Moça
1 Capítulo único
Notas iniciais
E la estava ela, andando com pressa pelas ruas de Konoha, era um dia nublado e estava óbvio que iria chover.
A jovem de cabelos rosados abraçava seu próprio corpo na tentativa de diminuir o frio que aumentava a cada segundo.
Ela sorria e acenava para as pessoas que estavam por ali, seu rosto era sereno e seus olhos demonstravam simpatia a todos que a olhavam.
— Hey Sakura-chan, espera — gritou o loiro que corria em direção à rosada.
— Pra onde está indo Naruto? — Perguntou Sakura com um sorriso gentil no rosto.
— Estou indo pra casa — Ele disse e sorriu.
— Mas sua casa é pra lá — ela disse apontando com a mão esquerda na direção que o loiro morava.
— Mas eu vou acompanhar você até a sua casa — disse Naruto recomeçando a andar — Vamos Sakura-chan.
— Okay.
— Está com frio? — Perguntou o loiro.
— Não não, Está tudo bem — Ela mentiu.
— Toma — ele disse tirando seu casaco laranja desbotado e o entregando a ela.
— Não precisa — ela disse.
— Eu insisto — ele retrucou.
— Obrigada — Ela sorriu e vestiu o agasalho.
Os dois caminhavam em um confortável silencio até que chegaram à casa de Sakura e se despediram com um abraço apertado.
Sakura entrou, ainda usando o agasalho laranja, foi até a cozinha e comeu o que restou do café da manhã na companhia apenas do som do relógio de parede que marcavam uma e meia da tarde.
A mente daquela adolescente era uma bagunça, um turbilhão de pensamentos a invadia, pensamentos que sempre chegavam a mesma questão:
Qual é o sentido da vida?
Ela não sabia a resposta e sofria por isso, pobre garota, havia perdido os pais tão recentemente naquele maldito acidente de carro, sua melhor amiga a abandonou por um garoto cujo o nome já havia se apagado de sua mente, sem contar as inúmeras vezes que seu tio, que tinha sua guarda, abusava sexualmente dela, era uma típica menina antissocial, vivia solitária, em seu mundo solitário, era angustiante, era uma verdadeira tortura ter que sobreviver todos os dias sabendo que nada iria melhorar, que aquele sofrimento estava destinado a ela até o dia de sua morte.
Morte
Ela pensava nisso frequentemente, ela não tinha coragem de cometer suicídio mas no fundo ela aguardava ansiosamente pela sua morte. Ela acreditava que a morte seria a solução de todos os seus problemas.
Estava lá sentada em um sofá na sala de estar esperando seu tio chegar com as compras da semana, ela sabia exatamente que ela iria sofrer mais uma vez com os abusos dele.
— Olá Sakura, Querida — Disse seu tio assim que passou pela porta. — Não vai falar comigo florzinha? — continuou. — Tudo bem então, depois você fala — Ele disse rindo e levando os embrulhos do supermercado até a cozinha. — Venha aqui meu bem, agora eu quero brincar um pouquinho com você — Disse assim que voltou da cozinha, suas más intenções eram explícitas e em seu rosto estava um sorriso maldoso.
Ele se aproximou lentamente e colocou uma de suas mãos na perna da garota que ainda estava sentada no sofá.
— NÃO — Esbravejou com todas suas forças levantando do sofá e saindo de perto daquele monstro — CHEGA! NÃO QUERO MAIS ESSA VIDA, VOCÊ ACHA QUE SÓ PORQUE PAGA OS MEUS GASTOS VOCÊ PODE ABUSAR DE MIM? NÃO VOCÊ NÃO PODE — Ela gritava e chorava, as lágrimas desenfreadas demonstravam toda sua fúria que não era pouca.
— OLHA AQUI GAROTA, QUEM VOCE PENSA QUE É PRA GRITAR DESSA FORMA COMIGO? — Ele gritou levantando e caminhando até a rosada. — EU MANDO AQUI — Deu um tapa no rosto da Sakura com uma força demasiada que a derrubou no chão frio.
Ele não hesitou quando pegou uma vassoura velha e bateu na menina até que ela perdesse a consciência.
Quando acordou se sentia dolorida e seu corpo cheio de sangue e marcas, ela havia sido violentada mais uma vez, ela estava ali jogada no chão frio e sujo, se questionava se valia a pena continuar a viver.
Olhou para a porta e ao lado estava pendurado o casaco laranja desbotado pertencente a pessoa que alegrava todas as suas manhãs no Colégio e fazia falta todas as tardes e noites quando ela estava sozinha ou na companhia de seu maldito tio. Continuou pensando no dono do casaco por alguns instantes.
Com muita luta conseguiu se levantar e foi se apoiando nas paredes até chegar em seu quarto, tomou um banho demorado e se deitou de toalha mesmo para finalmente ter um descanso merecido.
...
