Mob
1 Prólogo
Notas iniciais
Espero que gostem!!
Eu corria apressado até o ponto de encontro. Embaixo de uma árvore em uma praça abandonada à quatro quadras de casa. Não era muito longe, mas poucas pessoas frequentavam o local e por isso era bom para nossas conversas.
Pulei uma pedra que estava no caminho e tirei meus cabelos do rosto. O vento jogava-os de um lado para o outro, numa confusão boa de sentir. Eu sorria e provavelmente minhas bochechas estavam rosadas. Eu sempre ficava assim quando estava feliz. Virei uma esquina e encarei a praça vazia do outro lado da rua. Era redonda e não muito grande; haviam grades pequenas ao redor dela, protegendo as flores que enfeitavam o local. Os dois bancos que haviam lá estavam quebrados, assim como o escorregador. Uma única árvore se encontrava no centro da praça, cercada por um pequeno muro de pedra. Baixo o suficiente para que eu me sentasse nele. E foi o que fiz, assim que cheguei lá. Ele estava atrasado. Ajeitei meu cabelo enquanto o esperava, tirando algumas sujeiras que haviam prendido nele com o vento. Por fim, passei a mão entre os fios e sorri, satisfeito. E então, de repente, alguém pulou em mim, rindo. Saltei, assustado. — LEONARD! — gritei, empurrando-o para que saísse de cima de mim. Ele estava atrasado e adorava me assustar. Eu deveria saber. — Te assustei! — exclamou ele, rindo e sentando-se ao meu lado. Seu cabelo castanho estava bagunçado. Provavelmente havia corrido até ali como eu. Faziam 4 anos que eu o conhecia. Leonard era meu melhor e único amigo. Eu era filho de uma das famílias de caçadores da máfia mais famosas do mundo, e por isso ninguém queria ser meu amigo. Podia parecer uma profissão legal, mas os pais odiavam isso. Quando conheci Leonard, ele não sabia sobre esse fato, e resolvi que nunca contaria nada para ele, o que era justo, pois ele nunca me dissera nada sobre a família dele. Nada. Não sabia sequer seu sobrenome, mas ainda assim éramos amigos. Éramos totalmente diferentes. Eu era praticamente calmo — para uma criança — enquanto ele amava uma aventura, um desafio e vivia se mentendo em brigas. Algumas por mim. Isso me deixava realmente feliz, por ter esse laço de confiança, porém também me preocupava. Como ele ficaria quando estivesse sozinho? Era o que eu pensava depois de todas as brigas, quando cuidava de seus ferimentos. E naquele dia eu estava especialmente irritado, pelo seu atraso e pelo susto. — Leonard, sério. Eu podia ter me machucado. — reclamei, olhando para ele, que ainda se recuperava do riso, limpando as lágrimas no canto dos olhos. — Mas não se machucou. Não se preocupe, era um risco calculado. — disse ele, fingindo subir um óculos imaginário. Sorri, sem conseguir me irritar com ele por muito tempo. Eu costumava ser meio chato para pessoas que não conhecia, agindo de modo até mesquinho, mas quando me conheciam melhor, elas viam que eu era um garoto animado. E simpático. Isso se elas resolvessem me conhecer... — Quer saber? Hoje vou para casa mais cedo porque meu pai volta de São Paulo de noite. Mas amanhã podemos tomar sorvete aqui perto! Que tal? — perguntei, animado. Ele pareceu um pouco desapontado com o fato de que eu saíria mais cedo, porém sorriu com meu convite. — Tudo bem. Te espero aqui, amanhã, as 15:00 ok? — sugeriu Leonard, desamassando a blusa. Algo que me surpreendeu, porque geralmente ele não parecia ligar para essas coisas. Assenti. Me virei para ir embora, e quase fui atropelado por uma grande caminhonete prateada. Uma que eu conhecia muito bem. Por estar na ponta da calçada, minha falta de atenção me fizera tropeçar. Foi a partir daí que as coisas começaram a dar errado. Alguns metros adiante, o carro havia parado e um homem alto de terno descia dele, parecendo irritado. Ele se aproximou de mim, enquanto Leonard estava me segurando pelo braço. Ele havia me puxado no último segundo e me salvado de morrer atropelado. — Victor. — disse ele, com a raiva explícita na voz. Em uma mão estava seu celular enquanto a outra segurava a chave do carro. — Quem é ele? — Meu amigo. Nenhuma pergunta sobre o quase-atropelamento de agora? — resmunguei, encarando-o. Não estava surpreso por ele não se preocupar muito comigo. Eu não esperava que ele voltasse de viagem mais cedo. — Seu amigo? — perguntou ele novamente, com um pouco de sarcasmo. Arqueei uma sobrancelha. Leonard engoliu em seco. Meu pai realmente podia assustar qualquer um. — Pai. — falei, lentamente. Os olhos castanhos dele se voltaram para mim, afiados como facas. — Qual é o problema? — Nenhum. Vamos, você vem para casa comigo. Seu...amigo, sabe ir sozinho para casa, tenho certeza. Passar bem. — disse ele, me puxando pelo braço sem nenhuma gentileza. Me colocou dentro do carro e entrou logo em seguida, acelerando. Me virei a tempo de ver Leonard congelado no mesmo lugar. Os olhos sem alegria. " Porque tudo isso? " pensei, enquanto me preparava para receber o maior sermão de toda a minha vida. — Não entendo. — falei, entrando em casa e sendo seguido pelo meu pai, que ainda parecia irritado. Imediatamente senti o cheiro do jantar. Provavelmente panquecas. John, o mordomo, pegou a maleta de meu pai e a levou para outro lugar. Minha mãe já estava sentada na mesa quando nós dois sentamos. Meu pai beijou a bochecha dela gentilmente, embora seu rosto continuasse petrificado na expressão fria de sempre. Um sorriso escapou pelos lábios dela.
