Modern Magic - Interativa
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Talvez, dentre todos ali, Connor fosse o único capaz de compreender a gravidade real da situação. A mente brilhante escondida atrás da expressão sonolenta e entediada trabalhava a mil por hora calculando as possibilidades, avaliando os riscos, os prós e contras. Ele havia se transportado para um ponto alto de onde poderia observar a luta e ao mesmo tempo fugir dela. Ele não era um lutador, não que não o soubesse fazer ou que não fosse bom, apenas não gostava de fazê-lo. De vista geral, já havia três mortos e cinco incapacitados. Dos cinco, quatro haviam sido atropelados pelo tenente Hellscythe, o que plantara uma inquietação em sua mente. Havia algo profundamente errado naquela situação. Ele nunca havia conversado muito com o mesmo, mas seu amigo, Adam, era quase irmão daquele cara, e o que ele fazia ali contradizia tudo que Connor já havia escutado sobre ele.
Jinai, vulgo Anjinho ou Jin, estava sobrevoando a área, aparentemente tão desinteressado na luta quanto Connor. O ruivo fez um sinal discreto para que ele se aproximasse.
– Jin, preciso que faça algo para mim.
Agora Adam entendia por que mandaram ficar longe de Josh no combate. O cara mais parecia o maníaco do martelo do que aquele rapaz gentil e brincalhão que ele conhecia. Ele deixara três soldados incapacitados de com um único golpe, e aparentemente estava prestes a subjugá-los quando Adam percebeu a aproximação de um outro com uma faca que cintilava ameaçadoramente. Tomado pelo impulso de salva-lo, Adam correu, mas antes que ele chegasse ao homem, a faca desapareceu da mão dele. Sumiu, simplesmente sumiu.
– Ah, então o amiguinho também quer participar da festa? – perguntou Josh, ainda de costas num tom de voz que com certeza não era normal. Ele falou de uma maneira tão perigosa que Adam parou antes de chegar muito perto. – Crianças não devem brincar com facas, e muito menos tentar esfaquear o seu anfitrião.
– Mas o quê raios...
– Seu brinquedo? Você quer isso aqui? – perguntou ele, com a faca que o homem segurara a alguns segundos atrás na mão livre.
– Como isso foi parar ai? – perguntou o homem, absolutamente surpreso.
– Eu poderia explicar para você, mas infelizmente hoje eu estou sem tempo para explicar coisas simples para idiotas de intelecto inferior como você. – ele disse sorrindo de uma maneira gentilmente ameaçadora. Ele falava como se estivesse oferecendo um doce para uma criança. – Vermes como você devem desaparecer. – facas semelhantes a que ele segurava surgiram nos crânios, olhos e pescoços dos três soldados incapacitados. Não foram enfiadas ou arremessadas, simplesmente apareceram como se nunca houvessem saído dali.
– M-monstro...
– Do que você me chamou? – perguntou Josh, virando-se para o homem.
– Monstro. – o homem de uniforme branco falou com uma coragem tirada sei lá de onde.
– Seria uma pena se você nunca tivesse existido não é mesmo? – ele perguntou, com o mesmo tom de voz estranho. Parecia uma criança ameaçando alguém de morte de uma maneira fofinha, era assustador. O homem caiu mole no chão, sem que ele precisasse encostar um dedo sequer nele. Adam ficou perplexo, o que quer que estivesse acontecendo ali, aquele não era seu amigo, seu irmão Josh.
Jin, que havia assistido toda a cena, voltou ao encontro de Connor, e relatou tudo a ele.
– Mockingbird. – ele disse com os dentes cerrados.
– Você não estaria falando do maníaco que fez uma chacina durante uma fuga de um presídio classe II há dez anos não é? – perguntou Jin nervosamente.
– Infelizmente sim. Preste bem atenção, tudo que eu falarei agora é extremamente secreto, essa informação não pode vazar de maneira alguma. – falou Connor.
Enquanto isso, Adam manejava com maestria seu martelo para se defender dos homens de uniforme branco que o atacavam. Até agora, as coisas iam bem, apesar dele ainda estar perturbado com a cena que presenciara a poucos momentos atrás. Ele começava a pensar que mesmo sendo dois contra um ele poderia ganhar, mas ele foi frustrado quando um deles o atacou em seu ponto cego. Ele soltou o martelo e cambaleou para trás, limpando o filete de sangue que escorria do canto de sua boca.
– Vocês querem brincar? – provocou ele. – Então está certo, vamos brincar. Titan Strenght.