Acordou por volta das duas e quarenta da manhã, se levantou vagarosamente e se olhou no espelho, ela usava um vestido simples e Rosa, era seu vestido favorito pois era um presente da sua falecida mãe.
Passou alguns segundos se olhando, jurava que não havia colocado essa roupa pra dormir, deveria estar tão cansada que nem lembrava de tê-lo vestido.
Em sua mente estava passando todo seu sofrimento e então tomou a atitude mais decepcionante de toda sua vida.
No armário da cozinha tinha um pequeno frasco de um veneno extremamente poderoso, ela não sabia exatamente por quê aquele veneno estava ali mas fez questão de colocá-lo na tarça mais bonita que tinha e virou todo o líquido em apenas um gole.
O efeito devastador do veneno foi ainda mais rápido, levando ao chão aquela jovem garota de cabelos rosados.
Ela sorriu e fechou os olhos lentamente.
O que a pequena garota não esperava era que o veneno fosse incrivelmente falhar.
Respirou fundo e caminhou até seu quarto.
"Existem muitas maneiras de cometer suicídio" — pensou a jovem.
Revirou sua gaveta em busca de um objeto e sorriu quando o encontrou.
Pegou aquela lâmina que antes era usada para cortar os pequenos pelos de sua sobrancelha.
Sentou em sua cama e começou a cortar seu braço esquerdo em linhas horizontais e verticais.
Já estava acostumada com os cortes, já nem doíam mais.
Cada corte era uma lágrima. Seu braço já estava tomado por sangue que escorria lentamente até pingar no lençol Branco de sua cama.
Encostou levemente a lâmina em seu pulso, se cortasse ali com certeza morreria logo.
— Vamos Sakura, Acabe com isso — ela dizia a si mesma, as lágrimas aumentavam cada vez mais e ela soluçava sem ao menos conseguir respirar pelo nariz — Vai sua idiota, se mata logo — Sua voz era sofrida e ela chorava alto, suas mãos tremiam de nervosismo, ela não teria coragem — Sua covarde, COVARDE, Isso que você é, Uma garota covarde, não consigo nem por um fim nessa droga que é minha vida.
O choro era angustiante, Uma menina tão jovem, não passava de quinze anos, e era tão injustiçada pela vida, ela só queria ter uma vida comum, queria ser amada pelos seus pais, queria poder apagar toda violência que já sofreu, Ela queria apenas ser entendida ao invés de ser castigada, afinal, qual foi o crime que ela cometeu para ter que ser tão punida dessa forma? Ela não sabia, ela apenas era punida, injustamente punida, pela vida.
Mais uma vez veio uma ideia em sua mente conturbada. Correu até o banheiro, pegou uma caixinha delicada azul e a levou correndo até a cozinha.
Encheu um copo até a metade com água e o colocou sobre o balcão ao lado da caixinha, então a abriu, Nela havia inúmeros tipos de remédios, sem nenhum medo ela pegou vários e tomou de vez, foram mais ou menos trinta cápsulas de diferentes tipos remédios, Isso a mataria com certeza.
Mas totalmente ao contrário das expectativas, uma sensação de enjoo tomou conta da rosada, ela vomitou todas as trinta cápsulas que foram engolidas, colocou todas pra fora. Digamos que a vida deu mais uma chance para que ela pudesse viver, mas na cabeça de Sakura a vida tinha dado mais uma chance para continuar sofrendo.
Acredite, A pobre garota não queria tirar sua própria vida, ela queria apenas acabar com a dor, ela queria a acabar com o sofrimento, com a injustiça, mas nem isso ela conseguia fazer, ela estava cansada de tudo, cansada do mundo, ela queria ser apenas ela mesma, sem ter que se preocupar com nada, mas quem a entenderia?! Ela era apenas humana, ela chorava, ela sofria, ela sentia...
Tudo que ela queria era dar um fim em tudo que a fazia mal, era pedir muito?!
Ela não pediu pra nascer então ela tinha o direito de desistir dessa tarefa tão difícil que é viver.
Mas ela estava decidida, mesmo com as tentativas falhas ela não tinha desistido, estava focada em dar um basta naquilo tudo.
E mais uma ideia se formou em sua mente, dessa vez daria certo com certeza.
Foi até a porta, vestiu o casaco laranja que ainda estava ali pendurado e olhou para a casa.
— Acho que não vou voltar pro café — ainda era madrugada, estava frio e vazio.
O destino dela foi o hospital, era enorme e bem construído.
Ela havia pensado em tudo, carregava consigo duas flores brancas e disse à recepcionista que faria uma visita surpresa a uma amiga, a velha tinha tanto sono que nem desconfiou de nada.
Entrou no elevador e apertou o botão que a levaria ao último andar, bem alto.
Moça sai da sacada
Você é muito nova pra brincar de morrer
Me diz o que há
O que é que a vida aprontou dessa vez?
