Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Essa é a minha primeira fanfic na categoria The Avangers, então estou bem ansiosa. Essa história faz parte de uma série de histórias chamada Romances Mensais, mas mesmo que essa seja a décima segunda e última história, vocês não precisam necessariamente ler as outras histórias para entender. Explicarei melhor a dinâmica desse universo nas notas finais, por isso, peço que leiam. Espero que possam dar uma chance e que gostem. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XII – MISTÉRIOS DE DEZEMBRO

PRÓLOGO

20 anos atrás – Budapeste

Pelas margens do rio Danúbio, era possível ver um jovem correndo a toda velocidade em direção à rua Váci Utca. O jovem usava roupas coloridas que chamavam a atenção de quem passava pelo local. Logo atrás, um policial irritado gritava para que o jovem parasse e prestasse esclarecimentos, algo que o rapaz deixava claro que não o faria.

Clinton Barton, ou simplesmente Clint, não dispensava uma boa aventura. No auge dos seus vinte anos, considerava a adrenalina o seu alimento diário. Muitos o chamavam de louco e excêntrico, mas ele se autoproclamava um gênio não compreendido.

Ele apenas tinha uma maneira única de ver o mundo. Uma forma que o dava a vantagem de escapar do policial que o perseguia por ter impedido a prisão injusta de um homem pobre que foi desonestamente acusado de roubo por um húngaro rico e esnobe.

Ao ver que conversar não era uma solução plausível, Clint iniciou uma confusão nas margens do rio e orientou o homem a fugir no momento em que permitiu que o policial o pegasse. Após ter a certeza de que o homem estaria seguro, Clint mordeu o braço do policial, que o soltou aos gritos de dor e fúria. Depois de empurrar o húngaro rico no rio, passou a correr pelas ruas da capital da Hungria, iniciando uma enorme confusão.

Clint se divertia a cada falha do policial e seus companheiros ao tentarem o alcançar. Mas qualquer chance que os policiais húngaros tinham de prenderem Clint desaparece por completo quando o jovem adentra o grandioso mercado municipal de Budapeste, o majestoso Nagy Vásárcsarnok. Aproveitando-se do intenso fluxo de turistas e mercadores nos três andares lotados de produtos e artesanato regional, Clint desaparece do campo de vista dos oficiais.

Comemorando internamente a sua vitória, ele passa a observar melhor a rica cultura daquele ponto turístico que tinha tanto a contar sobre a história da Hungria. Deslumbrado pela beleza do artesanato e das pessoas que visitavam as variadas lojas do mercado, o rapaz se perde no tempo.

Como um historiador, pesquisar a fundo a história de cada cidade que visita é o que torna a viagem tão mágica para Clint. E dessa vez não poderia ser diferente para ele, que visitava pela primeira vez a capital da Hungria. Aquela cidade havia uma história tão intrigante, que na primeira oportunidade que teve, ele não pensou duas vezes antes de arrumar as malas e partir em busca de uma grande aventura.

Budapeste é a maior cidade da Hungria e devido as suas ruas que misturam história e diversão em todo canto tem atraído cada vez mais turistas. Ela é cortada pelo rio Danúbio, que faz a divisão entre Buda, na margem direita do rio, e Peste, na margem esquerda. A travessia é feita pela Ponte das Correntes e essa união tornou as duas antigas cidades em uma só: a capital histórica Budapeste.

Buda é a área mais histórica, onde fica o centro antigo e as principais atrações da cidade. Por outro lado, Peste é moderna e agitada, tem avenidas largas e muitos prédios espalhados, além de ter uma maior concentração de comércio e restaurantes.

Nagy Vásárcsarnok é a história viva de Budapeste. Com a sua zona de entrada inspirada na arte neogótica, o teto decorado como ladrilhos coloridos Zsolnay provenientes de Pécs era um de seus maiores atrativos. Durante as guerras mundiais, o mercado foi completamente danificado, e esteve fechado muitos anos até ao restauro completo há seis meses, o que lhe devolveu o antigo esplendor.

Enquanto fazia anotações em seu bloco de notas de detalhes únicos que notava conforme andava pelo mercado municipal, Clint acaba notando uma mulher que parecia estar sendo incomodada por três homens altos e fardados com o uniforme do exército da Hungria, que esboçavam expressões maliciosas e impediam que a mulher continuasse seu caminho.

