Molly & Arthur
8 Indo as compras
Notas iniciais
30 de Julho de 1963
Arthur passava as férias na casa de seu Tio Percy ao lado do restante da família. Ele visitava aquele lugar desde uma tenra idade que nem ao menos se lembrava da primeira vez afinal aquele lugar tinha uma longa historia, pois ali fora o berço da família desde o principio dizia seu pai.
Septimus e seus nove irmãos haviam nascido naquele lugar e olhando para a casinha meio torta de sete andares era possível para Arthur imaginar o que aquele lugar havia visto desde que fora erguido. Seu pai e tios chamavam aquele lugar carinhosamente de A Toca tendo inclusive uma placa na entrada da propriedade que havia sido escrita por Septimus como um dia ele falara saudoso ao encara-la.
Após cada um deles ter seguido seu caminho restou ao único que preferiu continuar ali ao lado dos pais para lhes auxiliar na velhice. Com a morte dos avós Weasley, a casa passou a pertencer ao Tio Percy que nunca se casara e nem tivera filhos o que explicava porque ele parecia radiante naqueles dias em que a família do irmão viera visita-lo.
A vida n’A Toca era a mais diferente possível porque ali não era como a casa de sua família porque parecia que sem ninguém por perto o Tio Percy não se importava muito em manter a ordem e organização. Cedrella gostava de brincar dizendo que aquilo era falta de ter uma mulher em casa afinal deveria ser um dos males daquela família a desorganização já que se dependesse dos filhos e do marido dela a casa deles se encontraria em um estado pior.
Percy havia usado o dinheiro de sua aposentadoria do ministério parte para investir em negócios e outra para viajar pelo mundo e conhece-lo melhor de modo que em sua residência eram era cheia de coisas estranhas e inesperadas (pelo que se falava eram suas pequenas lembranças dos lugares que conhecera).
Ele passara suas férias lendo artigos de jornais trouxas pela manhã, o que fora uma maravilhosa surpresa já que em meses anteriores seu tio havia feito à assinatura de modo que diariamente pela manhã recebia um novo exemplar. Arthur ficara muito interessado no processo de entrega porque no lugar de uma coruja quem a fazia era um garoto que usava um curioso meio de transporte de duas rodas.
Ele também passara alguns dias ajudando Billius que treinava para os jogos de quadribol do próximo ano, aproveitando a oportunidade que era tem um lugar escondido como era aquele campo improvisado cercado pelo pomar. Eles não tinham a permissão dos pais para fazer isto em casa já que no lugar onde moravam era arriscado voar sem serem vistos por seus vizinhos trouxas.
Arthur também fora útil quando em uma das conversas entre seus pais e tio, Cedrella sugeriu que os rapazes poderiam cuidar dos jardins e o caçula aceitou imediatamente. Já Billius pareceu resmungar não mostrando qualquer interesse que imediatamente mudou com um olhar da mãe.
Percy não tinha tempo nem condicionamento físico para manter o lugar livre da infestação de gnomos que amavam aquele jardim que chamavam de lar. Então lá foram os dois irmãos para os jardins vestindo suas vestes mais surradas para evitar sujarem as outras em um estado pouco melhor.
_ isso não vai adiantar nada – reclamava Billius quando ambos já se encontravam no centro do jardim com tudo preparado para iniciar o procedimento – queria que o SJ estivesse aqui com a gente porque da ultima vez que a mamãe ofereceu nossos serviços de jardinagem o nosso adorável irmão acabou tendo graves problemas.
_ com o que? – perguntou Arthur que não lembrava-se porque não havia participado por ser muito novo.
_ foi mordido por um gnomo – riu Billius – foi engraçado o modo como ele gritou e depois queria que fosse levado ao St. Mungus porque achava que ia perder o dedo.
_ estava tão sério assim? – perguntou Arthur rindo.
_ não, ele apenas perdeu um pouco de sangue e inchou um pouco algo que logo foi resolvido pela mamãe – falou Billius – como você não pode se lembrar disto? O SJ ainda tem as marcas da mordida no indicador pode reparar que você vai ver apesar de serem bem leves.
_ então quando vamos começar? – questionou Arthur.
_ claro – disse Billius – lembre-se do que eu expliquei do nosso plano – o mais novo assentiu — eu os atraio e você entra em ação para captura-los.
