Mo chridhe

1 Pequeno descuido


21 de setembro de 1808

Querido Capitão Uchiha, é com muito pesar que lhe escrevo esta carta, já faz alguns minutos que recebi a notícia da morte de meus pais, neste momento não sei como agir ou em que pensar. Queria ter o conforto de sua companhia e saber que não estarei sozinha, me confortaria em seus braços sem precisar dizer uma palavra sequer.

Não tenho disposição para escrever mais cartas, sabemos que você não é real e a está altura minha companhia será leiloada para um bando de velhos pervertidos. Infelizmente esta é uma das minhas melhores hipóteses.

Foi bom te conhecer.

Com carinho Hina.

******

Hinata não conseguia se lembrar quando ficou sentada na cadeira de madeira observando a carta sobre a mesa, não conseguia acreditar nos recentes acontecimentos, sua vontade era de morrer junto aos pais e sumir do mundo. Sem vontade de comer e sair do quarto os poucos empregados apareciam no cômodo e tentam convencê-la a se alimentar.

— Ficara doente se não se alimentar direito, senhorita.

— Não me importo. — Digo com a voz fraca.

— Tomei a liberdade de avisar suas amigas, a senhorita precisa de ajuda neste momento delicado. — Ela se aproxima e deixa o copo de leite sobre a mesa.

— Meu tio ... – tento falar mas só de pensar nele, meu coração se aperta. — Ele sabe?

— Pediu que avisasse que já está a caminho, mas pelo que eu o conheço não será para lhe confortar neste momento difícil.

— Obrigada Dulce.

Decidi que era a hora de agir, não poderia ficar chorando pelos cantos enquanto meus pais esperavam a cerimônia de enterro, precisava tomar todas às providencias, desde o local até quem deveria convidar. Fiz uma lista de convidados, setenta no total. Seria um evento reservado e diferente, planejava cremar o corpo de meus pais e montar um jardim no fundo da residência.

Meu pai costumava dizer, que achava horrível a ideia de ser enterrado e comido por vermes, então nada mais justo que respeitar sua ideia. Minha mãe não compartilhava a mesma opinião, a única lembrança que eu tinha a seu respeito era o fato dela doar seus órgãos. Então escrevo uma carta para o hospital regional e solicito que retirem e doem todos os órgãos que poderiam ser uteis para outras pessoas.

— DULCE.- Sem paciente e com pressa Hinata chama a governanta, segundos depois a senhora aparece no vão da porta. —Preciso que entregue isto para o hospital. — Entrego a carta com uma dor do coração. — Por favor.

— Sim senhorita. – ela se retira.

Eu teria muito pouco tempo para escrever setenta cartas, precisava de ajuda o quanto antes, pretendo enterrar meus pais amanhã durante o pôr do sol. Vou até a porta do meu quarto e começo a chamar todos os empregados, um por um.

— Shino, Lee, Naruto , Kiba , Hana ... preciso de vocês aqui em cima. – Grito e os espero em frente à porta do meu quarto.

O primeiro a chegar foi Naruto, ele caminhava despreocupadamente e a encarava sério, apesar da aparecia ele era muito simpático com a Hyuga, chegaram a namorar escondido um longo período e isso resultou em uma grande dor de cabeça para jovem moça ,pois o rapaz já teria uma pretendente memorável.

— Me chamou pequena? – ele pergunta se aproximando da morena.

— Sim , preciso que você me ajude a escrever umas cartas. – Digo calma tentando não mostrar meu desconforto em vê-lo tão potente, resultado de muito músculo e testosterona.

— Devo lhe lembrar que minha caligrafia não é bonita. — ele responde entrando no quarto.

— Isso não tem importância no momento, só preciso entregar ainda hoje setenta cartas.- Indico aonde ele deveria se sentar.

— Você pretende cuidar sozinha do enterro de seus pais? – ele pergunta cauteloso encarando eu apertar as minhas mãos.

— Sim e vocês irão me ajudar. – Sorrio para tentar amenizar meu desconforto de estar ao lado do homem que prometi meu coração e em troca recebi uma traição.

— O que devo escrever?

— Apenas copie o que eu escrevi neste papel. – respondo seguindo até a porta e esperando os outros funcionários.

— Você quer conversar? – Ele me encara. —Deve estar sendo difícil para você minha pequena.

— Não temos mais intimidade e para de me chamar assim. — Digo de forma fria e sem paciência.

— Sabe que me arrependo do que lhe fiz... – Antes que ele tivesse a chance de terminar a frase Naruto é interrompido por Shino.

— Me chamou senhorita Hyuga?

Dei as instruções de como deveriam me ajudar.

Enquanto eles escreviam as cartas eu pedi para os Magie cozinhar uma porção considerável de petiscos salgados e doces para amanhã, pois planejava receber um grupo considerável grupo de convidados.

Teríamos um grande trabalho até tudo estar pronto.

Pedi para o jardineiro Shoji separar algumas rosas vermelhas, que se encontravam na estufa da minha mãe para plantas sobre o caixão, a cada minuto eu tomava consciência de que eu estava cuidando do enterro de meus pais, era algo cruel e eu não desejaria isso a ninguém.

— Eu sinto muito pelo que esta passando ,senhorita.- Diz Shoji me entregando uma rosa. —Você está fazendo um excelente trabalho.

