Mistério da Turma 101
1 Capítulo - 01
Alex está correndo, está suado e cansado, o fogo destruía tudo ao seu redor. Em sua frente há uma porta, a porta da saída. O loiro suspirou aliviado, alguém o chama ofegante, um pedaço do teto cai em chamas, o fogo ia se alastrando descontroladamente, ele se vira e vê um garoto com sua irmã, Melissa, desmaiada nos braços, tentou identificá-lo, mas as chamas e fumaça não deixaram.
— Vem! Por aqui!!! – Ele grita mais uma vez, Alex se apressa em correr atrás do rapaz, que seguia rapidamente por um corredor repleto em chamas, o calor estava insuportável e a fumaça já estava o fazendo mal.
— Alex... Alex... – Ele abre os olhos, sua irmã está na beirada de sua cama o encarando. – Teve um pesadelo... – Ela diz serena, já estava de manhã, ele estava suado e ofegante.
— Mel... – Alex olha para os lados sem entender. – É! Realmente foi um sonho...
— Vamos, levante-se, temos que ir ao mercado comprar umas coisas. – Diz ela se movendo em sua cadeira de rodas. Alex apenas acena e se levanta, ir ao mercado é uma tradição, toda manhã eles iam fazer compras pra Jude, a governanta.
— Você vai mesmo à festinha do traidor do Mark? – O rapaz pergunta.
— Sim, por que não? Ele é meu amigo.
— Pois é, pensei que ele fosse meu amigo também. – Ele diz indo pro banheiro. Melissa revira os olhos e sai do quarto. Sabia que Mark, seu amigo do tempo da escola, só não o convidou pro seu aniversário, porque Dean, o rapaz pelo qual o irmão cultivava um ódio, estaria lá, e não era segredo pra ninguém que iria rolar confusão. Na cozinha Jude, a velha governanta está fazendo algo no fogão.
— Hey Jude! Chegou cedo! – Pergunta a loira girando a sua cadeira de um lado para o outro, fazendo graça para a sua cachorrinha Miley, uma dálmata de 2 meses.
— Sabe que não me importo Srtª. Melissa, Apenas peço para vocês dois irem ao mercado.
— Sim, sim, estou ciente disso. Bom o Alex já vai aparecer, não se preocupe. – Melissa tinha uma afeição pela velha senhora que ali trabalhou por muito tempo, desde quando ela era pequena e claro que o fato dela ter ficando com os irmãos depois que a mãe fugiu com uma garçonete deve ter ajudado a melhorar os laços.
— Pronto! Podemos ir! – Diz Alex chegando por trás da irmã que se assusta.
— Se me assustar de novo, é melhor correr bem rápido!
— Ha, há, seu senso de humor é trágico maninha. – Diz ele empurrando a cadeira de rodas da irmã que sorria com o tom de voz do outro. Melissa Acob era uma californiana de 25 anos, que dividia a casa, no bairro de Lemon Grove, com o irmão, três anos mais velho, Alex, com quem tinha uma relação bem positiva, uma vez que o irmão a ajudava em tudo o que precisava.

Tinha acabado de sair de um emprego como gerente de caixa e estava prestes à lecionar em uma escola do ensino médio do seu bairro, algo que estudou para fazer, é muito inteligente e tem um temperamento moderadamente juvenil, não dispensava puxar o saco do irmão e sempre que podia o tirava do sério, sempre foi extrovertida, fazia amizade fácil por onde passava, como muito diziam à ela, era extremamente apaixonável.
Já seu irmão, Alex, trabalhava em uma gráfica, também perto de casa e tem uma renda razoável. Loiro de olhos bem azuis, diferenciando-se um pouco da irmã que tem os seus bem claros como um rio cristalino, era marrento na maioria das vezes, mais introvertido e amante de música, carregava o seu violão para todo o lugar, como se fosse parte de si, presente de seu pai. Assim como ele, Melissa também amava música e tocava piano como ninguém, enquanto a moça levava como um hobbie, o rapaz queria tornar isso uma carreira, contando os dias pra sair do seu monótono trabalho.

A mãe como já sabem, se envolveu com uma garçonete 12 anos mais nova que ela e nunca mais deu notícias, já o pai faleceu por acidente de carro há 17 anos, também foi assim que a loira ficou paraplégica.
