Notas iniciais
Gente, se alguém ler isso ae, da um feedback, não sei se tá legal/interessante

Foto do meu irmão Caio:

As primeiras semanas de aula foram realmente difíceis, eu não imaginei que o ensino médio seria assim, eu passava raiva quase todos os dias e não sabia o porque, todos haviam recebido tão bem Dani no grupo que ele resolveu ficar, infeliz.

Julia tinha me contado exatamente como aconteceu sua primeira vez, foi bem estranho ouvir. Ela havia ficado de recuperação em inglês e seus pais contrataram o professor Charles para aulas particulares, no final de dezembro ela passou na prova de recuperação e no último dia do ano como tinha ficado sem viagem, teve que passar a virada na casa de uma amiga nossa, a Maia, que é vizinha do professor, eles transaram no banheiro externo da casa da Maia, foi bizarro. Segundo a Ju, ainda estão ficando e o professor vai se separar até o final de maio.

Em casa, meu pai superava bem a perda do juiz Sato, não ouvia mais aquelas lamentações pela casa durante a noite e ele decidiu enquadrar a antiga foto que tiramos em frente a mansão. No dia que colocou o quadro na parede do seu quarto eu estava lá e decidi fazer uma pergunta.

— Veja filha, é para sempre lembrar do grande amigo que tive. — ele disse com brilho nos olhos âmbar como os meus.

— Pai, se ele foi um grande amigo, por que a gente não foi outras vezes na casa dele depois dessa foto? — perguntei.

Papai enrolou mas não conseguiu responder minha pergunta, então deixei pra lá.

Eu estava preocupada com o que aconteceu com a filha do juiz, mas meu pai disse que ela está em um internato na Europa, até pegarem o assassino do pai ela vai ter que ficar sob proteção 24hrs, isso deve ser chato.
Mais chato ainda é ter que aguentar o Caio reclamando da escola, eu que estou nessa vida de bosta e ele que reclama.!!!!! Esses dias aconteceu algo bem estranho, na verdade, não foi só uma coisa, foi um dia inteiro bem estranho mesmo.

Acordei e fui ao banheiro escovar os dentes, tinha um pouco de sangue na pia, fiquei preocupada no início, pensei que meu pai ou minha mãe podiam ter se machucado, mas aí lembrei que eles costumam usar só o banheiro da suíte, então só podia ser o Caio, tudo bem, vaso ruim não quebra, pensei, mas logo a consciência pesou e resolvi entrar no quarto para ver se estava vivo.

— O que você quer?

Olhei para ele e tinha uma marca roxa no canto dos olhos como se tivesse sido socado no rosto.

— Te bateram? — perguntei rindo.

— Não te interessa, sai daqui! — respondeu estressado.

Não liguei muito para isso e fui para a escola, chegando lá uma funcionária da cantina me parou e perguntou:

— Você tem um irmão que estuda a tarde né? — a funcionária de rosto vermelho e com cabelos ruivos presos em uma touca de cozinha perguntou.

— Tenho sim. Por quê? — perguntei já imaginando o que o capeta do Caio tinha aprontado.

— É que faz um tempo já que tem um menino mais velho batendo nele.

Eu odeio o meu irmão, mas não sei porque algo furioso despertou e não era contra ele.

— Quem é esse menino?

— Eu não sei o nome do que bate, mas já falei para ele contar para os pais e não quer, por isso contei para você.

Fiquei aborrecida, como que ele não falou isso para nossos pais ainda? Ele conta coisas idiotas e não conta isso que é tão sério?

Refleti por um tempo e pensei que podia estar envergonhado ou coisa do tipo, talvez não quisesse contar porque tem medo, sei lá.

— Obrigada por contar, eu vou resolver isso. — garanti, mas sem ideia do que fazer.

— Ele é um garoto muito bom, já me ajudou a limpar a cantina algumas vezes.

