Existem pessoas que nasceram para serem desenhadas, isso é um fato. Pessoas cujos rostos pedem para serem colocados no papel, tela, guardanapo... Tanto faz a superfície na qual ele será colocado, o que importa é que estará ali.

Mas o que faz tais pessoas terem esse destino? Não sei. Não é somente beleza, sei disso... Alguém pode ser muito belo e parecer tão entediante quanto uma parede de pedra em um quadro. Um outro alguém pode não ter nada de extraordinário, mas inspirar a curiosidade em todos os que olham uma representação sua... Mona Lisa que o diga.

Acho que são pequenas coisas que fazem esses indivíduos parecerem companheiros tão perfeitos para o papel ou a tela... Uma covinha que apareça na bochecha de um ao sorrir, os olhos sem cores definidas de outro, a delicadeza como a mão de um modelo se posiciona, a maneira como os lábios de alguém se curvam ao sorrir. São detalhes que poucos percebem na hora e que fazem a diferença na hora em que se olha uma obra. Sem esse fator adicional que cria o encanto da arte, não há diferença se o artista cobrir totalmente o rosto do modelo com um chapéu ou escondê-lo atrás de plantas... O efeito será o mesmo e, quem sabe, o chapéu ou a planta será mais interessante que o ser humano posando para a tela.

Existem pessoas que nasceram para serem desenhadas e existem aquelas que nasceram para correr atrás de tais pessoas. Uma vez que as encontram, os que procuram desejam nunca mais afastar-se delas, afinal... Apesar de existirem, vez por outra, é difícil encontrá-las.

Notas finais
Capa: Valentin Serov pintando o retrato do Príncipe Felix Yussupov. Se tiverem curiosidade de ver o quadro, procurem por "Felix Yussupov Serov" no Google Imagens, é lindo.
- "não há diferença se o artista cobrir totalmente o rosto do modelo com um chapéu ou escondê-lo atrás de plantas..." : Eu estou lendo a autobiografia do Príncipe Yussupov e, em um certo capítulo, ele fala desse artista, Serov, e, quotando ele:
"Serov bad a great respect for his art and never consented to paint a portrait unless the model interested him. He refused to paint a very fashionable lady of St. Petersburg whose face did not inspire him. However, be finally yielded to the lady's entreaties but, after the last sitting, he added to the portrait an enormous hat, which concealed three-quarters of her face. When the model protested, he replied that the hat was the most interesting part of the portrait."
Resumindo: o cara só pintava quem o inspirava e, quando insistiam e ele não queria, ele enfiava um chapéu na cara da madame porque até o chapéu era mais interessante.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!