— Obrigada nessas horas eu preciso ser forte.- Cheiro a rosa e penso nas horas de trabalho que minha mãe se dedicou a cada uma.

Finalmente estava tudo pronto, desde as cartas até a última taça de vinho.

Precisou endereçar as cartas e escreveu com cuidado e atenção o nome de cada convidado nos envelopes pardos, ao certo eram 70 nomes, porem viriam mais pessoas para desejar os pêsames a tragédia de seus pais, pensou.

— Lee teria como você enviar aquelas cartas depois de seus afazeres?- pergunto vendo-o levar os cavalos para o estábulo.

— Como desejar senhorita Hyuga, em dez minutos estarei partindo.- responde.

— Maravilha, pedirei para Hana preparar uma bolsa com lanches, não precisa ter pressa pra voltar, se assim desejar pode ficar com sua família na cidade. — eu o ajudo com os cavalos, precisávamos coloca-los todos no estábulo antes que escurecesse.

— Faço questão de voltar e acompanhar a cerimônia de despedida dos senhores seus pais. — responde de maneira simples.

— Tudo bem ,deixarei as cartas sobre a mesa.

******

Ao voltar para o quarto à primeira coisa que fez foi se jogar na cama.

Estava tão cansada que quando dormisse provavelmente precisaria de um exercito para acorda-la no dia seguinte, mas antes de entrar no mundo dos sonhos ,pretendia escrever uma ultima carta para o Capitão.Mesmo que não fosse necessário, queria terminar aquilo de uma maneira certa, a figura do capitão era tão real pra si,que se pegava pensando nele grande parte de seus dias.

Ao levantar da cama seu corpo congela quando não vê a caixa sobre a mesa, a caixa na qual continha todas as cartas destinadas ao Capitão Uchiha, seu pretendente imaginário.Ela revira gaveta por gaveta ,mas não encontra absolutamente nada.

— Merda ,aonde essa caixa foi de meter? – pergunto aflita, resolveu ir a cozinha e perguntar da caixa para os funcionários ,mas a resposta que ouvi fez meus pelos se arrepiarem.

— Como assim você enviou aquelas cartas? – pergunto me apoiando na mesa sem ar.

— Acabei enviando todas as cartas que estavam sobre a mesa ,senhorita.- responde Lee naturalmente.

— Mas aquelas cartas na caixa não eram para serem enviadas. — respondo em um fiapo de voz ,meus desabafos estavam escritos naquelas folhas de papel que guardei durante anos,este definitivamente era o pior dia da minha vida. — Mas não se aflore Lee, estas cartas não tinham um endereço então não temos porque nos preocupar.- Tento tranquiliza-lo após velo ficar mais pálido que o normal.

— Perdoe-me senhorita ,eu estava tão desatento.

— Não há motivos para se desculpar, hoje foi um dia cansativo para todos nós ,podem descansar estão dispensados.- me retiro da sala e vou até a galeria dos meus pais para ter um micro conforto,mas ao abrir as portas de madeira uma onda de desaju me invade e os últimos resquícios de coragem e determinação que estiveram comigo ao longo do dia se dissipa e um turbilhão de sentimentos me invade ,lágrimas escorrem dos meus olhos e a única coisa que eu consigo pensar é ...

— Eu quero que isso acabe logo.

Definitivamente os piores dias da minha vida estavam por vir e eu deveria encarar as dificuldades e saber lidar com cada uma.

******

Os raios invadiam o quarto e refletiam no edredom branco, estava tão bom ficar deitada naquela cama que acabei esquecendo de minhas obrigações, teria que recepcionar os convidados ,provavelmente alguns já teriam chegado.

Estranhei, pois ninguém veio me acordar, decido me levantar e me preparar para a rotina matinal da manhã, precisaria tomar um banho e escovar os dentes.

Antes de entrar no banheiro separo um vestido claro, eu não odiava usar vestido, mas preferia usar calças, entretanto não estava com cabeça para ouvir cochichos negativos a respeito de minhas roupas, então eu mesma me pouparia de qualquer desconforto.

De banho tomado resolvo descer as escadas para comer alguma coisa, antes que eu pudesse chegar à cozinha ouço vozes, parecia uma conversa animada, eu entro desconfiada e vejo uma grande amiga de infância, seus cabelos rosa estavam maiores e seu barrigão denunciava a gravidez. Ela estava vestida em um vestido vermelho clássico que desenhava todas suas curvas e mostravam um decote potente sobre seu busto, dava um contraste com sua pele clara, usava alguns adereços simples em seus cabelos para mantê-los presos, ela não percebeu minha presença e continuou conversando com Naruto, ambos foram criados juntos.

— Não acredito que você fez isso com o Teme. -O loiro diz sério com os braços cruzados aboiados sobre a mesa.

— Ele é meu marido, mas não é meu dono ... se ele acha que só porque eu estou carregando um filho dele passei a ser sua propriedade, ele esta muito enganado.- Diz comendo um farto pedaço de bolo.

— Ele virá para a cerimônia? — pergunta pegando mais um pedaço de bolo para a rosada. — Vai virar uma porca se ficar comendo dessa forma.- Em resposta Sakura o fuzila com os olhos e diz com a boca cheia: ‘’— Diz isso porque não precisa se alimentar por três’’.