Não consigo imaginar meu irmão sendo gentil com ninguém, mas depois do que a moça disse comecei a pensar que não conheço ele tão bem.

— Sim, ele é muito bom. — falei e meus olhos lacrimejaram.

Saí dali e fui para a aula, estava pensando no que fazer e comecei a ficar irritada com todo mundo. Julia não parava de falar um minuto sequer.

— Ai, olha ele Ca, mexendo no cabelo, meu Deus, como é lindo! — disse Julia logo que tocou o sinal para iniciar a primeira aula.

— Ca, você acha que eu tenho chance com ele? — ouvi ela perguntando nos cinco primeiros minutos de aula.

— Eu já falei que não quero mais ficar com o prof Charles, mas não sei. — comentou quando abri o caderno para começar a copiar as tarefas.

— Tem um trabalho em dupla, tomara que eu fique com o Dan. — Julia dizia tocando meu ombro como uma bateria.

— Se sortearem a gente, posso chamar ele para minha casa. — dessa vez ficou me chacoalhando como um boneco enquanto falava animada.

— Ainda tenho umas camisinhas grandes, com certeza é o tamanho dele, hihi. — sussurou no meu ouvido ainda me chacoalhando.

— Nossa, você já percebeu que ele está mais próximo de mim? — disse sorrindo e apertando meus braços com força.

— CHEGAAAA! CALA A BOCA!!!

Mais uma vez eu não me controlei e acabei sendo escadalosa, mas dessa vez foi bem mais alto do que antes.

— Carina, pode sair da sala já que está tão estressada! — a professora velhinha Olívia de espanhol ordenou.

Todos me olhavam, inclusive Dan, isso mesmo, só assim para me olharem. Fui para a sala da diretoria assinar uma advertência por atrapalhar a aula, cadê que dão advertência para o Dan que atrapalha a aula de todo mundo com aqueles olhos negros e cabelos escorridos de emo? Idiota.

Depois que voltei a sala meus amigos perguntaram coisas que me irritaram mais ainda:

— Ca, você está de tpm?

— E se eu tiver, é da sua conta?

— Meu Deus, ela está mesmo, haha.

Todos riram, todos os filhos da puta, até o Dani, vagabundo. Na próxima aula tinha um trabalho em dupla e como o professor era preguiçoso separou as duplas por número da chamada, eu sou 6, fiquei como 7.

— 6 Carina com 7 Daniel.

Eita. Agora que vou perder o controle mesmo. Era um trabalho de química, a matéria que eu me saio pior, "ligações iônicas", nem sei que merda é essa. Agora sim ele vai ver como sou patética.

— Ainda bem que é você amiga, porque eu sei que não vai rolar nenhuma química entre vocês — ouvi Julia falar. Ela acha que eu odeio Dan, mas as vezes eu também acho, então não sei, talvez ela esteja certa.

Eu ia colocar minha mesa perto dele, mas ele puxou a dele para perto da minha lá no fundão, senti aquela sensação estranha de novo, como se eu estivesse tremendo. Hoje ele estava com outra peça fora do uniforme convencional, dessa vez era uma blusa estilo colegial preta e branca que não combinava direito com a calça vermelha do uniforme, parecia mais uma blusa de outra escola, mas mesmo assim ele estava bonito.

— Então, como vamos fazer? — sua voz suave saiu quebrando meus devaneios.

— O quê? — perguntei aflita, se ele também não souber não vou parecer burra, mas vamos zerar.

— O trabalho, tem alguma sugestão para começar? — ele disse.

— Não, eu odeio química. — respondi tão seca quanto um deserto.

— Sei, muita gente odeia, tem até uma música assim. — por que ele sempre tenta ser simpático?

— Assim como? — questionei.

— "E eu odeio química, química" — cantou docemente e eu fingi não conhecer.

— Não fala besteira — o repreendi.

— Não é besteira, existe mesmo. — senti como se ele estivesse tentando puxar assunto.

