Mob
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Sim, sim, estou postando o próximo capítulo logo em seguida, porque estou empolgada com essa fic....espero que gostem!!
Me ajeitei melhor na cadeira. Era grande e larga demais para mim, assim como a mesa, mas era a sala oficial do líder da família, e por isso eu deveria me sentar lá e trabalhar sem reclamar, pois era proibido mudar qualquer coisa naquele escritório.
Fazia um ano que eu era líder da minha família e havia herdado os negócios de caçadores da máfia, mas ainda não havia me acostumado. Meu pai, agora com alguns cabelos brancos, ficava o dia inteiro em seu quarto, o que eu achava ótimo. Minha mãe estava numa situação parecida, porém envolvia tricô. Como líder, eu tinha responsabilidades grandes, porém grande autoridade também. Minha promessa de mostrar do que eu era capaz para meu pai, ainda estava de pé. Só precisava de mais tempo. Quando acabei de preencher toda a papelada de autorização para alguma coisa que envolvia explosivos, ouvi uma batida na porta. – Entre. — falei, me olhando no espelho que se encontrava na parede oposta à minha mesa, bem na minha frente. Meus cabelos cor de mel estavam arrumados e meu terno continuava um pouco amassado e com a gravata frouxa. Mas era assim que eu preferia. Meu primo entrou na sala sorrindo gentilmente. Eram raras as vezes que ele me visitava e quando vinha sempre me fazia companhia. Havia sido meu amigo e confidente desde que meu pai havia matado a família de Leonard. " Leonard " Era uma pessoa da qual eu não falava faziam anos. Nem pensava. As saudades eram grandes. – Oi! — disse ele, fechando a porta atrás de si. Sorri para ele em resposta, acenando. – Alex, há quanto tempo! — exclamei, me levantando e abraçando ele, que retríbuiu. Ofereci uma cadeira à ele, que aceitou. Meus pensamentos foram afastados de Leonard.– Como tem passado? Alguma gatinha por aqui? — perguntou Alex, fazendo uma expressão safada. Ri dele.– Não pense nessas coisas 24 horas por dia! — reclamei, rindo. Ele alargou seu sorriso. Estendeu um jornal novo em folha para mim, por cima da mesa. O peguei.– Já leu as fofocas do dia? Soube que a máfia está tendo muitos problemas com caçadores. — comentou ele, ainda sorrindo. — uma pena...tem tantos gatinhos na máfia! – Alex! — o repreendi, corando. Ele era muito safado. Meu primo comandava a família secundária e menos poderosa de caçadores da máfia. A primeira vez que o vi, ele estava me observando no jardim. Ele parecia solitário, então passei a conversar com ele e nos tornamos amigos.– Por favor, Victor. Todos sabem que você cai pra esse lado. — respondeu ele, rindo. Eu senti meu rosto ferver. Não tinha como ele saber! Sempre cuidei para que ninguém percebesse. Ser gay e manter uma reputação como a minha não daria certo.– Cale a boca! — falei, virando o rosto para a janela. O sol bateu na minha pele pálida, graças aos poucos dias fora de casa, e espremi os olhos para poder enxergar. Alex ainda sorria.– Bem, já passou da hora do almoço. — disse ele, alisando seu topete prateado para trás e me olhando com seus olhos azuis. Ele brincava com uma caneta. — vamos indo e-- Ah! Quase ia esquecer. Pode me fazer um favor? Esqueci minha carteira no carro, será que pode ir buscar? Por favor?– Claro! Te encontro na sala de jantar. — falei, me levantando e saindo em direção à garagem. Apertei no botão do elevador que dizia G1 e cruzei os braços, olhando meu relógio de pulso. 13:02. Eu já estava atrasado para o almoço, alguns minutos a mais não fariam diferença. Me olhei no espelho e vi um garoto com olhos castanhos escuros me encarando de volta. Suspirei. Era duro crescer. Leonard me veio em mente, mas afastei logo essa lembrança. Mesmo se nos encontrássemos novamente, ele nunca iria me perdoar. Eu o conhecia. Mesmo meu pai sendo o responsável pelo assassinato de sua família, eu estava com parte da culpa, ao ver dele. Quando as portas do elevador se abriram, o ar abafado da garagem me atingiu, e eu pensei sériamente em tirar o paletó. Porém, continuei meu caminho até o carro, que era o último estacionado, na vaga mais distante da saída. O porsche estava limpo e bem cuidado. O admirei por alguns segundos antes de colocar a mão no bolso e perceber que Alex não havia me dado a chave. Bufei, irritado, e me virei para retornar ao elevador, quando alguém me segurou por trás e cobriu minha boca e nariz com um pano. Tentei gritar e me contorci, porém os braços eram fortes demais.– Sentiu minha falta, Victor? — disse uma voz que eu conhecia bem até demais para esquecer, mesmo depois de todos esses anos. Abri a boca para responder, quando senti uma pancada e a dor se espalhou pela minha nuca. Tudo ficou escuro. # # # Quando acordei, abri meus olhos lentamente, sentindo meu pescoço doer ao tentar levantar a cabeça e olhar ao redor. Aguentei. Quando minha visão se acostumou com a luz, percebi que estava em um quarto arrumado impecávelmente. Um grande armário de madeira envelhecida cobria toda a parede ao lado da cama, enquanto a outra parede era completamente feita de vidro, como uma enorme janela. A vista era de quase toda a cidade. Percebi que estava em um local bem alto, e as casas pareciam de brinquedo vistas da janela. Saí da cama e esfreguei o pescoço com a mão, tentando aliviar a dor. Me apoiei em uma mesa em frente à cama, com papéis, documentos e um laptop aberto. Mexi no mouse. Senha.
