Modern Magic - Interativa
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Uma sombra passava despercebida pelas ruínas, não se via nada além de um vulto e alguns lampejos brancos, graças ao tom de pele da pessoa que por ali passava. Ao longe, ela viu o que procurava. Um grupo de jovens, dois meninos e duas meninas. O mais alto levava uma moça morena nas costas, e a perna dela estava ferida. Conhecedora dos caminhos, a jovem mulher em seu encalço adiantou-se e parou a sua frente os fazendo parar.
– Mas que merda é essa? – exclamou Dietrich ao ver o vulto encapuzado, com um longo sobretudo de couro.
– Me poupe sr. Brachmann, vim buscar a garota. – falou apontando para Amaya.
– Como se eu fosse entrega-la para você. – ele disse estirando a língua.
– Eu vou cuidar dela daqui para frente. – disse, retirando o capuz e revelando sua identidade, a não-tão-querida por Dietrich, Fleur Belladonna. – Vamos Aya, precisamos dar um jeito nessa sua perna. – ela disse com um sorriso compreensivo.
– Me coloque no chão, por favor. – falou a morena. O albino obedeceu, e a ajudou a mancar até a superior. Fleur a colocou em suas costas, da mesma maneira que Ditch a carregava, e em questão de segundos, desapareceu sem que eles soubessem que caminho havia tomado.
– Vamos, — chamou Yumiko. – temos que continuar até a catedral.
– Você sabe onde fica? – perguntou Jaco secamente.
– Agora eu sei, a catedral é o único lugar onde há vida num raio de dez quilômetros. – ela disse dando ombros.
– Vida? Você quer dizer... Pessoas? – indagou Dietrich confuso.
– Digo plantas, elas também são vivas. – respondeu ela, um pouco mais confortável. Ela não gostava de lugares como aquele, vazios e totalmente artificiais, o que a deixava bastante tensa.
Enquanto o agora trio Alfa prosseguia, nossas heroínas estavam a meio caminho da catedral, que agora não passava de uma grande área vazia.
– Obrigada Fleur. – disse a morena.
– Não há de quê, Aya, eu não poderia te deixar machucada lá, principalmente por achar que você não iria querer perder a segunda fase. – disse Fleur gentilmente.
– Mas como você sabia que eu precisava de ajuda? – indagou.
– Digamos que nós trapaceamos. – a mais velha respondeu sorrindo.
– É mesmo! Você sabia exatamente onde eu estava. – Amaya era um pouco lenta, e finalmente começava a entender o que estava realmente acontecendo.
– Sim, temos todos os grupos sendo rastreados e um transmissor de voz implantado no dispositivo do mapa. Quando eu hackeei o programa da bússola, implantei um GPS também. Não que eu não confie nas habilidades de rastreio dos meus oficiais, mas seria bem mais fácil achar vocês.
– Bem, isso não é muito justo, não é mesmo? – indagou a morena.
– Não, mas a vida não é justa. Se você cair, ela vai te fazer ficar de joelhos. – ela falou sombriamente. – Mas você só continua de joelhos enquanto quiser. Tudo depende de quanto você consegue suportar e seguir em frente, do quão forte você é.
– É verdade... Mas, mudando um pouco de assunto, — a morena falou, tentando amenizar o clima de tensão que se formara. – por que o Di não gosta de você?
– Essa história é um pouco antiga... — ela começou incerta. – Quando eu tinha uns treze anos, ele chegou à organização muito machucado, e na época não tínhamos curadores, então eu acabei tratando dos ferimentos dele, e sem perceber, me apaixonei por ele. Nós nos tornamos bons amigos, quero dizer, quando eu não estava com o Josh, estava com ele. Tudo ia bem, até que o Frank me designou para aquela maldita missão. Ele disse que precisava de alguém discreto, e que não tivesse muita fama, assim, eu era a opção perfeita. Quando eu contei para ele, mais ou menos uma semana antes de ir, ele ficou muito chateado, e se afastou um pouco de mim. Um dia antes de eu partir, decidi que ia falar a ele sobre o que eu sentia, já que provavelmente eu não voltaria viva.
