bolinha dourada com asas. Em algum momento foi que Arthur percebeu que o rapaz tinha mudado de estratégia e agora o estava seguindo.

Foi então que sobrevoando próximos das arquibancadas que o ruivo pode escutar o som das asinhas do pomo de ouro batendo e se virou na direção para retornar. Aquele movimento fez o adversário ser pego de surpresa e logo os dois estavam sobrevoando abaixo das arquibancadas em busca de seu objetivo.

Era escuro ali embaixo e sobrevoar entre vigas de sustentação era complicado. Arthur pensou em remover a varinha e usar um feitiço para enxergar só não o fez porque sabia que podia ser considerado contra as regras. Acima deles o som da plateia parecendo empolgada e se perguntando onde estavam os dois apanhadores podia ser escutada.

Os estudantes se esforçavam para tentar vê-los através das frestas só que não havia chances para que conseguissem uma visão clara deles. Afinal nem mesmo Arthur estava conseguindo ver Jack direito. Então foi que escutaram o som do pomo de ouro não era o das asas dessa vez e sim da esfera metálica que se batia contra as vigas de madeira parecendo desorientado.

Foi instintivo aqueles dois partirem para cima do pomo que parecia tê-los pressentido já que começou a voar com adequação passando e se desviando das vigas sendo que os jogadores tentavam fazer o mesmo. Arthur tinha lá a sua dificuldade devido a vassoura velha que usava só que mesmo assim dava tudo de si para não ficar para trás.

Na hora de sair debaixo das arquibancadas foi que ocorreu de Arthur e Jack Jordan se colidirem. Não foi um dano maior que um esbarrão e uma desestabilizada básica de vassoura só que aquilo foi o suficiente para se perder o pomo de ouro de vista.

Arthur o buscou ao redor tentando ter uma visão ampla. Nem sinal se via da esfera que pelo tempo que tinha se passado já deveria estar muito longe sendo que teriam que gastar mais alguns minutos em sua busca e o quanto fosse necessário. Foi quando o ruivo notou algo brilhante vindo de um ponto inusitado.

O sol batia e refletia algo de metal vindo da direção de Jordan. Arthur franziu a testa estranhando aquilo então tentando aguçar a sua visão para identificar o que havia na cabeça do colega de quarto. Arthur sentiu vontade de rir ao identificar o que ali havia só que preferiu apenas voar na direção de Jordan que estava de costas para si.

_ Desculpe-me por isso – disse Arthur ao lado do rapaz que parecia confuso com aquela fala.

Nesse momento foi que o ruivo estendeu a mão e pegou a esfera dourada que havia se prendido ao afro do rapaz. Jack Jordan pareceu sem reação ao ver que aquilo que buscava estava atrás de sua cabeça (literalmente falando).

Arthur deu de ombros parecendo envergonhado e esperando alguma reação raivosa do outro apanhador. O olhar surpreso de Jordan logo depois foi substituído por um riso para o quão ridícula tinha sido aquela captura. O ruivo também teve que rir daquilo e os dois aterrissaram juntos em campo um ao lado do outro.

_ Foi um final inusitado – falou Jordan estendendo a mão para cumprimentar o colega sendo que Arthur aceitou – parabéns por seu feito, Weasley.

_ Eu não fiz mais do que tirar essa coisa do seu cabelo – disse Arthur e os dois riram – espero não ter estragado o seu penteado parece algo complicado de se fazer.

_ Que é isso, bro – falou Jordan batendo no ombro do rapaz – precisa mais do que dedos finos de um branquelo sardento para destruir meu blackpower – e o rapaz então retirou do interior das vestes um pente afro e começou a pentear seu cabelo.

_ Bem vou tentar não me sentir ofendido por ter sido chamado de branquelo sardento – respondeu Arthur mesmo que não estivesse ofendido até porque sonserinos costumavam lhe chamar de coisas piores.

