Modern Magic - Interativa
3 Trigêmeos
Notas iniciais
– Tem certeza de que é aqui mesmo? – ela perguntou incerta. – Seu senso de orientação é tão bom quanto um GPS com defeito.
– Fleur, se eu estiver errado dessa vez, juro que te dou uma foto da minha bunda. – Dietrich respondeu. – A sua confiança cega em mim é inspiradora. – disse ironicamente.
– Pela minha saúde mental, espero que você esteja certo. – ela disse olhando a porta simples de metal do apartamento na frente do qual estavam parados. – Como entramos?
– Como? – ele disse sorrindo, obviamente com algo em mente. – Você ainda pergunta?
*
Macky ouviu-os antes de vê-los. A porta de seu apartamento havia sido posta abaixo sem dó nem piedade enquanto ela procurava algo comestível na cozinha.
– Você é idiota ou se faz, Dietrich? – ela ouviu uma voz feminina gritar. – Quer atrair os PatBots para cá, liga um sinalizador ao invés de derrubar a porta. – ela continuou falando em um tom alto, visivelmente indignada.
– Fala de mim mas está gritando. Sinto cheiro de hipocrisia? – um rapaz de voz grave e bonita respondeu meio rindo, meio brincando.
– Não, você fareja. Dietrich, você não é gente, é bicho. – a essa altura, Macky já se aproximava cuidadosamente, preparando-se para um combate. Quem quer que fossem os invasores, não sabiam ser discretos. Provavelmente mercenários, caçando-a por uma recompensa. Há alguns meses, o governo havia posto uma recompensa para os magos que lhes fossem entregues. A maioria dos caçadores de recompensas preferia pega-los vivos, já que recebiam mais dinheiro por isso. O que eles faziam com os que chegavam lá vivos ninguém sabia, mas eles preferiam não se dar ao luxo de tentar descobrir.
– Porra, então você também é, já que se você não se lembra, SOMOS TRIGÊMEOS. – ele falou exasperado.
Na sala de seu apartamento, dois loiros de cabelos platinados, como os dela, discutiam. Pelo que havia escutado da conversa, os dois eram gêmeos. A moça era um pouco menor do que o rapaz, mas apesar disso, ela ainda era uns vinte centímetros mais alta que ela. Macky não era pequena, sua estatura era mediana, os dois eram apenas mais altos do que o normal. Pelo que ouvira da conversa, o rapaz se chamava Dietrich. Ele devia ter algo em torno quase dois metros de altura e um porte atlético, cabelos bagunçados e olhos verde azulados estonteantes.
A moça, cujo nome não sabia, tinha os cabelos no mesmo tom dos do rapaz, loiros platinados, quase brancos, presos num coque. Usava um óculos de armação preta, o que era bem incomum naqueles tempos, mas ainda havia quem preferisse usa-los no lugar de lentes de contato ou fazer a cirurgia de correção de visão. Além disso, vestia um casaco preto, que destacava sua pele alva, e um par de coturnos.
– Grande merda. Dividimos o mesmo útero, não a mesma placenta. Aceite o fato de que você tem perda de capacidades cognitivas, ou que simplesmente sou mais inteligente do que você. – ela disse dando ombros, indo na direção aonde Macky estava.
– Em que galáxia isso tem relação com nossa discussão, sua babaca?
– Nada, mas nunca é demais passar na sua cara que meu cérebro funciona e não está atrofiado como o seu. – ela disse rindo, sem parar de andar. De onde a loira estava, já podia vê-la. Ela simplesmente parou de andar e encarou-a. – Mackenzie Havock, não? – ela perguntou com uma naturalidade que seria no mínimo assustadora para a maioria das pessoas. Macky encarou-a de volta e ergueu uma sobrancelha. – Aceito o seu silêncio como uma confirmação. Agora, sugiro irmos embora. – Fleur disse dando as costas para ela. – Dietrich?
– Eu sei, em média temos aproximadamente quatro minutos até a chegada deles. – ele respondeu revirando os olhos.
– Isso por que... – ela disse esperando que ele completasse a frase.
– Por que eu sou idiota e chamei atenção demais com aquele soco. Quer parar de bancar a irmã mais velha? Esse é o meu papel.