" Merda " pensei. Foi quando a porta do quarto abriu, e um garoto alto e moreno entrou despreocupadamente no local, parecendo levemente surpreso ao dar de cara comigo em pé. Um sorriso se abriu em seu rosto. Os dentes brancos e perfeitos me deixaram um pouco envergonhado, afinal, depois de usar aparelho por 2 anos, eu entendia bem como nascer com os dentes perfeitos e mantê-los assim era algo raro. Mas então me dei conta.– Leonard?! — exclamei, enquanto ele se sentava na cama. Dei uma olhada melhor nela agora. Tinha lencóis vermelhos e brancos. Parecia a cama de um motel. Amém que eu ainda estava usando roupas, ou só deus sabe o que teriam feito comigo.– Agora me reconheceu hm? Pensei que tivesse parado de ligar para mim. — disse ele, ainda sorrindo. Mas então sua expressão fechou. — Ah é. Desculpe, agora me lembrei. Você não liga mais. Ele se levantou e caminhou até mim. Me encolhi com sua aproximação e andei para trás até encostar na mesa. Ele havia crescido e estava uma cabeça mais alto que eu. Leonard chegou a poucos centímetros de mim e estendeu uma mão em minha direção. Pensei que fosse me bater, porém ele apenas fechou o laptop atrás de mim. Novamente, sua boca se alargou em um sorriso. Embora fosse mais um sorriso de divertimento do que de simpatia. Não que eu esperasse simpatia da parte dele.– Deixa eu te contar uma coisa. — disse ele, voltando a se sentar na cama. Sua blusa era cinza e lisa, sem nenhum desenho ou imagem. Ele usava uma calça jeans rasgada. Eu estava indignado. Quem ele pensava que era? Apesar de que, lá no fundo, eu soubesse que essa indignação toda era apenas para esconder meu constrangimento ao me pegar observando a blusa justa em seu corpo e seu abdômen visivelmente trabalhado. — A máfia tem sido perseguida por muitos caçadores. Mais do que o normal. Então resolvi te sequestrar.– Me sequestrar? — perguntei, piscando algumas vezes. Ele falava como se fosse algo rotineiro. Sair por ai sequestrando pessoas. – Exato. Você é o líder de uma das maiores e mais poderosas famílias de caçadores da máfia do mundo. Dá um bom refém. — explicou ele, chutando meus sapatos que estavam jogados no chão, em minha direção. — Agora coloque isso ai e vamos. Vai ter que trabalhar enquanto estiver aqui. – Trabalhar? Leonard, enlouqueceu?! Eu posso fugir sabia?! — gritei, irritado e assustado. O olhar que eu via nele não era o mesmo do meu antigo amigo. Era um olhar frio, embora sorrisse. Parecia não ligar para nada nem ninguém. Me arrepiei. Ele se levantou repentinamente.– Não, Victor. Quem matou a família do melhor amigo não fui eu. Não sou louco. Além do mais, não vai fugir, acredite. — disse ele, agora perigosamente perto de mim, e com um tom mais perigoso ainda. Engoli em seco.– Nem eu, Leonard. Acha que eu queria isso? — murmurei, agora sustentando seu olhar. Ele pareceu hesitar.– Não tenho que achar nada. Não confio em você. — respondeu ele, se virando e se afastando de mim. Finalmente soltei o ar que eu segurava. Ele parou na porta e me encarou. Pude sentir seu olhar me congelando. — Se arrume. E me encontre depois. E assim ele saiu. Me joguei na cama novamente. Fiquei encarando o teto por alguns segundos. " Ele não é mais o velho Leonard... e a culpa é minha. " pensei. Eu tentava fugir disso, mas no fim foi tudo culpa minha. Eu fui descuidado. Poderia ter contado à ele sobre minha família e salvado seus pais. Nem fui capaz de impedir aquilo. Meu lábio inferior tremia e eu senti as lágrimas enchendo meus olhos. Eu estava preso com a máfia. E pelo meu próprio amigo. Embora só a aparência me lembrasse ele. A personalidade era algo perturbador. Engoli o choro e me arrumei, encontrando algumas roupas do armário e vestindo-as. Aparentemente Leonard havia comprado roupas para mim. Ou assassinado algum cidadão e pego suas roupas. Mas preferi não descobrir. Uma blusa branca