Mit Dir
27 Capítulo 26 Grandes Mudanças
Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
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MIT DIR
Chiisana Hana
Capítulo 26 – Grandes Mudanças
– Seja bem-vinda, Judith – Shido cumprimenta a pretendente e lhe dá um beijo na mão.
– Obrigada – ela agradece com uma mesura e o acompanha até a sala. Está nervosa, mas tenta parecer tranquila e até levemente indiferente. – Peço perdão pelo atraso. O cocheiro não chegou na hora. Tive que dar um jeito.
– Não se preocupe – ele diz. – Fiquei muito feliz quando você finalmente aceitou meu convite.
– Ah, sim. Eu estava livre dessa vez. É que o cerimonial me toma muito tempo. O senhor sabe, não cuido só das festas, mas de todos os rituais do palácio.
– Posso imaginar que ande sempre ocupada, mas não me chame de senhor, sim?
– Está bem, prometo parar.
– Está gostando mesmo da nova profissão? – Shido pergunta, conduzindo-a ao sofá, onde os dois se acomodam.
Judith examina discretamente a sala da mansão de três pavimentos. O cômodo amplo tem pé-direito alto e grandes janelas de ferro e vidro adornadas por cortinas de veludo azul-marinho. Os sofás são de brocado cinza, com partes de madeira escura, assim como o estofado das poltronas de estilo Luís XV. No chão, o tapete exibe a cena de uma caçada. A lareira está apagada e em cima dela há um quadro com a família Engedhal: pai, mãe e Shido ainda criança. À direita, um quadro com ele já adulto. Judith nota também um porta-retratos com uma foto dos gêmeos juntos, com o porto de Narvik ao fundo.
– Bastante – ela responde. – Nunca tinha sonhado com isso, mas posso dizer que me encontrei. Estou muito feliz.
– Você tem feito um trabalho excelente.
Judith sorri. Gosta de saber que Shido aprecia seu trabalho e sente que com o apoio dele poderá dedicar-se ainda mais. E, por mais que tente evitar, ela não consegue deixar de imaginar-se planejando o próprio casamento, ouvindo os palpites de Shido, elaborando os votos que farão.
“Cedo demais pra isso”, pensa Judith, forçando-se a deixar esses pensamentos de lado, mas só consegue fazer isso quando é surpreendida pela mão de Shido acariciando-lhe o rosto. Tímida, ela abaixa o rosto. Ele, no entanto, faz com que ela erga o rosto novamente e olha diretamente nos olhos dela.
– Você é tão linda... – ele murmura, mantendo o olhar fixo.
– Shido... – Judith murmura de volta, arfando, pouco antes de os lábios do guerreiro-deus tocarem os seus.
Ela ansiara tanto por esse beijo que agora mal consegue acreditar que ele está acontecendo. Sente-se como num sonho, mas o coração violentamente acelerado e o calor que a invade trazem-na de volta à realidade. A língua de Shido invade-lhe a boca devagar, explorando o espaço, descobrindo-o. Judith corresponde e deleita-se com o beijo. Só não gostou de ter de afastar a mão dele que insiste em se aproximar perigosamente do decote.
– Se não se comportar, eu vou ter de ir embora – ela toma coragem e diz, sem fôlego e ainda com o rosto dele muito próximo do seu, embora seu corpo implorasse para seguir em frente. – Eu não sou esse tipo de mulher.
– Desculpe – ele diz, afastando-se dela e recompondo-se. – Não se preocupe, eu tenho ótimas intenções.
– Eu realmente quero acreditar que sim – ela diz, também procurando recompor-se. – Mas é melhor ir com calma.
Ele assente.
– Shido, tem outra coisa que quero deixar clara – ela prossegue. – Se quer mesmo que a gente continue o que está começando aqui, quero que saiba que eu não vou me esquecer de onde vim. Não vou esquecer que nasci de uma criada e fui uma por muito tempo.
– Sim, eu sei disso. E essa é uma coisa que já não me importa mais. Confesso que me importava antes, que achava que só poderia me relacionar com outra nobre. Mas a batalha, o reencontro com meu irmão, o tempo que passamos em Narvik, tudo isso me tornou mais humilde. Eu realmente não me importo com sua origem.