– Poxa... Deve ter sido difícil para você... – Amaya disse compreensiva.
– E como foi! – falou Fleur. Sua voz carregava os sentimentos até então esquecidos sobre aquela época. Raiva, tristeza e nojo. Nojo do que ele tinha feito. – Mas quando eu o encontrei, ele estava se agarrando com uma garota no corredor. Na época, não aguentei e sai correndo para me trancar no meu quarto. No dia seguinte, pouco antes de eu ir embora, ele veio falar comigo, e disse que me amava. Colocou-me contra a parede, e tentou me beijar. Eu senti tanta raiva, tanto nojo dele, que quando ele encostou a boca dele na minha perdi o controle. Ele acabou congelado. Ele deve guardar ressentimento de mim até hoje. Eu faria de novo.
– Hm... – Amaya não sabia o que dizer. Ela parecia ter passado por toda sorte de desgraça na vida. Capaz de piorar tudo se tentasse dizer mais alguma coisa.
– Olha, chegamos. – falou Fleur com uma ponta de animação por não ter de continuar naquele assunto. Do contrário Amaya poderia perceber que ela ainda sentia algo por ele, apesar de esconder isso muito bem. Ela só não sabia dizer o que era esse sentimento.
Amaya desceu das costas de Fleur, e a mais velha começou a limpar o ferimento. Ambas se perguntavam como os outros estavam se saindo.
Enquanto isso, não muito longe dali, a unidade Beta a todo custo tentava fugir de um “ninja” que os perseguia.
– Eu estou bem atrás de vocês... – Josh falava como se estivesse brincando de pega-pega com um bebê.
– Eu disse que a gente devia ter tentado deixar menos rastros. – falou Risuka num tom decepcionado. – Eu falei.
– Já é a quinta vez que você diz isso Ricchin. – falou Raito.
– Eu sei, mas nunca é ruim repetir que você estava certo e os outros errados. – ela deu ombros enquanto corria.
– Ei, prestem mais atenção, eu estou perseguindo vocês! – reclamou Josh, e sem nenhum aviso ou delicadeza sacou o pesado martelo que carregava e quase atingiu Risuka, se ela não tivesse calculado com uma precisão cirúrgica o momento de pular. Ela acabou em cima do martelo de Josh, e de uma maneira nada gentil o chutou no rosto, atordoando-o por alguns segundos.
– Isso não vai detê-lo por muito tempo. – avisou Adam. – Melhor corrermos, acho que sei para onde devemos ir.
– É mesmo? – perguntou Aki, que já havia retomado o ritmo de corrida. – E para onde o senhor acha que devemos ir? – ela perguntou desafiadoramente.
– Para o lugar mais aberto por aqui. Que deve ser mais ou menos... No meio da cidade. – ele disse.
– E como pode ter tanta certeza disso Sherlock? – perguntou Risuka.
– Foi onde a bomba caiu. Quando explodiram uma bomba biológica nesse lugar, o impacto deixou toda a cidade em ruínas, e o vírus matou a quase todos os cidadãos. Deve ter uma área bem livre. – ele disse com simplicidade.
– E por acaso sabe como chegar lá, espertalhão? – perguntou Aki.
– Não, mas aposto que o meu amigo Raito aqui sabe. Não é? – ele perguntou, apelando para a camaradagem.
– Sei sim, me sigam. – ele disse tomando a dianteira.
Eles haviam aberto uma ampla vantagem em relação a Josh, mas ele não ia deixar barato. Agora ele ia mostrar por que era um tenente. Respirou fundo. Um. Dois. Três.
A distância entre eles era de aproximadamente trezentos metros. Josh acreditava que sua maior vantagem era conhecimento de campo, além disso, ele era um exímio corredor. O terreno era acidentado, cheio de grandes pedaços de prédios e casas, e aparentemente nenhum deles havia percebido que poderia cortar caminho por elas ao invés de apenas correr pelas ruas. À passos largos, saltando sobre os escombros, Josh ganhava terreno silenciosamente. Duzentos e cinquenta. Eles se aproximavam da antiga catedral. Duzentos. Havia pouco tempo, ele apressou o passo. Cem. Cinquenta.