_ eu me lembro – falou Arthur revirando os olhos.
Então começou o procedimento que consistia em Billius batendo numa panela velha de latão que produziu um ruído estridente que chamou a atenção dos gnomos que começaram a aparecer.
Arthur então avançou sobre as criaturinhas tentando ser rápido pegando uma delas pelo tornozelo e como seu irmão gostou de lembra-lo era para gira-lo e arremessa-lo por sobre o muro baixo.
Os giros podiam deixar Arthur tonto, porém faziam pior com o gnomo, o fazendo ficar desorientado. A desorientação combinado com o arremesso fazia com que o gnomo não encontrasse o caminho de volta pelo menos era esta a teoria da desgnomização.
O primeiro que Arthur mandara longe, mas fez com que o garoto em seu estado de tontura principiante caísse no chão. Porém logo se recuperou e foi pegando a pratica com Billius também demonstrando que ele estava fazendo errado e no lugar de girar todo seu corpo deveria fazer simplesmente com o braço.
Após ter feito barulho suficiente para atrai-los, o mais velho se juntou ao irmão e ambos iniciaram uma espécie de competição que consistia em quantos gnomos conseguiam mandar para fora do jardim.
E assim a tarde se foi com Billius vencendo a competição porque não poderia ser algo justo já que o mais velho era naturalmente mais forte e não precisava girar tanto o braço para arremessar fazendo às vezes um lance duplo pegando em cada uma das mãos gnomos. Arthur, no entanto ganhara ponto extra por sem querer acertar SJ com um gnomo bem na cabeça depois que ele havia acabado de aparatar do lado de fora da casa após retornar de um dia estressante no ministério.
Logo o jardim estava sem nenhum daqueles serzinhos o infestando. Arthur e Billius se sentaram cansados na grama que outro dia SJ haveria de usar magia para cortar. Cedrella viera trazer um suco de abobora para os filhos como uma recompensa e os elogiando pelo trabalho bem feito.
Arthur se levantara então ao lado do irmão para entrar em casa e cada um subiu para seus devidos quartos. Ao passar por um deles pode ouvir um dos quadros lhe repreender.
_ tire estas vestes imundas e esfarrapadas e vá tomar um banho para ver se fica apresentável – aconselhou o quadro preso numa das paredes próximas de seu quarto nele havia uma senhora de óculos e cabelos grisalhos com um chapéu de bruxa na cabeça.
_ tudo bem, eu já ia fazer isto vovó não se preocupe – disse Arthur entrando em seu quarto então com a porta fechada começou a se despir das roupas.
Após o banho o ruivo entrara novamente no lugar sendo surpreendido por uma coruja que se encontrava na janela. Ele a reconheceu como a que pertencia a família de Molly e nem ao menos trocara de roupa apenas se aproximou da ave e desamarrou de sua pata a carta de sua amiga de escola.
“30 de Outubro de 1963
Oi Arthur,
Como estão sendo suas férias?
As minhas estão boas vim para a casa de minha Tia Tessie que fica no litoral. Fazia tempo que não visitávamos este lugar e eu e meus irmãos temos nos divertido bastante na praia sendo que este mar é simplesmente incrível.
Não cheguei a entrar nele como os gêmeos fizeram, mas eu fiquei na areia lendo e os observando se divertir além é claro de lhe estar escrevendo estar carta do meu lugarzinho especial que é minha cadeira de praia.
E este lugar realmente faz milagres por que dá para acreditar que eu vi meu pai sorrir? Céus, fazia séculos que não o via sorrir de verdade que poderia até ter me esquecido de como era. Enfim, as coisas estão boas por aqui e eu me tornei bem próxima da minha Tia Tessie porque eu a tenho ajudado a cuidar da Alice, este é o nome da minha prima que é a garotinha mais adorável do mundo.
Estamos retornando para Londres esta noite porque papai tem que voltar ao trabalho e também porque temos que fazer as compras escolares. Aliás, esta havendo uma demora com a entrega das cartas não acha?
Enfim, estive pensando que nós dois poderíamos nos encontrar para ir ao Beco Diagonal para as compras. Não sei se vai ser possível, mas caso seja eu irei fazer as compras no mesmo dia que chegar a carta de Hogwarts.
