Mistérios Ocultos
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Aquilo fora um sonho. Com certeza, apenas um sonho. Aquelas marcas vermelhas no meu pescoço tinham uma explicação plausível. Provavelmente picadas de insetos. Era apenas isso.
Repetia isso para mim mesma constantemente, enquanto me encarava no espelho e passava a mão pelas marcas.
Peguei um cachecol e o enrolei no meu pescoço. Não queria que Vee começasse a fazer insinuações desnecessárias e escandalosas na frente de toda a escola.
Já estava pronta para as aulas e desci as escadas correndo, tentando desaparecer com aquela face perturbada que eu carregava desde que acordei.
Quando cheguei a cozinha, me assustei com a visão da minha mãe cortando morangos e os jogando em uma tigela branca. Meus pés frearam bruscamente, devido meu espanto.
Achei que ela chegaria daqui uma semana.
- Nora, meu amor, estava tão preocupada com você. – ela disse, correndo até mim e segurando meu rosto com as mãos. – Ainda bem que aquele seu simpático professor ficou aqui cuidando de você enquanto dormia. Ele ficou acordado até as quatro da manhã, segurando sua mão e com a expressão preocupada. Você deve ser uma ótima aluna para ele gostar tanto de você.
Ela largou meu rosto e voltou a picar os morangos. Meu sangue congelou nas minhas veias. Aquele maníaco desgraçado passou a noite na minha casa, me vigiando. Minha mãe era sem noção ou o que?
Ela continuava tagarelando, e eu não estava com paciência para escutar o falatório dela. Eu estava nervosa demais para pensar em algo coerente. As palavras maníaco e louco eram as únicas coisas que ecoavam na minha mente.
Saí da cozinha e corri até o meu quarto, pegando minha mochila e as chaves do meu carro. Despedi da minha mãe, que gritava que eu deveria ter tomado um lanche antes de ir.
Pulei dentro do meu conversível e cantei pneus devido a agressividade que eu estava manobrando o carro. Eu queria sair atropelando todo mundo hoje. O que eu tinha na cabeça quando desafiei aquele maldito professor?
Estacionei meu carro em uma das vagas do estacionamento da escola e marchei até o portão principal, pronta para enfrentar Patch.
Antes de chegar, deparei com a cena de Patch completamente tenso conversando com um homem loiro e alto que parecia se divertir horrores. Ele parecia discutir duro, sem demonstrar nenhuma variação de expressão enquanto o loiro sorria maldosamente, do mesmo jeito que Patch sorria para mim quando queria me provocar.
O loiro se afastou, deixando Patch parado no passeio, olhando inexpressivo para o nada. Caminhei até ele, ignorando o fato de que ele provavelmente estaria irritadíssimo.
- Você! – exclamei, enquanto ele olhava para mim com os olhos negros mais opacos do que a última vez que o vi. – Seu maníaco, quem você pensa que é para me levar até minha casa e ficar lá? Isso é invasão de privacidade! Eu poderia te processar, mas prefiro que você me deixe em paz. Para sempre! – quando dei por mim, estava gritando e vários alunos nos encarando.
Ele agarrou meu pulso sem delicadeza alguma, e me puxou para perto de si.
- Nora... Minha doce boneca. Eu não estou com um bom humor hoje. – vociferou irônico. – Você acha que eu preocupo com autoridades? Ou com essa escola? Você acha que esses alunos que estão nos encarando vão lembrar dessa cena? – indagou, apertando meu pulso a cada pergunta. – Não seja tão ingênua, pirralha insolente. Eu posso fazer coisas que você nunca imaginaria que uma pessoa pode fazer.
Senti o calor do meu corpo sendo arrancado de mim, meus pés e minhas mãos agora permaneciam gelados. Meu coração não parava de bater forte, parecia que iria pular do meu peito.
- Consegue sentir esse frio, Nora? Eu estou te congelando? Está com medo? – ele perguntava no meu ouvido. Eu não conseguia o escutar direito, meus olhos estavam queimando e meus lábios tremendo. – Você é patética.
E me jogou de lado, andando até a direção oposta da escola. Caí no chão, tentando recuperar meu calor corporal.
Ele havia me sugado. Sua mão havia sugado meu calor. Assim como seus olhos já haviam feito. Por isso aquele frio sempre que eu estava perto dele.
O que Patch é?
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