Mit Dir
28 Capítulo 27 - Sonho e Realidade
Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
–M -I -T -D–I -R –
MIT DIR
Chiisana Hana
Capítulo 27 – Sonho e Realidade
Dois meses depois.
Finalmente chega o dia do casamento de Hilda e Siegfried. Freya está ajudando a irmã a se arrumar para a cerimônia que começará em alguns minutos. Seu vestido azul celeste de tecido leve molda-se bem à barriga de seis meses de gestação, a qual ela exibe orgulhosamente.
– Você está linda, irmã – Freya diz –, mas acho que o vestido devia ser mais elaborado. Parece com as túnicas que você usa nos casamentos comuns, mas hoje é o seu casamento! Devia ser um vestido especial!
– Ah, querida, estou me sentindo muito bem assim – Hilda diz, olhando-se no espelho. O traje branco de cetim é ajustado ao corpo na parte de cima e tem a parte de baixo evasê, mangas longas e gola alta. Nenhum detalhe chamativo, nada de babados ou mangas bufantes, como é o estilo predominante em Asgard. Escolhera joias discretas como o vestido: pequenos brincos de ouro e diamantes cor-de-rosa lapidados em forma de gota e um prendedor do mesmo metal arrematando o coque alto em seus cabelos. Usa pouquíssima maquiagem e as unhas estão pintadas com um esmalte rosa claro.
– Então que assim seja – Freya diz, resignando-se. – De qualquer forma é tarde demais para mudar o vestido. Que Odin abençoe seu casamento e lhe dê muitos filhos, irmã.
– Obrigada, querida – a noiva agradece, levando uma das mãos à barriga de Freya. – Que Ele me conceda essa bênção.
– Estou me sentindo um grande leão-marinho e ainda faltam três meses para o bebê nascer, mas eu estou tão feliz! E também estou ansiosa!
– Também estou ansiosa para vê-lo, querida, mas ele precisa ficar aí dentro o tempo certo, não é? Tente não se apressar.
– Sim, claro. Vamos encher esse palácio de crianças, Hilda! Não quero que as coisas sejam como foram pra nós. Uma família com apenas duas pessoas é tão triste. Quero ver alegria nesse palácio!
– É o que eu também quero – Hilda diz. – Bom, vamos lá? A noiva, que também é a oficiante, não pode se atrasar.
Freya concorda. As duas irmãs saem do quarto e caminham juntas em direção ao pátio do palácio de Valhalla, que está decorado com simplicidade como a noiva pedira: poucas flores, concentradas apenas ao redor do altar cerimonial e nas mesas dos convidados especiais, as quais foram forradas com toalhas brancas.
O tempo está excepcionalmente agradável nesse final de tarde, o que Hilda interpreta como um sinal de aprovação. Para ela, Odin está mostrando que aceita o casamento e aprova que ela enfrente ao lado de Siegfried o fardo de ser quem é.
Respirando fundo, a princesa dá o primeiro passo em direção ao altar. Olha para o noivo, claramente emocionado, e sabe que ele está contendo essa emoção para não demonstrar fraqueza. Já o tinha visto usando o fardão cerimonial algumas vezes, mas em nenhuma ele estava tão bonito quanto agora.
Os demais guerreiros-deuses aguardam ao lado do altar. Na primeira fileira de cadeiras, convidados da nobreza de Asgard e de países vizinhos, além de Saori Kido, que aceitara o convite de Hilda e dessa vez viera acompanhada por Dohko, atual Mestre do Santuário.
Atrás da parte reservada aos convidados especiais, boa parte da população de Asgard está reunida para acompanhar mais um casamento da família real. E outra vez o casamento será com um soldado que, apesar de fazer parte da guarda de elite, é um plebeu. Embora parte dos nobres ainda encare isso como uma afronta, a maioria do povo aprova a mudança e muitos sonham com a ascensão social, coisa que antes não era possível em Asgard. Com as duas integrantes da família real casadas com plebeus, uma criada casada com um guerreiro-deus e outra promovida a chefe do cerimonial, a possibilidade de mudar de vida agora parece real.