— Ele esta resolvendo alguns acordos com o Duque ,parece que Itachi esta com problema no conselho.-Diz pensativa.

— Tenho pena da futura duquesa. — Ao dizer tais palavras ,o loiro percebe a presença da morena encostada na porta e fica rígido e desconfortável ao ser pego junto a Sakura.

— Bom dia.- A morena cumprimenta o casal vendo que não teria mais escapatória, havia sido flagrada.

— Hina, pensei que ainda estivesse dormindo.-A rosada se levanta e vem me abraçar com um sorriso caloroso no rosto.- Ia pedir que levassem seu café no quarto ,esse bolo esta maravilhoso.

— Não será preciso ,comerei aqui com vocês. – correspondo o abraço acolhedor, o cheiro de lavanda da Haruno me acalmava.

— Infelizmente Sasuke não poderá vir, mas lhe desejou os pêsames e virá quando tudo estiver resolvido em Londres, o Duque chegou de viagem e não parece nada satisfeito com algumas coisas.

— Então me fará companhia durante alguns dias?- pergunto contente.

— Se não for nenhum incomodo.- ela responde voltando para a mesa e comendo o restante do pedaço de bolo.

******

Durante a manhã Sakura a ajudou a receber os convidados,haviam chegado cerca de trinta pessoas,a morena estava preocupada com a postura da amiga ela não para quieta, uma hora ajudava a levar canapés para os convidados ,outra hora fazia rodízio com os funcionários para servir o vinho.

O marido da rosada era marquês de Ruão, o irmão dele havia sido nomeado Duque de Versalhes, ela pertencia a uma família nobre onde as pessoas costumavam servi-los e não o contrário.

— Eu vou te amarrar se te ver carregando mais uma vez essas bandejas.- Digo a arrastando com cuidado para dentro da casa e a colocando no sofá.

— Eu quero ajudar Hina.- Diz tentando se levantar com dificuldade pois sua barriga estava grande para os primeiros seis meses. — Nem mesmo o Sasuke me impediria de te ajudar, então me faça o favor de me poupar dessa discussão.-Diz impaciente.

— Calma ... – Hinata se senta ao seu lado. — Pelo que eu saiba sua gravidez é de risco e aposto que se seu marido soubesse que você esteve trabalhando enquanto deveria descansar, ele me crucificaria no fogo. -Seguro suas mãos com carinho. — Você já me ajudou o suficiente Sakura, não acha melhor descansar um pouco? A cerimônia acontecera em breve. — Digo calma. — Prometo que irei te chamar.

******

Antes de chegar nos últimos degraus da escada a morena sente dois braços a envolvendo calorosamente sobre o pescoço, pelo cheiro adocicado sabia de quem se tratava,era a baronesa de Caanes.

— Cheguei o mais rápido que pude.-Diz a baronesa.

— Fico feliz por sua presença Ino.- aperto um pouco o abraço.

— Eu sinto muito, deveria ter me avisado que seus pais estavam com tuberculose, meu marido não pode vir e mandou essas rosas amarelas.- Sorriu para a morena.

— Ele se lembrou?!- Digo sem graça.

— Claro você foi à única pessoa que bateu de frente um com Barão mocinha, ele disse que quando for me presentear com rosas irá comprar um buque para você antes. — A loira diz aos risos. — Antes que eu me esqueça, Temari está la fora aos beijos com o seu ex-namorado.

— Ate parece.- Digo tendo um ataque de risos, só ela mesmo pra me fazer rir em um momento desses. — É mais fácil ela ter matado o coitado.

Flash Black

Os sussurros na biblioteca nacional de Cannes eram ouvidos por todos que estavam no local ,mas ninguém se atrevia a nos repreender,apesar de estarmos em uma propriedade privada a biblioteca era para todos da cidade e como estávamos ali a convite do Barão seria ‘’errado’’ chamar a nossa atenção.

Passamos uma curta temporada na propriedade real do Barão canes, onde seu filho primogênito pediria a mão de Ino em casamento e como companhia ela nos convidou nessa maravilhosa viagem.

Os custos da viagem foram bancados pela família do jovem rapaz, ela nunca nos contou ao certo como conheceu o ruivo, ela era apaixonada por ele antes que ele a conhecesse.

— Se eu ouvir mais uma vez você falando desse homem ,eu vou embora. — Diz Sakura sem paciência para Ino.

— Ele vai me pedir em casamento, eu sinto que vai ... –A loira suspirava pelos cantos.

— Não sei porque você está preocupada, você é linda ,inteligente e tem uma excelente lábia ,vai convencê-lo a se casar com você rapidinho.- Diz Sakura com os pés apoiados na mesa.

— Aonde esta a Hinata, ela disse que foi pegar um livro e até agora nada.- pergunta intrigada olhando para os lados.

— Eu não sei, ultimamente ela anda me evitando.- Sakura diz triste.- Ela me pegou aos beijos com o Naruto ,eu não sabia que ela estava tendo um caso com ele, logo ela que é tão santinha.- sussurra.

— Eu também não sabia, ela anda escrevendo umas cartas para um certo Capitão, pensei que estivesse apaixonada por ele e não pelo Naruto.- Enquanto falava Ino folheava um livro. — Mas você já tentou conversar com ela ?