– Conto com isso, Shido. De verdade.
– Não vou decepcioná-la.
M -I -T -D–I -R –
– Achei que você tinha bom gosto – Alberich debocha ao encontrar Mime na taverna.
– Digo o mesmo de você.
O guerreiro-deus de Megrez senta-se à mesa e pede vinho à garçonete.
– Ah, às vezes deixo isso de lado – ele diz. – Esqueço que sou um nobre e simplesmente procuro diversão.
Mime sorri.
– Sabe, Alberich – ele diz, entre um gole de vinho e outro –, até agora estou me perguntando qual foi seu papel nos planos da falecida primeira-dama de Narvik.
Alberich sorri displicentemente e arruma a franja.
– Meu papel? Eu não tive nenhum. Fui mero observador.
– Aposto que se divertiu.
– Um pouco. A Grethe era maquiavélica, mas muito ingênua. E eu, bom, eu sou o cérebro de Asgard.
– Ah, sim. E o cérebro não se arriscaria a falhar num novo golpe contra a Hilda. Ainda mais estando ela sem a influência do anel e com o Siegfried colado vinte e quatro horas por dia.
Alberich se faz de desentendido.
– Golpe? Do que você está falando? Eu sou um rico e satisfeito dono de mina. Não penso em golpe nenhum... Nunca pensei. Não sei de onde tirou isso.
– Sei... – Mime diz, rindo.
Alberich aponta discretamente para Thor, que acabara de entrar e sentar nos fundos, claramente tentando passar despercebido.
– Ele acha mesmo que está escondido ali? – indaga.
– Com mais de dois metros de altura fica um pouco difícil! – Mime exclama e acena para Thor, chamando-o para a mesa. Ele se aproxima e cumprimenta os companheiros.
– Sente-se conosco, Thor – Alberich convida.
– Ah, não, obrigado. Eu já vou.
– Você acabou de chegar. Senta aí.
– Está bem, está bem – cede o gigante, e senta-se à mesa.
– Vai ficar muito tempo aqui? – Mime pergunta.
– Alguns dias. Vim resolver umas coisas lá da vila.
– E aproveitou para vir se divertir aqui na taverna, hein? – insinua Alberich, apontando para uma das prostitutas que se oferecem entre as mesas.
– Não é isso. Só queria tomar um pouco de vinho e arejar a cabeça.
– E tem jeito melhor de “arejar a cabeça”?
– Não preciso de prostitutas para isso, Alberich – ele diz, lembrando-se de Sidsel oferecendo-se a todo o momento.
– Hum... as coisas na Vila da Baleia Azul são melhores do eu pensava, Mime.
– É, parece que sim – Mime concorda.
– Não é nada disso! – Thor exclama irritado e levanta-se. – Eu preciso ir mesmo.
– Não precisa se irritar – Alberich diz, mas Thor o ignora e vai embora. – Esse sujeito é a prova do desperdício – Alberich continua.
– Como é? – indaga Mime. – Do que está falando?
– Ora essa, um cara desse tamanho mas tão idiota.
– Está falando da altura ou do tamanho do...
– Dos atributos do baixo ventre, é claro. Você sabe, ele é muito bem dotado. Eu só gostaria de saber se esse bocó sabe o que fazer com tudo aquilo.
– Você não tem jeito...
– É, eu não tenho – admite Alberich. – Bom, já que ele se foi, acho que nós dois podíamos nos divertir juntos... Não aqui nessa pocilga, mas lá em casa.
– Pelo que soube, você e a primeira-dama se divertiam aqui “nessa pocilga” mesmo.
– Algumas vezes – ele admite. – Principalmente quando incluíamos mais alguém na brincadeira.
– Hum... sei... Isso pode ser interessante.
Os dois escolhem uma prostituta e convidam-na para sentar-se à mesa. Alberich combina o preço com ela e logo em seguida os três vão para um dos quartos no fundo da taverna. Lá dentro, porém, os dois guerreiros-deuses dedicam-se tanto um ao outro que a moça acaba sem função no trio.
M -I -T -D–I -R –
– Conte tudo! Conte tu-do! – Freya diz ao reencontrar Judith na entrada do palácio de Valhalla.