Com um sorriso emocionado, Siegfried recebe sua noiva diante do altar cerimonial. Fizera uma oração antes da cerimônia, buscando autocontrole para não chorar diante dela e dos convidados. Está obstinado a manter-se firme, embora tenha vacilado um pouco ao ver sua princesa finalmente vestida de noiva. A soberana de Asgard, a criatura que, para ele, é a mais bela do mundo e que sempre lhe parecera tão fora de alcance, está prestes a tornar-se esposa de um soldado surdo. Até poucos minutos atrás ele ainda não conseguia acreditar que era real. Somente ao vê-la se aproximando é que ele tem certeza de tudo isso está acontecendo mesmo.
Siegfried não pode ouvir, mas enquanto Hilda se dirige ao altar, Mime toca uma música em sua harpa. O noivo recebe-a com um delicado beijo na mão. Em razão do problema auditivo de seu amado, Hilda fará seu pronunciamento voltada para ele e não para os convidados, a fim de que ele possa ler seus lábios.
– Amado povo de Asgard – ela começa –, estamos mais uma vez reunidos aqui para celebrar um matrimônio. Como sabem, Freya e eu não temos outros parentes vivos, somos apenas nós duas. Dessa forma, eu mesma oficiarei a cerimônia do meu casamento. Neste dia especial, contando com esse tempo que, graças a Odin, está maravilhoso, defronte a todos vocês, eu declaro o meu desejo de unir-me em matrimônio ao honrado soldado Siegfried Bendiksen. No casamento da minha irmã, eu falei que era a primeira vez que um monarca de Asgard se casava por amor. Bom, esta é a segunda. Eu me casarei com o homem que escolhi e que também me escolheu. Ou, se preferirem, nos casaremos porque assim está escrito.
Depois de ser aplaudida pela população, ela sorri e continua:
– Senhor Siegfried, é de sua vontade unir-se a mim em matrimônio?
– Sim, Alteza – ele responde. – Eu desejo tornar-me seu esposo.
– Eu também assim desejo – ela diz. – Já que é de nossa vontade, declaro efetuada a nossa união.
Sob novos aplausos, os recém-casados trocam alianças e um beijo discreto que deixa ambos envergonhados. Para disfarçar, Hilda volta-se para os convidados.
– Eu, Hilda Odegaard, – ela começa a falar, omitindo seus outros prenomes – soberana e sacerdotisa de Asgard, acabei de me unir a um soldado e estou muito orgulhosa disso. Vocês, meu amado povo, precisam ter orgulho de quem são, de suas escolhas, precisam ter orgulho da nossa terra e contribuir para que ela cresça. Asgard precisa entrar em uma nova era se quisermos que nossa terra sobreviva. Conto com todos vocês para que isso aconteça. Agora aproveitem bem a festa que nós dois queremos compartilhar com vocês!
A população aplaude novamente e os músicos começam a tocar uma canção festiva. Enquanto isso, Hilda e Siegfried recebem os cumprimentos dos convidados.
– Que parada mais louca, mano! – Ann exclama rindo, ao lado de Bado, enquanto esperam para cumprimentar os recém-casados. – A própria noiva realiza o casamento, pergunta pro noivo se ele quer e depois se declara casada! Nunca vi isso!
– E nunca verá outra vez – Bado diz.
– Tô achando pitoresco esse negócio! Princesona casando ela mesma! Cara, isso devia virar filme. Sério. E é hoje! É hoje que ela perde a virgindade! Fi-nal-men-te!
Bado fica encabulado com o comentário.
– Ann, aqui não...
– Tá bom, tá bom. Vou parar de falar dela.
Fenrir e Liselotte aproximam-se deles.
– Está tudo bem, Lise? – Ann pergunta. Dias antes a moça tinha ido ao hospital porque suspeitava estar grávida, o que foi confirmado.