— Sim.- a rosada responde. — Ela disse que não esta com raiva apenas chateada com ele, porque ele sabia de tudo e mesmo assim se aproveitou para me beijar.

— Como ela agiu depois que viu o beijo? – pergunta curiosa a loira.

— Ela jogou uma jarra de suco de uva em nos dois.- responde a rosada evitando rir .

— Eu amo a Hina,se fosse eu no lugar dela teria jogado água quente em vocês isso sim.- Ino aponta o dedo para a amiga.- Você estaria só a pelanca.

— Que bom que não foi você então... – a rosada se levanta chateada consigo mesma.

Estava sozinha na biblioteca já havia um bom tempo, não queria ir atrás das meninas não saberia como agir diante daquele pequeno conflito, resolvo me levantar para conhecer o local , mas quando sigo até a porta vejo ‘’ele’’ vindo em direção, ele parecia irritado com alguma coisa, a distancia diminui e ele fica de frente para mim.

— Eu não sei o que sua amiga tem, mas faça o favor de tira-la da minha propriedade imediatamente. – Ele diz entre os dentes.

— Quem? – pergunta confusa. — O que aconteceu?

— Eu não quero saber de suas desculpas, eu só não quero recebê-la em minha casa nunca mais, sorte sua que nossos pais não estiveram presentes.- Ele me puxa com rispidez sem nenhum cuidado até o local.

Ao chegar no fim do corredor, vejo ao longe o corpo de Hinata, ela estava vermelha e eu não saberia dizer se era por um ataque de choro ou raiva, ela estava sentada no chão com a cara fechada e os cabelos desgrenhados, ao seu lado havia uma outra mulher uma loira que me encarava de uma maneira nada hostil.O lindo piso de mármore branco estava repleto de pétalas espalhadas pelo chão.

Antes que eu pudesse perguntar alguma coisa, o futuro Barão se pós a explicar.

— Esta ... – ele se segura para não ofender Hinata. — Ela me agrediu com um buquê sem nenhuma razão.- Vociferou.

— Agora você é o coitado, homem é tudo igual.- Hinata diz entre os dentes se levantando para ficar de frente para o ruivo.

— O que aconteceu aqui Hina? — pergunto sem a menor reação, aquilo não deveria estar acontecendo.

— Seu príncipe encantado, esse ser ai. -Aponta para o rapaz que estava a sua frente rígido a olhando com um olhar feroz.-Estava se agarrado com essa mulher aqui, ela tinha até entregado um buque de rosas pra ele e ainda disse que compartilharia o mesmo homem sem nenhum problema.- Diz com raiva.

— Você é doida.-Diz Gaara deixando a pose seria e adotando uma postura menos rígida. — Está moça aqui é minha irmã.

Vejo a minha amiga abrir a boca varias vezes, parecia que tinha perdido a fala, ela parecia muito envergonhada.

— Eu... adorei as rosas amarelas.- Diz sem graça.

******

Nunca pensei que um dia seria encarregada de enterrar os meus pais,a cerimônia havia sido um evento especial pra mim, recepcionei mais convidados do que o planejado, a maioria veio conforme o esperado e partiram antes do entardecer.

Por educação fui obrigada a ouvir todos os conselhos e indicações para meu futuro marido, o que mais me chateou durante a cerimônia foi o descaso ao meu pedido, eu deixei bem claro na carta que não queriam que viessem de luto,mas todos estavam de preto.

— Hina eu adorei sua casa ,ela é bem ... – ela tentava encontrar uma palavra para a descrição. — Acolhedora.

— Obrigada Sakura.- Digo carinhosa. — Estão cansadas ? Gostariam de banhar ?- pergunto para a dupla sentada a minha frente. —Posso pedir que preparem para vocês.

— Eu gostaria de tomar um banho bem quentinho Hina.- Responde Sakura se levantando com cuidado. — Gostaria de dormir cedo se não fosse problema, minhas pernas estão um pouco inchadas.

— Venha, eu te ajudo a chegar até o quarto.- Me coloco ao seu lado e a levo ao quarto passos lentos.

—Hina eu estou preocupada com a sua situação, você é menor de idade provavelmente seu tio será seu tutor até completar a maioridade.- Lamenta preocupada.— Se você quiser pode se hospedar em minha casa até se casar, não temos pressa. O meu marido não iria se opor a nenhuma ideia minha ele sabe que você é como uma irmã para mim.

— Eu não sei ... – responde incerta.

— Pense com carinho, sabe que pode contar comigo e as meninas, graças a Deus nada nos falta e estamos dispostas a te ajudar sempre que houver necessidade. — Diz subindo os degraus com cuidado e se apoiando nas paredes.

— Minha única preocupação no momento são com os funcionários, eles são excluídos da sociedade e a única renda que poderiam conseguir na vida seria aqui na fazenda.-Digo tensa. — Onde eles trabalhariam? – pergunto preocupada.

— Se você permitir poderia escrever uma carta para meu marido esta noite, pedindo um conselho ou uma solução.- Sorrio para a Hyuga tentando mostrar segurança. — Eu vim aqui Hina foi para te ajudar e não para uma simples visita.

— Eu sei Sakura. — Respondo sem olha-la, me sentia desconfortável tão frágil na frente dos meus amigos.