Clint se aproxima, usando de sua memória fotográfica e dos sentidos aguçados para ler o ambiente. Apesar de amar uma aventura, Clint nunca se envolvia em uma briga que não tivesse um motivo nobre e pela forma calma com a qual a mulher lidava com os três incômodos a sua frente, ele previa que ela não era uma jovem indefesa.

Estando a poucos metros de distância, mesmo em meio as conversas paralelas das centenas de milhares de pessoas que percorriam o mercado municipal, Clint consegue ouvir a conversa e observar melhor os detalhes daquela mulher. Ela definitivamente não era da Hungria. As roupas, os traços e a frieza ao lidar com os três homens que pareciam ser soldados do país foram dicas suficientes para ele.

Mais de perto, Clint teve a certeza de que a mulher era alguém que poderia lidar facilmente com a situação. Ela tinha a musculatura dos braços e das pernas firmes, deixando claro que praticava exercícios físicos. Os calos em suas mãos e os cortes discretos mostravam que ela tinha alguma experiência de luta com armas afiadas como facas, adagas e espadas.

A arma escondida em sua bota também dava uma dica a Clint que ela estava longe de ser uma dama indefesa. Mas o que realmente chamou a atenção de Clint foi o distintivo escondido no cós de sua calça. Pelo pouco do desenho que ele viu brevemente quando ela se moveu, a mulher é uma agente da CIA.

E então Clint viu um dos soldados húngaros cometer o erro de puxar o braço da agente. Em questão de segundos, o homem veio ao chão e teve o braço torcido com brutalidade. O segundo soldado tenta tirá-la de cima de seu colega, mas ele acaba recebendo o ataque de uma arma choque como um aviso de que deveria ficar longe. O terceiro homem resolve usar uma faca para atingir a ruiva, mas Clint decidiu que já era hora de intervir.

Usando sua mochila como uma espécie de escudo, Clint impede que o soldado chegue perto da mulher e unindo os dedos indicador e médio, o homem acerta um golpe preciso na traqueia do soldado, que cai inconsciente no chão. O soldado que foi eletrocutado com a arma de choque tenta o ferir também, mas Clint é mais rápido e rodopia o corpo, levando o pé até a mandíbula do homem, que com o forte impacto também desmaia.

Clint se levanta e recolhe sua mochila, ciente do olhar curioso da mulher, que continuava a pressionar o rosto do soldado no chão, enquanto torcia o braço dele com intensidade. E então seus olhos se encontram pela primeira vez. Por alguns instantes, é como se o mundo tivesse parado de girar e tudo ao seu redor tivesse paralisado.

Não havia uma explicação lógica para o que acontecia naquele momento. Clint sentia as suas pulsações aumentarem alarmantemente. De repente, ele já não se sentia mais tão confiante. A agente da CIA era muito mais bonita do que ele previra. É claro que ele já tinha visto mulheres bonitas, mas aquela mulher havia o feito perder o ar.

Ela tinha olhos verdes grandes e sérios, que pareciam possuir todo o conhecimento do planeta. Os lábios carnudos e rosados eram atraentes e convidativos. Os cabelos ruivos eram ondulados e iam até o meio de suas costas. Sua aparência transmitia um ar sensual e inofensivo, mas Clint tinha presenciado instantes antes que ela poderia ser mortal.

Um grupo de turistas acaba esbarrando em Clint, com a curiosidade de saber o que estava acontecendo, e isso faz com que ele despertasse de volta a realidade. O jovem se abaixa para ficar na altura da mulher e sorri solicito, enquanto pegava as algemas que ele tinha em sua mochila para entregar a mulher.

— Você está bem? – Ele pergunta, estendendo as algemas a ruiva, que as pega e prende o soldado que proferia xingamentos em húngaro.

— Eu poderia ter cuidado deles sozinha. – Afirma a mulher de forma ríspida. Clint sorri, divertindo-se com o jeito agressivo da agente.

— Eu tenho certeza que sim, afinal, você é uma agente da CIA com domínio em lutas com armas brancas. – Responde Clint, levantando-se junto da mulher, que o encara surpresa.

— Como você sabe que eu sou da CIA? – Questiona a mulher com desconfiança. Ela estava pronta para atacá-lo a qualquer momento.

— O distintivo no cós da calça do lado direito. – Explica Clint, dando de ombros. Ela afasta um pouco a jaqueta de couro que usava para verificar o que o rapaz dizia e nesse momento ele nota mais um detalhe que torna a agente da CIA ainda mais interessante aos seus olhos. – Mas parece que você também já fez parte do Tentáculo.