*
Nos corredores do mercado, Alex não se decidia sobre qual das garotas que estavam no caixa era mais bonita, nunca tinha visto elas ali, com certeza eram novas. Enquanto Melissa pegava alguns produtos nas prateleiras, sorria pelas caras que o idiota fazia.
— Na dúvida, fique com as duas, garanhão. – Ela diz com um tom de voz calmo, porém, irônico. Alex acorda do transe e solta um sorrisinho bobo.
— Cuida da sua vida, mana...
— Ah sim, eu cuido, mas também preciso cuidar da sua, já que você não tem competência para cuidar.
— Eu sou a pessoa mais competente que eu conheço.
— Ah sim, que bela competência você tem!
— Vamos parar de falar sobre competência, por favor? Essa palavra já tá me dando dor de cabeça. – Ele põe a mão na cabeça olhando para as garotas. Uma delas, a de pele preta, dá um sorriso pra ele que se infla todo. Melissa revira os olhos e o empurra, ele tropeça e cai fazendo as garotas gargalhar.
— Se achar demais causa moleza no corpo... – Diz Melissa que começa a rir, pegando uma caixa de leite, Alex se levanta com cara de poucos amigos e a encara. – Ao persistirem os sintomas...
— Vai ter volta... Pode esperar, irmãzinha. – Ela apenas ri indo para o caixa.
— Alex, Alex, quando irá aprender que eu sempre ganho?
— Só porque é mulher?
— Também, e porque eu sou muito mais competente.
— Oh não, essa palavra de novo, vá se danar... – Diz ele sorrindo, ela balança os cabelos e desdenha.
— Também te amo.
— Olá, bom dia! – Uma das operadoras do caixa fala ao ver eles se aproximando. Alta, afrodescendente, cabelos curtos, negros como a noite sem estrelas e um sorriso bem carismático. Alex cora de vergonha e retribui o sorriso.
— Bom Dia! – Diz Melissa pegando os produtos e pondo no balcão. – Qual os seus nomes?
— Domino. – Responde a garota com um sorriso no rosto. A outra, morena de cabelos castanhos, chega com o mesmo sorriso, olhando para Alex. – Essa é a Allison!
— Eu sou a Mel e esse gostosão aqui é o meu irmão, Alex. – Diz ela apontando pro loiro, numa naturalidade que o deixou incomodado. – Ele ficou em dúvidas de qual das duas é mais bonita.
— Melissa!!! – Ele protesta, sua face mais vermelha que qualquer outra coisa, não via a hora de sair dali, Melissa sabia como deixá-lo sem jeito na frente das pessoas e isso era o seu ponto fraco.
— Realmente, nós percebemos. – Começou Domino. – Foi por isso que ele caiu?
— Na verdade fui empurrado! – Protesta ele.
— Bom meninas, foi bom conhecer vocês, se quiserem ligar pra ele, aqui tá o número! – Diz Melissa entregando um papel. Alex fica sem acreditar.
— Okay! – Elas respondem em uníssono.
— Não liguem pra ela, esqueci de dá o seu remédio... – Começa Alex.
— Você também toma? – Pergunta Allison.
— Não.
— Agora vimos o problema... – Completa Melissa pondo as sacolas em seu colo. As três caem na gargalhada enquanto o loiro se retira dali enraivecido.
— Estávamos apenas brincando com ele. – Diz Domino.
— Homens... Vá entender... – Completa a outra.
— Tudo bem meninas, eu vou atrás da criança. Vejo vocês por aí! – Diz Melissa se ajeitando na cadeira e saindo pela porta do mercado.
— Você vai ligar? – Pergunta a morena.
— Mas é claro! – Responde a outra e as duas começam a rir. Melissa chega em casa, o mercado não era longe, deixou as coisas na cozinha e foi ao quarto do irmão. Chegando lá a porta estava fechada.
— Novidade... – Ela resmunga e bate. – Alex! Abre a porta pra sua irmã!
— Vai embora! – Ele responde lá de dentro, pegando o seu violão.
— Você me deixou sozinha lá no mercado!
— Não, não! Você estava com suas novas amiguinhas idiotas.
— Alex não fala assim!
— Me deixa em paz. – Ele grita, ela olha pros lados e suspira.
— Tá... – Ela se afasta da porta, seu irmão era o mais velho, mas tinha certos momentos que sua infantilidade superava as barreiras do aceitável.
— Qual o problema, pequena? – Jude levanta a cabeça do lado de fora da janela do corredor, estava com um chapéu de palha e o rosto sujo de terra.