_ É o meu jeito de mostrar que fui com tua cara... – disse Jack Jordan – Se liga, mais tarde eu penso em uma forma melhor de te chamar... – ele já ia saindo quando se voltou para o ruivo — quem sabe de apanhador? Consiga essa posição por nós dois, bro. Os caras do dormitório do terceiro ano merece que tenhamos alguém no time.

_ Farei meu melhor – disse Arthur e então o rapaz assentiu e lhe fez um gesto de paz e amor com os dedos antes de sair de campo.

Então Arthur suspirou fundo e olhou para o pomo de ouro em mãos enquanto Billius se aproximava do irmão parecendo risonho com aquilo tudo. Afinal não era todo o dia em que alguém em campo virava um obstáculo para a bola. E certamente deveria ser um fato raro o jeito de como aconteceu.

_ Bem, foi um tanto quanto surpreendente – disse Billius pegando o pomo das mãos do irmão — Seja bem vindo aos finalistas Arthur agora é a sua vez de nos mostrar o seu melhor.

Naquele momento o outro candidato a apanhador se aproximou dos ruivos enquanto o capitão parecia reativar o pomo que voltava a bater as suas asas na mesma intensidade. Arthur tentou se manter ereto e parecer confiante só que mesmo assim continuava parecendo um grande poço de nervos e desajustado. Ele olhara para o lado para encontrar o sextanista que atendia pelo nome de Nerus Scrimgeour, um rapaz alto com um porte atlético além de possuir uma densa cabeleira loira que mais se assemelhava a uma juba de leão. Assim como Arthur aparentemente aquele rapaz também fazia o uso de óculos já que usava o mesmo visor que ele.

_ É o seguinte, o teste agora será baseado no tempo – disse Billius – tivemos a oportunidade de vê-los voando e como se sobressaiam em cima de um cabo de vassoura só que agora quero saber como vocês agem no ponto de captura em menor tempo possível.

_ Então, não iremos competir entre nós dois? – disse Nerus – irá nos avaliar por tempo em captura? Isso é irrelevante se levar em considerçaõ que não irá ser mais do que uma espécie de treinamento. Não uma simulação de jogo oficial.

_ Não estamos simulando um jogo oficial aqui, Scrimgeour – respondeu Billius – porque se o estivesse fazendo eu teria mandado nossos batedores para mandar balaços contra vocês na primeira bateria dos testes. E qual é o problema em avaliação por tempo? Estar sozinho no ar não diminui a dificuldade e você deveria saber muito bem disso já que sabe que esse é uma das formas de treinamento para apanhador.

_ Faça como achar melhor – falou Nerus – porque sei que eu irei fazer o meu.

_ Tudo bem – respondeu Billius retomando o assunto — vocês estarão sozinhos em campo e isso irá dificultar a concentração de vocês já que não haverá essa disputa real entre vocês e sim entre cada um de vocês contra esta bola dourada hiperativa – ele mostrou o pomo de ouro — Isso também irá servir para avaliar sua capacidade de visão e rastreamento só que o que irá pesar mais será o tempo que levaram.

_ Será apenas uma captura? – questionou Arthur.

_ Não, vocês terão três chances cada um – disse Billius – as tentativas serão alternadas e no final aquele que tiver o menor número em tempo de captura ao se tomar todas as tentativas irá ter o seu lugar no time.

Quando o outro apanhador voou em direção aos céus à multidão incentivava ou vaiava com igual disposição. Billius olhou para Arthur que não conseguia controlar seu nervosismo aparentemente.

Tivera esperança de que a presença de Molly ali nos testes daquele dia talvez o curasse, mas agora via que não fazia mais do que piorar. Havia um delicado tom de verde que coloria o rosto do irmão e isso o preocupava afinal era de sua responsabilidade cuidar do caçula enquanto eles estivessem em Hogwarts.

Fora o fato de que se sua mãe soubesse que ele deixara que Arthur voasse em uma vassoura mesmo que ele não estivesse em condições era capaz de mandar-lhe um dos piores berradores possíveis. Billius já havia levado alguns e isso não tinha muita importância. O que lhe preocupava era saber que Arthur poderia acabar se machucando ali por conta dele permiti-lo fazer aquilo.