Nesse momento, a mulher saca sua arma e aponta para Clint de forma discreta, não querendo chamar atenção da aglomeração de pessoas que passavam pelo local. Clint sente o cano da arma em sua barriga, mas isso não o intimida. Sendo sincero, a atração que ele sentia pela mulher parece ter se ampliado ainda mais ao ter a agente tão próxima de si.

— Eu só vou perguntar uma vez. Então se não quiser acabar com uma bala em seu coração, eu acho melhor você me responder. Quem é você? E como sabe quem eu sou? – Indaga a mulher em um sussurro intimidador.

— Clint. Clint Barton. – O rapaz se apresenta, dando um sorriso discreto. A adrenalina percorria suas veias e o perfume da agente inebria seu olfato aguçado. – Não se preocupe. Eu sou apenas um cidadão americano qualquer visitando a Hungria. E sendo sincero, eu ainda não sei seu nome. A tatuagem vermelha em formato de mão em seu ombro direito e sua reação ao ouvir minha suposição me deu uma dica de que você já fez parte do Tentáculo.

— Eu estou usando uma jaqueta. Como você poderia ter visto a minha tatuagem? – A mulher ainda não estava convencida de que poderia confiar em Clint. Ele sorri e corajosamente abaixa a arma que era pressionada contra o seu abdome ao ouvir o celular da mulher vibrar.

— A jaqueta escorregou enquanto você conferia seu distintivo. – Responde Clint, aproximando o rosto da mulher. – Seu celular está tocando. Aposto que é uma ligação de trabalho. Você não vai atender?

A mulher o encara de forma agressiva por alguns instantes, enquanto seu celular continuava a vibrar em seu bolso. Aquele homem era diferente de qualquer pessoa que ela já tinha conhecido e a forma como ele se mantinha calmo mesmo com uma arma apontada para sua barriga mostrava que ele não era apenas um cidadão americano qualquer fazendo turismo na capital húngara.

— Não pense que você escapou. Você vai ficar aqui até me dizer exatamente quem é você. – Afirma a mulher com firmeza, enquanto puxa o celular do bolso. Ao ver o nome do chefe na tela do aparelho, ela suspira, frustrada. Sabia que estava atrasada e o homem do outro lado da linha não era muito paciente. Ela então resolve que atenderia a ligação em sua língua materna. Não queria que o rapaz a sua frente ouvisse sua conversa e sabia que seu chefe entenderia o sinal de que não estava sozinha. – Alô.

Clint sorri. Em poucos segundos descobriu mais detalhes importantes da vida da agente. O primeiro é que não havia anel de compromisso em suas mãos e nem marca, o que indicava que ela ao menos não era casada ou estava noiva. Também que ela estava bastante atrasada para se encontrar com o homem com quem conversava ao telefone. Por fim, Clint descobriu que a mulher se chamava Natasha Romanoff e unindo isso a pronuncia perfeita com o qual falava, Clint soube que ela era russa.

Com a ligação finalizada, Natasha suspira mais uma vez e guarda seu celular no bolso e a arma no cós da calça. Seus olhos verdes se voltam para os de Clint e ao ver que ele a encarava com presunção, ela sente vontade de novo de sacar sua arma e atirar no rapaz.

— Vamos, Natasha Romanoff. O seu chefe não está feliz e nós precisamos chegar ao rio Danúbio. – Clint surpreende Natasha mais uma vez, que o encara atônita. – Antes que me questione, eu sei falar russo e o agente Fury não é uma pessoa que fala baixo quando está furioso, pelo visto. Eu ouvi a conversa e sei que você não confia em mim para me deixar escapar. Então, para atender a sua curiosidade, você vai me levar junto para a cena do crime e depois vai me interrogar mais uma vez.

— Como...? – Natasha encara Clint de forma incrédula.

— Vamos. Não temos tempo a perder e eu estou ansioso para conhecer o seu chefe. Ter contatos dentro da CIA pode ser de grande ajuda no futuro. – Responde Clint, puxando Natasha pela mão em direção a saída do mercado municipal da cidade.

Natasha não sabia ao certo do motivo de estar se deixando levar pelo jovem desconhecido que parecia ler mentes, mas havia algo nos olhos dele que fazia com que ela acreditasse em suas palavras. Ela nunca confiava. Natasha era uma agente da CIA agora e viveu muitos anos como membro do Tentáculo. Sabia melhor do que ninguém que não se deve confiar nem mesmo em seus aliados, quem dirá em homens bonitos e misteriosos que parecem ter algum tipo de poder telepático.