– Sim, tudo ótimo – ela responde, radiante. – Só sinto um pouco de enjoo de manhã.
– Isso é normal e vai passar – Ann explica.
– Eu estou tão feliz – Fenrir fala para Bado. – Nunca pensei que a minha vida ia ser assim. Lise, Ensom e agora o pequeno chegando. Sinto uma felicidade inexplicável. Tenho vontade de ser uma pessoa melhor, de ensinar ao meu filho o valor da amizade, a importância de confiar nas pessoas certas.
– Você vai ser um bom pai – Bado diz. – Tenho certeza disso.
– Assim espero. E você, quando vai ter um filho?
– Se depender de mim, nunca – Ann responde pelo marido.
– Ainda tenho esperanças de mudar essa cabeça dura... – Bado diz, sorrindo, e Ann rebate:
–Vai sonhando.
–M -I -T -D–I -R –
Envolvida nos últimos detalhes da cerimônia, Judith não pudera ficar com Shido. Somente quando a festa começa e tudo está correndo bem é que ela consegue aproximar-se dele.
– Mais um belo trabalho, Jud – Shido parabeniza, depois de beijá-la. – Só achei tudo muito simples. É o casamento da princesa! Devia ser suntuoso.
– Obrigada, amor. Concordo que merecia uma decoração mais elaborada, mas foi exigência dela. Ela não queria nada que parecesse ostentação, nada dourado, poucas flores. Até o vestido foi simples para o padrão de Asgard.
– No nosso, vamos fazer uma festa incrível, com uma decoração surpreendente.
Judith ri.
– Vamos? – ela indaga. – Eu ainda não aceitei seu pedido.
– Mas vai aceitar, não vai?
– Estou pensando...
– Espero que esse casamento inspire você a dizer "sim".
– Você sabe que eu acho muito cedo...
– Ainda não entendi essa sua resistência, amor.
– Não é resistência, eu só não tenho pressa. Nós estamos bem e estou feliz assim. Além do mais, preciso me dedicar ao trabalho.
– Achei que você ficaria satisfeita em organizar o casamento da princesa e depois se dedicaria apenas ao nosso casamento.
– Você quer dizer que achou que depois dessa festa eu deixaria meu trabalho?
Ele admite que sim, deixando Judith irritada.
– Shido, você ficou louco?
– Não venha com essa de mulher moderna do continente – impacienta-se o rapaz. – Mulher em Asgard trabalha somente até se casar. Depois, ela vai cuidar do marido, da casa dele e dos filhos dele.
– O quê? – Judith indaga, incrédula, tentando assimilar o que ele acaba de dizer.
– Depois que nos casarmos você não vai precisar continuar trabalhando no palácio. Eu sou rico, sou um nobre, posso mantê-la com extremo conforto.
– Mas eu não pretendo parar!
– Você vai ser uma dama da nobreza asgardiana. Não me importo que você tenha sido criada, mas não é certo continuar sendo uma funcionária do palácio depois de se casar comigo.
– Então eu não quero ser uma dama da nobreza asgardiana – Judith diz, num tom baixo porém firme, e se afasta com passos enérgicos. Shido, ao contrário dela, não se importa com os demais convidados e grita:
– Judith! Volte aqui!
– Eu preciso trabalhar! – ela grita de volta. – Sou uma funcionária do palácio!
– Judith! – ele continua gritando. E ela continua o ignorando.
–M -I -T -D–I -R –
– Ih, parece que o Shido levou um fora da criada – Alberich comenta com Mime ao ver a briga do casal. Estão ficando mais próximos a cada dia e o músico tem passado muito tempo na casa do dono de mina.
– Isso ia acabar acontecendo e – diz Mime. – Judith mostrou lá em Narvik que tem atitude. Ela lutou para salvar o Siegfried. Matou uma pessoa para salvar o homem que todo mundo sabia que, mais cedo ou mais tarde, se tornaria marido da princesa.