Ele socou o homem que estava mais perto dele, assim que o punho dele foi de encontro ao crânio do caçador, o osso cedeu e afundou. Ele caiu sem vida no chão. O outro partiu em direção a Adam com mais cautela. O ruivo podia ser forte, mas o soldado era mais rápido. Os golpes dele erravam, porém o seu inimigo o atacava impiedosamente em seu ponto cego. Depois de alguns minutos de um combate inflamado, o ombro direito de Adam já estava em frangalhos, isso em si não afetava muito os seus ataques, já que graças ao bom Deus ele era canhoto, mas mesmo assim, a dor o incomodava. Usou sua força descomunal e pulou por cima do caçador (N/A: Sabem o Hulk? Foi mais ou menos assim, só que de uma maneira mais suave.). Com a mão esquerda, levantou seu martelo como se fosse feito de isopor e arremessou-o no peito do homem. Um portal engoliu o enorme objeto antes que ele atingisse seu alvo, o ruivo sorriu. Poucos segundos depois, o martelo havia esmagado a caixa torácica do caçador.
– Connor, você acabou com a minha diversão. – reclamou Adam.
– Você tem que tirar a Amaya do raio de alcance do Josh. – respondeu o outro com urgência através de um pequeno portal que permitia a comunicação dos dois.
– O cara dos portais é você, espertalhão. Por quê raios está me pedindo isso?
– Por quê o Brachmann está ocupado demais e ela fraturou a tíbia. O Josh está perto demais dela, e nós dois sabemos o que ele é capaz de fazer. Duvido que ele vá usar da racionalidade, vai tirar tudo que estiver no caminho dele por bem ou por mal. – respondeu Connor ainda mais alarmado.
– Certo, eu vou. Mas não por que você mandou, eu só não quero ver uma dama machucada em apuros. – ele disse dando com o ombro esquerdo. O portal se alargou o suficiente para que ele pudesse passar. A saída estava a uns dois metros da morena, que trincava os dentes enquanto se protegia com uma espada semitransparente dos pedaços que iam na direção dela. Dietrich e Risuka estavam a dez metros de Amaya, que estava cinco metros atrás de Josh no outro sentido. O mais rápido e silenciosamente que lhe foi possível, ele levantou-a com uma única mão, ela agarrou-se com os braços no pescoço dele, sentando-se no braço dele como uma criança. Ela não falou nada, apenas trazia uma expressão de dor. Ele voltou ao portal, que dessa vez os levou para o alto do prédio onde Jin e Connor se encontravam.
– A sua perna está num péssimo estado. – observou Connor.
– Você jura? – falou ela com ironia, mas ainda com os dentes trincados. – Me diz outra coisa que eu não sei, Capitão Óbvio.
– Você quebrou o osso em dois lugares diferentes. – o ruivo disse.
– Tá, isso eu não sabia. – ela disse.
Adam sentou no chão, ainda com Amaya em seu colo. A cabeça dela estava na altura do ombro dele. Por um momento, ela esqueceu a dor em sua perna e prestou atenção nele. Sem aviso, ela segurou a manga direita danificada da camisa preta dele e rasgou, expondo um grande hematoma roxo com um corte fundo. O osso estava claramente na posição errada.
– Isso não é nada. – ele se apressou em dizer.
– Nada? Você me carregou com o seu ombro nesse estado? – ela se indignou. – Como pôde fazer isso, eu poderia ter vindo andando.
– Claro que não. – ele rebateu. – Sereias não podem andar em terra firme.
– Mais uma para o almanaque de cantadas ruins do Adam. – riu Jin. Amaya também riu. Alguns momentos se passaram até que ela se desse conta de que estava sentada nas pernas de Adam. Ela corou até as orelhas e teria caído para trás se Jin não a tivesse apoiado. Ele a ajudou a sair de cima do ruivo e sentou-a apoiada numa parede.
Enquanto isso, Maya estava apoiada numa viga assistindo a batalha enquanto chupava um pirulito.
– Acho que está na hora de virar o jogo. – ela disse, se desencostando da parede. – Invocação: Renascidos da Fênix.
Um grande circulo mágico surgiu sob os pés dela. O vento soprou forte. Chamas azuis sugiram, tomando a forma de corpos lentamente. Um homem alto e forte apareceu ao lado dela.
– Pelo visto as coisas não estão muito bem para você nos chamar aqui não é Maya? – perguntou ele.
– Pois é Mark. Eu geralmente tento não depender da sua ajuda. – ela disse.
– Eu que dependo de você Maya, eu e meus soldados. Nós dois sabemos disso. – ele disse.
– Certo, mas chega de ladainha. Pegue esses seus vinte homens ai e acabe com os caras de uniforme branco.
– Acabar?
– Sim, — ela disse impaciente, pondo a mão na testa. – acabe, execute, mate, torture, finalize, dê um jeito! Só não quero que eles sobrevivam!
– Certo. – ele disse. – Soldados, temos nossas ordens. Atacar!
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