Ainda assim, Clint não parecia mentir. Ou talvez ela só estive batido a cabeça e estava se deixando levar pela beleza do homem de cabelos dourados e olhos verdes que pareciam enxergar um universo completamente diferente. E é por estar tão perdida em pensamentos que Natasha nem mesmo percebe que acabou deixando Clint a conduzir o caminho inteiro e que ele havia os levado diretamente a cena do crime onde Nick Fury a esperava, mesmo que Natasha não tivesse explicado sobre a localização a Clint.

Ignorando completamente os avisos dos policiais que pediam para que ele se afastasse da cena do crime, Clint apenas ultrapassa a faixa amarela que interditava o local ainda de mãos dadas com Natasha. Deixando-se levar pela afirmação de Clint de que eles poderiam precisar da ajuda dele, Natasha apenas pede para que liberassem a passagem dele. Por algum motivo, ela sentia que ele realmente poderia ajudar de alguma forma.

Assim que se aproximam da cena do crime, um homem negro, careca e com um tapa olho em seu olho esquerdo. Ele usava um casaco grande e preto, possuía uma expressão séria e intimidadora e todos ao seu redor parecia temer se aproximar do homem. Isso foi o bastante para Clint saber que aquele era o chefe de Natasha, Nick Fury.

— Você está atrasada, agente Romanoff. – O tom grave e o olhar sério que o agente da CIA direcionava a Natasha são sinais claros de que o agente Fury estava furioso. Ele olha para Clint e o encara com ainda mais irritabilidade. – E quem é esse? Nós estamos em uma cena de crime. Você sabe muito bem que não se pode trazer civis para essa área.

— Clint Barton, senhor. É um prazer conhecê-lo. – Clint se apresenta, soltando a mão de Natasha para estender ao homem, que o ignora completamente. No entanto, isso não desanima o rapaz, que apenas sorri com presunção. – Não se preocupe, agente Fury. Eu não irei atrapalhar. Na verdade, eu acho que posso ser de grande ajuda.

— Você? De grande ajuda? Você por acaso é algum tipo de detetive? – Pergunta Fury, encarando Clint com desdém.

— Quase isso. Eu sou um historiador. – Responde Clint, ignorando a descrença do homem a sua frente. — O historiador investiga e interpreta criticamente os acontecimentos, buscando resgatar a memória da humanidade e ampliar a compreensão da condição humana. Esses não são alguns dos princípios de um detetive?

— Quem é esse maluco que você trouxe para cá, agente Romanoff? — Questiona o agente da CIA, encarando sua subordinada com frustração.

— Ele... é alguém que parece saber demais, senhor. – Responde Natasha com hesitação. Ela também não sabia o porquê de ter permitido que Clint a acompanhasse até a cena do crime.

— Alguém que sabe demais? Que tipo de explicação é essa, agente Romanoff? – Fury parece ficar ainda mais furioso com a resposta de Natasha. – Tire já esse maluco da minha frente. Não temos tempo para ficar de brincadeira com um idiota que você achou na rua e que acha que pode ser considerado um detetive por ser um historiador. Eu já estou cheio de problemas. Eu não preciso de mais um...

— Que burrice, hein?! – Exclama Clint, interrompendo Fury. Natasha engasga com a própria saliva de tão surpresa com a atitude inesperada de Clint. Nick Fury é um dos diretores da CIA e uma pessoa bastante perigosa e impaciente. Para alguém que parece ser tão observador, Clint havia simplesmente ignorado a aura assassina que Nick emanava naturalmente. – Todos os casos difíceis do mundo precisam ser supervisionados por um grande historiador. E eu posso ver que você precisa de ajuda, agente Fury. O caso de agora é algo que vocês estão tendo dificuldades há algum tempo e isso está o deixando irritado. Você sabe que precisa da minha ajuda, assim como também sabe que sua linda agente Romanoff jamais me traria para esse lugar se não tivesse certeza de que eu posso contribuir positivamente para a investigação. Ela não é uma amadora.

Clint havia jogado verde. Ele poderia ser bastante observador e ler as pessoas, mas sem ter uma prévia do caso, ele jamais poderia dizer o que se passava entre os agentes da CIA naquele momento. O historiador observa Nick crispar os lábios e exibir uma expressão insatisfeita. Enquanto isso, Natasha continuava a encarar Clint sem acreditar que ele estava certo mais uma vez sobre a complexidade do caso.