Espero pela sua resposta, sendo que eu adoraria que você fosse para que pudéssemos nos ver fora da escola um pouco.
Beijos,
Molly.
Arthur sorriu ao final da carta a deixando ali na escrivaninha de seu quarto enquanto ia vestir um conjunto de vestes limpas. Porém, constantemente seu olhar se voltava para encarar o papel que da cama onde estava sentado era possível ver a letra de Molly e ler alguns trechos do que estava escrito.
Vestido corretamente foi que se sentou e respondeu a carta da ruiva a amarrando na pata da coruja que aguardava pacientemente e após ter a resposta, a ave partiu rumo ao seu lar mais uma vez.
Arthur teve seu jantar aquela noite ao lado da família na mesa da cozinha. Seu Tio Percy não se cansava de elogiar Cedrella pelo estupendo jantar e falando o quanto seu irmão mais novo dera sorte em encontra-la. Septimus ao ver o modo como a esposa parecia ficar sem graça com os elogios, alertou o irmão brincando para que parasse do contrario acabaria tendo um duelo ali entre os dois ruivos.
Billius e Arthur falavam sobre vir passar as férias de natal por ali o que era incentivado pelo tio que adorava ter a família por perto. SJ comera no quarto porque parecia ter trabalho do ministério para realizar em casa.
Depois do jantar eles ficaram mais um tempo na sala onde Percy servira conhaque nas taças para os adultos enquanto Arthur e seu irmão tiveram de se contentar com alguns chocolates da caixa especial que o tio havia trazido da Suíça.
Arthur jogara xadrez de bruxo com o pai e ganhara algumas vezes mesmo que estivesse começando a pensar que Septimus facilitava para ele durante alguns movimentos ao deixar brechas para que o filho pudesse ganhar.
Os dois adolescentes foram para as camas quando a mãe os alertou que já estava tarde demais para que permanecessem acordados. Arthur ficara em sua cama acordado por não conseguir dormir devido aos ruídos misteriosos vindos do sótão que havia persistido desde o primeiro dia que haviam chegado ali.
Fazendo que o garoto gastasse suas madrugadas fazendo os deveres que os professores haviam passado para as férias até que o sono viesse. E foi assim que ao terminar uma dissertação sobre antídotos para venenos que o professor Slughorn havia pedido para sua turma.
...
31 de Julho de 1963
Arthur naquela manhã recebera finalmente noticias de Hogwarts sendo que já fazia uma semana em que chegara a casa do tio. Ele e Billius desciam os lances de escadas com os pijamas amarrotados e cabelos desalinhados rumo à cozinha para tomar o café da manhã.
Encontraram com os pais e o tio que estavam sentados a mesa da cozinha. Assim que entraram pela passagem da porta, Cedrella colocou na frente de cada um deles uma tigela de mingau que foi aceita pelos filhos que agradeceram e cada um dos rapazes deu um beijo na mãe como agradecimento.
— Cartas da escola — disse Septimus passando aos filhos envelopes idênticos de pergaminho amarelado, endereçados com tinta verde — podem abrir agora se quiserem.
Arthur e Billius abriram os seus envelopes e alguns minutos houve silêncio enquanto todos liam as cartas. O caçula pode ver o olhar de seus pais sobre o filho do meio como se esperassem alguma reação por parte dele que não veio que ainda lia com a face sonolenta o que estava escrito.
_ Bom dia — disse SJ entrando na cozinha já devidamente vestido com uma de suas vestes caras de trabalho que lhe custara uma boa parte do primeiro salário — Como está minha adorável família neste tão afortunado dia?
_ alguém viu a corujinha verde hoje foi? – brincou tio Percy quando o sobrinho se servia de café puro e torradas ao seu lado porem não se sentando – nunca vi ninguém tão feliz por estar indo trabalhar num pleno sábado, alias não seria a sua folga?
_ vou trabalhar só meio expediente depois estou livre – respondeu SJ então notando as correspondências nas mãos dos irmãos – cartas de Hogwarts? – Arthur assentiu positivamente – vieram seus resultados dos N.O.Ms Bill?
_ sim, esta aqui quer ver? – disse Billius numa face que não demonstrasse orgulho nenhum ao que a mãe pegou o pergaminho que o filho estendia.