— Alex sendo um crianção, como sempre. – Ela diz. – Como tá a horta?
— Finalmente está funcionando! – A velha senhora passa as costas da mão na testa, segurando uma pequena pá, sorrindo. – Eu disse que o amor cultiva até em solos difíceis, não disse?
— Você, sempre tão esperta, Jude! – Ambas começam a ouvir a música tocada por Alex no quarto. Sorriem.
— Daqui a pouco ele se acalma, a música o transporta pro seu paraíso pessoal, quando ele retornar, estará melhor.
— E com fome. – Melissa sorri, dando meia volta com a cadeira. – Deixe-me terminar de organizar uns assuntos para a minha aula!
— Aposto que está animada!
— Explodindo!
— Ótimo! Quando chegar, terá um jantar especial!
— Oh, Jude, você não sabe o quanto isso me anima! Até depois! – Diz rolando as grandes rodas pelo corredor, sendo seguida pela cachorrinha, até entrar em seu quarto, que não é longe do seu irmão.
*
Algumas horas se passam e a loira sai de casa arrumada, com sua elegante bolsa de cor preta no colo, sai manobrando a cadeira pelas ruas, olha no relógio do outdoor e suspira, chegaria atrasada na escola e isso não lhe daria uma boa primeira impressão, claro que poderia ter pego a carona que seu irmão prometeu, mas ao ver que ele demoraria quase uma hora se arrumando, resolveu sair.
Depois de alguns quarteirões, onde suas rodas deslizavam suavemente na lisa calçada da rua, a mulher chega à uma bela construção de três andares e uma fachada elegantíssima. O L.Grove High School, onde iria trabalhar a partir de agora. Era uma construção enorme, continha dois andares e fachada remete a uma grande universidade, com uma larga rampa na frente, havia várias janelas enormes com vitrais que brilhavam com os raios de sol. Quem visse pela primeira vez, não imaginaria que se tratava de uma escola de ensino médio. Suspira e começa a subir a rampa, pensando que o dia seria maravilhoso já que o tempo não dizia o contrário.
— Srtª. Acob! – O diretor, Wander, a recebe na porta. Melissa solta um sorriso. – Preparada para sua primeira aula do ano?
— Preciso estar, afinal nunca é fácil trabalhar com adolescentes, quando falamos de arte os jovens pensam logo em tinta guache, pincéis e tesoura sem pontas...
— Fala como se fosse uma senhora de idade sendo que parece ter 20... – Ele diz andando à sua frente e abrindo a porta da sala pra ela passar. Melissa permanece um minuto olhando o número da sala. T101. Aquilo lhe deu uma sensação diferente, claro que deu, afinal, era ali que iria exercer suas atividades, mas por alguma razão, seus pelos se eriçaram ao passar pela porta.
— Obrigada, diretor, você é um doce... – Ela diz aproximando-se da sua mesa.
— Espero que se sinta à vontade... Até mais Srtª. Acob. – Ele diz, se retirando da sala.
Melissa sorri tirando alguns papéis de sua bolsa e pondo sob a mesa. Olha ao redor. Estava com saudades daquele ambiente. As cadeiras enfileiradas, o clima juvenil, os corredores, a sirene. Ela sorri. Sentia que aquele emprego iria ser ótimo.
Faltava alguns minutos para o primeiro horário tocar, ouve batidas na porta e vê um homem bem vestido, entrar sorridente, baixo, moreno, com os cabelos milimetricamente penteados para trás e um sorriso encantador.
— Você deve ser a nova professora de Artes, estou certo? – Ele pergunta se aproximando e parando em frente ao grande objeto feito de madeira compensada.
— Melissa Acob... – Ela estende a mão por cima da mesa.
— Danilo Albuquerque... – Ela dá um sorriso de canto. – Seja muito bem vinda à nossa escola.
— Já me sinto bem vinda, obrigada! – Ele se senta em uma das cadeiras. Ela franze o cenho. – Você não me é estranho.
— É porque eu moro na casa ao lado da sua. – Ele sorri. – Sempre nos vimos de longe, às vezes, você acenava pra mim e eu sorria.
— É verdade! – Ambos sorriem. – Que cidade pequena, ham.
— Sim... – Ele suspira. – Então, o que te fez dar aulas à adolescentes em plena flor da idade?
— Bom... – Ela lambe os lábios e sorri. – Eu sempre gostei da ideia de ensinar...
— Hm, interessante.
— E você senhor...