– Acelerem, AGORA! – gritou Adam, ao ver o tenente a apenas dez metros quando olhou para trás. Raito entendeu o comando e sem nenhuma cerimônia segurou Risuka e jogou para Adam, que a pegou habilmente. Depois, colocou Aki nas costas.
– Agora, nós corremos. – ele disse, acelerando de uma maneira que surpreendeu Josh.
– Não precisava pedir. – respondeu Adam, que carregava uma Risuka assustada e corada nos braços.
Os dois aparentemente só não haviam corrido mais rápido por causa das garotas, pois ganharam uma distância considerável de Josh, mas nem por isso ele desistiu. Em poucos segundos ele já estava bem próximo deles, e os teria pego, se não fosse atingido por um cubo de gelo de dez quilos.
– Fleur! Estava ficando divertido. – ele reclamou, emburrado.
– Divertido? Você estava com pena deles. – ela devolveu, sentada no alto do que sobrara da imensa catedral.
– Não vai me dizer que não correu sério com a gente maninho? – perguntou Adam.
– Desculpa. – ele pediu envergonhado. – Eu não queria que a Fleur te castigasse. Você sabe não é? Ela não ia mesmo expulsar vocês se não conseguissem.
– Mas você é meu melhor amigo cara! Achei que seria justo comigo. – o ruivo deveolveu.
– Justiça não existe aqui. – disse Amaya, aparecendo de algum lugar em meio aos escombros da imensa construção. Ela mancava levemente. – Agora eu agradeceria se colocasse minha amiga no chão, ela não gosta de ser tratada como boneca.
– Ah, desculpe. – Adam disse, envergonhado. Raito também colocou Aki no chão.
– Raito, poderia se abaixar um pouco, por favor? – pediu Risuka. O rapaz abaixou-se para ficar da altura dela, e ela lhe deu um tapa que marcou os cinco dedos dela em sua bochecha. Ele caiu sentado com o impacto, e Adam, que já estava se afastando, levou um puxão de orelha. A garota estava bastante irritada, então nada disse, e apenas caminhou até sua amiga.
– O que houve com a sua perna Aya? – perguntou ela de uma maneira que nem parecia a garota enfurecida de segundos atrás.
– Eu caí. – ela respondeu um pouco envergonhada.
– Típico. – a menor disse.
– Certo. Sobrevivemos a aquela perseguição maluca, e agora? Sentamos e tomamos um chá? – perguntou Aki.
– Não seria má ideia... – observou Josh. – Mas só se tivesse batatinhas.
– Um chá normalmente não tem batatinhas. – disse Raito.
– Não vamos tomar chá. – Fleur disse decididamente. – Apenas sentaremos e esperaremos os outros chegaram, não devem demorar.
Como que para confirmar o que Fleur havia dito, os outros dois grupos chegaram por lados opostos. Maya gritava de empolgação, enquanto Vergil limitava-se a um olhar entediado.
– Bom, já que estão todos aqui. Que tal nós vermos o que essas mocinhas podem fazer num combate real? – falou Fleur.
– Combate real? – indagou Kris, esbaforida.
– Sim, um combate real senhorita Hafno. – falou Vergil. – Proporcionaremos a vocês uma luta semelhante às que enfrentarão daqui para frente.
– Isso! Vamos Fleur, chame logo esses bun-
– Atenção mutantes, entreguem-se pacificamente e não serão machucados. Resistam e os mataremos. – disse um caçador através do alto-falante da aeronave que flutuava acima da cabeça deles.
– O que nós fazemos agora? – perguntou Jin.
– Isso é óbvio meu caro colega com asas. – disse Maya. – Nós resistimos e os matamos. Esses cretinos tem que pagar por interromper o momento em que eu falo.
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