_ oh, filho... – falou Cedrella numa voz compadecida — não fique assim sei que você fez seu melhor não importa se... – ela começou a ler o que estava ali então se voltando para o filho – você conseguiu 7 N.O.Ms qual o motivo para esta cara? – o rapaz começou a sorrir e rir levemente enquanto mexia em seu mingau.
_ seu moleque nos fez pensar que havia ido mal – riu Septimus ao entender a pegadinha do filho – parabéns Bill, estamos muito orgulhosos de você – ele então desarrumara ainda mais os cabelos do rapaz com um cafuné.
_ sério? Pensei que estivessem esperando onze como foi o caso do nosso SJ – brincou Billius fazendo o irmão mais velho sorrir enquanto tomava seu café na caneca então desviando o olhar para o mais novo – e quanto a você Artie?
A de Arthur mandava-o tomar o Expresso de Hogwarts como sempre na estação de King’s Cross, no dia 1º de setembro. Trazia também uma lista dos novos livros que ia precisar para o próximo ano letivo. A surpresa, no entanto veio quando ele viu ali um trecho especial que não viera nos últimos dois anos.
“Os alunos de terceiro ano têm permissão para visitar a aldeia de Hogsmeade em determinados fins de semana. Assim, queira entregar a autorização anexa ao seu pai ou guardião para que a assine.”
Como ele pudera esquecer? Arthur estivera tão distraído que nem ao menos se lembrara de que os naquele ano poderia visitar o vilarejo próximo. Arthur tirou do envelope o formulário de autorização para ir a Hogsmeade e leu-o então o estendeu para o pai que sorriu.
_ parece que foi ainda ontem que estávamos embarcando você para Hogwarts agora vemos o quanto o tempo passou rápido – falou Cedrella com as mãos sobre os ombros do marido e lendo o formulário – vou pegar uma pena para podermos assinar isto.
_ agora nós dois poderemos tomar umas cervejas amanteigadas juntos – falou Billius – quero ser eu a pagar sua primeira para manter a tradição Weasley.
Arthur estava feliz com poder visitar o feriado, mas também não podia deixar de sorrir por ter recebido a carta e se lembrar de que ele iria encontrar com Molly no Beco Diagonal para comprar os materiais escolares.
O rapaz então se lembrou de que não havia falado aos pais sobre o que havia combinado com Molly e se voltou para a mãe que o servia com um copo de leite vindo de uma jarra.
_ mãe, eu ontem recebi uma carta de uma amiga da escola – falou Arthur enquanto via o pai já lhe estender o formulário de visita a Hogsmeade preenchido – Ela me falou que estava pretendendo ir ao Beco Diagonal no mesmo dia em que a carta chegasse, será que poderíamos ir hoje? É que ela me escreveu que gostaria que eu a acompanhasse.
_ esta amiga por acaso é a Molly? – sorriu Billius enquanto apontava a colher de mingau para o irmão mais novo ao que o rapaz simplesmente ignorou fazendo-o alargar o sorriso ainda mais – é ela.
_ sim, é ela – respondeu Arthur depois de algum tempo então acertando os óculos no nariz e se voltando para os pais – então, será que podemos?
_ Bom, acredito que sim – disse Cedrella olhando para o marido que assentiu.
_ De acordo, podemos ir comprar todo o material de vocês também – respondeu Septimus que se levantou começando a tirar a mesa – algum de vocês tinha algo de importante planejado para hoje?
_ apenas treino de quadribol – falou Billius para o pai que se encaminhava em direção a pia da cozinha — mas nós podemos remarcar.
_ bem família, eu tenho que ir – falou SJ se despedindo da mãe com um beijo na bochecha e dos outros com acenos de cabeça rápidos – nos vemos quando eu voltar para casa de tarde – ele pegara uma maleta que havia em um dos cantos da porta e deu uma ultima olhada para eles sorridente — boas compras para vocês – e desaparatou.
_ há algo de muito estranho nele – apontou Billius com a face franzida – ninguém esta estupidamente feliz assim logo de manhã.
_ pare de implicar com seu irmão – repreendeu Cedrella – ele deve ter tido apenas uma boa noite de sono – ela tirava a mesa então os filhos começaram a ajuda-la.
_ boa noite de sono? Nesta casa? — riu Billius ao que foi respondido com um olhar sério dos pais — Por favor, mamãe esta casa tem tantos ruídos noturnos que é impossível que alguém tenha uma noite totalmente boa.