— Apenas Danilo por favor... Eu... Na verdade queria ser cantor de rap... – Os dois sorriem. – Mas não deu muito certo e acabei por dar aula de Geografia...
— Não me diga... Você tem um sotaque diferente...
— Sou Brasileiro, somos conhecidos por gostar de futebol, samba e bunda... – Suspira, batendo na testa. – Essa última não saiu como eu queria... Desculpa – E mais uma vez a loira sorri. Um som alto e agudo toma conta do local.
— O sinal...
— O sinal... – Ele diz se levantando. – Tá na hora de trabalhar, boa sorte novata!
— Muito obrigada... – Ela diz passando a mão pelo cabelo. Ele para na porta.
— Hm... Será que aceitaria sair algum dia desses com esse velho professor de geografia sem graça? – Ele pergunta meio sem jeito. Melissa sorri surpresa.
— Sair?
— É sair, tipo, sei lá, um café... – Ele diz se esgueirando para fora e vendo a onda de alunos se aproximar. – Okay, tenho que ir pra sala, até mais, pense sobre!
— Bom... – Ela não termina de falar e ele já não está mais na porta, apenas os alunos que entravam lançando olhares curiosos para a nova professora. Depois que todos já estavam em seus devidos assentos, a loira começou a falar, despretensiosa, mas confiante.
— Olá turma, meu nome é Melissa Acob e serei sua nova carrasca! – Todos sorriem. – Estou brincando, vou ensinar Arte pra vocês e espero que todos gostem da minha aula. – Melissa nota que o canto da sala, no fundo, está mais escuro que o resto. A lâmpada dali não estava funcionando e havia uma cadeira vazia. Isso a intrigou, mas resolveu seguir com a aula.
*
Seus passos se arrastam sem vontade pelos corredores da gráfica, Alex suspirava forte de 5 em 5 minutos. até chegar em sua sala, que não era nada grande, apenas o suficiente para comportar duas mesas e cadeiras onde ele e seu companheiro ficavam, uma estante cheia de gavetas e uma mesa com uma cafeteria, próximo à uma janela.
— Final de semana foi tenso... – Marshall, um homem de meia idade, que usava roupas folgadas devido ao seu peso, meio careca e barbudo comenta, com sua caneca de café do Pink Floyd na mão. – Ou essa cara é do ânimo da segunda-feira?
— Os dois. – Responde indo direto para o computador, jogando sua bolsa em cima da estante. – Eu tô tão aborrecido.
— Ih mano, lamento dizer, mas vai piorar, Donald já veio perguntar por você, ele quer aquela formatação e ficou puto por você estar atrasado... De novo.
— Ninguém merece...
— Nem me fale, ganhei 2 quilos nesse domingo... – O homem suspira tomando um gole do café. Alex revira os olhos.
— Seria bom ter uma ajudinha, pra varear...
— Desculpa, eu estava tomando o meu café e não ouvi o que disse...
— Você é um idiota, Marsh. – Ele sorri.
— Mano, estou te dizendo, abre o teu olho, o grandão não está gostando nada da maneira que você vem agindo na empresa, se vacilar, o jacaré te come.
— Que papo é esse, cara... – A cabeça do loiro começou a latejar, forçando-o a massagear e têmpora.
— Ué. – Marshall faz um gesto com os braços, imitando a boca de um jacaré. – Aquele animal lá que come outros animais, sabe? Aquele com dentes e...
— Eu sei o que é um jacaré, otário. Você ouviu alguma coisa do Donald?
— Dele não. – O homem se inclina pra falar mais perto do loiro. – Mas a amiga da supervisora do irmão da faxineira pode ter escutado ou não ele dizer que vai fazer redução de quadro.
— Ah, cara, são boatos... – O loiro desdenha.
— Não sei, mas fica esperto Zac Efron.
— Acob! – Donald aparece na porta com cara de poucos amigos. – Na minha sala, agora.
— Ok. – O loiro respondeu lançando um olhar pro outro que faz o mesmo gesto de "jacaré" de antes, mas agora apenas com as mãos. Alex caminha pelos corredores até chegar na sala do velho homem de bigode grosso e branco assim como o cabelo, que o esperava, já sentado em sua poltrona, atrás de sua mesa. O loiro pigarreia adentrando o local.
— Senhor.
— Feche a porta e sente-se. – A voz grossa do homem ecoa pelo lugar, depois de fazer o que lhe foi mandado, Alex se senta, cruzando os braços. Alguns segundos de troca de olhares e o mais velho finalmente fala. – O que está acontecendo?