Não sei ao certo o que me fez acordar naquela noite, olho para os lados e nada me parecia estranho mas antes que eu pudesse voltar a fechar os olhos ,a porta do meu quarto se abre com uma violência descomunal ,não tive tempo de fazer nada enquanto era arrastada pelos cabelos escada abaixo até o primeiro piso, não conseguiria ganhar uma luta braçal com dois homens.

—Olha quem resolveu aparecer?! – Diz um homem com bengala se dirigindo até mim. – Fazia um bom tempo que gostaria de vê-la.

— Saia de minha casa. — Dizia a morena tentando se afastar dos homens que a seguravam com firmeza, um apertava seu pescoço obrigando-a olhar para o tio a sua frente e o segundo segurava seus cabelos.

—Desculpe não ter vindo antes ,mas eu estava escolhendo com quem irá se casar.- ele se senta na poltrona vermelha e observa a casa como se estivesse a vendo pela primeira vez. -Quando for à hora irei fazer uns retoques nessa casa, ela está bem acabada.

—Vai pro inferno. — Dizia a morena com raiva.

—Onde estão seus bons modos mocinha?- Questiona. – Gastei uma grana preta comprando vestidos para você, espero que seu trabalho cubram os gastos, nem que pra isso eu a coloque em um bordel.

—Acho que seria mais fácil você me matar. – Hinata diz com raiva.

—Claro que não, querida.- diz com ironia. -Você é nosso pote de ouro.

Ambos ficaram se encarando por um grande período, escorado na poltrona vermelha Hizashi analisa o corpo da sobrinha e imaginava o quanto de lucro ganharia em vende-la. Não era cego e sabia que a sobrinha tinha um corpo desejável e um rosto bonito.

A morena permaneceu na mesma posição arquitetando o que poderia fazer para tira-lo de dentro de sua casa, não faria nada arriscado por enquanto, mas quando o viu se levantar da poltrona e se dirigir ao andar de cima ela temeu o pior, suas amigas estavam dormindo em sua casa já fazia cinco dias. Como prometeram à morena, elas só voltariam para casa depois que seus maridos resolvessem seus assuntos em Londres com o Duque.

— Eu desisto, não adianta lutar não é mesmo?- pergunta tentando ganhar a atenção do homem, ganharia um tempo antes de resolver o que faria para mantê-lo longe do andar de cima.

—Vejo que ainda lhe restou um pouco de juízo nessa sua cabecinha de vento.- ele sorri e desce dois degraus. – Pensei que seria necessário usar um chicote pra te domar.

Antes que ele pudesse dizer mais uma palavra , ela decide agir, com as mãos livres soca a mandíbula dos capangas de seus tio, eles não a soltam mas foi o suficiente para ela conseguir de desprender e sair correndo pela porta , se tivesse sorte eles a seguiriam ,estavam a dois passos da porta e ao colocar a mão na maçaneta escuta um barulho, em fração de segundos sente uma queimação na barriga e ao olhar para baixo vê seu vestido se tornar vermelho.

Ele tivera coragem de atirar nela, a porta que estava a sua frente se abre e ela pode ver o desespero nos olhos de Naruto , ela estende as mãos para que ele pudesse segura-la ,a dor do tiro estava se alastrando pelo corpo, ele a segura e ela permitiu fechar os olhos.

******

Com um único suspiro Hinata se levanta da cama, seus cabelos estavam úmido provocado pelo suor. Ela simplesmente não conseguia tirar aquele pressentimento ruim do seu corpo, os pesadelos vinham a perseguido fazia alguns dias, a simples ideia de receber seu tio em casa a assombrava, tinha consciência que o que ele mais queria era a casa e dinheiro, provavelmente não mediria esforços pra conseguir.

Decidiu dar uma caminhada,precisava de um pouco de ar.

Ao abrir a porta de madeira da sala segue até o estábulo, estava escuro e era possível ouvir barulhos de grilo,mas no caminho leva um susto quando uma mão fria a seguram firme pela cintura.

— O que você faz uma hora dessas acordada? – Hinata se vira para a pessoa que a chamou e respira aliviada, era Naruto ,ele analisa a roupa que ela vestia ,foram poucas as vezes que teve a oportunidade de vela com uma camisona branca e parecia tão errado, diferente do que poderia imaginar, ela não ficou com vergonha e sim com raiva ao velo.

— Estou sem sono. – responde simplesmente, se afastando do loiro.

— Vai sair vestida assim? Não acha perigoso? – pergunta a seguindo até o estábulo e voltando a segurá-la pelo cotovelo.

— O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta Uzumaki.- Vocifera de frente para o Uzumaki, ambos estavam frente a frente e se comunicavam apenas com o olhar.

—Isso grita ! – ele a segura firmemente no ombro. — Prefiro você gritando comigo do que se afastando como tem feito nesses últimos anos.

—Me deixa em paz Uzumaki, por favor.- Mantém o olhar firme.

—Eu gostaria de saber o que aconteceu naquele dia Hinata.- Ele pede firmemente ,não parecia o garoto atencioso que costumava trata-la com respeito,parecia irritado e decepcionado.—Eu quero uma resposta.- Aperta o ombro da jovem.