simples e uma calça dariam conta do serviço. Jurei para mim mesmo, que iria sair dessa casinha da máfia. E levar meu amigo de volta ao normal, junto comigo. Depois de ficar alguns minutos pensando se saía ou não do quarto, abri a porta e caminhei pelo corredor, raciocinando que, se eu morresse, ao menos seria pelas mãos de algum gatinho da máfia — de acordo com Alex — com tanquinho e tatuagens sensuais pelos braços e muitos outros lugares do corpo. Essa parte eu não sabia se fora apenas eu que pensara merda ou Alex havia pensado também. Caminhei pelo corredor cujo piso era coberto por um carpete vermelho. A cada segundo eu desconfiava mais ainda de que aquele lugar poderia ser um motel. Haviam várias portas dos dois lados do corredor, o que eu pensei que fossem quartos, mas não tinha certeza. Ouvi vozes vindas do final do corredor e adiantei o passo. Empurrei uma porta que marcava o fim dos quartos, ou seja lá o que fossem, e a abri, entrando em uma área enorme, com várias mesas espalhadas e pessoas sentadas comendo. Provavelmente um refeitório mafioso, onde eles comiam ouro e baseados. Ou comida, mas eu desconfiava que não. Talvez eu estivesse caindo demais no papo de Alex. Quando entrei, todos pareceram nem notar a minha presença, ao contrário do que imaginei, como uma cena de filme, onde o mocinho entra na sala e todos param para observá-lo. Andei em direção à uma mesa vazia no canto do local, e me sentei, engolindo em seco quando meu momento mocinho aconteceu, e todos passaram a olhar para mim, cochichando coisas entre si. Alguns riram e outros me olhavam com desprezo. Estava até agora procurando os gatinhos. Até aquele momento, o único gatinho que eu havia visto era um, tatuado no braço de um gordo suado, que tinha a seguinte frase escrita embaixo do animalzinho: " me come ". Excelente progresso. Passei a encarar a mesa e pensar na vida, na morte — coisa que eu acreditava que viria logo para mim, se eu continuasse sentindo o cheiro de suor daqueles bárbaros — e até no passado. Em como eu poderia ter vivido feliz se não tivesse sido quase atropelado aquele dia. Mas meus pensamentos foram interrompidos quando alguém me cutucou. Me virei.– Com licença, novato. — disse um garoto com os olhos puxados, um sorriso simpático e cabelo preto liso levemente ondulado. Ele parecia ser legal. Mas naquela altura do campeonato, eu não estava pondo fé no que PARECIA. Não sorri ou mudei minha expressão um pouco apreensiva quando ele saiu de sua mesa — exatamente ao lado da minha, com apenas alguns centímetros separando-as — e sentou-se na cadeira ao lado da minha. Pisquei. — Olha, não quer se sentar com a gente? Ele gesticulou para sua mesa, onde havia apenas um garoto sentado. Eu até poderia ter aceitado, se o loiro da mesa dele não estivesse me encarando como se fosse me matar. – Não. Estou bem aqui. — respondi, tentando soar o mais convincente possível. Mas o mau-cheiro daquele lugar deve ter me deixado meio lerdo, e minha voz soou trêmula. O japinha alargou seu sorriso, fazendo com que seus olhos quase se fechassem. Suas roupas eram elegantes demais para um mafioso. Ele usava terno e uma gravata borboleta rosa com listras brancas. Arqueei uma sobrancelha.– Escuta, tem dois detalhes que eu preciso te contar: primeiro, você está na mesa do Brooze. Ele não é uma pessoa da qual você pode roubar a mesa. — explicou ele. Me levantei como se nem ligasse, e andei até a mesa dele, me sentando o mais longe possível do loirinho. O japinha fez o mesmo, embora sorrisse e tivesse se sentado ao lado do loiro. — e segundo: o Colt não morde. Ele só acha que você é um garoto mimado e falso, porque usou o Leonard e depois deixou que matassem seus pais. Mas lá no fundo ele é legal.– Aham....deu pra perceber. — respondi, enquanto desviava de um lazer assassino com o qual o tal de Colt provavelmente tentava me acertar, mentalmente. Voltei a olhar para o japa. — e qual é o seu nome? Me chamo...Victor. Prazer.