_ Você esta bem Artie? – perguntou Billius preocupado.

_ Eu estou bem – disse Arthur sorrindo fracamente.

_ Eu também – respondeu Billius dando uma cotovelada de leve no ombro do irmão então se virando em direção ao apanhador – muito bem, Scrimgeour é a sua chance de mostrar o seu melhor – e assoprou um apito.

Billius apertou o cronometro e havia em mãos e indicou ao candidato a apanhador que deveria começar.


Nenhum das primeiras duas tentativas levara cinco minutos. Para grande desapontamento de Arthur, o seu adversário havia feito surpreendentes capturas e sua vassoura era de longe a melhor que já havia visto alguma vez. Nerus Scrimgeour pegou os dois primeiros pomos num tempo de quatro minutos com trinta segundos.

No último, no entanto voou exatamente na direção oposta a que estava o pomo de ouro. Mesmo que a bolinha dourada estivesse quase que dançando próximo de seu cotovelo daquela vez. Era claro que ninguém iria perdoar um grande fora como aquele sendo como o esperado que a multidão riu e vaiou o apanhador.

Levou algum tempo mais para que Scrimgeour rastreasse o pomo e isso fez com que seu tempo voando para longe fosse bastante prejudicial o que acabou lhe fazendo com que levasse cerca de ao menos uns dez minutos.

E o rapaz voltou para o chão rangendo os dentes de frustação ao perceber que não fora um tempo bom o bastante. Ele olhou para Arthur lhe fuzilando com o olhar e sorrindo como se o estivesse desafiando a fazer melhor.

Arthur engoliu em seco e respirou fundo. Então abaixou meio que hesitante os óculos de proteção enquanto pousava sua vassoura no chão. Uma onda de tremor lhe percorreu os braços e pernas. Ele parecia prestes a desmaiar quando montou a sua velha vassoura.

_ Boa sorte! — gritou uma voz das arquibancadas.

Arthur se virou esperando ver Molly, mas era apenas Amélia Bones sentada entre o irmão e Ted. Ele teria gostado muito de tapar o rosto com as mãos como fez a garota pouco depois, mas achou que como apanhador devia demonstrar um pouco mais de coragem e preparou-se para fazer o seu melhor durante o teste. Ele desviou o olhar para Molly que o fitava de longe e sorriu para ela mesmo que a garota não pudesse vê-lo.

Arthur então subiu aos céus. E como pode ver não precisava ter se preocupado: no primeiro pomo levara cerca de três minutos e no segundo levara cerca de cinco então veio o último que surpreendentemente o rapaz conseguiu capturar em quatro minutos e meio. Feliz com seu desempenho olhou para baixo para encontrar o olhar orgulhoso de seu irmão que lhe dera um positivo com o polegar.

Billius estava contendo a custo para não fazer coro aos gritos da multidão. Ele então se voltou para Scrimgeour para lhe comunicar que infelizmente Arthur o vencera. Só que quando o ruivo mais velho se virara para falar com o rapaz acabou por se deparar com a cara vermelha do ex-apanhador do time a centímetros da sua. Recuou rápido.

_ Você facilitou para ele — disse Scrimgeour em tom de ameaça. Havia uma veia latejando em sua têmpora — Pegou leve só porque ele é o seu irmão – ele levantara o indicador e começara a apontar para o peito do capitão para onde estava o distintivo – quando recebeu essa coisa pensei que fosse porque era um bom jogador e justo o bastante para liderar um time só que aparentemente estava errado.

_ Eu sou um bom capitão e sei o que é melhor para o meu time – falou Billius friamente – E tudo o que diz é uma besteira tremenda até porque... Como afinal eu poderia facilitar as coisas para o Arthur? Eu não controlo o pomo de ouro.

_ Não, mas você tem isso aqui – respondeu Scrimgeour pegando o cronometro das mãos do ruivo – o que me garante que você foi honesto na hora de mexer com essa coisa? E se você simplesmente apertou esse negocio para contar o tempo só depois que ele estava já à procura do pomo. O terceiro foi muito fácil para ele o encontrar não acha? E bem rápido também.