— Hm... – O loiro pensa um pouco. – Não sei como responder essa pergunta...
— Você está chegando atrasado com frequência, não entregando os projetos no tempo certo, coisa que antes você fazia em uma semana agora demora um mês, Alex, tem algo o incomodando?
— Não. – Mentiu.
— Certeza?
— Sim. – Mentiu de novo.
— Sabe que pode me contar qualquer coisa que esteja te prejudicando aqui, não é? Preciso ter a certeza de que meus colaboradores estejam bem, para assim essa coisa andar.
— Acho que a monotonia está me prejudicando. – Resolveu então abrir o saco. – A nossa sala é muito pequena, já viu o tamanho do Marshall? O elevador vive quebrando e subir sete lances de escada não é o que espero encontrar em uma segunda feira de manhã, nosso ar condicionado está soltando muita água, alagando toda a sala, as demandas aumentaram bastante e se tornou muito trabalho pra pouca pessoa fazer e por tudo que eu faço aqui, acho justo ganhar um aumento.
— Hm... – Donald suspende a sobrancelha e Alex solta um meio sorriso. – Entendo...
— Entende?
— Claro que sim. – O homem se levanta e começa a andar pela sala, com os braços pra trás, pensativo. – Prometo averiguar todas essas argumentações e resolver os problemas.
— Agradecido.
— Mas preciso que você se comprometa mais com essa empresa. – Ele para atrás do rapaz e abre a porta. – E de mais tempo.
— Ok. – Alex se levanta também. – Peço perdão pelo que vem acontecendo até hoje e pretendo contribuir sempre de forma construtiva para com a sua empresa.
— Gosto de ouvir isso, Acob. – O homem então aperta a mão do loiro que sorri. – Agora volte ao trabalho.
— Certo. – Ele diz saindo da sala, voltando pelos corredores, sorrindo, ainda não tinha falado coisas daquele tipo para o seu chefe e fazer isso foi revigorante. – "Contribuir para com a sua empresa"? Que merda foi essa Alex?!
*
A hora passa, junto com o primeiro dia de trabalho de Melissa naquela escola, as turmas que passaram por ela, eram bem antenadas e focadas no estudo, falando de um modo geral. Claro que tinha os preguiçosos que só queriam brincar, mas ela sabia muito bem como lidar com eles, afinal, tem um Alex em casa. O fim da aula chega e com alguns minutos para o sinal tocar, fez a chamada.
— Vanessa Orlorth.
— Presente. – Respondeu a garota, já no final da chamada.
— Wallace Storm.
— Aqui!
— Yan Gargg. – Um silêncio sepulcral toma conta da sala. Melissa desvia o olhar da lista coça os olhos, procurando o dono do nome. – Yan Gargg?! – Ao repetir, as luzes piscam por alguns segundos. Todos os alunos se entreolham em silêncio, alguns parecem estar nervosos. Foi o rapaz de cabelos ruivos sentado na fileira da frente quem falou:
— Ele não estuda mais aqui, professora... – Sua voz sai baixa e trêmula.
— Ele foi transferido ou algo assim? – Ela pergunta, mas o rapaz apenas morde os lábios e nega com a cabeça.
— Eu não sei... – Responde. Melissa estranha e olha a lista mais uma vez, franze o cenho confusa. O nome era o último da lista da última vez que viu, mas agora, não estava lá. O sinal bate e todos saem cochichando e apressados. A loira ainda está intrigada com o nome que pensou ter lido na lista de chamada. Estava lá... Não estava?
— Acho que tenho que trocar de óculos... – Resmunga enquanto começa a arrumar suas coisas. Suspira ao sentir uma leve queda de temperatura. Olha ao redor e seus olhos recaem sobre o canto escuro da sala que abrigava uma única cadeira. Se pergunta o porquê de não trocarem essa lâmpada. Iria falar com o diretor sobre isso.
Era 19h30min em ponto. Ela sorri. Se divertiu muito com essa última turma, tinha uns dois que além de esforçados eram bem engraçados. Melissa gosta de pessoas assim e para ela, aqueles jovens não eram alunos e sim amigos. Arruma suas coisas na sua bolsa preta e se prepara para sair da sala quando é pega de surpresa por Danilo que aparece na porta com uma pasta na mão e um sorriso no rosto.
Fale com o autor