– A senhorita não devia estar dormindo?
– Estava esperando você voltar! E aí? Como foi?
Judith suspira e abre um enorme sorriso.
– Foi mágico! – ela diz. – Ele está tão mudado! Disse que aceita o que eu sou, a minha origem.
– Ah, que maravilha! E vocês se beijaram?
– Sim! – Judith responde, corando. – Nos beijamos várias vezes! Ele começou a ficar meio ousado demais, foi encostado a mão no meu decote...
Freya arregala os olhos.
– E aí?
– Ele parou quando eu pedi – Judith prossegue.
– Isso é bom!
– Achei que você ia dizer que eu devia deixar rolar!
– Nesse caso, acho importante ter um pouquinho de cautela – Freya diz. – Só um pouquinho.
Judith concorda e, mais uma vez, lembra-se das palavras da mãe, rezando para que ela esteja errada.
M -I -T -D–I -R –
Uma semana depois, Ann é internada para a cirurgia.
– Tem certeza de que isso não é perigoso? – Bado pergunta, antes de ela entrar no centro cirúrgico.
– É uma cirurgia relativamente simples, tigre – Ann responde. Já está na pré-sala, usando apenas o avental cirúrgico. – Vai dar tudo certo.
– Que Odin a proteja, meu amor. Que ele permita que você retorne bem para mim, porque se você não voltar... Eu não sei o que vai ser de mim.
– Deixa de drama, tigre – ela diz e dá um beijo nele. – Eu volto.
“Tomara mesmo que eu volte”, ela pensa, ao entrar no centro cirúrgico. “Porque se eu não voltar vai ser um puta de um carma, né, mãe? Morrer na mesa de cirurgia igual a você... Nunca contei a ele que você morreu numa cirurgia parecida e que eu quis ser médica por causa disso. Eu queria salvar vidas... Eu queria ser capaz de ter as vidas das pessoas nas mãos e salvá-las. Agora é a minha vida que estará nas mãos de alguém e isso é um saco. Eu não quero morrer agora, cara. Não posso morrer. Não agora que eu estou feliz. Mas que merda é essa? Por que eu estou tão sentimental?”
Horas depois, Bado e Ann reencontram-se no quarto.
– Oi, minha querida – Bado diz, emocionado, assim que ela acorda.
– Tigre... – ela murmura devagar, ainda sentindo-se um pouco aérea por causa da anestesia. – É, parece que sobrevivi.
– Já falei com o médico. Você está ótima, graças a Odin.
Ele mostra a ela um potinho cheio de pedras amareladas com cerca de dois centímetros cada.
– Olha aqui as suas filhas – ele continua, rindo.
– Tá vendo? Por causas dessas porcarias que eu andava passando tão mal.
– Eu preferia que fosse uma filhinha de verdade, mas...
– Ai, Bado. Não tenho a menor vocação para ser mãe.
– E agora nem dá, né? Você precisa se recuperar.
– Pois é.
– Tá sentindo alguma coisa?
–Tem uma porrada de analgésico no soro. Não sinto nada além de sono.
– Então dorme, meu bem. Eu velo o teu sono com o meu amor.
– Ai, tigre, para com isso. Que coisa brega. Eu não sou a Bela Adormecida, falou?
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Um mês depois da cirurgia, Bado e Ann estão sentados no cais, esperando a barca que os levará de volta a Asgard. Junto deles, três malas grandes, cinco caixas, um estojo de guitarra, um amplificador e um gerador de energia compacto. A casa de Ann já estava para alugar e o corretor garantira que havia alguém interessado.
– Agora vou poder tocar minha guitarra, ouvir meus discos do Iron... – murmura Ann, com a cabeça encostada no ombro de Bado. Cortara os cabelos na altura no ombro e trocara a tinta preta por um loiro acinzentado muito parecido com sua cor natural.
– Não é bem o tipo de som que eu gosto – Bado diz –, mas se te faz feliz, eu não me importo.
– Me faz feliz, sim. Eu nunca estive tão feliz, tigre. Que mais ninguém ouça isso, mas nunca pensei que amar alguém seria assim... tão bom.
Bado dá um beijo na cabeça dela.