– Ambos sabemos que esse papel pertencia à outra pessoa, queridinho. – ela falou num tom sério, o qual fez com que ele se calasse. A simples menção àquele acontecimento mudava completamente o clima do ambiente.
– Certo florzinha, vamos embora agora. – ele falou saindo pela porta. Poucos segundos depois, colocou a cabeça pela porta. – Vocês vem? – perguntou para as duas loiras.
– Retardo mental ou falta de neurônios? – Macky perguntou sarcasticamente enquanto se encostava na parede cruzando os braços. – Eu não vou com vocês.
– Não acho que você tenha muita escolha. – ela disse levantando a barra do casaco e revelando um short jeans que usava por baixo, o qual ela também puxou. Na lateral de sua coxa, estava uma marca que todos pensavam ser uma lenda urbana, num encantador tom de âmbar. Os últimos resistentes. Fairy Tail. – Eu acho que entre vir conosco e parar de se esconder e ficar aqui para ser capturada, você deve preferir vir conosco.
– Então vocês não são apenas rumores dos desconfiados ou uma lenda urbana. – ela disse descruzando os braços e desencostando-se da parede. – Tá, eu vou com vocês. Se por acaso estiverem tentando me enganar, eu só preciso dar um jeito nos dois, o que não seria muito difícil.
– Convencida. – os irmãos cantarolaram juntos revirando os olhos sincronizadamente. – Você está pensando o mesmo que eu? – perguntaram juntos olhando um para o outro. – É, você está. – disseram ainda em uníssono. Eles ergueram os pulsos e ativaram um comunicador. – Erudon, faça as honras. – poucos segundos depois um portal se abriu atrás de Macky. Os loiros empurraram-na para dentro. Nos primeiros momentos, a confusão tomou conta dela, mas assim que se situou, viu-se no interior de um enorme prédio repleto por uma boa quantidade de pessoas. Eles riam e conversavam, apesar do ar militar que o lugar possuía.
– Mein haus ist dein haus, lieber. – o rapaz disse. – Não fomos formalmente apresentados. Dietrich Brachmann. Die, Di, Brachmann, amor... Atendo por qualquer um. – ele disse galanteadoramente.
– Que tal idiota? – a moça perguntou. – Serve muito bem para você. Fleur Belladonna. – ela disse. – Eu tenho certeza de que você escutou a parte em que eu comentei que somos trigêmeos. O donzelo do meu irmão é assim mesmo, ignore-o e ele se manca.
– Eu sou um donzelo, você é uma florzin... – ele acabou não tendo a oportunidade de completar a frase, já que acabou sendo socado no queixo pela irmã. – Gentileza gera gentileza, sabia? – ele perguntou com a mão no lugar onde ela havia o socado. Mackenzie observava os dois com certa curiosidade. Não pareciam ser más pessoas.
– Quer brigar? – Fleur perguntou.
– Cai dentro sua anã. – ele respondeu. Ela tirou o casaco por cima da cabeça e ele cruzou os braços. – E essas roupas mocinha?
– Você não vai bancar o irmão super protetor. – ela falou revirando os olhos. – Eu visto o que eu quiser, e você não tem poder algum sobre isso.
– Ah, então eu vou começar a andar de cueca por ai. Ou melhor, sem ela.
– Boa sorte com a hipotermia. – ela disse rindo e dando as costas para ele. – Você, vem comigo. – ela disse para Macky. – Temporariamente, você fica com a gente. Caso você tenha algo contra isso, pode sempre reclamar com o velho.
– E onde eu vou dormir, sua brilhante idiota? – o rapaz perguntou indignado.
– Ouvi dizer que dormir no chão faz bem para a coluna. – Macky riu olhando para ele por cima do ombro, com um tom levemente ácido.
– Depois dessa, ela merece dormir na sua cama. – Fleur riu. – Você podia muito bem ser uma irmã perdida nossa. Qual a sua idade mesmo?
– Uma década somada à meia dúzia e uma translação completa. – ela disse sem rodeios.
– Uma dúzia e meia mais um. – ela disse rindo. – Somos apenas dois anos mais velhos. Acho que eu e você vamos nos dar bem. – o comentário fez as duas loiras rirem e o rapaz lamentar enquanto elas se afastavam.
– Ótimo, Dietrich, mais uma louca pra te torturar. – ele disse para si mesmo. – Eu cavei minha própria cova e não sabia disso.
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