— A vítima é um dos nossos. – Revela Fury, surpreendendo Natasha, que nem mesmo pensava que o homem fosse ceder tão facilmente. O homem então faz sinal para que os dois jovens o acompanhassem e encara Clint pelo canto do olho. – Espero que não esteja brincando comigo, sr. Barton. Se ao menos eu desconfiar de suas ações, eu imediatamente darei ordem de prisão por desacato a autoridade.

— Tenho certeza de que não vai se arrepender, agente Fury. – Garante Clint, satisfeito por ter a permissão de Nick.

— Há alguns meses, estamos recebendo relatos de desaparecimento de nossas melhores agentes disfarçadas aqui em Budapeste. Dias depois, o corpo da vítima é encontrado descendo o rio Danúbio e não há nenhuma prova de quem tenha sido o autor do crime. – Fury se abaixa e retira o pano branco que cobria o cadáver de uma mulher já em início de decomposição. – Noemi Altmayer . Essa é a nossa quinta agente morta em um ano e ainda não temos nenhuma pista que nos leve ao assassino.

Clint se aproxima mais do corpo e o observa com atenção. Ela era muito bonita. Tinha cabelos castanhos longos, nariz afilado, maçã do rosto saliente e lábios carnudos. Ela usava um jaleco branco, uma blusa salmão e uma saia rodada, além de um relógio de pulso prata. Clint nota também as três marcas de bala no peito da mulher.

— Ela era jovem. – Comenta Clint, penalizado.

— Ela foi encontrada descendo o rio pela manhã. – Comenta um policial com pesar. – Sofreu três tiros no peito. Não sabemos onde e nem quando isso aconteceu. Nem as balas nós encontramos.

— Suspeitos? – Questiona Clint, encarando o corpo da vítima.

— Não temos nenhum. – Responde Fury com frustração. – Do que pudemos notar, nem em algum relacionamento ela estava.

— Então vocês não fazem ideia de nada? – O tom convencido de Clint parece deixar Fury ainda mais irritado.

— Mais um motivo para deixarmos amadores como você de fora disso. – Responde Fury com um tom ameaçador. – Não precisamos de um historiador para resolver esse caso. Na realidade, todos os meus subordinados são muito superiores a qualquer tipo de civil que fica brincando de detetive.

— Ei, você! Como se chama? – Pergunta Clint, apontando para o policial que havia relatado sobre como encontraram a vítima.

— Hã? Eu... – O homem parece surpreso com a pergunta repentina de Clint. – Eu me chamo Arthur Edgell. Sargento Arthur Edgell. A vítima era a minha superiora.

— Muito bem, sargento Edgell. A partir de agora, resolva este caso em sessenta segundos. – Pede Clint, colocando as mãos nos ombros do homem.

— O quê?! – Exclama o sargento, surpreso com o pedido de Clint.

— O que foi, sargento Edgell? O agente Fury disse que os subordinados deles são superiores a mim. Eu resolvo esse caso em menos de um minuto. Você não? – Pergunta Clint e isso provoca certo alvoroço entre os agentes.

— Ei! O que pensa que está fazendo? – Questiona Natasha, preocupada com a petulância de Clint. Ela já conseguia ver Nick prendendo Clint por desacato e ainda sobraria para ela fazer os gigantescos relatórios do caso.

— Se você for tão bom quanto ele diz, deve ser capaz de fazer isso em menos de um minuto também. – Responde Clint, ignorando o olhar raivoso e repreendedor de Natasha, enquanto encara Fury em desafio. Isso parece elevar o espirito competitivo do agente, que encara o subordinado com seriedade e um certo tom de ameaça.

— Tudo bem, sargento Edgell. Resolva o caso. – Ordena Fury, assustando tanto Natasha quanto o sargento, que o encara desesperado.

— O quê? Mas senhor...

— Sessenta segundos. – Avisa Clint, encarando o próprio relógio, interrompendo as lamúrias do sargento.

— Certo. Então... deixa eu ver... Seja como for, eu tenho que responder em sessenta segundos? – Pergunta o homem, encarando Fury em um pedido mudo de socorro.

— Agora é em cinquenta segundos. – Alerta Clint e Fury assente, concordando.

— O quê? – Questiona o sargento, nervoso com a pressão que recebia tanto de Clint quanto de Fury.

— Eu já sei! – Responde o sargento, encarando Clint com confiança, ainda que fosse evidente o seu nervosismo. – A agente Altmayer estava correndo atrás de um caso de um político corrupto que estava escondido aqui em Budapeste, além de investigar a Máfia do Porto. Se não me engano, a abordagem do assassino é similar ao método de retaliação da máfia. Será que ela foi morta por alguém da máfia? Alguém que ela investigava...