– Bom, isso é verdade. Shido achou que a teria nas mãos, mas aconteceu o contrário. Ela é da turma da doutora maluca.
– E você, me tem nas mãos? – Mime indaga, com um sorriso sedutor.
–Eu sei que a gente começou só por diversão – Alberich fala, olhando nos olhos dele –, mas eu percebi que me identifico demais com você, com seu gosto refinado, sua elegância natural.
– E eu descobri que gosto muito do seu cérebro.
– Cérebro, né? Sei... – Alberich ri maliciosamente e surpreende Mime com uma pergunta: – Será que a princesa autorizaria e realizaria nosso casamento?
– Isso nunca foi feito isso em Asgard!
– E daí? A princesa não anda enchendo a boca para falar de mudanças, novos tempos, modernidade? Não defendeu a maluca quando eu a provoquei?
– Duvido muito que ela autorize algo assim, Alberich... Melhor nem pensar nisso.
– Mas se ela autorizasse, você toparia?
– Você está perdendo o juízo...
– Que se dane. Eu sou rico. Sou livre. Além do mais, eu estava mesmo pensando em passar parte do ano no continente. Estou um pouco cansado disso tudo, desse tempo, das mesmas caras de sempre.
– Sério?
– Sim – ele afirma sem titubear, e completa: – Com você, é claro.
– Não estou entendendo nada.
– O seu talento não pode ficar restrito a esse país, Mime. Você precisa se mostrar para o mundo! Estou pensando em comprar um apartamento em Oslo. Podíamos passar um tempo lá.
– Você está delirando – ri Mime, fingindo não dar importância ao "delírio" de Alberich, quando na verdade sua mente já começa a embarcar nos mesmos sonhos. Ir para o continente com ele, aprofundar-se no estudo da harpa, talvez até chegar a fazer concertos... De repente, tudo isso parecia muito próximo de se tornar real. E o Fênix disse que todos os sonhos podiam virar realidade.
Outras pessoas notam a proximidade entre os dois guerreiros-deuses, inclusive Ann e Bado.
– Vem cá, você reparou no rosinha? – Ann cochicha com o marido.
– O que tem ele?
– Tá rolando alguma coisa entre ele e o tocador de harpa.
– É o que parece.
– O franjinha é bi! Eu não ligo, não tô nem aí, tinha um amigo em Narvik que também pegava tudo, homem, mulher, árvore, sei lá... Mas para um cara que tava reclamando da minha "má influência para as senhoras de Asgard", ele tá bem modernoso, hein?
– Você sabe que ele adora provocá-la.
– Eu sei, eu sei. Mas tô falando é do que tá rolando entre ele e o tocador.
–Não direi que é uma coisa exatamente bem vista aqui, mas como a princesa tem dito, as coisas estão mudando.
– Tomara que esse romance faça o rosinha deixar de ser um mala!
– Tomara!
–E o que é que está pegando entre seu irmão e a Judith? Parece que brigaram.
– Deve ser aquela coisa de sempre: ele a pediu em casamento, ela ainda não aceitou.
– Então ele se ferrou. Se ela quisesse casar, teria dito logo.
– Você acha?
– Eu sei, tigre. Eu sei.
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Deixando de lado a discussão com Shido, Judith continua a circular pela festa, garantindo que tudo continue correndo bem. Usa um vestido salmão bem ajustado e, pela primeira vez na vida, joias. Conseguira comprar um anel de ouro com um rubi minúsculo, mas tinha muito orgulho dele, e também ganhara uma correntinha de Shido.
– O que houve, senhora Judith? – Thor pergunta ao vê-la. – Parece irritada. Não tem motivo, a festa está perfeita.
– Não é a festa, senhor Thor, mas agradeço a preocupação.
– De nada. Desculpe se fui indiscreto, só fiquei preocupado mesmo.
– Está tudo bem. E o senhor, como se sente? – ela pergunta. Sabe dos sentimentos de Thor por Hilda e imagina que ele não esteja lá muito feliz por vê-la casada com outro.