– Sou o San. Prazer. — disse ele, estendendo uma mão para mim. Percebi que com a outra, ele segurava um livro, provavelmente escrito em russo. Apertei sua mão. Colt pareceu odiar tudo aquilo.– San! Porque está agindo que nem um idiota com esse garoto?! Sabe o que ele fez! — esbravejou o loirinho, parecendo nervoso, além de irritado. Percebi como ele parecia uma criança. Se eu tivesse que chutar sua idade, diria 12 anos. Ele usava uma blusa xadrez de mangas compridas e desabotoada, vermelha, azul e branca, por cima de outra totalmente branca. Seus olhos azuis me fuzilavam. Suspirei. Que novela.– Não sei o que ele fez, Colt. Sei o que nos disseram. Mas as pessoas fofocam, Coltie. Nem todas essas histórias devem ser verdade. — argumentou San, colocando uma mão no ombro de Colt, que era consideravelmente mais baixo que...provavelmente todo mundo naquele refeitório. O menor pareceu se acalmar com o toque do amigo. Fiquei aliviado.
– Ei San! — chamou uma voz grave vinda da mesa atrás da nossa. Um homem grande e musculoso, coberto de tatuagens se levantou, andando em nossa direção. Ele ria. — quem é o seu mascote? Ele se referia a mim. Peguei o garfo ao lado do prato de Colt. Ao menos um olho eu iria arrancar desse maluco. Porém, o loiro logo arrancou o objeto da minha mão e me puxou para que eu me sentasse. Fechei a cara. San se levantou, contornando a mesa e parando na frente do imbecil tatuado. Comparado ao brutamonte, San era pequeno, mas tinha uma altura razoável.– Hugh. Como tem passado? Seu machucado na perna já sarou? — perguntou o meu mais novo " amigo " na quele lugar. O bárbaro pareceu rir, embora não emitisse nenhum som. Seus colegas da mesa de onde havia saído zombavam de mim, apontando e gargalhando.– Deixa eu brincar um pouco com ele, deixa?! — berrou ele novamente — o que parecia ser a única coisa que ele sabia fazer — e deu um passo a frente. — Vamos San! Deixa eu brincar com o seu cachorrinho! Ele deu outro passo. San se abaixou, girando e lhe dando uma rasteira. Hugh caiu, gritando de dor quando, ao mesmo tempo, San se levantava e pisava em sua coxa com o pequeno salto de seu sapato social. O sangue manchou a bermuda de Hugh. Em nenhum momento, San parou de sorrir.– Uma pena. Parece que seu machucado ainda não havia sarado completamente. — disse ele, pisando mais forte. Novamente, Hugh gritou de dor. — Péssima maneira de descobrir, não acha? Temos ótimos médicos...– Já deu, San. Deixa ele. — falou uma voz autoritária, vinda de um garoto alto que se aproximava da briga, calmamente. Ao seu lado, outro garoto estava distraído lhe acompanhando, com fones nos ouvidos e uma música alta, cuja batida podia ser ouvida graças ao silêncio que o refeitório havia ficado com a presença desse novo garoto desconhecido para mim. Engoli em seco. Tudo aquilo por minha causa? Estava me sentindo honrado e assustado ao mesmo tempo. San tirou o pé da ferida de Hugh, que se levantou com a ajuda de seus amigos e caiu fora o mais rápido que pôde. Deixei um pequeno sorriso se formar em meus lábios. – Brooze, Hugh precisa ser mais educado. Ele chamou meu amigo de cachorro. — San explicou-se, sem parecer nem um pouco arrependido. Seu sorriso continuava inabalável. Colt resmungou algo sobre eu ser mesmo um, e depois se calou. Fechei a cara novamente. Brooze estava sério, embora eu suspeitasse que ele não era sempre assim. Então aquele era o dono da mesa na qual eu estava sentado. Ele usava uma jaqueta de couro preta justa, com o zíper prateado fechado até a metade, luvas sem dedos com detalhes prateados, calça de couro preta e uma bota igualmente preta. Ele também usava uma ombreira no ombro esquerdo, com o desenho de uma caveira e detalhes dos ossos da mão de um esqueleto. Seu cabelo era preto e era levantado em um topete. Ele era cheio de tatuagens, nem todas visíveis, por conta da jaqueta, mas eu podia perceber isso por algumas aparecerem e algumas partes suas se esconderem embaixo das roupas. Ele tinha um rosto bonito, — e eu me repreendi por perceber isso, além de seu corpo bem definido, embora magro — com tudo no tamanho e proporção perfeitos. Sua boca era fina e atraente. Um pequeno piercing de argola prateado se encontrava em seu lábio inferior. Ele, por completo, era atraente. Mas permaneci quieto, observando-o.