Dei de ombros e percebi que ele não ligou.

— Tem algo que te incomoda? Algo chato que aconteceu hoje? — perguntou.

Como ele sabia? Estava tão na cara assim? Acho que ele devia ter visto eu falando com a moça da cantina e suspeitado.

— Não banque o detetive, não tem nada. — respondi.

— Hum... Ta bom, mas se tiver acontecendo você pode me contar, estou do seu lado. — ele disse isso e pegou na minha mão por debaixo da mesa, meu coração meio que parou e voltou na hora.

Tive o impulso de soltar a mão dele mas não soltei, sentia seus dedos, eram curtos, sua mão toda era pequena e delicada, quase tão pequena como a minha mão.

— Que mão pequena, haha — Debochei.

Ele pareceu se ofender mas também riu e depois percebi que nada que eu dissesse ia irritá-lo.

— Eu sou um cara pequeno. — comentou sorrindo.

— Sério, meu irmão tem mãos maiores que as suas, hahaha.

— Olha o bullyng, só porque seu irmão de doze anos tem mão maior que a minha.

— É, ele tem hahaha. — debochei de novo — mas, peraí, como sabe que ele tem doze anos? — questionei.

Dan revirou os olhos e soltou uma risada forçada:

— Julia disse. — respondeu, mas senti uma demora em sua resposta.

— Mas ela nem sabe, ela mal sabe a minha idade e somos amigas há anos. — respondi tentando não parecer dramática.

— Ah, alguém disse. — ele justificou.

Achei estranho mas ignorei, ele começou a fazer o trabalho e eu acompanhei o que escrevia com os olhos, tinha uma letra bonita e caprichosa.

— Consegue identificar as ligações? — Dan me perguntou.

— Ligações? Que ligações? — confusa, não entendi do que se tratava.

— As ligações iônicas. — respondeu rindo da minha distração.

— Ãhn, não. — respondi de forma patética, ele devia me achar uma idiota.

— Tudo bem, talvez a gente nem use isso no futuro, mas eu posso te ensinar onde usa para evitar usar. — disse com um sorriso de lado.

— Tá, pode ser. — aceitei, mas já me sentia estúpida por não saber.

Ele me ensinou certinho, o suficiente para eu concluir o trabalho sem ajuda, era muito bom nisso, quando terminamos o trabalho faltavam cinco minutos para o término da aula.

— Você devia ser professor. — comentei.

— Não, eu não seria feliz. — senti seu olhar para baixo.

— Como pode saber? Não dá para prever. — respondi.

Dan me olhou pensativo, parecia triste, não sei porque, jogou o cabelo para o lado e falou com um sorriso grande que fechava seus olhos negros e pequenos.

— Essas mãos pequenas servem para lutar. — ele disse fechando os punhos.

Concordei com a cabeça e lembrei do meu irmão, que tem mãos grandes e apanha do garoto da escola, voltei a me preocupar e uma sensação de impotência me dominou.

— É, meu irmão tem mãos grandes e não luta como você. — comentei triste.

— Ele pode lutar, se quiser eu posso ensinar. — sugeriu.

— Acho que agora seria bem útil, se você puder. — concordei.

— Claro, quando quiser. — ele sorriu e juntou as mãos como se fizesse um cumprimento de luta.

O sinal para o intervalo tocou e fui com Dan para a quadra, ele disse que seria melhor marcarmos as aulas na escola, não queria ir para a minha casa nem ir para a dele, por um instante pensei que talvez ele estivesse com medo que eu confundisse as coisas, aí meu lado direto e escandaloso me fez falar:

— Relaxa Dan, eu não quero te pegar! — disse rindo.

Ele corou e desviou o olhar penetrante de olhos negros, quase perdeu a pose de seguro de si, depois me olhou nos olhos de uma forma asfixiante e disse:

— Eu quero.

Notas finais
Consegui postar 4 capítulos no mesmo dia, haja inspiração!