– Eu estou bem – ele diz. – Superei esse assunto. Estou feliz por ela. E sei que Odin me concederá a graça de encontrar alguém que possa preencher esse vazio em minha vida.
– Torcerei por isso. E como vão as coisas na vila?
– Vai tudo muito bem. É incrível como a vida mudou lá. Meu povo finalmente está feliz.
– As coisas andam melhorando para todos – ela diz, tentando forçar um sorriso. Sua vida também tinha melhorado, estava feliz, mas depois da briga com Shido ela já não sabe o que esperar do futuro.
–M -I -T -D–I -R –
Depois de cumprimentarem os noivos, Dohko e Saori voltam à mesa reservada para eles.
– É, foi um casamento diferente – Dohko comenta, rindo. – Mas foi bonito, não foi, senhorita Saori?
– Foi, sim! Diferente, simples e bonito. Dá para ver no olhar deles o quanto se amam. Ele quase morreu para salvá-la. Felizmente tudo acabou bem.
Dohko concorda. Fenrir aproxima-se deles junto com a esposa.
– Senhorita Kido – ele a cumprimenta respeitosamente. – Fico feliz que tenha voltado a Asgard numa situação mais alegre. Gostaria que levasse um recado ao Dragão.
– Levaria com prazer – Saori diz, e aponta para Dohko –, mas acho que o mestre dele é a pessoa mais indicada.
– Ele infelizmente não pôde vir – Dohko diz. – Mas me falou sobre você e sobre a luta que tiveram, Fenrir.
O guerreiro-deus olha para Dohko com desconfiança, pois acha o rapaz jovem demais para ter sido mestre de Shiryu. Entretanto, se a deusa Athena está dizendo isso, ele se sente incapaz de contestar.
– Gostaria que dissesse a Shiryu que lutar com ele foi a maior lição da minha vida. Eu aprendi mais com aquele garoto do que com qualquer pessoa. E pretendo ensinar tudo que aprendi com ele ao meu filho que nascerá em breve.
– Shiryu vai ficar feliz por saber disso. Ele também vai ser pai, sabia?
– Ah, que bom! Fico muito feliz por ele.
– Direi isso a ele, filho! – Dohko fala, sempre sorrindo, e abraça Fenrir. O guerreiro-deus retrai-se um pouco com o contato físico e, ao mesmo tempo, aprecia o gesto paternal de Dohko. – Tomara que um dia os filhos de vocês possam se conhecer. Você podia ir visitar Shiryu em Rozan. Passar um tempo de férias lá, tomando sol e banho de cachoeira.
– Parece uma boa ideia – Fenrir admite, pensando mais em Liselotte do que em si mesmo, já que ela sempre fala em sair um pouco de Asgard.
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Shido não desiste de Judith, mas aguarda até conseguir falar com ela num canto calmo e afastado dos olhares alheios.
– Você não pode me tratar daquele jeito – ele diz, quando finalmente consegue encontrá-la a caminho da cozinha de Valhalla.
– Eu posso fazer o que eu quiser! – ela grita de volta. – E eu não quero mais me casar com você. Eu não quero alguém mandando em mim, me dando ordens, dizendo o que eu posso ou não posso fazer. Por mais que eu goste de você, e eu gosto, eu não quero. Então me esquece.
– Pensei que estava lidando com uma mulher educada, mas estava enganado.
– Vá pro inferno! Você, sua nobreza, seu dinheiro. – Ela tira a corrente do pescoço e entrega a ele. –E leve também essa porcaria dessa corrente. Porque eu sou o que eu sou. E não vou mudar pra te agradar.
– Ter ido para Narvik fez muito mal a você!
– Cala a boca! Você nem sabe como eu era antes de ir porque você nunca tinha olhado pra mim! Me deixa em paz e vai procurar uma noiva nobre, bem educada e sem nada na cabeça, a quem você possa comandar.
Percebendo que ela fala sério, Shido ameniza o tom.