– Hugh vai ter uma conversinha comigo mais tarde. Mas isso não vem ao caso. Vamos, seus fofoqueiros! Voltem a comer! — ordenou Brooze, fazendo com que todas as pessoas do local voltassem a conversar e comer de modo barulhento — e nojento — como estavam antes. Então ele olhou para mim. — Victor! Olá, sou Brooze.– Victor...? Como sabe meu nome? — perguntei, surpreso. San voltou a se sentar e passou a conversar discretamente com Colt, que parecia mais calmo agora. Brooze sorriu e eu tentei não me deixar levar pelo seu sorriso perfeito. Sim, eu estava delirando, mas era culpa de Alex. O garoto com os fones se sentou na frente de San, e continuou quieto. Seu cabelo loiro claro era arrumado no mesmo estilo que Brooze, porém, raspado nas laterais. Tatuagens cobriam seu corpo — assim como parecia que cobriam o de todos lá — e sua pele era pálida. Bonito. Me xinguei por pensar isso.– Leo me contou. — respondeu ele, sentando-se ao lado do garoto-de-fone-anti-social. Me incomodei pelo apelido que ele usou. Eles eram amigos...só isso. Era normal usar apelidos. " Mas porque isso importa? Leonard me odeia. " pensei. — Você não foi o melhor dos amigos hein? – Isso saiu no jornal? Porque todo mundo aqui parece saber disso. — murmurei. San pareceu ficar interessado na conversa de repente.– Pessoas fofocam. — comentou ele novamente, com seus olhos puxados me encarando. Brooze assentiu. Colt comia silenciosamente uma maçã que devia ter pego na mesa comprida onde vários alimentos estavam disponíveis, no canto do refeitório. – Elas fofocaram pra mim também. Disseram que planejava não vir me encontrar como pedi. — falou Leonard, aparecendo magicamente atrás de mim. Suspirei.– Elas também te disseram que não me contou onde estaria? E que eu não conheço esse lugar e por isso iria me perder? Ou será que elas só falam as coisas...importantes? — rebati, irritado. Leonard me puxou pelo braço, arrastando-me para fora do refeitório. Ninguém pareceu se preocupar em impedí-lo. " Amigos da onça..." pensei. Quando paramos no corredor, ele me soltou e se virou para mim. Seu olhar era cortante.– Eu e você vamos ter uma conversinha. — disse ele, abrindo a porta mais próxima e me empurrando para dentro. Ele a fechou e acendeu a luz. — Vou te explicar o que vai acontecer.– Que bom, porque até agora ninguém se preocupou em me contar isso. Só me deixavam andar no escuro, sem ter idéia de onde eu vou parar. — reclamei, olhando ao redor. Estávamos em um quarto. — Me conte então. O que vai acontecer?– Você vai trabalhar para mim. — respondeu ele, cruzando os braços. Eu imitei o gesto, sem me deixar intimidar.– Isso eu já sei. O que eu quero saber é; como? — perguntei, pensando em bater nele com o abajur na mesinha de cabeceira, mas ele provavelmente iria me matar.– Vai ser da máfia, Victor. — esclareceu ele. Bufei. — Acha que não? – Não sei lutar. Nem atirar. Nem matar. — falei, enquanto ele sorria, rindo de mim, embora seu olhar continuasse duro.– Não se preocupe, terá um bom professor. — disse ele, se encostando preguiçosamente na parede. Sexy. " Ah, por favor Victor. Se mate. " pensei.– E quem seria esse professor maravilhoso? — perguntei, zombando. Seu sorriso se alargou.– Eu.
Notas finais
OBRIGADA POR LEREM! Espero que tenham gostado!!!! ^-^
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