_ Billius Weasley não seja mal agradecido – repreendeu Septimus – seu tio esta sendo um bom anfitrião não diga estas coisas a respeito desta casa ainda mais sendo que foi aqui onde nasci e fui criado.
_ não se zangue com o garoto Sept, é compreensível isto – riu Percy pousando o jornal que lia sobre a mesa — afinal esqueci-me de avisa-los sobre os ruídos já que faz algum tempo que eles ocorrem então eu estou acostumado com eles.
_ o que são estes ruídos Tio Percy? – perguntou Arthur.
_ vem do meu Ghoul – sorriu Percy bebendo seu café – esta no sótão, é bem velho já e inofensivo se quer saber bem mais do que qualquer um que já vi por ai seu único defeito é que não gosta de silêncio e costuma bater nos canos quando sente tudo muito quieto.
_ só pode estar de brincadeira – falou Arthur não acreditando.
_ é verdade Artie – riu Percy da cara do sobrinho — eu o trouxe de uma viagem que fiz à Armênia porque meio que me simpatizei com ele talvez se seu pai deixar possa te mostra-lo mais tarde.
_ isto até eu quero ver – falou Billius.
_ só mesmo você Perce – riu Septimus — para criar um Ghoul como bichinho de estimação – os irmãos riram como se aquilo fosse uma espécie de piada interna entre eles.
Enquanto Arthur pedia licença para se retirar podendo subir novamente para o quarto e escrever a Molly lhe dizendo que iriam depois do almoço.
...
Depois do almoço em que comeram ensopado de carne com batatas, Cedrella mandou os filhos para os quartos para que apressassem em mudar as vestes por outras. Arthur e Billius vestiam os casacos enquanto desciam os degraus para encontrar os pais com o tio parados enfrente a lareira.
_ acredite meu irmão – falou Percy se aproximando da lareira e tirando de um lugar sobre ela uma lata de cobre – é uma das melhores experiências que você irá ter.
_ tem certeza de que isto é realmente seguro Perce? – questionou Septimus.
_ e eu já lhe enganei por acaso? E outra, eu já fiz isto várias vezes – disse Percy destampando a lata – estou com um estoque baixo, mas irá dar, viram? Eu realmente vou ter que ir com vocês.
_ o que é isto, tio? – falou Arthur curioso.
_ pó de flu – respondeu Percy – eu mandei instalar a minha lareira a rede alguns meses atrás, é a melhor coisa que já foi criada para transportes e tudo de que precisamos esta aqui nesta lata.
_ parece ser caro isto – disse Cedrella – quer mesmo gastar o restante que tem com a gente? – o homem riu da pergunta da cunhada antes estender um bocado de pó e joga-lo nas chamas que ficaram verdes esmeralda.
_ quem quer ser o primeiro? – perguntou Percy e dando de ombros ele se aproximou da lareira e as chamas ficharam mais altas que ele assim como a lareira pareceu se alargar – pode entrar e diga Beco Diagonal com bastante clareza.
O rapaz o fez e as chamas o cobriram então num momento ele não estava mais ali. Percy olhou para os familiares com os braços estendidos como se quisesse dizer que não havia perigo algum.
_ estas belezinhas estarão daqui alguns anos em todas as residências bruxas – disse Percy – pode anotar o que digo que serão raros os bruxos que não tem tanto quanto os que hoje a possuem.
_ impressionante – falou Arthur.
_ sua vez Artie – disse Percy estendendo o pote ao qual ele pegou um bom bocado — Você precisa falar bem claro e se certifique se está saindo na grade correta...
_ Na o quê correta? — perguntou Arthur enquanto jogava o pó nas chamas as vendo tomarem o mesmo aspecto esverdeado.
_ há um número considerável de lareiras, bem baixo ainda é claro, mas se você não falar com muita clareza pode acabar caindo em outra grade que não a desejada e isto não é lá muito legal de acontecer – disse Percy.
_ eu não vou errar tio, não se preocupe — disse Arthur – mais alguma coisa que deveria saber?
_ E mantenha os cotovelos colados ao corpo — aconselhou Percy.
_ E os seus olhos devem estar bem fechados – disse Cedrella então foi encarada pelo cunhado – acho que a fuligem pode irritar seus olhos.