– Jud, não faz assim. As coisas não são desse jeito. Eu não quero que nosso relacionamento termine dessa forma.
Judith não se comove e, com um olhar de desprezo, afasta-se dele.
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Depois de receberem os cumprimentos dos convidados por longos e cansativos minutos, Hilda e Siegfried sentam-se à mesa com Freya e Hagen. A irmã mais nova está com a cabeça recostada no ombro do marido.
– Não é bonito ver o povo cantando, dançando? – Hilda indaga, sorrindo. – Gosto de vê-los assim, felizes, despreocupados.
– É muito bom ver você feliz – Freya diz. – Despreocupada. Sorrindo. Finalmente vejo você sem aquele semblante tenso.
– É verdade – Hilda é obrigada a concordar e volta o olhar para o marido. – Eu me sinto feliz agora.
– Eu também – Freya diz.
– Não sinto mais medo. Com Siegfried a meu lado, sinto que posso enfrentar qualquer coisa.
– Você pode, irmã.
– Agora eu sei que sim. Bom, querida, acho que vamos nos recolher agora.
– Nós também não vamos demorar, não é, Hagen? Estou ficando cansada.
O guerreiro-deus de Merak assente.
De mãos dadas com o marido, Hilda entra no palácio e caminha em direção aos seus aposentos.
– Você está tão linda – Siegfried diz a Hilda quando finalmente ficam sozinhos no quarto. Os lençóis e o dossel são brancos e há um suave perfume de rosas neles. Os dois sentam-se na beira da cama.
– Obrigada, meu amor – ela diz.
– Eu tive de me esforçar para acreditar que estávamos mesmo casando...
– Ainda duvidava?
– É difícil acreditar quando um sonho antigo está virando realidade.
Hilda sorri e segura as mãos dele.
– Eu estava tão nervosa. Minhas mãos estavam geladas. Estou acostumada a falar em público, mas dessa vez era o meu casamento e eu não pude encarar a situação com naturalidade.
– Você foi perfeita – ele diz, e beija as mãos dela. – Você é perfeita.
– Eu sou apenas humana.
– Depois de tudo que você passou aqui e em Narvik nos últimos meses...
– Não foi nada perto do que você passou... – ela interrompe. – Você e os outros guerreiros-deuses.
– Não diminua o que você fez. Você foi incrível lá no continente e continua sendo aqui. Você abraçou as mudanças que vieram com a guerra. Isso é bom.
– Foi necessário. Se quero que Asgard sobreviva, preciso deixar o mundo entrar aqui. Preciso manter os planos de modernizar o hospital, preciso rever o sistema de ensino, talvez criar uma linha regular de transporte para o continente, ajuda de custo para quem quiser ir para lá estudar e uma recompensa para quem voltar pra trabalhar na sua terra e... – Ela sorri envergonhada. – Por que é que eu estou falando essas coisas? Eu devia estar focada só em você. Em nós.
– É porque está nervosa – diz Siegfried, acariciando o rosto dela.
– É, eu estou.
– Não fique. Eu estou com você. Estarei para sempre. Eu te amarei para sempre, minha princesa.
– Siegfried... – ela murmura languidamente. – Eu também vou te amar para sempre.
Ela vira-se de costas para que ele abra os botõezinhos do vestido. Siegfried faz isso com devoção, beijando devagar cada centímetro de pele alva que surge quando um botão é aberto. Ao mesmo tempo em que a deseja como homem, ele sente também uma ternura que lhe aperta o peito e o comove. Não procura mais controlar suas lágrimas porque, sozinho com sua princesa, sente que pode desarmar-se por completo.
Hilda sente o mesmo e, quando o vestido está totalmente aberto e desliza até sua cintura, ela deixa para trás a guerra, o anel Nibelungo, os cavaleiros, Narvik, Linus, Grethe, suas preocupações com o futuro de Asgard. A única coisa que importa é Siegfried, as mãos dele em seus seios, os lábios em sua nuca. Todo o resto pode esperar.
Continua...
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