— Quer saber mesmo?- pergunta puxando o braço com rispidez.

—Quero ... – ele da uma passo pra trás ,mas mantém a postura rígida e cruza os braços impaciente.

(Flash Black)

Foi preciso sete minutos debaixo da água quente, duas barras de sabonete com cheiro de lavanda, um tubo de xampu destinado exclusivamente para meus cabelos para tirar o cheiro de sexo impregnado em minha pele, o toque de macias toalhas felpudas que ouso envolver em meu corpo e ali eu começo a entender.

Eles querem que eu esqueça que eu acabei tendo minha primeira noite de amor com ninguém menos que Naruto Uzumaki.

Coloco de volta as minhas roupas velhas e, na ponta dos pés, retorno para o quarto, apenas para encontrá-lo abandonado.

Hizashi havia dito que ficaria.

Eu não o entendo eu não entendo suas ações eu não entendo minha decepção, queria gritar e escrever para a volta de meus pais, mas isso não seria possível por enquanto. A esta altura Naruto foi levado de volta pra sua casa e seria matriculado em um internato, seria tão bom se eu pudesse voltar no tempo e resgatar minha castidade, foi um ato imprudente impensado.

Os empregados estão fazendo fila diante de mim.

Ao meu lado.

Atrás de mim.

Não consigo respirar.

Estou girando em círculos por causa de uma atitude impensada,entro em pânico e fico aflita só de pensar o que meus pais pensaram ,meu corpo petrificada contra minha vontade uma onda de medo me toma.

Durante a viagem de comemoração de casamento dos meus pais eles não souberam do ocorrido e meu tio me manteve trancafiada no sótão até a visita dos mesmos.

Me chamou de animal , cadela e vadia.

—Sempre soube que puxaria sua mãe , ousada e atrevida do jeito que é não aguentou manter as pernas fechadas.- Ouço meu tio dizer atrás da porta ,eu não me importei com seus pensamentos estava mais preocupada com as consequências daquele ato impensado, poderia estar grávida ou com alguma doença.

******

Não sei ao certo quantos dias a viagem dos meus pais durou ,mas soube pelo olhar de meu tio e sua atitude inesperada que eles viriam em breve.

—Vá se arrumar ,tome um banho para tirar esse cheiro de carniça do seu corpo. –ele diz sem me olhar.

Como foi ordenado eu tomo um banho demorado, um banho nunca me pareceu tão maravilhoso como agora, visto um vestido verde e prendo meu cabelo.Não sabia ao certo se deveria ficar no quarto, temendo o pior fico ali esperando um sinal,acabo dormindo ali mesmo.

— Hinata? Hina!

— Por favor, acorde filha...

Eu sufoco um grito e sento-me na cama, com o coração batendo forte, os olhos piscando rápido demais enquanto tentam encontrar foco. Eu pisco pisco pisco e vejo minha mãe sentada na cama, parecia triste.

— O que andou aprontando minha pequena? – pergunta aflita.

— Me desculpe ... – A morena não consegue segurar as lágrimas e soluçava sem parar.

— Fica calma ,essas coisas acontecem ... – Minha mãe me olha cautelosa.

Naquela semana descobri a gravidade do ocorrido, meus pais apesar de irritados com meu estado não demonstraram nenhum desagrado pela minha gravidez, se mostraram atenciosos e compreensíveis como sempre.

— Creio que deva escrever uma carta para a família do senhor Uzumaki.- Ouço minha mãe dizer.

— Ele não se importa comigo mãe.- Digo deitada na cama encolhida.

— Porque você se entregou cedo de mais minha filha?- pergunta.- Você ainda nem completou seus dezessete anos.

— Geralmente quando eu faço uma coisa eu vou até o fim e com ele não foi diferente. — Digo irritada. — Eu fui uma trouxa,ficarei marcada pro resto da vida nunca vou me casar e vou ser taxada como a ‘’depravada’’.

— Chega de drama.- minha mãe diz sorrindo e colocando a mão sobre minha barriga. — Ninguém sabe que esta grávida, por enquanto vamos resolver uma coisa de cada vez ,precisamos cuidar de sua saúde e avisar o tal Uzumaki.

******

Havia pilhas de livros e papéis por todo o chão da sala, em outras palavras o escritório de meu pai era uma bagunça.

Não era o que eu esperava de alguém tão incrivelmente organizado como ele, antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele me encara serio.

— Com problemas para dormir? – pergunta folheando um livro.

— Digamos que sim... – respondo me sentando no sofá e afasto com cuidado umas folhas de papel que estavam jogadas em cima do móvel.

— Eu e sua mãe estamos tendo algumas discussões graças a mocinha.- ele me encara. — Você só tem 16 anos Hinata e já vai ser mãe.

Fico em silencio ,sabia que ele tinha toda razão.

—Ela diz que não devemos avisar a família do Uzumaki por enquanto. – Ele se levanta e fica de pé a minha frente. — Tem certeza disso?

— Tenho ... – respondo olhando para minhas mãos.

— Irei respeitar sua vontade ,mas quero conversar a respeito desse episodio depois. – Diz se agachando e ficando na mesma altura que a morena.

— Podemos conversar agora. – Responde à morena.