_ é um bom conselho – falou Percy então se voltando para o sobrinho – e não se mexa porque isto pode acabar resultando que você caia na lareira errada, só tente não entrar em pânico porque isto pode acabar fazendo que você saia antes da hora. Espere até que possa ver seu irmão do outro lado.
Depois destes conselhos todos foi que Arthur finalmente entrou na lareira e para sua surpresa tudo que sentira fora cocegas das chamas que não lhe faziam qualquer mal.
_ Beco Diagonal – falou Arthur.
A sensação de estar sendo sugado por um enorme tornado ou algo assim. Ele parecia estar girando muito rápido. O rugido em seus ouvidos era ensurdecedor como se ele estivesse em uma espécie de vácuo. E Arthur não se importou em manter os olhos fechados.
A sua chegada não fora delicada. Ele Caiu de cara no chão, em cima de uma pedra fria e sentiu os óculos saltarem de seu rosto e escutou o som de uma das lentes se partir.
Ele então saiu da lareira engatinhando e começou a tatear pelo chão em busca de seus óculos estando com a visão borrada àquela altura. Ele tossia um pouco pela fuligem então alguém lhe estendeu os óculos e ele os aceitou colocando-os no rosto.
Uma lente havia trincado realmente, mas daria para usar. Arthur então pode reconhecer a face de Molly a sua frente ajoelhada a cerca de trinta centímetros de onde estava.
O ruivo não pode deixar de se sentir tolo por estar daquele jeito na frente dela. Enquanto a garota se mostrava elegante em suas vestes bonitas que devia ter pouco uso, ele se encontrava ali com as suas roupas de segunda mão e todo coberto de fuligem.
Arthur se levantou desajeitado e estendera a mão para ajudar a garota a sua frente a fazer o mesmo. Então sorriu para ela enquanto acertava os óculos no rosto. Ele olhou ao redor e reconheceu o Caldeirão Furado e de um ponto afastado sentado em uma mesa se encontrava seu irmão que lhe cumprimentara com um aceno de cabeça.
_ você esta bem? – perguntou Molly e o rapaz respondeu assentindo positivamente e murmurando um sim – é que você tropeçou feio quando foi sair da lareira.
_ hum... Você viu isto? – questionou Arthur já se sentindo a pessoa mais tola de todas.
_ acho que todos viram – disse Molly e o rapaz resmungou desanimado.
_ bem, deve esta me achando um idiota agora não é mesmo? – riu Arthur já sentindo suas orelhas tomarem uma coloração vermelha o que fez a garota sorrir.
_ na verdade, é bastante comum para quem não está habituado a usar a rede de flu – falou Molly – da primeira vez que usei foi para ir à casa da minha tia Muriel, mas acabou que pronunciei o endereço errado e cai na lareira do vizinho dela.
_ isso me faz sentir-me melhor por ter simplesmente tropeçado – sorriu Arthur tentando conter o riso e a garota lhe deu um leve tapa no ombro apesar de ela mesmo estar rindo da situação.
_ céus, Cedrella não é espantoso como esta coisa funciona? – soou a voz de Septimus as costas de Arthur e o rapaz pode notar que o restante da família estava chegando – onde estão os nossos rapazes? Ah, ali está o Artie.
_ são seus pais? – perguntou Molly ao notar o casal se aproximando.
_ por Merlin, Arthur o que aconteceu com os seus óculos? – falou Cedrella para o filho assim que se aproximaram – oh, desculpe-me a grosseria – ela tinha notado a ruiva próxima dele – você deve ser a Molly, que maravilha finalmente poder conhecê-la.
_ igualmente Sra. Weasley – falou Molly sorrindo.
_ nós somos os pais do Arthur – falou Septimus sem muita necessidade já que era notável o parentesco entre ele e o filho – esta é minha mulher Cedrella e eu me chamo Septimus.
_ Molly Prewett – falou a ruiva aceitando a mão estendida pelo pai de Arthur – Sr. Weasley, é um prazer conhece-los.
_ viram? – falou uma voz soando atrás deles próximo da lareira que certamente era o Tio Percy pelo tom animado – eu lhe disse que não havia problemas para nos preocuparmos afinal todos chegaram aqui em segurança, certo que estamos um pouquinho sujos é claro, mas a culpa não é minha.