_ Besteira — replicou Billius friamente. — Esse foi o que quase o eliminou — Scrimgeour chegou mais perto do ruivo que desta vez enfrentou-o.

_ Me dá outra chance – exigiu Scrimgeour.

_ Não, você teve a sua chance – respondeu Billius mostrando a prancheta que havia em sua mão – Capturou o pomo em quatorze minutos e o Arthur fez isso em doze minutos e meio. Arthur é o novo apanhador e ele conquistou o lugar honestamente.

_ E o primeiro teste? – questionou Scrimgeour — Você não irá conta-lo como parte do resultado? Aquela captura dele é uma piada e o seu irmão nem deveria ter aceito por ela afinal o Jordan que realmente pegou o pomo de ouro.

_ Com o cabelo dele? Por favor, não seja ridículo... – disse Billius debochado – Admita Nerus já era para você e não há mais volta. Temos um novo apanhador e não mudarei minha decisão. Agora saia da minha frente.

Arthur pensou por um momento que o rapaz fosse lhe dar um soco em Billius. Porém Scrimgeour se contentou em fazer uma careta e se afastou estando enfurecido e aparentemente vociferando ameaças para o ar. Quando Billius se virou foi que encontrou a nova equipe sorrindo para ele.


_ Parabéns — disse Billius rouco — Vocês voaram realmente bem... Que tal uma cerveja amanteigada? Eu tenho um engradado no vestiário para ocasiões especiais e acho que esse novo time merece isso – e o grupo de alunos começou a se caminhar em direção dos vestiários.

_ Acho que agora somos colegas de time – falou Arthur.

_ E você vai ficar bem com isso? – perguntou Billius.

_ Acho que sim – respondeu Arthur – nunca pensei que fosse ser parte de algo enquanto estivesse em Hogwarts.

_ É melhor se acostumar com eu mandando em você – falou Billius – sou seu capitão agora.

_ Não é como se você não tivesse mandado em mim antes – respondeu Arthur – apenas agora é que eu vou ter que obedecer sem discutir – e o mais velho riu.

— Você foi genial, Arthur – falou Billius quando os dois estavam sozinhos – tenho que admitir que estava preocupado quando soube que você iria fazer o teste porque não imaginava que fosse assim tão bom – ele riu – o que te fez se inscrever afinal?

_ Bem... – disse Arthur então desviando o olhar do irmão.

Arthur olhava novamente para as arquibancadas que se esvaziavam agora. Molly e suas amigas já haviam desaparecido dali e o que fez certa parte do seu orgulho da boa atuação que tivera se fosse.

...

Durante o jantar os irmãos estavam sentados juntos a mesa da grifinoria ao lado do restante do time e de alguns amigos os rodeando. Arthur parecia muito para baixo para alguém que havia conquistado uma das posições mais cobiçadas no quadribol.

O terceiranista estava com uma expressão vazia no rosto como se não tivesse nada naquela vida que pudesse lhe fazer ter um sorriso novamente. Sendo que ao seu lado Billius parecia extremamente radiante bastante falador e extrovertido apesar de que aquele poderia ter sido o álcool que havia bebido a algum tempo falando. O capitão parecia até mais alto do que o normalmente ao se virar sorrindo para a equipe e os amigos.

...

Arthur e Billius se despediram dos seus amigos de outras casas e se dirigiram ao salão comunal de sua casa com o restante do time. Depois de marcar o primeiro treino para a quinta-feira seguinte foi que deram boa noite indo cada um para seus dormitórios.

Permaneceram apenas os dois ruivos que tomaram um lugar próximo a lareira para uma partida de snap explosivo que Billius havia proposto já estavam muito acesos para dormir. Arthur aceitara afinal não estava com sono e além do mais Molly estava ali ao lado de algumas amigas parecendo tricotar algo e conversando sem parecer nota-los.