— Nada disso. – Interrompe Clint com uma expressão intimidante.

— Hã...? – O sargento engole em seco, nervoso pela forma como Clint se comportava.

— Os métodos retaliativos da Máfia do Porto são tão específicos quanto um número de identidade fornecido pelo governo. – Clint se aproxima do sargento e sua expressão parece intimidar o homem, que se encolhe diante da pressão dos olhos de Clint. Natasha e Fury observavam a tudo com atenção e curiosidade. – Primeiramente, colocam o traidor de boca no meio fio ou em um degrau de escada. Em seguida, chutam a nuca para quebrar a mandíbula. Conforme se contorce em agonia, o traidor é virado e toma três tiros no peito.

— Realmente. Se considerarmos a precisão, é assim mesmo. – Concorda o sargento, atordoado.

— A abordagem da vítima foi similar à da máfia, mas não foi ela. – Continua Clint com uma expressão séria e distante. Era como se ele soubesse exatamente do que estava falando. Ele então se vira para Fury. – Em suma...

— O assassino tentou acobertar a morte. – Completa Fury, pensativo.

— Ele deu dois tiros a mais só para isso? – O sargento parece sentido com a situação. Ele fecha os punhos e parece frustrado com a situação. – Quanta crueldade!

— Bom, o seu tempo acabou, sargento Edgell. – Clint volta a sorri e dá duas fracas batidas nos ombros do sargento, que se assusta com a mudança de expressão e comportamento de Clint. Ele então se vira para Fury. –Não tem condições. Ainda falta muito para o seu subordinado chegar ao meu nível de investigação e análise de caso, agente Fury. Ao menos isto provou que você estava errado e que os seus subordinados não são nenhum pouco superiores a mim.

— Chega de palhaçada! – Fury parece furioso com a presunção de Clint. – Você dala de dedução, de ser historiador, disso e daquilo, mas tudo não passa de ficção. Apenas em livros de detetives como Sherlock Holmes é que os casos são resolvidos em questão de minutos. Na vida real, casos assim são resolvidos com investigações consistentes e lentas. É necessário que se interrogue pessoas, analise a cena do crime e busque por provas.

— O quê? Ainda não entrou na sua cabeça que você precisa de mim, agente Fury? Historiadores são tão importantes quanto detetives. E nosso trabalho é feito com muito menos acesso a provas do que vocês possuem atualmente. – Responde Clint, sorrindo para Fury com a certeza de que já tinha a resposta para todo o mistério. – Em um minuto, eu direi a você quem é o assassino, quando e como o crime foi cometido. Na verdade, eu garanto ao senhor que farei o assassino se entregar e direi onde estão as provas do crime. Inclusive, já deixo avisado que ele vai correr para aquela direção quando tudo for esclarecido. — Clint aponta para um ponto onde não havia muitos agentes da CIA e a polícia no local. – Inclusive, conto com você para realizar a prisão, agente Romanoff. Tudo acontecerá como uma epifania, então fique de olhos bem abertos.

— Já que está tão confiante, diga-me, quem é o assassino de Noemi Altmayer. – Desafia Fury, cruzando os braços.

— Eu sabia que você acabaria cedendo as minhas habilidades de historiador. – Provoca Clint e Fury ri, encarando-o com presunção.

— Você está bastante confiante para em um caso desafiador, onde não temos nenhuma evidência. Eu devo contar até sessenta? – Ironiza Fury e Clint ri, dando de ombros.

— Não será necessário. – Responde Clint, abrindo um sorriso que Natasha definia como o de um louco, até levantar o dedo e apontar. – O assassino é você....

Notas finais
Olá! O que vocês acharam? Como eu disse no início do capítulo, essa história faz parte de uma série de 12 histórias, onde cada mês tem seu casal diferente. Elas ocorrem simultaneamente umas com as outras, então vocês verão muitos personagens de outros universos por aqui. A fanfic será atualizada diariamente, mas não tem um horário definido. Deixarei o link abaixo da história anterior, caso queiram conhecer. Eu também tenho um grupo com meus leitores, então se quiserem conhecer mais pessoas apaixonadas por fanfics, será muito bem-vindo. Espero que tenham gostado do capítulo e que possam deixar a opinião de vocês. Obrigada por chegar até aqui e até amanhã. Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara Mistérios de Dezembro: https://fanfiction.com.br/historia/796812/Memorias_de_Novembro/