_ nós ainda temos que nos livrar desta fuligem toda – exclamou Cedrella – Arthur venha, eu vou ter que usar um feitiço para sugar toda esta sujeira das suas roupas e outro para poder consertar seus óculos.
Arthur olhou da mãe para Molly como se esperasse alguma reação da garota para o que Cedrella havia dito, talvez algum risinho ou sorriso. Como Arthur deveria ter esperado, ela se manteve completamente normal frequente aquela situação.
Com um aceno mudo a mãe de Arthur conseguira sugar toda a sujeira presente nas roupas para fora do filho diretamente para a ponta da varinha. Foi então que ela pegou os óculos e com uma leve batidinha os fizera ficar como novos então os colocando novamente no rosto do filho.
Então tirara da bolsa um pente e começara a tentar arrumar os cabelos ruivos do rapaz, Arthur se sentira novamente com o rosto e orelhas queimando. Já que ele via algumas pessoas lhe olhando e rindo porque mesmo tendo apenas treze anos o rapaz já havia ultrapassado a mãe em altura o que deixava tudo um pouco embaraçoso demais para ele.
A todo o momento Arthur olhava para ver se Molly o estava olhando, mas ao que parecia ela estava muito ocupada conversando com o pai e o tio do rapaz. Cedrella finalmente guardara o pente na bolsa novamente e olhara o filho para ver se havia feito um bom trabalho antes de dispensa-lo.
_ assim esta melhor – disse Cedrella – deveríamos ter feito uma aparatação acompanhada com vocês como geralmente fazemos. Isto não teria sido necessário – ela então percebeu o olhar do filho na garota – sua amiga é educada suficiente para não ter tido o trabalho de reparar além do mais mesmo que fizesse não creio que fosse mudar a interpretação que tem sobre você.
_ como pode ter certeza? – perguntou Arthur ao que a mãe deu de ombros.
_ eu sinto apenas – falou Cedrella – agora vamos querido.
Eles retornaram para próximo de Molly e dos dois homens que pareciam estar tendo uma conversa bem entrosada que nem notaram que eles tornaram a se aproximar. Billius também se aproximou ao notar que a família estava reunida ali.
_ Cedrella, sabia que o pai da Molly trabalha aqui no Beco Diagonal? – falou Septimus assim que a esposa se colocou ao seu lado.
_ oh, é mesmo? – perguntou Cedrella.
_ sim, tem sua própria loja por aqui – confirmou Molly — ele é um dos proprietários da Prince-Prewett então não pode acompanhar-me porque tem algum trabalho para fazer o que me fez querer saber se eu poderia ir às compras com vocês.
_ será muito bem vinda querida – afirmou Cedrella – que tal irmos agora do contrario logo todas as lojas estarão cheias.
Então todos eles começaram a sair sendo que quem visse a cena e não os conhecesse certamente pensaria que Molly fazia parte daquela família por conta dos cabelos ruivos que possuía e de algumas sardas que havia em seu rosto. Arthur e Molly ficaram para trás caminhando um ao lado do outro. Inicialmente em silêncio até que o rapaz o quebrou ao fazer uma pergunta.
_ então, o que achou deles? – perguntou Arthur.
_ eles são legais – disse Molly – sua mãe é adorável agora seu pai e tio são bem engraçados lembram um pouco você e o Billius.
_ você não vai falar nada sobre o que aconteceu ali com a minha mãe usando magia para você sabe... – começou Arthur ao que a garota negou com sorriso no canto dos lábios.
_ acredite, se ela não tivesse feito eu teria agido no lugar dela – disse Molly – você estava horrível era algo bem preciso para se fazer.
_ não esta falando sério – falou Arthur em um tom brincalhão.
_ na verdade, estou sim – disse Molly — eu costumo trazer uma esposa para espanar a fuligem de mim e dos meus irmãos quando nos usamos a rede de flu acredite eles conseguem ficar mais embaraçados do que você.
_ você não existe sabia? – sorriu Arthur fazendo a garota ficar sem jeito e suas bochechas ficarem meio rosadas pelo elogio espontâneo.
_ Obrigada – falou Molly e ambos continuaram seguindo a família e sem que percebesse a garota acabou por unir sua mão ao do rapaz enquanto ainda andavam.
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