Quando percebera que ela virara os olhos na direção dele foi que o rapaz desviou o olhar. Ele encarou as janelas por onde a lua cheia parecia tentar romper caminho através das nuvens. E também havia se iniciado um chuvisco em que as gotículas escorriam pelo vidro.

Algum tempo se passou enquanto eles jogavam e aos poucos as garotas foram saindo do salão comunal e subindo as escadas em direção ao dormitório até que permanecessem apenas Molly e os dois rapazes ali. Arthur sentia alguma fome por não ter comido muita coisa durante o jantar. Talvez por perceber isso que Billius lhe estendera umas varinhas de alcaçuz que tinha no bolso.


— Pensei que ia perder de capturar aquele último pomo — comentou Billius contente — Foi uma captura esperta aquela sua até sua vassoura fez aquela curva com um ligeiro efeito...

_ Só que acho que aquilo foi pela idade – respondeu Arthur se referindo a sua vassoura – é um modelo muito antigo – e rasgou um pedaço de alcaçuz com o dente.

_ Alias precisamos comprar uma vassoura nova para você – falou Billius.

_ Não quero uma nova – disse Arthur – são muito caras e não quero dar despesas ainda mais para os nossos pais – o mais velho pareceu pensar sobre aquela decisão e percebeu que o irmão tinha razão.

_ Tio Percy pode ajudar com isso – respondeu Billius.

_ Papai vai te matar se mandar uma carta para ele pedindo que me dê uma vassoura nova – disse Arthur e o ruivo mais velho deu de ombros – É sério, não faça...

_ Eu não irei pedir – respondeu Billius — Está bem? Acho que ainda temos minha vassoura antiga no armário lá em casa então podemos escrever para a mãe e pedir que ela nos mande.

_ Melhor assim – falou Arthur.

_ Você mandou bem numa vassoura dessas aqui da escola imagina o que pode fazer numa melhorzinha? – disse Billius se deitando no tapete.

_ Para, não sou assim tão bom – falou Arthur abaixando suas cartas para olhar para o irmão – Eu só dei sorte – o mais velho o encarou erguendo a sobrancelha.

_ Não foi sorte que você teve – disse Billius – Aquilo foi talento e mesmo que não acredite Artie você foi magnífico sobre aquela vassoura — e jogou uma das cartas que explodiram.

_ Fui melhor que o Scrimgeour — disse Arthur parecendo ainda surpreso — quero dizer ele foi apanhador durante três anos e era mais experiente do que eu e mesmo assim...

_ Precisávamos de uma renovada no time e foi por isso que decidi dar essa repaginada completa porque o que a grifinoria precisava era de sangue novo – respondeu Billius – E sobre o Scrimgeour foi até bom que saísse do time porque já estava ficando muito metido – o rapaz se apoiou nos cotovelos para encarar o irmão — Você o viu saindo na direção oposta na terceira vez? O pomo estava ali dançando na frente dele e o cara nem notou. Parecia que tinha sido confundido...


Para surpresa de Arthur, ele pode escutar um som vindo da direção em que Molly estava sentada com seu tricô. Ao que parecia ela havia se distraído com suas agulhas e furado um dos dedos que agora estava em sua boca. Arthur e Molly se olharam sendo que ela ficou muito vermelha ao perceber isso. A ruiva se levantara então e pegara suas coisas para seguir até as escadas rapidamente tentando evitar olhá-lo.

Billius não notou tudo aquilo porque estava ocupado demais descrevendo carinhosamente cada uma das penalidades em detalhe. Eles iriam passar o restante da noite falando sobre os testes de quadribol daquele dia antes de finalmente cada um seguir para seus devidos dormitórios.

Notas finais
Então, alguma ideia sobre uma pequena mensagem oculta que eu tenha tentado passar para vocês? Sei lá sobre a real participação da Molly aqui que pode ter sido pequena mesmo assim foi fundamental. Gostaram do capitulo? Comentem porque isso faz muito bem para o autor em ter esse retorno. Obrigado as pessoas que comentaram no capitulo anterior e até mais.