– Nem eu, meu amor. Nem eu. Agora a gente pode marcar a data?
– Do casamento? É, pode. Já sou sua mulher mesmo. Vou mandar fazer um vestido chocante.
– Ah, Ann, por favor, só peço que seja branco e discreto.
– Assim não tem graça! Pensei num tubinho de couro preto, curto, com um decotão poderoso.
– Branco e discreto, por favor. Só peço isso.
– O que é, Bado? Tá com vergonha de mim?
– Não é vergonha. Eu a amo do jeito que você é. Você pode fazer o que quiser pra usar depois, mas na cerimônia use um vestido discreto. É apenas um gesto de respeito perante a princesa. Depois que tirarmos os pés de Valhalla, você põe seu vestido de couro.
– Vou pensar no seu caso.
M -I -T -D–I -R –
Fenrir e Liselotte estão numa charrete e seguem em direção ao palácio de Valhalla. Ele usa seu fardão cerimonial, ela está com um vestido de noiva que mandara fazer inspirado no de Freya.
Estão acompanhados pelos pais dela, que não tinham ficado muito satisfeitos quando ela fora morar com o estranho guerreiro-deus que viveu com lobos. Só ficaram tranquilos quando a data do casamento foi marcada e agora estão até felizes, afinal, por mais esquisito que ele fosse, era um soldado especial, de alta patente. No final das contas, achavam que Lise estava fazendo um excelente casamento, muito melhor do que uma criada poderia esperar.
Os noivos faziam questão de que Ann e Bado estivessem na cerimônia, por isso esperaram que eles voltassem de Narvik para marcar a data. Quando chegam ao saguão de Valhalla, são surpreendidos por outro casal de noivos.
– Bado? Você...vai...? – Fenrir pergunta, perplexo, incapaz de completar a frase.
– É, meu amigo – Bado diz, dando tapinhas nas costas de Fenrir. Também está usando seu fardão. –Eu e Ann também vamos nos casar hoje.
Desconcertado, o guerreiro-deus de Alioth não sabe o que dizer, mas Bado o puxa para um abraço.
– Estou feliz por você e Lise – Bado diz. – É bom ter alguém, não é? É bom não estar mais sozinho no mundo.
– É, sim – Fenrir admite. – Fico feliz por vocês também. E achei incrível vocês resolverem casar no mesmo dia que a gente.
– Na verdade – Ann começa –, nós só resolvemos casar hoje para aproveitar seu almoço e não gastar nada.
– Isso é brincadeira dela – ri Bado. – Não leve a sério.
– É, cara, tô brincando – ela admite. – Quando vocês nos convidaram, resolvemos marcar no mesmo dia porque achamos que seria legal.
– Pois é – Bado concorda.
– Mas eu tô me sentindo ridícula com esse vestido branco – Ann diz.
– Você está maravilhosa – Bado rebate. O vestido é como ele pedira: de seda branca, discreto, de corte reto, com ombros nus e mangas compridas. Para dar seu toque pessoal, Ann arrematou a produção com um grande colar de pedras negras e sua bota vermelha de caubói. Ao vê-la pronta, Bado pensou que o colar e o sapato deviam ser mais delicados, mas sabia que Ann já tinha cedido demais. Era uma vitória conseguir que ela usasse o vestido, por isso ele resolvera não cobrar mais nada.
Hilda chega ao saguão vestindo sua túnica cerimonial. Atrás dela vêm Siegfried, Freya e Hagen. Além deles e dos pais de Liselotte, apenas os demais guerreiros-deuses foram convidados para a cerimônia.
Depois de um breve discurso, Hilda oficializa a união entre os dois casais, que em seguida recebem cumprimentos e presentes. Para que Hagen possa participar, o almoço festivo será realizado nas dependências do palácio. Quando todos se acomodam na sala de jantar, os criados começam a servir as comidas e bebidas.
– O próximo casamento será o seu, não é, irmã? – Freya indaga, depois de erguer um brinde aos recém-casados.
– Creio que sim, querida – Hilda diz. – Acho que vou marcar a data agora. O que acha, Siegfried?
– Mas é claro! – ele responde, surpreso com a decisão repentina. – Estou totalmente de acordo!