— Alice, seu filho arranjou um amigo. — foi a primeira coisa que ele disse, enquando as empregadas serviam a comida. Rejeitei o brocólis. — Conte para ela quem é, Victor. — Não sei quem ele é, pai. Ele nunca me disse nada...e nem eu disse à ele. Mas ele é legal...não estou entendendo porque toda essa marcação. — reclamei, dando uma garfada na comida. Minha mãe parecia preocupada. — Pois bem, irei te dizer quem ele é, filho. — respondeu meu pai, seco. Ele ainda não havia comido nada do prato. Eu mexia nervosamente com o garfo na salada. — Ele é o filho de Morgan Kallaze. Chefe de um dos maiores grupos da máfia do mundo. E sabe o que isso significa? Meu mundo caiu. — Oh, Victor. Não. — disse minha mãe, o medo estampado em seu rosto. Como uma família de caçadores, que procuravam grupos mafiosos pelo país, a máfia era uma constante preocupação no nosso dia a dia. E agora meu melhor amigo fazia parte dela. Engoli com dificuldade. — Significa que eles são nossos inimigos...assim como o Leonard... — murmurei. Meu pai continuou com sua expressão dura. Minha fome pareceu desaparecer, e minha garganta estava seca. — Exatamente. A partir de hoje, está proibido de encontrar aquele garoto. Hoje a tarde quando o vimos, logo que fomos embora, pedi para um de nossos homens seguir ele até sua casa em segredo. — explicava ele, agora comendo calmamente. Vi dois de nossos empregados se aproximarem por trás de mim. Fiquei tenso. — Sei onde ele mora. Irei dar um jeito nele hoje a noite. Me levantei bruscamente, derrubando meu prato e o copo com suco em cima da mesa. Ao mesmo tempo, mãos fortes seguraram meus braços e me arrastaram para as escadas, em direção ao meu quarto. Eu senti as lágrimas encherem meus olhos. Ele iria matar Leonard. E toda a sua família. — Pai! Não pode fazer isso! Por favor, pai, não! Por favor! — eu gritava e chutava o ar, tentando me libertar. Porém, os apertos não afrouxavam. Agora as lágrimas corriam soltas pelo meu rosto vermelho. Na mesa, meu pai apenas continuou comendo, sem me dar atenção. Minha mãe tremia, claramente com medo. Sempre fora uma covarde. Era ridículo o modo como ela reagia a qualquer perigo. Fui jogado dentro do quarto e a porta foi fechada e trancada por fora. Me joquei contra ela, um segundo depois de fecharem-na, e gritei. Bati com os punhos na madeira branca até um corte se abrir em minha mão. Me deixei cair no carpete azul e chorei, assustado e com raiva. Amanhã eu iria estar completamente sozinho. Sem amigos, nem família. Meu pai nunca me dera atenção e minha mãe era uma medrosa ignorante. Me tratavam como um objeto e só ligavam para meu dever como sucessor da família. Me senti enjoado. Antes que pudesse perceber, adormeci. Acordei no dia seguinte sabendo do que havia acontecido. Do meu melhor amigo que eu nunca mais veria. Chorei enquanto me vestia. Desci para o café da manhã sem expressão. Não comi. Meu pai me fuzilou com seu olhar cortante durante toda a refeição. Quando ele estava saindo de casa me puxou para perto e senti seus lábios próximos ao meu ouvido. Permaneci quieto. — Ficará feliz de saber que o pivetinho fugiu. Mas os pais dele não escaparam. Estavam desprevenidos. Ele havia contado aos pais sobre mim, mas não houve tempo de reagirem. Explodi a casa deles. — disse ele, e senti o sorriso em sua voz. Novamente, me senti enjoado e me controlei para não estapeá-lo. Ao menos Leonard estava bem....ao menos isso. Ele me largou e saiu sem dizer mais nenhuma palavra. Sorri. Com 18 anos eu viraria o líder da família. E então ele veria o filho que tinha. E como ele havia nascido diferente do pai.
Notas finais
OBRIGADA POR TEREM LIDO!! Espero que tenham gostadooo!!! ^-^
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