— Tudo bem. – Ele se senta ao seu lado. — Quando começou a se envolver com o Uzumaki? — pergunta curioso ,recebendo meu silêncio como resposta ele diz : — O mínimo que poderia fazer por mim é me contar como isso tudo começou.

— Eu conheci ele nas aulas de hípica, pensei que fosse um funcionário, mas ele é amigo de Neji , ele nunca comentou nada a respeito dos pais e ele andava com roupas velhas, então pensei que realmente fosse um empregado do meu tio.- Respondo olhando os olhos claros de meu pai.

— Hmmm... – ele responde mostrando que está prestando atenção, mantinha o maxilar trincado e as vezes virava o rosto. — E isso foi o suficiente pra dormir com ele?

Eu ignoro sua pergunta e continuo a historia.

— Eu comecei a sair com ele durante as noites ,costumávamos andar a cavalo ... mas uma vez ... aconteceu. – Digo com vergonha.

— Muito bem ... – ele diz sério. — Você gostava dele ou algo do gênero?

— Acho que sim ... eu fiz o que meu corpo pedia na hora.- respondo vermelha.

— Se te serve de consolo, sua falta de juízo me serviu de inspiração para um livro.- ele se levanta e segue ate a cozinha. — Você se arrepende? – ele se vira pra mim.

— Não ... – Digo e o vejo ir e percebo que ele sorriu.

*****

Estava uma tarde linda, ensolarada com o céu azul sem nenhuma nuvem , minha barriga começa a salientar abaixo do vestido rosa bebê, era um excelente dia para andar a cavalo ,separo o melhor e me dirijo ao campo.

Eu corria como se não houvesse amanha ,o vendo sobrava sobre meus cabelos e eu tinha a sensação de estar voando,mas Lesly estava correndo muito,eu não conseguia para-la.

Não entrei em desespero, estávamos em um campo limpo com poucas árvores e tinha apenas gramas pra pasto.

Estava tão concentrada na corrida e nas rajadas de vento em meu rosto que não percebo uma pedra grande no caminho e estávamos correndo em sua direção,quando percebi já era tarde de mais ,foi questão de tempo para eu ficar estirada no chão ,não havia nada a fazer apenas rezar para sentirem minha falta.

Eu só sinto dores em minhas costas, as aulas de primeiro socorros foram inúteis, eu sabia que não poderia dormir ou poderia provocar algumas sequelas, e meu filho poderia ... não gosto nem de finalizar meus pensamentos.

Espero por horas, fico apenas observando as nuvens no céu rezando e pedindo que meu filho estivesse vivo.

— HINATA?

Passos batem no chão. Apressam-se em volta da minha cabeça. Todos os sons estão batendo uns nos outros, colidindo de novo, girando ao meu redor. Eu não conseguia enxergar direito só via vultos.

Não acredito que ainda não estou morta.

Não tenho ideia de quanto tempo faz que estou deitada aqui.

— Hinata? HINATA...

Eu apago, as dores estavam tomando meu corpo.

Meus olhos se abrem e o meu primeiro pensamento era como meu corpo estava dolorido, parecia que tinha levado uma surra, não conseguia respirar sem contrair a barriga, era uma das piores dores que eu já senti em toda a minha vida.

Eu sentia o pior.

Eu já imaginava onde estava e quais seriam as palavras do médico.

Eu me sentia vazia, pode achar que eu estou doida ,mas eu não sinto mais nada em meu ventre alem da dor.

Só não queria ouvir a confirmação dos médicos.

— Filha não tenho boas noticias ... – Ouço a voz de meu pai. — Você sofreu um drástico acidente e infelizmente perdeu o bebe.

Eu apenas respiro fundo e me recuso a chorar.

Logo agora que estava escolhendo seu nome ,logo agora que eu iria tomar coragem e dizer ao Naruto a novidade.Já tinha me apegado a ideia de cria-lo...

—Eu matei meu filho.- Sussurro olhando o nada.

— Sua mãe esta preparando suas coisas para fazer companhia a Ino em sua viagem, achamos que o melhor a fazer agora é mante-la afastada de tudo.- Diz segurando minha mão. — Nós sentimos muito.

Logo pela tarde minha mãe aparece com o rosto vermelho, sua voz denunciava o motivo, ela se mostrava forte e ainda me tratava como se eu não tivesse feito nada de errado.

— Conversei com o médico ,ele disse que você poderá sair daqui a uma semana,graças a Deus não aconteceu nada pior filha. – Ela sorri com os olhos cheios de lagrimas.

— Engano o seu mãe, eu já morri faz tempo.- Repondo anestesiada com os acontecimentos.

— Não diga isso minha filha, Deus sabe o que faz. – Ela se aproxima e beija meu rosto.

14 de junho de 1806

Caro Capitão,

Hoje fará exatamente um mês que sofri o acidente.

Desculpe não me apresentar adequadamente me chamo Hinata tenho 17 anos ,mas não se engane apesar da pouca idade já me tornei assassina ,fui capaz de matar meu próprio filho.Não consigo dormir mais, vou ficar maluca se não puder desabafar.Ninguém sabe a gravidade do ocorrido, meus pais mantém tudo as escuras e vivem como se nada de grave tivesse acontecido, eu estou tão machucada.

Tenho vergonha pelos meus pais ,eles me apoiaram dês do começo,eles não merecem a filha que tem.