Venha desce daí
Deixa eu te levar pra um café pra conversar
Te ouvir
E tentar te convencer
O elevador subia enquanto ela pensava em tudo que viveu, em como já foi feliz com seus pais e em como sofre sem eles. Ela se lembrava de quando era criança, brincava e era feliz, mas hoje em dia tudo deixou de existir. Ela só quer acabar com a dor.
Que a vida é como mãe
Que faz o jantar e obriga aos filhos
A comer os vegetais
Pois sabe que faz bem
E a morte é como pai
Que bate na mãe e rouba os filhos
Do prazer de brincar
Como se não houvesse Amanhã
A porta do elevador se abriu e mostrou a cobertura do prédio, tinha uma grade que cercava toda a área, Sakura correu até a beirada do prédio se apoiando na grade pra olhar até onde havia subido, a altura era incrível, carros pareciam pequenas formigas la de cima.
Moça não olha pra baixo
Aí é muito alto pra você se jogar
Vou te ouvir
E tentar te convencer
Ela facilmente pulou a grade e ficou de pé, de costas para a queda.
Mas tudo bem
Nem sempre estamos na melhor
Ela fechou os olhos derramando suas últimas lágrimas.
— SAKURA — Naruto gritou correndo até ela.
Ela olhou pra Naruto e disse suas últimas palavras.
— Eu amo você Naruto — E então soltou a grade caindo pra trás numa sensação de leveza, sorriu quando viu Naruto olhando la de cima.
Moço ninguém é de ferro
Somos programados pra cair
...
— SAKURA — Ele gritou mais uma vez.
Então ela abriu os olhos e sentou na cama com o susto, havia sido um pesadelo, olhou para seu corpo, ainda de toalha, da mesma forma que se deitou na noite anterior.
Esse sonho com suicídios mostrou a ela que ela deve intentar a vida e derrotar todos os obstáculos que existirem, suicídio é desistência e só desiste quem é fraco, ela pode até ser fraca porém ela tem uma força a mais, pois ela não está mais sozinha, Naruto estava ali com ela.
— Sakura-chan, o que aconteceu? Você tá toda machucada — Naruto disse preocupado.
— Naruto, eu quero te contar toda a verdade...
Após uma longa conversa, Naruto revoltado pediu que Sakura se vestisse e assim ela o fez.
— Agora vamos — Ele disse a arrastando pela mão.
— Onde vamos? — Ela perguntou confusa.
— Nós vamos denunciar esse maldito monstro que se diz seu tio — meus olhos se encheram de água. — Sakura, Tá tudo bem? — Ele perguntou preocupado.
— Sim, tá tudo ótimo, eu só estou feliz por você estar aqui junto comigo e me ajudando. — A rosada falou deixando algumas lágrimas escaparem.
— Hey, não chora, eu sempre vou estar com você, não importa o que acontecer. — Ele disse e a abraçou com força, ela retribuiu.
— Obrigada — Ela disse ao soltar do abraço.
— Vamos Sakura — Naruto disse e a levou até o carro e em seguida até a delegacia onde fizeram a denúncia com sucesso.
O tio da Sakura foi preso imediatamente.
A vizinha de Naruto pediu a Guarda da Sakura, mesmo sem nenhum parentesco ela era muito amiga da mãe da rosada, chamava-se Tsunade, a Guarda foi cedida e Sakura se mudou naquele mesmo dia.
Já a noite, após um delicioso jantar na residência dos Uzumaki, Sakura e Naruto estavam sentados na grama do quintal olhando o céu estrelado.
— Naruto? — Sakura chamou e ele a olhou — Por que você tinha ido até minha casa de manhã?
— Bem — Ele pensou em uma desculpa mas resolveu ser sincero — Eu queria te ver e ia usar a desculpa de buscar o casaco pra poder conversar com você, mas como você não atendeu a porta e a vizinha disse ouvir gritos na noite passada eu fiquei preocupado — Ele disse levemente envergonhado.
— Obrigada por ter feito tudo isso — ela disse — Mas você queria mesmo me ver?
— Sim, eu queria — Ele disse encarando a grama Verde.
— Sabe Naruto — Ela disse e deitou na grama — Depois de todo esse tempo eu fui perceber uma coisa.
— Que coisa? — Ele perguntou olhando para o céu.
— Eu amo você — Ela disse alto e claro, o loiro deu um pulo e rapidamente se virou pra ela.
— Sakura-chan — foi só o que ele pôde dizer, Sakura levantou e o beijou, um beijo carinhoso e apaixonado.
— Eu amo você, Naruto. — Ela falou mais uma vez.
— Eu também amo você, Sakura — Ele disse e em seguida a beijou. — Eu prometo que você vai ser a garota mais feliz do mundo.
— E eu prometo que não vai existir um único homem que seja mais amado a ue você, Eu te amo amo amo muito — Ela disse.
Então mais uma vez se beijaram, as estrelas infeitavam o cenário romântico e a lua iluminava o mais recente casal que sempre se amaram secretamente, mas agora estão juntos e assim permanecerão por muitos e muitos anos...
Notas finais
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