– Judith, acha que conseguiria preparar tudo em dois meses?
– Acho que sim, senhora. Posso começar tudo hoje mesmo!
– Então está marcado – ela diz e segura a mão de Siegfried. – Daqui a dois meses nos casaremos.
O guerreiro-deus mal cabe em si de tanta felicidade. Tem vontade de tomar Hilda nos braços e beijá-la, mas guarda essa vontade para depois.
Enquanto Hilda acerta com Judith os primeiros detalhes da cerimônia, o restante do pessoal se diverte no almoço. A certa altura, Liselotte preocupa-se em pedir às criadas para guardarem uns nacos de carne para Ensom.
– Eu também quero levar uns para o jantar do meu tigre – brinca Ann.
– Bado, controle sua esposa! – Alberich censura.
– Cala a boca, rosinha! – ela responde.
– Ela não é do tipo que se deixa controlar – Bado diz. – Ainda bem que não é.
– Mas um pouco de educação não faz mal – Shido completa.
– Como é que é? – Ann indaga. – Cara, era só o que me faltava! Ouvir esse tipo de merda no dia do meu casamento.
– Você é uma péssima influência para as senhoras de Asgard – Alberich diz.
– Não tô nem aí. Que se foda!
– Já vi mulheres querendo copiar seu cabelo, seu jeito “moderno”, suas roupas... – Alberich debocha.
Ann não se deixa intimidar e provoca:
– O seu cabelo é uma maravilha, né, franjinha?
O guerreiro-deus de Megrez não recua:
– Vamos acabar com um exército de mulheres desbocadas e mal-educadas iguais a você.
– É da minha esposa que você está falando! – Bado protesta.
– Não tenho culpa disso – Alberich rebate. – Foi você que não achou coisa melhor e casou com ela.
Bado ia dar uma resposta quando Hilda levantou-se.
– Pois eu digo que a doutora é uma grande adição ao nosso povo – declara a princesa, num tom de voz que deixa muito clara sua autoridade. Parecia absorta na discussão dos detalhes de seu casamento, mas estava atenta a tudo e resolveu intervir. – Ela tem seu jeito um tanto peculiar, é verdade, mas salvou as vidas de vocês, ajudou-nos imensamente em Narvik, vem cuidando das pessoas aqui e agora é esposa do Bado. Com a ajuda dela, vamos modernizar nosso hospital. Por causa dela as pessoas da Vila da Baleia Azul não morrem mais por causa de coisas bobas.
– Isso mesmo – Thor confirma. – A doutora tem nos ajudado muito e somos gratos a ela.
– Quando eu subi ao trono – Hilda prossegue –, desagradei muita gente. Foi uma mudança inesperada, afinal nunca uma mulher tinha subido ao trono de Asgard. Eu era pouco mais que uma menina, mas tiveram de aceitar porque não havia mais nenhum homem da família real. Confesso que foi e ainda tem sido difícil, que tive erros e acertos, mas tenho feito o melhor que posso. Agora nossa terra passa por novas mudanças e é preciso aceitá-las. A doutora Ann Dagsland não é uma má influência, Alberich. Se há mulheres querendo ser como ela, é porque estão cansadas de serem submissas, de se calarem, de não escolherem seus destinos. Essas mulheres anseiam pelo dia em que terão voz. E por que não, já que esta terra é governada por uma mulher?
– Eu sinto muito, senhora – Alberich desculpa-se. – Foi um momento de estupidez.
– Não é a mim que deve desculpas – Hilda diz.
– Claro – ele admite e volta-se para Ann. – Doutora, perdoe-me pela indelicadeza.
Ann revira os olhos. Tem vontade de mandar Alberich para a puta que o pariu, mas contém o ímpeto em respeito às palavras gentis da princesa.
– Tudo bem, rosinha – Ann grunhe, e vira-se para Hilda. – E obrigada, princesa. Fico realmente feliz que pense assim. E não estou me referindo só ao meu trabalho ou ao que fiz em Narvik. Me refiro ao que disse sobre as mudanças em Asgard. Já está mais do que na hora, não é?
– Sim – Hilda concorda e depois completa: – E isso é só o começo.
Continua...
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