Me entreguei a um homem que nunca mais me procurou e agora deve estar se divertindo as minhas custas e contando aos seus amigos como fui fácil.

Desculpe por incomoda-lo, você será o meu refugio não me resta mais ninguém.

Hinata Hyuga

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Os pais de Ino andavampela cozinha catando os cacos de vidro do chão, logo depois nos deixaram aproveitar o café da manhã em paz, não sem conferir se eu estava bem e não provocaria mais nenhum problema.

Todos sabiam que eu estava um pouco perturbada e triste, mas não sabiam o motivo.

Hoje infelizmente não era meu dia de sorte, ao entrar na cozinha a primeira coisa que vejo é Sakura e Naruto aos beijos sobre a mesa, sem pensar duas vezes jogo a primeira coisa que vejo na frente no casal fogoso a minha frente.

Eu me odiei tanto , passei por altos e baixos por causa dele e depois de tudo o vejo se agarrando com minha amiga, ele definitivamente me dava nojo.

Não demorou muito para me fechar para as pessoas.

Não queria ir aquela viagem ,muito menos conhecer o futuro marido de Ino, me julgue se quiser ,mas você não sabe a dor que eu carrego no peito e como é difícil segurar esta mascara, como se tudo ao meu redor estivesse normal.

Naquela mesma noite voltei a escrever ao Capitão.

30 de junho de 1806

Hoje o dia foi horrível, eu vou enlouquecer ...

Ninguém pode me entender...

Não sinto mais nada e não sei como continuar vivendo com essa dor, nada pra mim tem mais graça.

Hoje bati no futuro Barão.

Agora me diga se eu não estou ficando louca?

Hinata H.

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Não conseguia ficar encarando os olhos azuis surpresos, ele parecia perdido em seus pensamentos ,nem se deu ao trabalho de me seguir até o estábulo ,espero que o que ele esteja sentindo seja pelo menos um terço da dor que eu sinto todos os dias nos últimos anos.

Eu iria andar a cavalo e se tivesse sorte não voltaria.

Depois de galopar todo o campo me pego observando o por do sol, e me sinto feliz em puder ver aquela cena, me recordo dos meus pais e sinto que era a hora de ser forte e voltar para casa.

No caminho não vejo Naruto e sinto-me muito aliviada ,não teria cabeça para conversar com ele no momento ,queria apenas tomar um banho, esquecer dos meus problemas e dar atenção as minhas visitas.

Ao abrir a porta ,sinto um cheiro diferente no ar, um perfume amadeirado, ao levantar os olhos vejo um homem sentado no sofá me analisando. Aquele não era apenas um homem. Ele era o homem. Um britânico alto, imponente, vestindo o que parecia ser um uniforme militar: um kilt azul escuro, combinando com o tradicional casaco vermelho vinho.

O cabelo dele estava bastante comprido e seu maxilar quadrado mostrava uma barba por fazer há vários dias.

Os ombros largos se afunilavam em um tronco delgado.

Uma bolsa preta simples estava pendurada na cintura e um punhal embainhado pendia de seu quadril.

Hinata esqueceu como respirar e esperando uma resposta apenas olhou para a Baronesa esperando alguma dica de quem seria o convidado,definitivamente não era seu.

— Boa dia. — Ela conseguiu fazer uma mesura desajeitada. — Desculpe atrapalha-los mas já estou de saída.

— Para que tanta pressa Hina ,deixe-me apresentar ... – Ino se levanta e vem em minha direção sorridente. — Hinata ,este é o Duque.

Não sabia como reagir depois das palavras da loira, cumprimento da melhor forma possível aquele homem, ele não poderia ser real, ele era lindo e sua presença já me deixava incomodada de uma forma positiva.

— Seja bem vindo.- respondo desviando o olhar.

— Muito obrigado Srta. Hyuga.- A voz dele era a pior parte. Grave, com aquele sotaque que arranhava e esvaziava as palavras.

— Ele veio de muito longe Hina.- Diz a loira cautelosa, ela definitivamente era uma anfitriã muito melhor que eu, pensei. — Parece que ele tem algo muito importante a tratar com você mocinha.

— Comigo? – pergunto assustada, começando a suar frio. — O que eu aprontei dessa vez?

— Não se desespere, podemos conversar mais tarde senhorita Hyuga.- Ele encara minhas roupas e percebo que eu estava de camisola. — Como disse anteriormente, você estava de saída provavelmente iria tomar um banho ,não quero atrapalha-la.

Eu não sabia o que responder, olho para Ino perdida.

— Vá tomar um banho e trocar essa roupa,não se esqueça de tomar café da manhã, soube que andou de cavalo até agora.- A baronesa me repreende. — Quando subir passe no quarto da rosada ,ela quer muito te ver.

— Sim ... – Digo me encaminhando até a escada.

— Srta. Hyuga o assunto que tenho a tratar com a senhorita e a respeito de algumas cartas. – Ele diz, não precisei pensar muito para adivinhar aonde as minhas cartas tinham chegado. — ‘’Mas como?’’ penso.

Me viro e vejo tudo lento, ele parecia confortável com a companhia de Ino, ambos sorriam e eu tive certeza, ele não sairia de lá tão cedo.

Notas finais
Espero que tenham gostado fiz com muito carinho.